Alice S Memories
2 Capitulo 1 Retorno
As mãozinhas se apoiaram na terra sujando-as um pouco, e ela olhou para cima, ainda era dia embora ela tivesse pensado que horas haviam passado enquanto estivera lá, mas agora estava de volta ao parque, saindo de uma toca de coelho, havia conseguido voltar, se levantou limpando o vestido o que era um pouco inútil, pois havia se arrastado por um túnel de terra estreito, procurou se localizar não se lembrava bem que lugar era aquele com exatidão, porque quando seguiu o coelho não prestou atenção no caminho e ainda mais que pareceu fazer tanto tempo que estivera ali.
Ficou pensando um pouco até ouvir vozes e andou alguns passos, e por entre as arvores um pouco a frente pode ver a silhueta de pessoas passando pouco adiante e o lago, sorriu, não estava mais perdida, correu na mesma direção, mas parou dois passos antes de entrar no bosque e olhou para trás, mais especificamente para o buraco logo abaixo da cerca se perguntando se algum de seus amigos não sairia dali, ao menos o coelho, então ela esperou, e para seu descontentamento nada veio dali.
—Hey senhor coelho! –Chamou indo em direção a toca se abaixou um pouco olhando lá dentro, estava tudo escuro como da primeira vez.
—Chapeleiro! Chess! Vocês não querem vir comigo? Mamãe está fazendo um piquenique, tem um monte de guloseimas maravilhosas! Venham!—Chamou inocentemente, mas ninguém veio nem mesmo uma resposta, e Alice teria esperado mais se não tivesse ouvido chamarem seu nome.
—Oh! Margaret está me chamando...—Disse a si mesma se levantando e dando alguns passos novamente em direção ao bosque, e antes de entrar nele olhou uma ultima vez para a toca com esperança, que não foi concretizada então quando ouviu uma segunda vez correu atravessando o pequeno bosque saindo do outro lado para ir ao encontro de sua irmã mas tão logo foi avistada por sua mãe.
—Alice! Onde você estava? Venha cá!—Parecia um pouco nervosa e descontente, e ela foi correndo para logo ser repreendida.
—E não corra, meninas não devem correr feito moleques baderneiros...—Iria terminar sua sentença quando notou o estado do vestido da menina, seus olhos se estreitaram em reprovação, mas ela como a dama que era não se descompôs diante de todos que estavam ali mesmo com a visível reprovação e desagrado estampados em sua face.
—Olhe o estado de seu vestido, o que esteve fazendo para que ficasse assim? –Perguntou com visível desgosto na voz, Alice conhecia bem aqueles olhares, sabia que ela estava furiosa na verdade.
—Me sujei quando cai na toca do coelho. —Respondeu naturalmente, a expressão de mãe mudou para uma de surpresa. —Uma toca de coelho?
—É!—Confirmou balançando a cabeça, como se fosse à coisa mais natural do mundo.
—Tocas de coelhos são pequenas demais para uma pessoa caber, como você cairia em uma?
—Mas essa era um toca grande e eu cai enquanto seguia o coelho branco, era um buraco tão fundo que eu pensei estar caindo por horas!—Ela falava convicta de suas palavras.
—Coelhos? Alice nem a mais coelhos por aqui para começar.—Argumentou a mãe.
—Tem sim, e era um coelho que usava uma casaca, um relógio e se dizia sempre atrasado, eu segui ele porque queria conversar, mas ele entrou no buraco, então fui atrás foi ai que cai, e mais dentro da toca tinha um monte de moveis flutuando e quadros nas paredes!—Ela contava.
— De onde tirou isso, algo assim não é possível Alice.—Disse mantendo a calma embora sua voz demonstrasse o contrario.
—É verdade mamãe, lá tem um gato que sorri e também fala, e o nome dele é Cheshire! Mas os amigos o chamam de Chess, sabe lá todos os animais falam, e também tinha o Chape...—Ela teria terminado de falar se sua mãe não a tivesse cortado, a mandando se calar.—Basta Alice! Basta!—Ela falou em voz alta, mas não gritando.
—Mas mamãe...—Insistiu Alice, mas recebeu um olhar furioso em resposta e um sinal para que ficasse quieta, nisso Hellen pegou-a pelo pulso e a levou quase puxando até onde os outros estavam.
—Henry, por favor, podemos ir embora?— Pediu seriamente o pai não entendeu e perguntou por que daquela decisão repentina, ela disse que não se sentia bem e insistiu mais uma vez, e foi o suficiente para convencer Henry, Alice ficou quieta durante todo o trajeto sob o olhar atento de sua mãe, mas assim que pôs os pés em casa começou a falar novamente.
—Eu devia ter convidado eles para virem aqui em casa para o jantar.
