Aliança de Sangue
24 Capítulo 23
Notas iniciais
— Por favor, mestre... Tenha piedade! Não fiz nada... Eu tentei protegê-lo, mas eram muitos... — A voz feminina clamou por clemência, mas uma coisa que ela não teria era tão sentimento.
O ruivo rodeava a traidora que se achava ajoelhada contra a areia da praia de Brixham. Seu vestido outrora branco encontrava sujo de sangue e terra, seus cabelos lilases esvoaçavam. Seu corpo ainda carregava feridas não curadas.
Alguns passos atrás achavam-se alguns guerreiros do clã Ventrue, e outros dos lobisomens. Já bem mais perto dela achava-se um dos lobos, Fenrir justo o responsável pela caçada e captura de Saori.
A noite estava perto do prelúdio de seu fim, ainda faltavam alguns minutos antes que o sol realmente saísse para reinar sobre o céu, e os vampiros sabiam o quanto era nocivo para eles.
— Quer dizer que não atacou Aldebaran ou entregou meu esposo para o verme do Radamanthys? — Indagou com a voz fria e mais cruel do que o normal. A besta dentro dele estava desperta, e ansiava por sangue.
— Não... Sinto por Aldebaran, tentei protegê-lo, contudo tive que vê-lo morrer para salvar seu esposo, no entanto eram muitos... — Ela disse com lágrimas de sangue correndo por sua pele de porcelana.
— Uhh! Estranho, a versão de Aldeberan é outra. Não sabia que ele sobreviveu? E não graças a você. — Kamus disse quando segurou o rosto de Saori com seus longos dedos, e suas garras fincaram na pele dela, cortando. — Ainda mentes para mim descaradamente.
— Por favor... Eu posso levá-lo ao seu esposo, sei onde o líder dos Baali o mantém cativo. — Vendo que a mentira não funcionaria, ela tentou jogar como espiã dupla, trair o outro por sua misera vida.
— Eu terei Milo de volta em meus braços, e não preciso de sua ajudar! — Falou puxando ela do chão, e jogando nos braços de Fenrir.
Este a levou até uma estaca de grossa madeira que achava fincada profundamente na areia, que nem mesmo um vampiro como ela poderia retirar facilmente. Os braços e pernas foram fixados por grossas correntes de prata contra o tronco.
— Kamus... Por tudo que tivemos juntos! Eu te amo... Não... Tenha piedade! — Ela suplicou contorcendo-se a fim de se livrar das amarras, mas daquela prisão não conseguiria. A prata era como um veneno que minava toda força de um vampiro.
— Não passou de um verme sugado... Estou de uma vez limpando minha casa contra lixos como você! Vai se arrepender amargamente... Quando o sol nascer irá queimar lentamente de dentro para fora... Agoniza da dor mais terrível que um vampiro pode passar. Servirá como exemplo que com o Senescal Kamus Depardieu não se brinca. — Falou dando as costas para Saori que gritava pedindo por libertação.
Ele saiu da faixa de areia e foi em sentido ao carro que esperava, com os vidros protegidos dos raios solares que começava a nascer.
— Virá ou ficará? — Indagou par Fenrir sem virá para ele.
— Verei o espetáculo! Quero vê-la queimar e gritar de dor. — O lobisomem respondeu indo para junto dos seus.
Kamus não disse anda, apenas entrou no carro e tal como seus guerreiros, saindo dali. Protegido dentro dos veículos eles foram a sentido a mansão do clã Ventrue. O Senescal deveria ir receber seu mais novo membro, Saga. Seu desejo mesmo era ir buscar seu esposo, todavia precisava ter paciência, pois um pequeno erro e perderia o loirinho.
Em todo caminho de retorno para casa Kamus ficou perdido em pensamentos. Por muitas vezes buscava pensar em seus momentos com Milo para não sucumbir ao desespero total. Nunca sentiu essa dor antes, nem mesmo quando perdeu seu querido irmão Dégel.
A vingança não era doce, mas com prazer sentiria o seu fel descer por sua garganta quando arrancasse o coração de Radamanthys depois de torturá-lo lentamente.
Suspirou quando voltou à realidade a sua volta, e o veículo adentrava aos domínios de sua mansão. O carro estacionou na garagem coberta, o protegendo contra o sol. Sabia que precisava dormir, mas jamais conseguiria tal intento sabendo que seu esposo poderia estar sofrendo.
Retirou as luvas ao entrar no hall de entrada e entregou ao mordomo.
— Avise quando o rastreador Shura chegar com Saga! Estarei em meu quarto. — Disse rudemente.
— Milorde tem visita! — O homem disse tremendo. — Tentei falar com o senhor pelo celular, mas não atendia, lamento!
