- Amber, você ainda não nos disse onde está levando a gente! — disse Alice

- Vocês sabem onde estão indo, ao Mundo Inferior! Mais precisamente o Tártaro! — respondeu Amber.

- Sim, é lá que queremos ir, mas por qual entrada você vai nos levar? Pode ser uma bela armadilha! — disse Anna.

- Não é armadilha coisa nenhuma garota! É uma entrada confiável, eu mesma já entrei por lá diversas vezes — disse Amber.

- É, mas há um grande abismo entre filhos de Hades entrando no Mundo Inferior e filhos de qualquer outro deus ou deusa entrando no Mundo Inferior — disse Will

- Parem de ser pessimistas! Vocês estão comigo e eu sou filha de Hades — Amber olhou para Will, desafiadora.

- Ok, mas vamos logo com isso, queremos chegar lá ainda esse ano, não? — disse Duda.

-Queremos sim, vamos — disse Alice, todos levantaram.

- A entrada que vou levar vocês fica um pouco antes de chegar à L.A., têm cavernas e coisas do tipo, uma das cavernas é a entrada — informou Amber.

- E você sabe exatamente qual delas é, não? — perguntou Will.

- Claro que sei! Mesmo elas sendo iguais, a entrada é a única com um cheiro, uma energia diferente. — disse Amber.

- Energia é? — Interessante — disse Anna, Amber a fuzilou com o olhar.

Amber foi para frente e começou a andar e os outros seguiram, ela não parava por nada, todos estavam acabados até que ela decidiu parar.

- Nós vamos ter que andar até L.A.? — perguntou Alice, a ideia a incomodava um pouco.

- Não, pelo menos até a próxima cidade, então decidimos como iremos — disse Amber. — Por enquanto vamos comer alguma coisa.

- Não temos nada — disse Alice sentando-se ao lado de Will.

- Verdade, as mochilas ficaram naquele ônibus — completou Will.

- Não precisamos delas, eu tenho dinheiro e comida aqui — Amber mostrou sua mochila — eu vou comprar alguma coisa e já venho.

Amber saiu e os deixou sozinhos, como estavam em um parque, Will puxou alguns troncos e Duda fez uma pequena fogueira só para mantê-los aquecidos, Amber voltou com alguns salgadinhos e refrigerantes.

- Jantar BEM saudável — ironizou ela.

- Ora, melhor que nada! — disse Alice — E também, não sou fã de comida saudável.

Eles riram e comeram, Alice e Will sentiram falta da fogueira do Acampamento. Logo todos dormiram, exceto Alice, que iria fazer a primeira vigia. A noite estava fria e Alice estava sem casaco, ela praguejou por deixá-lo dentro da droga do ônibus e tentou se aquecer com o que sobrou da fogueira, o que não era tarefa fácil, pois o pouco de lenha que tinha lá, já estava no fim.

- Com frio? — Alice estava tão distraída que não percebeu que Will acordara e agora lhe oferecia seu casaco, ela riu.

- Estou, mas coloque seu casaco — ela disse. — Você é um ser humano, também sente frio.

- Alice, você faz isso de propósito? — Will perguntou.

- Fazer o que? — ela rebateu.

- Não sei. Fingir não entender, essas coisas! — ele respondeu, mas Alice parecia não entender — Você só podia ser filha de Poseidon mesmo!

Will estava quase levantando, mas Alice segurou seu braço e o sentou novamente.

- Ai, você é bem forte! — exclamou Will.

- Sim eu sou! — Alice concordou — Agora me explique o que você quis dizer ou eu pulo em cima de você e não vai sobrar um único fio louro nessa sua linda cabeçinha.

- Uau! Meio violento, não? — riu Will — É que... Você demora pra entender algumas coisas... Você é inocente e isso é fofinho, mas tem vezes, como agora, que eu gostaria que você entendesse que eu estou...

- Está? — Alice insistiu.

- Querendo que você saque a mensagem — ele completou.

- Ok, você quer que eu entenda, mas me diz coisas sem sentido algum!

- Alice! Vai ser preciso que eu desenhe? — Will disse.

- Seria bem mais fácil te entender! — respondeu Alice.

- Tenho um jeito melhor.

Will inclinou-se e beijou Alice. Ela espantou-se e ficou sem entender, mas logo retribuiu o beijo. Passado um tempo Alice se afastou.

- Pense sobre isso, ok? — disse Will, ele levantou e deitou onde estava antes.

Alice ainda espantada com o beijo foi acordar Amber, era o turno de vigia dela. Alice deitou e tentou dormir, mas não conseguia para de pensar no que aconteceu, em como o garoto que ela sempre gostou, mas nunca teve coragem de dizer acabou de beijá-la, mas para ela o pior era saber que ela nunca percebeu que ele gostava dela.

No dia seguinte, Alice acordou e viu que Will agia como se nada tivesse acontecido na noite passada. Eles continuaram andando, Alice que não era fã de andar, ficou para trás e acompanhava os outros de certa distância.

- Estamos quase chegando, vamos rápido! — incentivou Amber.

- É fácil pra você dizer, namora um filho de Hermes, deve sair pra correr com ele todo dia. — resmungou Alice.

- Will, acho que vamos precisar que você carregue Alice — brincou Duda.

- Não parece que ela gosta de andar — riu Anna.

- Não vai ser preciso, ela consegue nos acompanhar, não? — disse Will, mas ofereceu o braço.

- Claro que consigo! — disse Alice, recusando o braço de Will, ele deu de ombros e continuou a andar acompanhado de Duda, Anna ficou com Alice acompanhando-a com o mesmo ritmo.

- O que houve ontem à noite? — Anna perguntou.

- Ontem? — disse Alice, corando — Nada, o que teria acontecido? Não houve nada!

- Não? Ok, então porque eu vi Will levantando e indo onde você estava? — perguntou Anna.

- O que você viu? — perguntou Alice, assustada e corando ainda mais.

- Nada, só ele te oferecendo um casaco e eu voltei a dormir.

- Ele me ofereceu o casaco e eu recusei e...

- Você fez o que?! — perguntou Anna — Você não fez isso!

- Qual o problema? — disse Alice

- Aquele garoto é louco por você, e você...

- Ele deixou bem claro me beijando! — disse Alice, mas cobriu a boca, pois não queria ter dito aquilo.

- Ele te beijou? — sorriu Anna.

- Sim, mas me ignorou a manhã inteira! — Alice disse.

- Beija mal assim? Haha... Oh oh, acho melhor você ir até lá segurar seu namorado, olha só — Anna apontou mais a frente.

Amber, Duda e Will foram parados por duas garotas, vestidas como líderes de torcida, mas para Alice estava bem claro o que eram.

- Empousas — ela disse em voz baixa.