​O baile continuava em um turbilhão de luzes e risadas no salão principal, mas para Marcone e Sofie, o ar tornara-se denso e difícil de respirar. Durante a valsa, cada toque de mãos e cada olhar trocado havia alimentado uma tensão que nenhum dos dois conseguia mais ignorar. Enquanto a música subia de tom, Marcone inclinou-se para o ouvido de Sofie e sussurrou algo que a fez perder o passo por um milésimo de segundo.

​Sem dizer uma palavra, eles aproveitaram o giro da dança para se aproximarem de uma das saídas laterais. Em um movimento rápido e ensaiado pelo desejo, escaparam para a penumbra dos corredores desertos da ala oeste, onde apenas a luz fraca das velas nos candelabros de parede iluminava o caminho.

​Assim que a porta se fechou atrás deles, abafando o som da orquestra, Marcone não esperou. Ele a prensou contra a parede de pedra fria, as mãos espalmadas ao lado da cabeça dela. Sofie soltou um suspiro entrecortado, enlaçando o pescoço do príncipe e puxando-o para si. O beijo foi imediato e urgente, uma explosão de necessidade acumulada. Não havia mais a polidez da diplomacia ou a frieza dos tratados; era um encontro de chamas. As mãos de Marcone desceram para a cintura de Sofie, apertando o tecido fino do vestido, enquanto ela se entregava ao calor daquele momento proibido, o coração batendo descompassado contra o dele.

​Eles estavam perdidos um no outro, em um beijo quente e profundo que parecia parar o tempo, quando o som de passos pesados ecoou pelo corredor.

​— Mas o que significa isso?! — A voz de Ricardo trovejou como um canhão, fazendo os dois se separarem bruscamente, ofegantes e com as roupas levemente desalinhadas.

​O Rei da Inglaterra estava parado a poucos metros, o rosto vermelho de uma mistura de choque e fúria. Ele não esperava encontrar seu herdeiro e a filha de Katherine naquela situação comprometedora.

​— Pai! — Marcone tentou recuperar a compostura, mas seus lábios ainda estavam avermelhados pelo beijo.

​— Silêncio! — rugiu Ricardo. Ele se virou para um guarda que estava ao longe. — Traga a Rainha Katherine. Agora!

​Minutos depois, Katherine cruzava o corredor com sua elegância habitual, embora seus olhos estivessem semicerrados em sinal de alerta. Ao ver a cena — Sofie com o rosto corado e Marcone tentando manter a cabeça erguida diante de um Ricardo transtornado — ela entendeu tudo instantaneamente.

​— Katherine, olhe para eles! — exclamou Ricardo, apontando para o casal. — Eu saí para buscar um pouco de ar e encontro seu sangue e o meu se fundindo antes mesmo de qualquer bênção!

​Katherine olhou para Sofie, que baixou os olhos por um instante, e depois para Marcone. Ela suspirou, cruzando os braços.

​— A paixão é uma conselheira perigosa para quem usa coroas, Sofie — disse a rainha, a voz baixa mas firme.

​— Não podemos permitir que o povo ou a corte saibam disso antes da hora — Ricardo interveio, sua mente de estrategista já trabalhando. — Se um escândalo vazar, nossa aliança será vista como um jogo de alcova, não de estado.

​Ele olhou para Katherine, e um entendimento silencioso passou entre os dois soberanos. Ricardo tomou uma decisão súbita.

​— Marcone, Sofie... se vocês têm tanta pressa em se tocar, terão que arcar com as responsabilidades. Katherine, não há outra saída. Eles devem se casar. Imediatamente. Antes que esse fogo queime o que restou da nossa diplomacia ou que algo "pior" aconteça nos cantos escuros deste castelo.

​Katherine assentiu solenemente.

— Concordo. O contrato previa uma união futura, mas o destino — ou a imprudência — decidiu antecipar o relógio. Organizaremos uma cerimônia privada ao amanhecer.

​Marcone e Sofie se olharam. Havia um misto de medo e uma satisfação secreta em seus olhos. O beijo quente que quase os arruinou, agora os uniria para sempre.