Alianças de Sangue e Ferro
8 Alianças e Travessuras
A capela real de Versalhes estava decorada com lírios brancos e rosas inglesas, uma mistura visual que simbolizava a união forçada, mas agora desejada, de Marcone e Sofie. A cerimônia foi íntima, iluminada apenas pela luz suave das velas e pelo sol que atravessava os vitrais coloridos. Enquanto o padre entoava as bênçãos em latim, Marcone e Sofie trocavam olhares que prometiam muito mais do que fidelidade política; havia um brilho de vitória em ambos.
No entanto, nos bancos logo atrás dos noivos, a solenidade era constantemente ameaçada. Alice, sentada ao lado de seu pai, aproveitava cada momento em que Katherine e Ricardo estavam distraídos com a liturgia para atormentar Lucas. Sempre que ele olhava em sua direção com seu ar de superioridade, ela esticava a língua rapidamente ou torcia o nariz em uma careta cômica que desafiava toda a etiqueta que havia aprendido. Lucas travava o maxilar, tentando manter a postura de príncipe herdeiro, mas seus olhos queimavam de irritação — e de algo que ele se recusava a admitir como diversão.
Após a troca das alianças e o beijo que selou o destino dos novos casados, a corte se dirigiu ao salão para o banquete de celebração. A comida era farta e o vinho francês fluía, mas o clima mudou drasticamente quando a orquestra terminou uma peça clássica francesa. Alice, com um brilho travesso nos olhos, levantou-se e fez um sinal para os músicos.
— Já tivemos cortesia francesa o suficiente por uma noite! — anunciou ela, a voz clara e vibrante. — É hora de trazer um pouco de alma para este salão. Música inglesa! Uma valsa das montanhas!
Ela acenou para Marcone e para os oficiais da guarda inglesa que estavam presentes. Os ingleses, sentindo-se finalmente em casa, levantaram-se com entusiasmo. Alice puxou o irmão para o centro do salão, e logo um círculo se formou. Diferente da valsa francesa, que era contida e milimétrica, a valsa inglesa era rápida, rodopiante e cheia de vida. Alice saltava e girava com uma graça selvagem, o vestido creme e ouro brilhando sob os candelabros enquanto ela ria abertamente, guiando os passos com uma energia contagiante.
Lucas estava encostado em uma coluna de mármore, segurando uma taça de vinho. Ele mantinha uma expressão de desdém, observando a "bagunça" que a princesa estava causando no salão real.
— Veja só isso — murmurou ele para si mesmo, embora alto o suficiente para que apenas ele ouvisse. — Rodopiando como uma camponesa em um dia de feira. Nenhuma compostura.
Mas, apesar de suas palavras ácidas, seus olhos não conseguiam se desviar dela. Ele observava como os cachos loiros de Alice escapavam da tiara e como o rosto dela brilhava com uma alegria genuína que ele raramente via nas damas da corte francesa. Havia uma adoração involuntária em seu olhar; ele odiava o quanto ela era vibrante, o quanto ela desafiava a rigidez de sua vida e o quão linda ela ficava quando ignorava todas as regras que ele tanto prezava.
Alice, percebendo que era o centro das atenções de Lucas, girou mais uma vez perto dele, lançando-lhe um olhar de vitória por cima do ombro.
— O que foi, Lucas? — ela gritou por cima da música, sem parar de dançar. — Com medo de que o chão de Versalhes não aguente um pouco de vida real? Ou está apenas triste porque não sabe como se divertir sem um manual de instruções?
Lucas deu um gole longo em seu vinho, o olhar alternando entre a irritação e o fascínio.
— Divirta-se enquanto pode, Alice — ele respondeu, elevando a voz. — Alguém precisa manter o juízo enquanto vocês transformam o casamento do meu irmão em um festival de taberna.
Marcone, passando por Lucas durante uma troca de pares, deu-lhe um tapa amigável nas costas.
— Admita logo que você quer entrar na dança, Lucas! Sua cara de tédio não engana mais ninguém!
Lucas apenas bufou, mas no fundo, o ritmo daquela valsa inglesa batia em seu peito com muito mais força do que ele gostaria de confessar.
Fale com o autor