​A capela real de Versalhes estava decorada com lírios brancos e rosas inglesas, uma mistura visual que simbolizava a união forçada, mas agora desejada, de Marcone e Sofie. A cerimônia foi íntima, iluminada apenas pela luz suave das velas e pelo sol que atravessava os vitrais coloridos. Enquanto o padre entoava as bênçãos em latim, Marcone e Sofie trocavam olhares que prometiam muito mais do que fidelidade política; havia um brilho de vitória em ambos.

​No entanto, nos bancos logo atrás dos noivos, a solenidade era constantemente ameaçada. Alice, sentada ao lado de seu pai, aproveitava cada momento em que Katherine e Ricardo estavam distraídos com a liturgia para atormentar Lucas. Sempre que ele olhava em sua direção com seu ar de superioridade, ela esticava a língua rapidamente ou torcia o nariz em uma careta cômica que desafiava toda a etiqueta que havia aprendido. Lucas travava o maxilar, tentando manter a postura de príncipe herdeiro, mas seus olhos queimavam de irritação — e de algo que ele se recusava a admitir como diversão.

​Após a troca das alianças e o beijo que selou o destino dos novos casados, a corte se dirigiu ao salão para o banquete de celebração. A comida era farta e o vinho francês fluía, mas o clima mudou drasticamente quando a orquestra terminou uma peça clássica francesa. Alice, com um brilho travesso nos olhos, levantou-se e fez um sinal para os músicos.

​— Já tivemos cortesia francesa o suficiente por uma noite! — anunciou ela, a voz clara e vibrante. — É hora de trazer um pouco de alma para este salão. Música inglesa! Uma valsa das montanhas!

​Ela acenou para Marcone e para os oficiais da guarda inglesa que estavam presentes. Os ingleses, sentindo-se finalmente em casa, levantaram-se com entusiasmo. Alice puxou o irmão para o centro do salão, e logo um círculo se formou. Diferente da valsa francesa, que era contida e milimétrica, a valsa inglesa era rápida, rodopiante e cheia de vida. Alice saltava e girava com uma graça selvagem, o vestido creme e ouro brilhando sob os candelabros enquanto ela ria abertamente, guiando os passos com uma energia contagiante.

​Lucas estava encostado em uma coluna de mármore, segurando uma taça de vinho. Ele mantinha uma expressão de desdém, observando a "bagunça" que a princesa estava causando no salão real.

​— Veja só isso — murmurou ele para si mesmo, embora alto o suficiente para que apenas ele ouvisse. — Rodopiando como uma camponesa em um dia de feira. Nenhuma compostura.

​Mas, apesar de suas palavras ácidas, seus olhos não conseguiam se desviar dela. Ele observava como os cachos loiros de Alice escapavam da tiara e como o rosto dela brilhava com uma alegria genuína que ele raramente via nas damas da corte francesa. Havia uma adoração involuntária em seu olhar; ele odiava o quanto ela era vibrante, o quanto ela desafiava a rigidez de sua vida e o quão linda ela ficava quando ignorava todas as regras que ele tanto prezava.

​Alice, percebendo que era o centro das atenções de Lucas, girou mais uma vez perto dele, lançando-lhe um olhar de vitória por cima do ombro.

​— O que foi, Lucas? — ela gritou por cima da música, sem parar de dançar. — Com medo de que o chão de Versalhes não aguente um pouco de vida real? Ou está apenas triste porque não sabe como se divertir sem um manual de instruções?

​Lucas deu um gole longo em seu vinho, o olhar alternando entre a irritação e o fascínio.

​— Divirta-se enquanto pode, Alice — ele respondeu, elevando a voz. — Alguém precisa manter o juízo enquanto vocês transformam o casamento do meu irmão em um festival de taberna.

​Marcone, passando por Lucas durante uma troca de pares, deu-lhe um tapa amigável nas costas.

​— Admita logo que você quer entrar na dança, Lucas! Sua cara de tédio não engana mais ninguém!

​Lucas apenas bufou, mas no fundo, o ritmo daquela valsa inglesa batia em seu peito com muito mais força do que ele gostaria de confessar.