Alice no País das Maravilhas
1 Capítulo 1 - Na toca do Coelho
Alice estava entediada por ter de ficar ouvindo a irmã falar sobre a lição de História, não via entusiasmo algum em saber de tratados de reis da Inglaterra, subiu na árvore onde a irmã estava debruçada e deu para colher flores. * * * — Alice, preste atenção! — Como prestar atenção em algo tão chato? — Ora, Alice a História não é chata. — É sim! — Que seja, mas ainda assim deves prestar atenção. Ora, só sabem me dar ordens! Alice faça isso, Alice faça aquilo, estou cansada! Desci da árvore em silêncio para que ela não me ouvisse e fui deitar no campo de flores. — Oh, Diná, eu gostaria de mandar, então todos teriam de dizer: Sim, Dona Alice, nós o faremos! – falei para minha gatinha – Olhe Diná um coelho de óculos, bem, como eu ia dizendo, se eu mandasse... UM COELHO DE ÓCULOS! Veja Diná, que assombroso!
Corri atrás dele (daquilo, já que era tão anormal...)ele entrou numa toca tão pequena que tive de me agachar para poder entrar, mas no instante seguinte: — Ahhhhhhh! — já não sentia mais o chão, comecei a cair por um buraco escuro, mas logo vi lamparinas de chama azul penduradas na parede, era espantoso como elas pareciam bem presas, nas paredes havia azulejos brancos, pretos e cinzas, como um tabuleiro de xadrez com uma cor a mais, e vários retratos de pessoas desfiguradas que davão um ar de abandono àquele lugar. Os rostos eram pálidos, furiosos e olhos bem abertos, pareciam me seguir com o olhar durante a queda. Por falar em queda a minha estava muito demorada e aqueles rostos me assustavam! Mostrei a língua para eles como se não me importasse, mas me importava. — COMO OUSA MENINA?! Levei um susto tão grande com o rosto de um dos quadros me reclamou que acabei virando de ponta cabeça. — Ora, eu não – a saia do vestido caiu no rosto – eu não queria ofender, achei que fossem apenas retratos. — APENAS RETRATOS?! – uma mulher gritou para mim, mas eu não podia vê-la com o vestido no rosto – A quem chama de retrato, insolente?! — Eu não pretendia, ahhhhhhhhhhhhhhhh! – uma doninha saiu de um buraco na parede e quase arranhou meu rosto, com este susto acabei virando de cabeça para cima de novo, mas já não via os retratos eles haviam ficado para cima, vi várias garrafinhas com rótulos de veneno em prateleiras na parede e também vários espelhos dos mais variados tipos(côncavos, convexos, retos) Foi a queda mais longa e mais estranha que tive, olhei para baixo, parecia sem fundo. — Oh, céus! Devo cair eternamente. — Não, não deves! — Quem disse? — EU disse! — Eu quem? — Eu, você! Vi por alguns instantes meu reflexo me acompanhando através dos espelhos, mas estava diferente, parecia não dormir há vários dias, pelas polpas roxas embaixo dos olhos. — Não vês que sou tu e tu sou eu? — Sim vejo, mas não posso falar comigo mesma, mamãe diz que não é certo. — Mamãe não está nem manda aqui, mas não podes cair para sempre, deves chegar ao outro lado. — O outro lado do mundo? — Não, tola, o outro lado é o fundo, mas olhe, eis que ele se aproxima. — Aiiiiiiii! – cai de joelhos no chão, era como as paredes do buraco, com ladrilhos parecidos com o tabuleiro de xadrez. – Coelho, espera! Ele estava quase saindo, me olhou com um olhar ameaçador e saiu por uma portinha, tentei segui-lo, mas ele fechou a porta e me trançou dentro da saleta escura. Sentei no chão procurando um jeito de voltar, escalar era impossível, então só me restava a portinha, senti algo molhado no chão, olhei e vi tudo vermelho. Sangue! Mas não era meu... Quem sangrava então? Olhei ao redor e vi uma fenda na parede de onde emanava o sangue. Aproximei-me dela e olhei bem de perto. — Que quer menina?! – a fenda falou, cai sentada de novo no sangue. — A senhora... — SENHORITA! Agora que queres menina? — Quero passar pela porta, mas está trancada. — Ora, beba o sangue. — O que? Não posso. — Não queres passar pela porta? – eu respondi que sim – Então deves beber do meu sangue, assim ficas do tamanho dela e passas. — Mas está trancada e quanto a chave? — A chave está ali, não vês? Ali no branco. Procurei e a vi num ladrilho branco, corri até, mas quando cheguei ao ladrilho preto ao lado... — Ahhhh! Cai por entre os ladrilhos e voltei automaticamente para perto da fenda sangrenta. — Menina, o que não vês, naturalmente não está lá, não viste que não havia ladrilho? — Mas havia... – tentei de novo, e... Cai de novo, decidi ir somente pelos ladrilhos brancos, mas quando peguei a chave estes também começaram a cair... e fiquei ilhada no ladrilho onde estava a chave, foi o único que não caiu.
Notas finais
No proximo capitulo:
Beber ou não beber da fenda sangranta, éis a questão!
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