Alien Panic
72 Crise 72 - A Solução de Lua
Notas iniciais
— Não acha que deveria falar com a Lua? — disse para Estrela, enquanto caminhávamos em passos lentos demais para o colégio — Pelo menos tente dar um pouco mais de atenção para ela!
— O que mais eu posso fazer? — respondeu ela — Posso levá-la ao parque depois que me livrar do compromisso no festival. Por sinal, também não é uma das melhores tarefas!
— Já sei! — exclamei e, pelo olhar das pessoas fazendo corrida que passaram por nós, exclamei mais alto do que deveria — Por que não pede para outra pessoa te substituir na palestra?
— Bem, poderia fazer isso... — Estrela parecia pensativa. Será que finalmente tive uma ideia boa? Infelizmente, um enorme carro, certamente pertencente a alguém bastante rico, parou no encostamento logo ao nosso lado e a janela do banco traseiro se abriu. O rosto de Bruna apareceu diante de nós. Estrela não parecia nada abalada.
— Ora, ora. Se não são meus queridos colegas de classe? — disse ela.
— B-Bruna? — gaguejei, quase saltando para trás diante da surpresa.
— Sim, sou eu. Vi vocês andando por coincidência e pedi para meu motorista parar. Só queria lembrá-los do compromisso que a Estrela tem com a escola no festival cultural.
— É claro que nos lembramos! — falei — Aliás, gostaríamos de...
— E também gostaria de lembrar que a palestra de Estrela é a parte principal! Não vou admitir faltas e muito menos qualquer substituição. Trate de vir mesmo que esteja com dengue, ouviu?
Ela tinha que acabar com a minha ideia...
— Estarei lá, não se preocupe — disse Estrela, após um breve suspiro.
— É bom mesmo. Sabe que zelo pela qualidade do trabalho de nossa sala, como toda representante faria — respondeu Bruna, dando um sinal para seu motorista seguir em frente.
— Viu só? Ela realmente quer que eu participe do festival. Se não fizer isso, meus problemas com essa garota só irão aumentar e não quero complicações para o meu lado — explicou Estrela.
— Pelo menos a Bruna poderia ter dado uma carona para a gente — lamentei. Ao terminar de falar isso, não muito tempo depois do carro ter se locomovido, o veículo retorna de marcha-ré e Bruna voltava a abrir sua janela ao nosso lado.
— Ah, sim. Perdão por não oferecer uma carona — disse ela.
Que sorte! Sabia que, no fundo, no fundo, Bruna não era uma pessoa tão má.
— Esse carro acabou de ser lavado por dentro e seria muito ruim que vocês o sujassem com toda a poeira da rua. Desculpem. Vejo vocês na sala. Até mais! — disse ela, com um sorriso extremamente falso e arrancando com o carro mais rápido do que antes. Aquela garota era mesmo difícil de lidar. Imagino que estar na lista negra dela não seria exatamente agradável. É verdade que Estrela era forte, mas não gostava de ser incomodada. Ser inimiga de Bruna, para ela, seria uma declaração de aceitação de inconvenientes. E olha que ela já não ia muito com a nossa cara...
— Mas Lua está me preocupando — falou Estrela — É verdade que não quero chateação com aquela Bruna, mas se tratando da minha irmã...
— Ela ficou chateada, né? — comentei — Mas se vocês são boas irmãs, tenho certeza de que farão as pazes logo.
— Espero que você esteja certo — disse Estrela, ainda com um ar preocupado. Era raro vê-la assim. De qualquer forma, conseguimos chegar ao colégio pouco tempo depois apenas para sermos puxados por Kevin, o agente da CICE (Central de Investigação para Casos Extraterrestres) infiltrado em nosso colégio. Ele parecia bem...aflito.
— Preciso falar com vocês! Agora! — disse ele.
— Kevin, você...está branco — reparei.
— E como não estaria? — disse Kevin, esboçando sua preocupação e mãos trêmulas — Acabamos de receber uma informação de tipo 33.
— E o que é uma informação de tipo 33? — perguntei.
— No código da CICE? Significa um risco mais do que extremamente alto! — falou ele — Vejam!
Kevin mostrou seu aparelho confidencial e mostrou um relatório com uma imagem estranha. Só via um fundo preto com alguns pequenos pontos brancos. Parecia o espaço sideral.
— O que isso significa? — questionei. Estrela não disse nada, mas também estava interessada.
— Vou ampliar a imagem — continuou Kevin — Percebe agora?
— Continuo não vendo muita coisa — respondi.
— Vai perder a qualidade da imagem, mas tudo bem — continuou Kevin — Olha aqui! Tá vendo esse pontinho marrom?
— O que tem? — perguntou Estrela.
