Alice in the sky with angels
1 A festa.
Notas iniciais
Hey xuxus.
Especial que gostem, fiz com muito carinho e amor, esse produto é como meu bebê.
Especial que gostem, fiz com muito carinho e amor, esse produto é como meu bebê.
É fácil imaginar que essa pode ser uma história boba sobre a vida ordinária de uma garota de 16 anos, e realmente é isso.
Meu nome é Alice Lima, e eu de fato sou uma garota de 16 anos com uma vida ordinária...bom, ela era, até a festa do tio Jorge.Jorge é um velho conhecido de minha mãe, parece que eles se conhecem desde a faculdade ou algo do tipo, e hoje é a sua festa de aniversário de 50 anos e não é todo dia que se completa meio século, né?Acordei com uma dor incessante no pescoço, talvez — com certeza — resultada das noites mal dormidas de sempre, causadas pelos sonhos e alucinações, mas isso é assunto pra depois.Minha mãe estava toda feliz pela casa, arrumando tudo para a festa que ocorreria esta noite.Ela, Henrique, meu irmão mais velho e Berenice, a irmã mais nova mais linda do mundo, não pararam de falar nisso o dia todo, e em como estavam planejando todos os seus atos na festa e tão logo que pude notar, estávamos à caminho do salão de eventos no centro da cidade.Logo no momento em que mamãe desligou o motor do carro, ela disse claramente, com o tom autoritário que usava para falar quando estava no ambiente de trabalho.— Não quero nenhum dos três quebrando nada, bebendo qualquer coisa com álcool ou se escondendo debaixo de alguma mesa para assustar os convidados. — ela começou — E caso não tenha ficado claro Berê, isso foi pra você. Já passamos daquela fase, ok?Berenice se encolheu no banco traseiro ao meu lado, ela nunca foi de socializar, e em todas as festas que íamos, ela dava um jeito de se esconder do mundo para brincar sozinha ou simplesmente para assustar as pessoas, até que paramos de ir em festas.— Sim, mama — Ela disse, com os olhos brilhando e fazendo biquinho tentando parecer inocente. Mamãe deu um sorrisinho e revirou os olhos.— Ok. Henri, — mama se virou para olhar nos olhos de Henrique ao seu lado — eu não quero você fazendo um escândalo às duas da manhã pedindo para ir pra casa porque está com sono, não se trata apenas de você. — Henri fez que sim com a cabeça, não desviando os olhos dos dela. — E Alice, pelo amor de Deus, — eu sabia exatamente o que vinha a seguir — não encoste em nada de cristal, vidro, mármore ou qualquer coisa que você possa quebrar, mesmo que nem lhe pareça frágil. — Ok, mama — eu respondi automaticamente, sabendo que era apenas a preocupação de sempre. Desde que vim para este mundo, tenho sido um desastre, parece que tudo que toco tem o poder de se quebrar ou algo do tipo, mais especificamente: eu sou o próprio desastre encarnado. Minha falta de sorte é conhecida por todos que já estiveram no mesmo local que eu por pelo menos uma hora.— Apenas...sejam vocês mesmos, ou uma versão mais comportada de vocês. — Mama suspirou e abriu a porta do carro para sair.Assim que passamos pelas portas de vidro que davam para o salão soube que algo daria errado ali.Não sei bem como isso funciona, apenas tenho pressentimentos ruins e as vezes até lapsos de memória de algo que ainda iria vir por acontecer.Henri acha que é como a lei de Murphy, e eu só tenho um senso de percepção de desastres maior que as outras pessoas, já que eu e a sorte não somos boas amigas.— Tio Jorge tem um gosto muito peculiar para festas — Henri murmurou atrás de mim, e ele não podia estar mais certo. Com luzes douradas, lustres de cristal e um enorme tapete vermelho que ia de um lado ao outro do salão, ficava claro que a festa temática de Las Vegas estava mesmo acontecendo — minha mãe apenas riu e não acreditou muito que ele iria fazer aquilo — havia jogos nas laterais, poker, blackjacks e outros jogos que eu nem sei o nome mas que me lembravam poker também.Um pouco mais próximo do tapete no meio estavam as mesas, enormes e prateadas, lado a lado como um grande corredor de mesas. Um rapaz chegou e nos mostrou nossa mesa, mesmo todas as outras estando quase cheias, a nossa estava vazia, o que era sempre um alívio para mamãe, ela odiava pessoas desconhecidas. Depois de uma hora sentados comentando sobre a decoração e todo o resto um casal se sentou perto de nós, o homem bem mais velho comparado à mulher, que aparentava não ter nem 30, com seu vestido creme e com um bom corte, que ia até seus joelhos, com um coração vermelho do lado esquerdo, que combinava com o laço que parecia um coração em seu cabelo, e sua gargantilha com pedras vermelhas e um coração no meio, e ficou claro que ela era de copas, talvez a rainha. No convite dizia que todos deveriam ir vestidos com algo que remetia Las Vegas, e estávamos levando aquilo a sério.Henrique estava de terno, com um lenço verde no bolso do paletó e gravata borboleta combinando, ele parecia aqueles caras que cuidam das apostas, com seu cabelo com tons de cobre para trás e postura reta. Berenice estava radiante, ela que escolheu nossas fantasias, e a dela era certamente a mais incrível e engraçada ali, ela estava de mini milionária, com um terninho feminino preto e com brincos, tiara e tudo que ela pôde encontrar que fosse parecido com moedas ou que brilhasse como. Ela também achou uma maleta preta pequena, que completava a roupa, e para uma garotinha de dez anos, ela estava mais que fantástica.
