Alien Love
19 Enteada do Diabo
P.O.V. Consul Penhallow.
Estávamos monitorando atividade demoníaca. Só mais um dia comum, até que um homem de terno sob medida entrou no Instituto.
Não nos preocupamos á princípio, pelo menos até ele falar com aquela voz calma, baixa e sotaque britânico:
—Olá Shadowhunters.
Ficamos chocados.
—Não vão me cumprimentar? Mas, que falta de educação. Ela não mentiu quando disse que vocês tem um ego do tamanho do mundo.
—Como você pode nos ver?
—Um anjo entra no seu precioso Instituto, e você o recebe com um interrogatório? Que feio.
—Um anjo?
Eu ri.
—Você deve ser a senhora Penhallow. Permita que eu me apresente, eu sou Lúcifer Morningstar.
—Demônios não podem entrar no Instituto. Eles não passam pelas alas de proteção.
—Garoto, eu sou o diabo admito. Mas, Demônio eu não sou. Eu sou um anjo.
Alec sacou o arco.
—Jace...
—Jace? Mas que prazer. O traidor Jace. Você é o que mais vai sofrer.
—Não sou traidor.
—Não é? Você disse que a amava, mas quando ela mais precisou... você virou as costas para ela! Você a abandonou!
Os olhos dele mudaram de cor. Ficaram vermelhos como fogo.
—Ai Meu Deus!
Alec atirou uma flecha, mas ele a pegou no ar.
—Parece-me que vocês não são tão diferentes assim. Clave, Ciclo... não há diferença. Valentim Morgenstern aprisionou, torturou e tirou o sangue do meu irmão Ithuriel! O manteve em cativeiro por vinte anos! Admito. Eu tenho um problema com o meu pai, odeio-o, odeio a minha mãe e tenho uma família muito disfuncional. Mas, ele é meu irmão! E ela é minha enteada!
Os meus guardas o cercaram e apontaram lâminas serafim para ele.
—Está cercado. Se renda.
—E você acha que estes seguranças de shopping mal pagos, podem contra um Arcanjo? Muito bem, então. Mandem ver!
Os guardas o atacaram e as asas saíram de suas costas. Brilhantes, cintilantes, brancas e ele as usou com escudo, como espada.
Ele fatiou os meus guardas com suas lâminas serafim.
—Adeus, segurança de shopping. Vejo você lá embaixo.
Disse enterrando a lâmina no peito do último guarda.
—Então, minha cara Cônsul. Hora da confissão.
P.O.V. Jace.
Caramba! O padrinho da Jean é o diabo! Ele olhou no fundo dos olhos da Cônsul.
—Me diga, senhora Penhallow. O que você... realmente deseja? O que move a sua alma?
—Eu...
—Sim?
—Eu quero ser juíza.
—Oh! Então quer ser aquela que bate o martelo?
—É. Eu quero ser juíza da Clave. Satisfeito?
—Ainda não. Você seria capaz de incriminar uma garota inocente para conseguir o que quer?
—Sim.
Então, a Consul começou a falar por conta própria.
—Ela não é inocente! É uma abominação! Uma violação da ordem natural! Onde já se viu um ser vampiro, bruxo e shadowhunter? Misturar sangue angelical, com sangue submundano?! Só podia ter sido obra do diabo!
—Então, a senhora admite que tentou incriminar Jean pelos garotos que morreram lá no bosque?
—É. A criatura seria mandada para Gard e logo em seguida seria destruída. Mandada de volta para o inferno onde pertence!
—Minha cara, se nem eu decido quem vai para o Inferno... que Poder você acha que tem para fazê-lo?
—E o que vai fazer agora?
—A senhora é uma Shadowhunter e se orgulha disso. Mas, como tal isso implica que não pode ser acusada pelas autoridades mundanas. Então, nós vamos para Alicante e eu vou pessoalmente atirá-la nas chamas. Este anjo, não terá misericórdia de você.
—O que?! Não! Não pode!
—Na verdade posso. Eu sou um anjo. Os Shadowhunters se não me falha a memória vivem para servir os anjos. E agora você vai me servir. Será o meu exemplo.
Ele agarrou a Cônsul e saiu voando.
Nós chegamos á Alicante bem a tempo de presenciar Lúcifer jogando a Cônsul na fogueira.
—Ninguém vai incriminar a minha enteada e se safar! Ninguém vai capturar, torturar e usar o meu irmão e se safar! Ninguém!
