Alice in the sky with angels
7 Imprevistos.
— Vocês acham que ficou legal? — perguntei pela sexta vez para Henrique e Berenice, que estavam sentados na minha cama há mais de cinquenta minutos.
Já passava das cinco e eu ainda não sabia com que roupa iria. Eu nunca fui de me preocupar com roupas, até Berenice ficar falando por quase uma hora que eu deveria me esforçar pelo menos para parecer uma garota. Estou usando um vestido verde e branco, que me faz parecer um maço de salsinha.— Você não quer voltar pra calça jeans? Eu gostei mais dela. — Henrique disse, com uma mão alisando a barba. — Porra a calça foi a primeira roupa que eu coloquei! — tiro o vestido pela cabeça e jogo no chão, cantando a calça jeans de novo.— Poderia tentar também uma dessas — Berê estava com uma das minhas camisas de botão sem mangas com estampa de bolinhas.— Acho que vai ficar muito...— Eu já sei! — uma camisa voou pelo quarto até meu rosto. — Coloca essa merda. Olho para a camisa, é uma de flanela xadrez vermelha e preta com mangas até os cotovelos, com um decote em V não muito cavado nem muito inexistente, mas ele demarcava a presença dele.— Você é um cretino, mas eu te amo. — olho para Henrique e ele pisca para mim. Colo a camisa e ajeito o decote, não que eu tenha seios fartos, mas também não sou uma tábua.— Vai com a bota de salto com aquela tira. — Aquilo é um sapato de lolita, Henrique — Berenice argumenta, pressionando os lábios para não rir.— É a mesma coisa. — ele revira os olhos— Não quero ficar com bolhas nos pés. Vou de tênis. — decidi, balançando a cabeça uma vez.— Vai com o cinza! A campainha lá embaixo tocou e nós ficamos congelados no lugar. Aí tocou de novo, e mais duas vezes seguidas.— Coloca o sapato e ajeita o cabelo, vou enrolar ele. — Berenice já estava voando escada abaixo fora do quarto. Corri para colocar o tênis, dando pulinhos pelo quarto procurando um elástico pro cabelo.— Não dá tempo de fazer coque, vai de rabo de cavalo. Meu Deus são seis horas em ponto! — Henrique andava de um lado pro outro pelo quarto, jogando coisas dentro da minha bolsa de couro marrom. Tentei ao máximo controlar os cachos, até passando um pouco de creme, fazendo o melhor que dava em trinta segundos. Virei para Henrique e ele jogou a bolsa em mim — Já botei tudo aí. Celular, dinheiro, remédio pra alergia... Se cuida! Eu já estava correndo pra fora do quarto passando a alça da bolsa pelo meu ombro, tomando cuidado pra não cair nas escadas como sempre acontecia, até que cheguei na sala. E lá estava ele, com uma calça jeans e camisa preta simples, e ele estava olhando fixamente para mim abaixando a cabeça em seguida, tentando não sorrir.— Oi. — ele disse, e então notei Berenice sentada no sofá com os olhos passando de Miguel para mim, como se estivesse num jogo de tênis. — Bom...vamos?— Ah sim, claro. — passei por ele, indo em direção da porta — Tchau, Berê. — Tchau Lice! O vento frio da noite que estava se formando passou por mim fazendo meu corpo estremecer. Então notei o Fiat Doblo vermelho escuro, parado entre a mansão e minha casa. — Você não conseguiu dobrar eles né? — perguntei para Miguel atrás de mim. — Annelise sempre consegue o que quer — ele retrucou, abrindo a porta traseira para mim, lá dentro estavam Marcos e Annelise, com Maya no volante e Samuel ao seu lado.— Oi Alice! — Annelise sorria, com um vestido verde que contrastava com seus cabelos.— Oi Alice. — Maya acenou do banco do motorista. O carro era enorme, havia três bancos na primeira parte traseira e mais dois na parte de trás, com um total de sete lugares.Mas levando em consideração o tamanho de sua família, o carro era até pequeno para eles, pensei. Miguel me conduziu até os dois bancos mais atrás, sentando ao meu lado um segundo antes do carro começar a andar.— Bem vinda a Teresa — Marcos disse por cima do encosto do seu banco à minha frente.— Teresa? — É um ótimo nome para um carro. — Annelise disse sorrindo e Marcos pegou sua mão e a beijou.— Certamente, senhorita — ele disse, com os olhos presos aos dela, até que os dois se sentaram de novo.— Eles estão de bom humor hoje — Miguel passou um braço por cima dos meus ombros e puxou uma das minhas coxas para ficar apoiada em cima da sua, me deixando quase de frente para ele. — E aliás, — ele usou a outra mão para fazer círculos em minha bochecha — você está linda, mais que o normal.— Está tentando me conquistar, Miguel? — perguntei, com uma mão em seu queixo aproximando seu rosto do meu.— Achei que já tinha conseguido isso. — ele me beijou rápido, e então outro, e mais um. — Mas não me importo de continuar tentando. Pego seu rosto com as mãos e junto nossos lábios, ele solta um gemido baixo e aprofunda o beijo. Minhas mãos vão para seus cabelos e afundo os dedos naquele mar castanho, ele está com uma mão na lateral do meu corpo e um dedo em cima de um seio, até então eu não tinha notado como suas mãos são grandes.
