Alien Panic

123 Crise 123 - A Esperança de Estrela


Notas iniciais
Mais um capítulo. Boa leitura! :)

—Então ainda tem mais coisa naquela história? — perguntei – Você tem mais pistas sobre o papel da Unificadora, da garota de cabelos brancos ou seja lá quem for?

Estrela fez que sim com a cabeça. Lua também esboçou um olhar de curiosidade.

—Eita, agora até eu fiquei curiosa – disse a irmã de Estrela – Achei que já sabia tudo dessa história doida pelo que falavam lá no Setor W.

—Como eu disse, é apenas uma esperança – prosseguiu Estrela, voltando-se para o painel de controle e acessando algumas telas – Olhem esse cara.

Ela mostrou a foto de um senhor de bigodes brancos, porém careca. Era bem idoso, com muitas rugas e possuía algumas manchas escuras na parte de cima da cabeça.

—Quem é ele? — perguntei.

—É um estudioso de questões antigas, um historiador – explicou Estrela – Um dos maiores especialistas no estudo das origens do Setor W que temos.

—Não sabia que você tinha tanto interesse em história – observei.

—E não tenho. Só conheci esse cara porque ele deu uma palestra no mesmo local em que eu iria dar uma palestra. Daí acabei assistindo a apresentação dele enquanto esperava para começar a minha – explicou Estrela.

—Nunca vi mais velho – disse Lua.

—Na verdade, ele também não é muito reconhecido pelos pares – continuou Estrela – Os outros estudiosos acham a tese dele meio duvidosa.

—Tese? — perguntei – Qual é a tese dele? Em uma linguagem que eu entenda, por favor.

Estrela suspirou.

—Basicamente – ela prosseguia – Ele defende a tese de que a Unificadora não sumiu sem deixar pistas. Há um documento bastante antigo, encontrado recentemente, dizendo que uma das últimas palavras da Unificadora foi que se quisessem encontrá-la novamente, poderiam juntar os três minérios na estrela do norte.

—O que ela quer dizer com estrela do norte? — perguntei.

—Do ponto de vista da região do Setor W, seria o ponto luminoso correspondente a essa galáxia aqui – Estrela mexe no painel e mostra uma tela com a imagem de uma galáxia que, ampliando, revelava um sistema com vários planetas – O problema é que só há um local com possibilidade de vida nessa região, Edenis.

—Edenis? — disse Lua – Acho que já ouvi falar.

—É um planeta bem pequeno – falou Estrela – Mas consegue abrigar algumas plantas e outros seres vivos, mas nada de vida inteligente. Além disso, é tão pequeno e com tão pouco de recurso que o Setor W sequer se deu ao trabalho de colonizá-lo, ainda que algumas pesquisas de campo já tenham sido feitas ali. Aliás, já visitei esse planeta algumas vezes.

—E é nesse lugar que podemos encontrar a Unificadora? — perguntei.

—Como eu disse, é apenas uma suposição. A maioria dos pesquisadores acham que o documento defendido pelo professor Orion não é uma fonte confiável, mas ele insiste que é – explicou Estrela – Se essa história for verdadeira, talvez consigamos fazer a Unificadora aparecer.

—Se ela for mesmo a garota de cabelos brancos... — balbuciei – Poderemos encontrá-la de novo!

—Mas o que a gente ganharia com isso, heim? — perguntou Lua – O que teria demais em chamar essa unificadora?

—Talvez ela possa trazer de volta a razão para os governantes atuais do Setor W, afinal, é um dos seres mais poderosos responsáveis por formar nossa cultura – respondeu Estrela – Mas como eu disse, é uma aposta, uma esperança. Pode ser que não dê em nada, mas se der...pode nos ajudar a enfrentar aqueles caras.

—E conseguir seu trabalho de volta – falei.

—Não estou preocupada com o meu emprego – disse ela – Estou mais preocupada com o tipo de destino que uma campanha de controle do Setor W pode ocasionar ao universo ao tentar liberar passagem para outros universos. Você sabe que isso não é uma tarefa fácil, não sabe? É verdade que o Eternium produz muita energia, mas abrir um portal capaz de atravessar uma dimensão paraela...isso pode causar tantos efeitos colaterais quanto uma viagem no tempo.

—Então eles podem mesmo acabar causando uma desgraça terrível? — perguntei.