Minha mãe não estava exatamente fantasiada, ela apenas havia colocado uma calça de linho preta de cintura alta e uma camisa branca com cifrões verdes.Já eu, bom, Berenice e vovó Angela haviam realmente caprichado na minha fantasia. Eu parecia uma moeda de poker, com um vestido preto com detalhes em verde e branco e o cabelo preso em um coque alto, eu parecia estar cintilando — palavras de Berê — mas deve ser pelo tanto de glitter que elas jogaram em mim.Outros dois rapazes haviam se sentado em nossa mesa e agora estavam conversando próximos do casal, o mais velho dos dois garotos estava ao meu lado de costas para mim. Quando percebi, tio Jorge já estava na pista de dança que havia do lado oposto ao pequeno bar, fazendo seu discurso, a pele escura contrastava com o terno em um tom de areia e levemente brilhante.Ele agradeceu pela presença de todos e fez seu discurso sobre a vida, que havia ensaiado ontem a tarde lá em casa. E logo depois chegou a parte da comida, e Berê não conseguiu conter o sorriso enorme que surgiu em seu rosto, ela gostava muito de comer, todos da família Lima gostavam na verdade, nós gostamos muito de nos reunir para comer. Garçons de terno cinza colocaram pratos na frente de todos os convidados aos poucos, e como estávamos mais perto da cozinha do que da pista de dança, logo todos estavam comendo. À minha direita Berê tentava manter os bons modos e comer aos poucos, já do outro lado, o garoto que antes estava de costas para mim agora olhava fixamente para o prato, com os talheres nas mãos à postos, observei ele de canto de olho, ele estava com uma camisa social cinza claro, que contrastava com sua pele levemente bronzeada e os cabelos castanhos.Logo vi que ele estava me observando também e desviei os olhos para o prato, me concentrando em manter a postura reta e tentar não derrubar os talheres sem querer ou algo do tipo.— Que noite linda né? — ele disse, olhando para o teto de vidro que nos dava uma boa visão do céu com nuvens espessas naquele momento.— Está nublado — olhei para ele, tentando conter um sorriso, seu cabelo era uma mistura de tons de castanho, algumas mechas mais claras que outras, ou fazendo um degradê, parecia com as folhas no outono. Ele olhou para mim de novo e me analisou por um segundo, seus olhos foram do meu coque com tranças até meu queixo, observando cada linha em meu rosto parando um segundo a mais em meus lábios, e por algum motivo isso fez meu rosto esquentar. — Quer dizer que vai chover mais tarde, e isso é bom né? Gosto da chuva. Aliás, oi. — ele sorriu e meias luas surgiram debaixo de seus olhos, que estavam sorrindo também. — Meu nome é Miguel. Ele estendeu uma mão, eu a apertei levemente e uma corrente rápida passou pelo meu corpo e eu pude jurar que ele também sentiu, algo passou pelos seus olhos, que ficaram nublados por um segundo e depois ele pareceu acordar de novo.— Lice, olha! — Berenice me puxou pelo outro braço, atraindo minha atenção para ela, ela apontava para um telão que mostrava fotos escolhidas pelo tio Jorge, fotos que representavam sua vida, e lá estava eu nas férias passadas, tio Jorge tinha nos convidado para conhecer Fortaleza, e então ele pediu para Henri tirar a foto que estava no telão naquele momento, era ele e eu na praia, eu estava com meu maiô preto e saída de banho roxa, com os cabelos soltos ao vento e os inseparáveis óculos, tio Jorge estava do meu lado me abraçando e fazendo um biquinho engraçado, e eu estava fazendo uma careta Olhei ao redor, mama estava rindo e balançando a cabeça, Henri estava sorrindo e havia voltado a olhar pro seu prato, assim como Berê, o garoto do meu lado — Miguel, eu acho — estava me olhando fixamente.— Então, vai me contar seu nome? — ele arqueou uma sobrancelha.— Quantos anos você tem? — perguntei e ele revirou os olhos com uma insinuação de sorriso nos lábios.— 17 e você? — uma mão surgiu no seu ombro, o cutucando e ele se virou — Que foi, Marcos? Me inclinei para trás e vi o garoto ao seu lado, poderiam ser gêmeos, se não fosse pelos cabelos negros de Marcos e a cicatriz que ele tinha num dos cantos da boca.