— Você é tão macia. — sua mão agora estava por dentro da camisa, provocando espasmos pelo meu corpo e me fazendo perder o fôlego. — Miguel — sussurrei contra seus lábios, tentando manter o controle. — Precisamos... Ele se afastou, tirando a mão de dentro da minha camisa e ajeitando ela de novo. — Eu sei. — ele me deu um último selinho, fazendo cócegas nos meus lábios e eu solto um sorriso. — Gosto de te ver sorrindo. Gosto do seu sorriso. Gosto de você na verdade.— Parem com essa melação aí atrás. — Anne gritou. — Você quer competir mesmo sobre quem é mais meloso aqui? — Miguel retrucou, com um sorriso perverso no rosto. Ela apertou os olhos encarando ele e fez um biquinho fofo com os lábios pintados de vermelho. — Você não faria isso. — ela respondeu, fazendo Miguel abrir um sorriso ainda maior e arquear uma sobrancelha.— Ah não? Alice, sabia que eles estavam dançando hoje juntos? E também correndo pela casa, Marcos estava querendo lamber ela, — tentei não rir, mas a cara de descrença e ódio de Annelise foi o suficiente pra me fazer gargalhar — eles estavam fazendo mousse de chocolate. Preciso falar dos gemidos de ontem no quarto também?— Eu vou te matar, Miguel! — ela agora voava por cima do encosto do banco, com as bochechas vermelhas e agitando os braços em sua direção.Por sorte, Marcos estava segurando ela pelos quadris, mas então o carro parou bruscamente e depois voltou a andar, e de algum modo Annelise foi lançada para frente e depois para trás de novo, parando no colo de Marcos, fazendo o mesmo começar a gritar um segundo depois.— Porra, você tá bem? Anne? Olha pra mim. — ele segurava seu rosto com as mãos, observando se não tinha nada machucado ou fora do lugar. — Dói em algum lugar?— Só a dignidade. — ela murmurou, com a boca apertada pelas bochechas que Marcos estava segurando. — Sua idiota — ele suspirou e deu um beijo em sua testa um momento antes de ela voltar para seu banco.— Estão todos bem? — Maya gritou olhando para nós pelo retrovisor. — Um idiota dirigindo um ônibus quase amassou a gente contra uma mureta. — Tá tudo bem. — Miguel gritou de volta. — O que aconteceu? — sussurrei para ele, ainda observando Marcos e Annelise juntos pelo espaço entre os bancos. — É coisa da conexão, ele fica doido se ela se machucar ou algo assim.— Com você também? — retruquei. — Sim, é bom que não tente se machucar, mocinha, o histérico aqui é o Marcos. — Disse o cara que ficou falando dela por três dias pra mim. — Marcos disse. — "Ela é tão linda! Você viu né? Meu Deus, eu acho que gosto dela, Marcos, isso é normal? Me ajuda!" — Marcos fez uma ótima imitação da voz de Miguel, me fazendo sorrir enquanto Miguel ficava com as bochechas vermelhas e Marcos espiou ele pelo espaço entre os bancos — Você fica lindinho corado, Mimi — ele provocou.— Eu só não te dou um soco agora mesmo por respeito a dama ao meu lado — Miguel retrucou, parecendo sério.— Eu não me importo, pode bater. — disse, fazendo os dois me olharem.— Assim você me magoa, princesa. — Marcos fez um bico parecendo magoado e eu dei de ombros, fazendo ele sorrir — Gosto dela. Miguel olhou para mim e sorriu com os olhos cheios de afeto.— É, eu também.O carro para e ouço a porta da frente bater.— Chegamos! — Samuel grita enquanto abre a porta traseira. — Ah, eu nem te perguntei onde nós estamos indo. — disse para Miguel, já de pé, esperando Marcos e Annelise saírem primeiro.— É uma lanchonete, eles têm a melhor maionese da cidade. — Miguel disse, e então arregalei os olhos nervosa. Qualquer outra lanchonete, por favor, qualquer outra lanchonete.— Qual o nome? — perguntei, ainda olhando para as costas de Marcos que não tinha saído do carro.— Black Pepper, por quê? — Miguel respondeu e eu sabia que a noite não ia ser uma das melhores.
Notas finais
Hey, comentem o que acharam ok?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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