—Irmão.
—Amenediel.
—Já chega.
—Oh, não. Ainda falta um.
O anjo furioso avançou encima de mim.
—O traidor.
—Jace!
—Ela te amava seu desgraçado. Ainda chora por sua causa, mas você não vale uma lágrima dela, não a merece. Na única oportunidade em que poderia ter escolhido se levantar por ela, defendê-la... você não a escolheu.
—Já chega Lúcifer!
—Nunca acreditei que ela tivesse feito aquilo.
—Mas, não a defendeu. A abandonou. Deixou-a sozinha, a mercê desta sua gente infeliz.
—Luci, é só um menino.
—Você está certo. Ele está certo. Nunca acreditei na culpa de Jean, mas não a defendi. E por isso, sempre me arrependerei.
—O menino como você chama, não o é. É?
—Não.
—Você sabe o quanto ela é especial, sabia que ela era inocente. A maneira como ela falava de você, do quanto você, Jace Herondale era bonito, diferente dos outros. Falava do seu caráter, da sua nobreza.
Sua voz soou enojada.
—Jean é especial, muito mais do que você. Criatura desprezível e medíocre. Ela é como uma filha para mim. E você não a merece.
Finalmente o anjo me largou.
—Jace!
Ouvi a voz de Alec, mas parecia distante. Logo voltei a me orientar.
—Anjos são pura bondade.
—Anjos da guarda com certeza. Mas, eu não sou anjo da guarda. Não. Sou um anjo vingador. Eu faço os culpados cuspirem os seus pecados, confessarem, praticamente os vomitarem e depois. Eu os faço pagar por eles.
—Porque viria atrás de nós? Só por causa da tal tri-híbrida?
—Ela é um motivo forte sim, mas vocês todos fedem a culpa. E quando partirem deste lugar o único anjo que vão encontrar serei eu. Porque vocês são monstros e vão para o inferno onde se torturarão com esta verdade pela eternidade. Não são melhores do que a outra facção. Não são e nem nunca foram melhores do que aquele bastardo do Valentim Morgenstern e seus seguidores malucos!
—Irmão.
—Bom, parece que temos uma reunião de família! Me pergunto se o querido e velho pai, vai decidir da o ar da graça.
—Lúcifer, está fazendo tempestade num copo d'água. A Consul já confessou que tentou incriminar Jean, você já a fez pagar.
—Mas, foi você que começou esta bagunça em primeiro lugar! Você é responsável! E papai é um hipócrita!
—Luci...
—Humanos não podem ter prova de divindade não é? E ainda assim, ele te mandou para dar seu sangue para aquele romano.
Seu sangue? Oh, Meu Deus! O outro anjo, de cabelos claros... é Raziel.
—Você é Raziel.
—Sou, minha criança. Luci, fiz o que o Pai ordenou como...
—Como todos. Menos eu.
—O mundo estava se afogando nas trevas, irmão. E o pai sabia disto. Demônios demais, anjos de menos, humanos sendo massacrados, possuídos. Foi a alternativa que ele encontrou. Eles foram criados para proteger a própria espécie.
—E veja o que aconteceu! Se voltaram uns contra os outros, desprezam, odeiam as outras criaturas. Se colocaram num pedestal, feriram nosso irmão. Permitiram que minha primeira quase destruísse um dos seus e a humanidade com ele!
—Também está sendo um tanto hipócrita não é irmão?
—Se refere a Jean. Eu nunca segui nenhuma regra. Nunca gostei delas, nunca me comprometi. Estava cansado de dizer amém.
—Sempre o meu irmãozinho rebelde.
—Só há um erro nesta sua sentença.
—E qual é?
—Irmãozinho. Não sou seu irmãozinho, sou seu irmãozão. Quer queira ou não Razi, eu fui criado primeiro. Sou o primogênito.
—Está certo. Então vamos, irmãozão. Não acha mais prudente estar na sua residência com Chloe e Jean? A sua pobre enteada está devastada. De coração partido.
—Está certo. Não vou abandoná-la em um momento de necessidade.
—Luci...
—Nosso Pai me abandonou, expulsou-me de minha casa, atirou-me no Inferno e eu o desprezo por isso. E não quero falar mais deste assunto.
Eles saíram voando.
—Bom, isso foi... esquisito.
—Parece que até os anjos tem problemas familiares. Irmãozinho.
Alec olhou com cara de... me poupe, para Isabelle.

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