— Não vai me apresentar ela? — ele perguntou com um sorriso provocador nos lábios. Virei para Berenice rapidamente, quando Marcos passou seus olhos por mim e parou no meu decote.— Desculpa por isso — Miguel disse, estava mais para um resmungo. — Ele é impossível.— O que... E então vi o garoto em pé ao seu lado, com uma mão em meu ombro.— Oi linda, meu nome é Marcos, vejo que já fez amizade com o Miguelzinho aqui — ele sorriu e uma covinha na sua bochecha direita apareceu. — Esse é o Marcos, meu irmão — disse Miguel com a voz baixa.— Então, eu gostaria de saber se uma garota tão linda como você gostaria...— Não, tô de boa, valeu. — o cortei rapidamente, sabia de que tipo ele era.Miguel se virou para me olhar, curioso, e Marcos parecia...surpreso.— Ah, bom...quer dizer, ok. — ele se sentou novamente em sua cadeira e Miguel não parava de sorrir ao meu lado.— Que foi? — perguntei curiosa.— Nada, é que — ele riu, balançando a cabeça — ele não está acostumado a levar foras. Eu sorri, revirando os olhos. A próxima hora se passou com garçons indo e vindo, retirando os pratos, e Miguel não parava de me fazer perguntas, queria me conhecer, segundo ele. Sua cor favorita é azul escuro, banda favorita é Arctic Monkeys out The Cure, ele adora pizza e purê de batatas e quer cursar tecnologia de alimentos. A mulher que veio com ele se chama Maya, o senhor, uma espécie de pai de todos eles, Dimas, ele morava com ele desde sempre, foram adotados por Dimas. Havia músicas antigas e algumas mais atuais tocando no ambiente, e logo muitas pessoas foram dançar na pista colorida, incluindo Berê, Henri e mamãe, de modo que fiquei conversando com Miguel o resto da noite, ele era engraçado e gentil. Algum momento depois, decidi ir até o bar e Miguel me acompanhou, ele estava falando sobre uma série que nós dois assistimos.Ficamos na fila um bom tempo até que o primeiro incidente aconteceu. Senti algo estranho, como se alguma coisa estivesse errada e olhei ao redor. Mamãe, Henri e Berê estavam na pista de dança, ok.Miguel estava do meu lado vivo, ok.Tio Jorge estava dançando com mamãe, ok. Olhei para o teto transparente e estava chovendo lá fora. Miguel pareceu notar minha inquietação.— O que foi, Alice? — ele cruzou nossas mãos, atraindo meus olhos para ele, seus olhos castanho claros pareciam preocupados — O que aconteceu? Então tudo ficou escuro por um segundo e eu vi um copo prateado e morangos. Olhei para o barman na minha frente, ele estava escolhendo frutas para fazer um drink para a garota na minha frente. Olhei para o rapaz ao lado dele, que estava agitando um copo prateado com tampa nas mãos, havia um conjunto de facas pequenas ao seu lado, e uma delas estava virada para cima. E ele estava perigosamente perto.Miguel pareceu entender o que eu estava vendo. Entrei em desespero.— Moço! — gritei por cima da música, mas ele não me ouviu — Moço! — tentei mais alto — Cuidado! Ele ainda não me ouvia e dobrou o cotovelo no exato momento, para terminar de misturar a bebida, e então gritou.A faca havia entrado no seu antebraço, ele soltou o copo no chão e morangos se espalharam aos seus pés. As pessoas que estavam ao redor o ajudaram na mesma hora, e eu fiquei estática, observando tudo.Vi quando ele passou por mim, indo para uma sala para fazer os primeiros socorros, e eu vi a quantidade de sangue que havia no chão. Senti duas mãos quentes na minha cintura, me puxando para longe.— Vem, vamos lá pra fora — Miguel disse, com a boca perto da minha orelha. Saímos do salão praticamente correndo, ele me levou para a lateral do lugar, onde havia um telhado pequeno para nos proteger da chuva, mas até chegar lá, já tínhamos nos molhado um pouco com a chuva. Pressionei as costas contra a parede branca e fiquei olhando para o garoto na minha frente, e percebi que ele era pelo menos uma cabeça mais alto que eu, talvez duas.— O que aconteceu lá? Você sabia que ia acontecer. — ele estava um pouco afastado, balançando os cabelos para tirar o excesso de água enquanto eu tentava limpar meu óculos.— Não, eu não... — comecei, nervosa. A essa altura eu já tinha desfeito o coque e estava desfazendo as tranças.— Não mente pra mim, anjo, eu sei que você sabia, só não sei como. — ele me fitava intensamente, como se pudesse ver dentro de mim.