—Convidado quem Ally?—Perguntou Margaret curiosa os pais não estava na sala no momento.—Os meus amigos.—Ela respondeu, Margaret sentou-se em uma poltrona e chamou a irmãzinha para fazer o mesmo.
—Que amigos? Me conte!—Insistiu parecendo alegre, Alice foi sentando no colo dela, e já começando a falar.
—Meus amigos que conheci no Pais das Maravilhas! Animais que falam! O Coelho, o gato a lebre...apesar de que não sei diferencia muito uma lebre de um coelho! E também o chapeleiro, ele não é um animal parece mais uma pessoa como nós só que ele é maluco!Mas eu queria que eles viessem aqui hoje.—Cruzou os braços parecendo emburrada, a irmã sorriu achando graça.—E porque eles não vieram? –Resolveu perguntar.
—Eu não sei, mas eu os chamei para o piquenique no parque, mas eles não vieram, nem mesmo me responderam.
—Nossa, mas que amigos são esses que não tem educação, nem mesmo para uma resposta?—Perguntou novamente.
—Bom talvez eles não tenham ouvido, já que o buraco era bem fundo. —Disse simplesmente dando de ombros como se fosse natural, Margaret não entendeu bem, mas continuou ouvindo o que a pequena Alice tinha a dizer, rindo e vez ou outra ficando surpresa, até que Hellen entrou na sala ouvindo o que Alice falava.
—O que foi que eu disse sobre isso no parque? Pare de ficar inventando essas historias sem sentido Alice, e você Margaret para de dar trela para ela, não está vendo que a esta incentivando a isso?—Censurava-as, após isso Alice não falou mais sobre o assunto nos dias que se seguiram, mas não que tivesse aceitado o fato.
—Olhe Dinah, você gostaria de conhecer um gato que sorri?—perguntava brincando com a gatinha na grama.—Sabe eu conheço um, você vai adorar conhecê-lo quando vir aqui, você vai ver.—Dizia entre risos quando ouve a irmã lhe chamar ela foi correndo para o quarto dela encontrando Margaret na janela.
—Que é Meg?—Perguntou simplesmente um pouco ofegante devido a quase sempre andar correndo e saltitando.
—“Que é?” Olhe os modos Alice.—Censurou Margaret, mesmo que de brincadeira, mas Alice não percebeu.
—Han desculpe, han “Pois não irmã”.—Falou fazendo um cumprimento segurando nas laterais do vestido e levantando um pouco, Margaret quase desatou a rir e pediu que entrasse, Alice sentou-se ao lado dela na cama.
—O que estava fazendo lá fora?—Perguntou arrumando e depois penteando os cabelos louros da menina.
—Estava brincando com Dinah e contando a ela que vai adorar conhecer meus amigos.—Respondeu brincando com um colar da irmã, Margaret perguntou quais amigos e Alice respondeu que era os mesmo do Pais das Maravilhas, ela parou de pentear os cabelos dela por alguns momentos.
—Os do Pais das Maravilhas é? Você ainda não se esqueceu deles então?—Voltou a pentear as madeixas louras, mas quase se assustou quando Alice levantou em um salto.
—Me esquecer? Oras Meg, como pode dizer isso? Nunca vou me esquecer! São meus amigos e vão vir aqui para o jantar qualquer dia você vai ver!— Colocava uma mão na cintura enquanto com a outra apontava para a irmã de forma acusadora, parecia um pouco brava então Margaret se desculpou.— Certo, certo retiro o que disse Alice, está tudo bem Ally me desculpe, são seus amigos importantes não?—Alice maneou a cabeça em afirmação, no momento a mãe passava no corredor e escudou as duas conversando, teria passado reto se não tivesse ouvido o bendito nome “Pais das Maravilhas”, seus passos cessaram e ela ficou silenciosamente parada diante da porta entreaberta ouvindo.
—Mas me conta, então como eles são?—Resolveu perguntar para amenizar a situação, elas nem sequer dando conta de que a mãe se encontrava do outro lado da porta nem um pouco contente com a conversa, mas Alice estava contente de poder contar a alguém sobre seus amigos e aquele mundo, ela ficou pensativa por alguns momentos.
—Eles são loucos.—Disse por fim respondendo aquela pergunta, Margaret franziu o cenho, não entendendo.—Loucos?
—Sim eles são loucos, eu só tinha dito antes que o chapeleiro era maluco, bom na verdade o gato disse que todos são loucos lá ele disse que até eu era...
—Louca também?! Acho que não duvidaria muito disso Alice.—Falou friamente a mãe abrindo a porta do quarto, Margaret levantou-se como se tivesse se assustado.
