Alison's Body
1 Ali, no!
Notas iniciais
— Eca. — Disse, não sendo muito notada.
— Cale a boca. — Sorriu, andando em direção ao homem.
— Ali, não! — Tentou em vão segurar seu braço, mas assim como em seu dormitório, falhou. Ela caminhava em direção ao palco enquanto Emily torcia em silêncio para que algo de ruim não lhe acontecesse.
Para Alison, não interessava muito se o cara era realmente bonito ou atraente. Era uma oportunidade de enlouquecer Emily, e ao mesmo tempo de movimentar as coisas em sua vida. Digamos que ela estava sendo uma boa estudante de Gastronomia em sua faculdade, e que não tinha nenhum amigo errado por lá. Emily era sua única companhia, e mesmo aquilo sendo bom ou ruim, ela sentia falta do perigo. Sentia falta de alguma emoção.
— Oi... — Disse, cruzando os pés e as mãos atrás das costas.
— Olá. — O homem não lhe deu muita importância enquanto arrumava alguns fios.
— Gostei da sua jaqueta. — Sorriu entre arfados de ansiedade, e aquilo fez com que o vocalista lhe observasse. Assim como todos os homens daquele local, ele a encarou com um olhar de luxúria, aproximando-se.
— Gostei de tudo em você.
Alison sorriu e levantou o rosto, encarando-o com as bochechas coradas.
— O que vão tocar hoje? Primeiro álbum? Último lançamento...?
— Faixas novas. É uma fã?
— Das grandes.
— Então espero te deixar extremamente louca hoje... — Aproximou-se dela e colocou um dos braços na sua cintura, passando os lábios em seu pescoço de leve. — Em todos os sentidos. — E recuou, soltando-a. — Quem é a garota te olhando com medo como se eu fosse... Você sabe... Te comer?
— É uma amiga. Não ligue para ela.
— Apenas amiga?
— É... Acho que sim.
— Vocês já foderam, ou coisa assim?
Alison mentiria se dissesse que a pergunta e a expressão não a chocaram. Mas ora, ela estava falando com um cara que exalava confiança. Precisava parecer segura e descolada, como se soubesse o que estava fazendo. Não sabia de nada.
— Muitas vezes...
— Quente. — Ele lambeu os lábios. — Você é...
— Alison. Alison DiLaurentis.
— Ali... — Ele disse de modo asqueroso, olhando-a mais uma vez. — Fique por perto, vamos comigo para a festa que vai rolar depois do show.
— Com certeza. — Sorriu e girou, voltando em direção a Emily.
— O que você fez?! Esses homens não merecem que você...
— Quieta, Em. Vou pegar algo para a gente beber.
— Não pegue nada com... Álcool. — Completou sem que pudesse ser ouvida, imediatamente arrependendo-se por tê-la trazido ali.
O olhar de malícia daquele cara para Alison não conseguia deixá-la presa ao chão. Mesmo correndo o risco de levar um soco ou uma facada, precisava lhe dizer que ela não era mais uma dessas vadias com que ele costumava passar a noite.
— Ei, você. — Tentou ser firme, arrancando a força para falar do estômago.
O homem parou seu serviço e a olhou com desprezo, apoiando-se em um dos caixas de som.
— Oi, amiga da Ali.
— O nome dela é Alison.
— Maneiro. — Disse demoradamente, e Emily pôde sentir o cheiro do cigarro vindo de sua boca. Nojo. Suspirou e encheu o peito, mesmo que estivesse tremendo por dentro.
— Acho melhor deixar a Ali em paz. Ela não é uma dessas garotas que você costuma passar a noite e depois largar por aí. Ela não faz esse tipo, ok? Faça seu show e deixe-a... Está me ouvindo?
— Ok, gostosinha... — Desceu do palco e aproximou-se da garota, violentamente. — Acha que só você pode comer aquela vadia?
— Do que está falando?!
— Você já fodeu ela, não?
Seu estômago se revirou com o modo nauseante como ele falava.
— Não, e ninguém fará isso com ela. Não desse jeito que está falando aí.
Os olhos do homem se arregalaram e ele olhou com mais intensidade para Emily, concentrado.
— Espere um minuto, está me dizendo que ela é virgem?
— Sim, e é melhor deixá-la em paz. Está me ouvindo?!
— Boa noite, gata. — Deu de costas, um sorriso em seus lábios.
Emily arfou e caminhou até Alison, segurando seu braço com uma força extremamente bruta desta vez.
— Vamos voltar para o campus. Agora.
— Me solta! Está me machucando!
— Não me faça machucar mais. Para o carro, Ali.
— IDIOTA! — Gritou e tentou empurrá-la para longe, sem sucesso. Ela encarou os olhos bravos da morena e depois o seu braço, que estava vermelho como o sangue na cara de um bêbado que havia se metido em confusão na mesa ao lado. — Emily, meu braço!
— Vamos embora.
A atenção que ela tinha sobre Emily foi perdida no momento em que a música começou ao fundo do bar. O barulho dominou por completo, tanto da banda quanto das pessoas ao redor.
— EMILY, ME DEIXE AO MENOS VER O SHOW!
Ela a arrastava para a porta de saída com determinação. Por mais que Alison tentasse arranhá-la, beliscá-la ou esmurrá-la, era inútil. Mesmo que fincasse seus pés no chão. Quase alcançavam a saída, quando um dos caixas explodiu ao longe, causando gritaria entre os clientes. O fogo da fiação dominou o lugar, e o tumulto separou o casal, deixando Emily ao chão com uma nuvem de fumaça sufocando seu corpo.
— Alison!
— Emily! — Ela avistou a loira do outro lado e correu para alcançá-la, sendo impedida por uma fenda de madeira podre que caiu a sua frente, em brasas.
Tossiu e tentou abrir os olhos com muito esforço, pois ardiam. E seu coração quase disparou ao ver que Alison estava sendo levada para fora por ele. O vocalista. Desviou para a saída e correu até o lado de fora, onde a gritaria de pessoas feridas e de bêbados escandalosos era ainda mais infernal. Depois de sacudir a mão em frente ao rosto, avistou Alison tropeçar em seus pés, sendo segurada pelo tal homem e correu até ela, desesperada.
— Ali!
Alison a olhou por cima do ombro e virou-se, sendo coberta pelo sorriso sinistro do vocalista.
— Ela está segura, garota. Volte para as suas bonecas.
— Ali, não faça isso. Venha aqui, agora!
— Você não manda em mim.
— Ali, está louca? Você nem mesmo conhece esse cara!
— Me deixe em paz, Emily! — Gritou, e virou-se junto ao homem em direção a van da banda.
— Não! — Correu até ela, mas o ardor em sua barriga a fez parar, deixando-a de joelhos. O homem limpou a faca em sua calça e sorriu, gesticulando para que Alison continuasse a andar.
Alison olhou para Emily com uma preocupação desesperadora em seus olhos, mas seguiu em frente. Afinal, quem era Emily Fields para dizer a ela para não fazer algo? A morena fechou as duas mãos em seu pequeno sangramento e esvaziou-se de lágrimas, conforme a porta daquela van se fechava. Ela tinha certeza... Certeza da sensação que estava vendo Alison com vida pela última vez.
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