—Sim. Pensando em tudo isso, achei por bem realmente desobedecê-los, ainda que isso tenha causado certos problemas para a Terra – explicou Estrela.

—Nem me fale – disse Lua – Depois sou eu que causo problemas aqui. Se aqueles caras vierem para cá dispostos a qualquer coisa, esse planetinha não vai ter a menor chance.

—E-Eles são tão fortes assim? — perguntei em tom de temor – A situação é pior do que eu pensava.

—Não deixe ela te assustar – falou Estrela – É verdade que eles são fortes, mas também possuem o mínimo de diplomacia. Eles não vão recorrer à violência sem negociar antes, só que...não temos muito tempo.

—Ele disse dois dias, não disse? — perguntei.

—Exato. Em dois dias, eles conseguem resolver toda a burocracia para mandar representantes para cá e buscar os cristais. Temos que agir rápido – falou Estrela, com um tom pensativo – Tudo bem: o plano é esse. Vamos juntar os três cristais Eternium e levá-los para Edenis.

—Mas a menina de cabelos brancos falou que unir todos os cristais pode ser perigoso – lembrei.

—Isso fortalece a minha hipótese de que deve ter algo a ver com a história do velho – disse Estrela – Talvez...aquela garota seja obrigada a aparecer diante de condições especiais. Tudo isso é muito misterioso, mas deve ter algo a ver com isso...ah, só vamos saber se tentar.

—Isso parece bem arriscado – falei.

—Para mim parece divertido – respondeu Lua.

—E o que temos a perder? — disse Estrela, dando de ombros – Se ficarmos parados, não vai resolver nada, não concorda?

—Bom, nesse ponto é verdade – concordei.

—Além disso, estamos até em vantagem – disse Estrela – Temos dois dos cristais Eternium. Só precisamos encontrar o último.

—Correção: vocês tem um dos critais Eternium – falou Lua – O outro está com o pessoal da CICE, não está?

Estrela virou os olhos em desânimo.

—É verdade. Obrigada por lembrar – disse ela – Teremos que dar um jeito do Kevin e o pessoal da CICE colaborarem conosco.

—Mas mesmo que a gente consiga fazer isso – falei – Como vamos conseguir achar o outro cristal?

—Para isso temos tecnologia, não é? — disse Estrela, voltando-se para o painel de controle – Tenho um programa capaz de mostrar onde fontes poderosas de energia estão localizadas no universo, desde que tenhamos uma amostra dessa fonte de energia. Para algo como o Eternium, será fácil para o sistema localizar o que precisamos.

—Consegue mesmo fazer isso? — perguntei.

—Claro – confirmou Estrela – E quando tivermos os dados, basta irmos ao local correspondente e pegarmos o cristal lá. Com isso teremos todos os cristais Eternium em mãos.

Como o Eternium já estava sendo analisado, foi fácil para Estrela usar os dados dele. Não demorou muito para algo aparecer na tela, com alguns pontos piscando, ainda que bem fracos, no monitor.

—O que é isso? — perguntei.

—Isso é um mapa em escala bastante ampliada do universo conhecido pelo Setor W – disse Estrela – E temos um total de cinco pontos piscando na tela.

Estrela ampliou um pouco em um deles e pude ver o brilho com um pouco mais de identidade.

—Nessa região temos a Terra – ela disse – Note que aquele brilho de antes, na verdade, correspondia a dois pontos brilhantes. São os dois cristais Eternium que temos aqui.

—Então funciona mesmo? Uau! — exclamei. Estrela continuou.

—Agora...os outros pontos – ela parecia intrigada.

—Vai me dizer que há mais do que três cristais Eternium? — perguntei.

—Caraca. Só complicam nossa vida – lamentou Lua.

Estrela ampliou um pouco mais e percebeu que os pontos brilhantes eram mais fracos se comparados com os pontos que correspondiam aos cristais que estavam na Terra. Após alguns instantes pensando, ela finalmente apresentou uma conclusão.

—Acho que já sei o que está acontecendo – falou ela – O terceiro Eternium...está dividido.

—Dividido? — perguntei.

—Sim – confirmou Estrela – Na verdade, o terceiro Eternium está separado em quatro fragmentos.

—Realmente, só complicam as coisas – lamentou Lua.

Fragmentos? Então nossa solução não viria tão fácil mesmo...

Notas finais
Obrigado por ler e até o próximo! :)