— Eu só vi acontecer — tentei, talvez ele caísse nessa.— Antes de acontecer? — ele ergueu uma sobrancelha.— Éééééé. — fiquei esperando ele rir ou me chamar de esquisita.— Alice, — ele começou e então suspirou — não, você não é estranha por isso.— Como você...— Você é bem fácil de ler — ele abriu um sorriso torto. — Eu te explico isso mais tarde, ok? Ele então se aproximou, pegando minhas mãos e colocando ao redor da cintura dele.— Miguel, o que você tá fazendo? — sussurrei nervosa com a proximidade, ele tinha cheiro de algo doce e exalava calor. — Shh, fica quietinha, eu só quero ficar um pouco assim. — ele abaixou a cabeça para me olhar, seus dedos estavam em meus cabelos, desfazendo as últimas tranças que ainda estavam ali, então ele colocou as mãos no meu rosto e o ergueu para mais perto do seu rosto delicadamente — Preciso que diga que também está sentindo isso, Alice. Ele olhou no fundo dos meus olhos, e eu vi um pontinho dourado em uma de suas íris à meia luz.E eu sabia do que ele estava falando, eu estava sentindo aquilo a noite toda, era como estar em chamas, e toda vez que ele me tocava aquele lugar parecia estar em chamas, e algo começou a esquentar dentro de mim também. Aproximei meu rosto ainda mais, ficando na ponta dos pés e com a boca quase tocando a dele, eu estava o desafiando a me beijar, assim como ele havia me desafiado um pouco mais cedo, quando começamos a debater diversos assuntos. Ele me pressionou contra a parede de novo, e enterrou a cabeça em meu pescoço, sua respiração me fez cócegas e esquentou meu corpo inteiro, isso até ele colocar os lábios no meu pescoço e me fazer arfar. — Você me prefere aqui — ele murmurou contra meu pescoço, distribuindo beijos molhados por ali, enquanto mantia uma mão segurando meus cabelos em um lado e a outra mão na minha cintura. — ou aqui? — ele desceu um pouco mais, beijando minha clavícula e muito perto do meu decote. Minhas mãos ainda estavam em sua cintura quando soltei um gemido baixo que o fez respirar fundo e levantar a cabeça, colocando as mãos grandes ao redor do meu corpo, colando seu corpo em mim. Coloquei as mãos em seus cabelos, com os dedos entre as mechas, levantando um pouco para ficar mais alta e o beijar.E meu deus.Assim que nossas bocas se encontraram houve uma explosão de...alguma coisa dentro de mim, e também dentro dele.Miguel soltou um gemido contra minha boca e colocou uma mão na minha nuca e outra em minha cintura, ficamos apenas nos beijando por uma eternidade, e então ele mordeu meu lábio inferior e se afastou, cedo demais.— Você não faz ideia — ele estava sorrindo, recuperando o fôlego — do quanto eu queria fazer isso.— Eu acho que... você deveria ir — me apoiei na parede como se ela fosse minha vida, minhas pernas pareciam ter virado gelatina aquela altura. E então eu notei que ele ainda estava bem perto, e se aproximou mais, apoiando a testa na minha e respirando fundo, de olhos fechados.— Meu anjo — ele sussurrou tão baixo que quase não fui capaz de ouvir, e acho que essa era a intenção. E então, tão rápido que mal pude registrar, Miguel beijou no espaço entre minhas sobrancelhas e se afastou. — Você está certa, precisamos ir. Ele entrelaçou nossos dedos e me guiou de volta para dentro do salão.
Notas finais
Por favor me digam o que acharam, comentem, brotem :3
Beijos de luz
??” Vic luvs you
Beijos de luz
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