Alice in Wonderland - A Flor dos Sonhos
1 "Dinah, você está falando?"
Notas iniciais
Alice. Esse nome te lembra algo? Se lembra, bom, está na continuação da história certa.
Alice era uma garota comum, já com quinze anos. Se passaram anos desde que a primeira aventura de Alice acontecera. E ela se perguntava como voltaria para lá.
Alice colocou seu costumeiro vestido azul e prendeu seu longo cabelo loiro com uma fita de cetim preta.
– Dinah? Ora, venha Dinah! Deixe de ser preguiçosa!
A menina chamou sua gata, Dinah, que veio ronronando ao seu encontro.
Alice colocou a coleira na gata, que ainda ronronava. A menina abriu a porta, recebendo a brisa suave da primavera no rosto.
– Ah, Dinah... — sussurrou.- Eu queria que você falasse. Mas é impossível não é?
"Impossível? Só se você pensar que é."
A menina arregalou os olhos azuis, já olhando ao redor.
– Estou imaginando coisas, não é Dinah?
Alice encarou os olhos púrpuras da gata.
Ela fechou a porta de casa atrás de si, e começou a caminhar pelo jardim de casa.
As duas já estavam longe, quando Alice se lembrou do coelho branco.
– Ah, Dinah, como será que o País das Maravilhas está? — A gata encarou sua dona. — Eu gostaria de voltar, sabe?
A gata ronronou.
E, em segundos, a gata disparou pelo campo.
– Ei! Espere!
Alice começou a correr atrás da gata. Os cabelos loiros flutuando atrás de si. Teve impressão de ver as árvores sorrirem. "Alice. Alice. Alice." elas falavam. Os pássaros lhe chamavam. "Alice! Alice! É hora do chá!". As flores tinham semblantes encantados.
"Alice. Alice. Está atrasada,muito atrasada." sussurravam sem parar. Alice continuou correndo. Viu Dinah desaparecer em uma roseira e sem perceber, lá estava Alice, embrenhada na roseira.
As rosas brancas faziam cócegas em seu rosto. Rosas brancas, rosas brancas salpicadas de vermelho e as próprias rosas vermelhas.
Então, de súbito, Alice parou.
E lá estava Dinah, balançado o longo rabo albino, olhando fixo para uma árvore. O cabelo de Alice estava bagunçado. Ao chegar mais perto, a garota encarou a árvore também.
A árvore estava pregada com madeiras irregulares e pintadas de escarlate. Diná olhou para Alice.
"Vamos, Alice. É hora do chá."
– Dinah, você está falando?
Disse a garota, surpresa. Mas então, lembrou-se repentinamente de tudo que um dia fora impossível que se tornou possível anos atrás.
– Alice, está atrasada! — Disse Dinah, indignada. E com um estalo de dedos (ops, patas) as madeiras sumiram, e lá estava a Toca do Coelho. Dinah sorriu.
– Você também? — disse Alice, encarando a gata que sumia lentamente, das orelhas até a ponta de seu rabo albino. Era uma Gata de Cheshire. Alice estava perplexa. Dinah reapareceu ao lado de Alice.
Agora, tudo tinha voltado à ser possível. Dinah se esgueirou para dentro, seguida por Alice. A garota tateou a cabeça. Sua fita se perdera na roseira. Antes de mergulhar na escuridão, Alice voltou o olhar para o campo. Tudo que pensava ter visto sumira. Nem ao menos 'existia' uma roseira ali. Dinah miou, impaciente, e Alice se soltou na escuridão.
Enquanto caíam, Alice via tudo com atenção.
Um baralho de cartas passara por seus ombros. Luvas de pelica taparam-lhe a visão e se ela não tirarasse a tempo... Um piano de cauda escarlate passou por sua cabeça. Dinah brincava com um novelo de lã perdido. Alice pegou um vaso de flores e encarou-o. Rosas brancas. Ela soltou o vaso, que flutuou e caiu com um baque surdo na escuridão abaixo.
– Ops. — murmurou. — Espero que o sr. Coelho não se importe.
Mas Dinah não parecia ouvi-la.
– O que é aquilo? Oh, doce de cereja! — Alice disse, animada. Doce de cereja era algo que ela adorava. Ela pegou o pote de vidro e observou o rótulo, com uma pequena careta. "Coma-me". Ela encarou a pequena colher prateada, com seu nome gravado. Pensou que agora não tinha mais dúvidas de que o doce 'era' para ela. Algo bateu em sua testa. Uma pequena ampola prateada. "Beba-me".
– Não se preocupe, Alice. Beba e Coma. — disse Dinah.
Alice abriu o pote de doce e pegou uma grande colherada de doce. Diná sorriu novamente. Então, Alice bebeu o líquido da ampola prateada. Tinha gosto de chocolate, biscoitos, sorvete de creme e maçã caramelada.
E então, com um grito, Alice bateu em algo. Algo não. O chão. Abriu os olhos e se viu em um belo jardim, colorido e animado. Dinah balançava o rabo.
– Não me olhe assim. — a garota murmurou. — Eu 'não' sou um felino. Não caio de pé, lembra-se?
A gata respondeu com um longo miado e passou a cabeça no rosto de Alice.
– Bem-vinda de volta. — disse uma vozinha aguda. Alice levantou a cabeça e deu de cara com o Coelho. Ela se levantou em um salto e fez uma grande reverência ao coelho. — Por favor, isso não é necessário, Alice.
Ele disse, constrangido.
– Senhor, onde está o Chapeleiro?
– Ah, ora, já ia me esquecendo do chá. — ele disse, olhando o relógio de bolso. — Além do mais, está atrasada, Alice.
Ele disse, severamente. Alice riu.
– Me desculpe, sr. Coelho.
E então, eles começaram a caminhar, para a casa do Chapeleiro.
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