Alice no País das Maravilhas
9 Capítulo 9 - O Julgamento do Mestre Gato
Notas iniciais
O julgamento foi arranjado às pressas
A multidão louca e esbaforida entrou no castelo às presas e eu a segui. Montavam-se bancadas e os animaizinhos estavam muito animados com tudo isso
O Mestre Gato teve as patas algemadas e foi levado ao júri
As criaturinhas da bancada estavam alvoroçadas, loucas para condenar alguém.
Eu me sentei na bancada, mas estava bem ao lado de um tipo de monstro que babava e ofegava muito
\"Que hálito horrível!\"
O réu ria altamente e o júri dava urras agressivas. Eu apenas sentei na bancada e fiquei observando
Finalmente todos se calaram para dar inicio ao julgamento
A Rainha falou primeiro:
- Cortem-lhe a cabeça!
- Majestade, acalme-se, primeiro as acusações — o Coelho pediu
- Claro, mas ande logo! — a Rainha falou com raiva — quero decapitar alguém hoje!
O Coelho começou
- O Gato é acusado de perturbar a paz, destruir propriedades privadas, instigar violência e ser perturbado
- Perturbado!? Ele é quem nos perturba! — o Rei objetivou
- Exato, Majestade, ele tem a mente perturbada e por isso nos perturba
O rei refletiu um momento, mas o Gato quem falou
- Tem lógica...
- Quieto! — A Rainha gritou — Agora a sentença sim: Cortem-lhe a cabeça!
Neste instante a cabeça do Gato se desgrudou do seu pescoço e foi flutuando até ficar de frente a Rainha, esta arregalou os olhos de espanto. Ficaram contemplando um a face do outro em silencio até alguém falar
- Creio que não podemos cortar uma cabeça que já está cortada — o Rei falou
- Ordeno que volte ao seu corpo! — a Rainha gritou
A cabeça obedeceu vagarosamente até se encaixar no seu respectivo corpo, mas do lado contrario
“Agora ele realmente tem olhos na nuca” eu ri baixinho na bancada
O Gato retirou a cabeça novamente e a colocou na posição certa
- Agora — o Coelho começou — A opinião do júri
A Rainha bateu o pé com fúria
- Quero dar a sentença! A sentença!
- São as regras querida — o Rei tentava acalmá-la em vão
- Com a palavra o júri — O Coelho anunciou
Começou uma balburdia enorme, uns falavam, outros, babavam ou urravam.
Alguém pisou em minha asa e não consegui conter um grito e algumas lágrimas
Mesmo assim a cacofonia só aumentava
- Calem-se! — Sophie ordenou brandindo a foice
O júri acuado calou-se imediatamente
Sophie não parecia estar se divertindo e talvez, por isso decidiu tomar as rédeas da situação
- Chamem o Dormindongo
Logo o pobre Dormindongo estava entrando na corte acompanhado de duas cartas-guardas e, como de costume, com um ar de sono e andando devagar
- Que tem a dizer sobre o Gato? — Sophie perguntou ameaçadoramente apontando a foice para o pescoço dele, mas este nem se abalou
\"Logo estará dormindo. E creio que é muito inútil isso de ouvir quem não quer falar\" pensei alisando a asa onde ela tinha sido pisada, tentando amenizar a dor, mas sem muito sucesso
Após um grande bocejo que deixou todos na corte ansiosos para ouvi-lo, Dormindongo deu suas palavras:
- Nada a declarar
E dormiu
Eu prendi o riso um pouco, mas Sophie percebeu e falou:
- Agora, chamo à corte, Alice!
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