— Isso é um asteroide de proporções quase planetárias! E ele está vindo na direção da Terra! — exclamou Kevin, embora baixo o suficiente para não gerar pânico nos outros alunos (não que ele precisasse, já que os outros já achavam ele meio estranho e não levariam muito a sério o que vinha da parte dele).
— C-Como?! — falei, caindo para trás. Ao contrário dos outros alunos, eu sabia quem Kevin era e sabia que ele tinha boas informações do que acontece em relação à Terra antes de todo mundo — Um asteroide gigante?
— Exatamente! — confirmou Kevin — Essa coisa está se aproximando da Terra cada vez mais. E pelos cálculos da CICE, ele pode acabar facilmente com todo o planeta!
— E-Espera aí...então...tem um asteroide gigante que pode nos destruir? — eu não podia acreditar nisso, embora eu já estivesse acreditando.
— Sim — disse Kevin — E ele vai se chocar com a Terra na noite da sexta-feira da outra semana! Isso é muito grave! Ainda estamos discutindo quando iremos passar essa informação para a NASA!
— Sexta-feira da outra semana? — repeti — Espera! É um dia antes do festival!
— Exatamente — disse Estrela — É coincidência demais, não acha?
— O que está insinuando? — perguntei, sentindo um certo tom de suspeita em Estrela. Assim que faço essa pergunta, o Portal Gun dela (que nas horas de folga servia como telefone celular) tocou.
— Lua! — atendeu ela, prontamente. Como pude me esquecer? Lua também estava com o próprio Portal Gun dela e poderia ter ido a qualquer lugar do universo conhecido pelo Setor W a qualquer momento.
— Maninha! — disse Lua do outro lado. Como eu sei disso? Estrela colocou no viva-voz, para que ouvíssemos o que a irmã tinha a dizer. Afinal, ela já tinha uma intuição de que Lua podia ter algo a ver com o incidente do asteroide.
— Lua, onde você está? — perguntou Estrela.
— Ah, resolvi dar uma passada no centro de visualização do cinturão de asteroides de Gigantos — disse ela.
— O planeta turístico onde é possível ver o cinturão de asteroides gigantescos? — explicou Estrela (ainda bem, pois não tinha a menor ideia de onde era aquele lugar e parece que Kevin também não).
— Sim — falou Lua — Gosto de vir aqui para me acalmar. E isso foi ótimo! Tive uma ideia espetacular!
— O que você fez, Lua? — Estrela não parecia tão calma quanto de costume.
— O seu problema para não me levar ao parque é seu compromisso na Terra, certo? Então eu pensei..."É claro! Só preciso destruir a Terra e Estrela não terá mais que dar a palestra dela lá!". Daí peguei um estilingue e atirei uma pedra em um asteroide que estava caminho para se colidir com outro asteroide no cinturão que, por sua vez, se colidiu com outro asteroide e se colidiu com outro asteroide que...
— O que você fez, Lua?! — repetiu Estrela.
— Resumindo, calculei como uma série de colisões poderia causar o movimento de um asteroide em uma trajetória na direção da Terra, previsto para atingi-la exatamente na véspera do festival. Simples.
— Simples? Como isso pode ser simples? — perguntei.
— Minha irmã é um gênio quando se trata de calcular coisas — explicou Estrela.
— Essa voz...Ah, o Vitor está aí? — parece que falei mais alto do que devia — Beijo, Vitor. Aproveite bem esses últimos dias da Terra — disse Lua, com toda a calma do mundo.
— Lua! Como você foi capaz de fazer uma coisa dessas? Impeça isso agora! — reclamou Estrela.
— Desculpa, maninha. Eu falei que não ia desistir do meu plano de ir com você no parque logo no começo do dia, não falei?
— Se você não impedir esse asteroide, eu vou impedir! — disse Estrela, com mais convicção do que o costume — Não vou deixar que destrua o planeta que tanto me esforço para estudar!
— Ah, é? Se você vai impedir, então eu vou te impedir de impedir. Se depender de mim, esse asteroide vai colidir com a Terra, sim. Vai ter colisão sim! E se reclamar vai ter duas! Tchau, maninha!
— Lua! Lua, eu não acabei ainda! Oh, droga...
— Estrela... — tentei um contato, mas ela parecia bem afetada com a notícia dada por Lua.
— Quem era aquela garota? — perguntou Kevin.
— A irmã de Estrela, Lua. E, pelo que eu entendi, ela foi a causa desse asteroide — expliquei.
— Isso é ruim — falou Estrela, com um ar pensativo (e apreensivo) — Agora, estamos enfrentando a minha irmã. E quando ela entra numa guerra...vai até o fim.
Espera aí. Então Lua é nossa nova inimiga...e tem um asteroide gigante vindo em direção à Terra. Acho que isso é informação demais para mim. Meu coração está quase pulando da minha boca. Vou até terminar o capítulo agora para conseguir digerir isso. O que está havendo com o mundo?!
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