—É como à senhora sabia?—Perguntou inocentemente não prestando atenção a reação da irmã ou da mãe, mas esta não estava apta a responder qualquer coisa.—Alice lhe pedi antes que deixasse essas historias de lado, porque louca é do que vão chamar você se continuar dizendo essas coisas, eu já lhe disse, para que parasse, você não entende isso?—Margaret vendo o estado da mãe falou tentando amenizar as coisas.
—Mãe não fique tão brava, não tem nada demais à senhora sabe como é não? É só a boa imaginação da Ally. —Dizia Margaret abraçando a irmã e rindo um pouco, mas não deixando de olhar para mãe com cera cautela, tentando prever o que ela poderia dizer, nisso Alice agilmente desvencilhou-se do abraço parecendo incrédula encarou a irmã.
—Hey Margaret não diga essas coisa de imaginação de novo, porque é verdade o que eu estou falando, eu fui até lá!
—Lá aonde Alice?!—Prosseguiu irritada Hellen.
—Pais das Maravilhas, eu te disse lá no parque mãe, sobre o coelho...—Novamente ela não conseguiu terminar de falar quando a mãe a mandou se calar novamente assustando agora ate mesmo Margaret pois não havia visto a mãe demonstrar alteração como naquele momento, nisso o pai veio até o quarto após ouvir a voz elevada de sua esposa.
—O que está havendo aqui Hellen?—Perguntou serio, e a esposa lhe contou, ele não pareceu irritado nem surpreso, mas foi falar com Alice, e também para explicar o porque dela não poder sair dizendo por ai essas coisas irreais, mas Margaret intercedeu pela irmã.
—Papai, o senhor não pode levar isso a serio é coisa de criança, e Alice só tem uma imaginação muito fértil, eu aposto que vai passar logo. —Ela insistiu tentando não deixar as coisas ficarem mais serias, mas a pequena Alice não entendia isso e dizer que seus amigos eram coisa de sua imaginação não foi aceito por ela, mesmo porque também não entendia que sua irmã estava apenas tentando ajudar e ela teria de ter ficado quieta.
—Espera Meg, eles não são imaginação são de verdade, papai acredite, eu os conheço o gato sorridente a lebre...
—Eu já disse pra calar a boca Alice!—Dessa vez foi um grito que se ouviu no quarto e Alice teria levado um tapa no rosto se Henry não tivesse segurado a mão da esposa que o encarou surpresa e embora nenhuma palavra tivesse sido dita, ela recolhei a mão, a menina havia se calado, sentia medo e seus olhos se encheram de lagrimas, Henry olhou ainda desaprovando a esposa. —O que é isso Hellen?—Dessa vez ele é quem parecia bravo, em seguida a mulher se desculpou, disse que havia se exaltado, mas que não queria que Alice saísse por ai dizendo aquelas coisas, o que as pessoas iriam pensar de uma criança que dizia coisas desconexas como animais falantes e amizades com pessoas loucas. Margaret abraçou Alice que começou a chorar estava assustada a mãe nunca havia gritado com ela daquela forma, muito menos ameaçar lhe bater, enquanto interiormente ela não aceitava que falassem de seus amigos assim, e também sua teimosia não deixava falarem que não eram reais, e entre lagrimas voltou falar.
—Mas mamãe eles...—Mas ela mal tentou argumentar e foi interrompida novamente, mas agora sem gritos, somente a voz fria da mãe a silenciou.—Sem mas! Não quero saber .—E saiu do quarto, Margaret foi atrás dela piscando um olho para irmã como quem diz “Vou dar um jeito dela se acalmar” e saiu, o pai de Alice foi até ela abaixando-se a sua frente, com um lenço tirado do bolso limpou as lagrimas.
—Não chore filha, você não precisa chorar nem ter medo de sua mãe ela só está preocupada, mas você sabe que é porque ela gosta sempre de fazer bonito na frente dos outros não?—Disse tentando acalmá-la o que funcionou, pois parou de chorar.
—Mas ela ficou tão brava, eu só queria contar sobre meus amigos, do mundo de Wond...—Ele colocou o dedo em frente aos lábios.—Por favor Alice querida, não me conte, creio que isso deve ser algo importante para você claro, mas seria melhor que fosse um segredo, e que não deveria trazê-lo para a realidade.
—Mas papai é de verdade...—Ele pediu novamente que fizesse silencio.— Acho melhor isso ser um segredo, sabe porque minha filha?
—Não.—Ela respondeu seria.
—Porque a realidade não vale à pena, talvez você não entenda isso agora, mas daqui alguns anos vai perceber, então guarde isso como um segredo, como...imagine-o como sendo um tesouro somente seu talvez de Margaret também já que ela gosta de te escutar, mas não conte que lhe disse isso para mais ninguém, também tem de ser um segredo está bem? Só que este será meu e seu certo? Então não conte, quanto menos para a mamãe.—Falou isso e riu um pouco logo ela também riu.
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