— Quem é?
— Ele apenas se identificou com um Hunter senhor, e encontra-se em seu aposento privado. — Disse o homem esperando o castigo, mas este não veio, pois Kamus girou sobre os pés indo para o segundo andar da mansão.
Seus passos eram confiantes. Não estava com humor para tolerar ninguém, ainda mais um caçador, se esse não lhe desse bons motivos pela invasão mostraria a ele toda sua fúria.
Girou a maçaneta entrando no local, o mesmo que muitas vezes amará o loiro de belos olhos azuis, ou acordara com ele em seus braços. Ao adentrar localizou o Hunter próximo à janela, e ao pressentir a presença do vampiro fechou as pesadas cortinas, privando-o dos raios solares.
— O que deseja? — O Senescal indagou friamente. Suas garras tomaram espaço tal como seus caninos, pronto para atacar caso fosse necessário.
— Considere como uma quitação de dívidas! Por pouparem meu irmão, estou lhe devolvendo algo que aquele lixo o roubou! — Kanon disse perigosamente. Tal como Kamus achava preparado para lutar se isso acontecesse, mas julgava que não ocorreria.
Ele saiu do ponto que se encontrava e caminhou em sentido ao ruivo.
— Do que fala humano? — Kamus indagou estreitando os olhos.
Kanon apontou para o leito. — Carece de cuidados! — Disse passando direto por Kamus, mas parou a porta. — Vou esperar pela chegada do meu irmão, quero vê-lo. — E no final das mesmas saiu do recinto deixando o Senescal a sós.
O ruivo sentiu desejo de ir atrás do caçador e exigir explicação, contudo um doce aroma invadiu suas narinas, e um sutil movimento na cama dossel sua atenção. Captou embaixo das cobertas um corpo, e quanto mais chegava perto seu ser pulsava.
Quando seus olhos vermelhos caíram sobre o residente em sua cama algo dentro de si parou, e voltou a solavanco seu corpo. Do canto de seus olhos lágrimas de sangue formaram, e começou acariciar seu cerne alvo.
— Milo... — Sussurrou quando se aproximou da cama, e em desgraça suas mãos ergueram para toca o loiro adormecido.
O ruivo sentiu que seu ódio não podia ser maior, afagou o rosto machucado. — Vou fazê-lo pagar ange... Eu juro! — O Senescal sentia-se culpado pelo que acontecera a seu amado, mas mesmo que Kanon houvesse dito que era “quitação de dívidas”, para ruivo, ele devia algo a Kanon e pagaria.
Levantou e ia ligar para Shion e Kárdia, pensava que a melhor pessoa para cuidar de Milo agora seria sua mãe, mas foi impedido pela fraca voz do esposo.
— Ka... Ka-Kamus... Cadê você? Quero... Quero mais... — O loirinho delirava, mas seu corpo pedia por algo que só tinha experimentado quando atacou os vampiros na mansão Baali.
O sangue, o líquido que matinha qualquer um deles vivos, era dele que precisava.
O ruivo se aproximou e deitou a cabeça perto do rosto dele, para entender melhor o que murmurava, mas teve seu corpo abraçado com uma força por ele desconhecida em Milo e logo pode sentir com surpresa, as presas dele em seu pescoço.
Elas perfuraram sua pele e logo ele pode sentir o calor e prazer de ser mordido. Seu sangue fervia, no entanto estava assustado, ele tinha se privado de abraçar o loirinho e aquele verme tinha feito isso!
Deixou-se ser sugado por Milo, sentia e sabia que ele precisava, iria pará-lo antes que lhe fosse fatal. Não precisou, com um controle incomum, o loirinho parou ao sentir que era suficiente ou mataria seu esposo.
Kamus ficou perturbado, porém Milo voltou a dormir e ele levantou vendo com assombro as feridas começaram a cicatrizar. Não que não soubesse que isso aconteceria, mas como poderia? Era mais rápido que o “normal”.
Saiu dali um pouco tonto e pegou o celular e ligou para o Sogro, explicou-lhe por alto a situação e aquilo deixou o Assamitha irado. O loiro avisou a filha e os dois, partiram para a mansão Ventrue.
Em seguida o ruivo ligou para Kárdia que não ficou muito surpreso ao lembrar-se das palavras de Shun. Se fosse verdade Radamanthys não o teria mordido, entretanto estaria se manifestando o lado vampírico de “seu filho”.
O rei sentiu certa alegria e ao olhar para o lado viu o pequeno Shun ali. Ele estava sentado e olhava janela, parecia apreensivo. Ao chegar perto dele falou calmo:
— Ele está com Kamus! Vamos? Quer vê-lo?
O rapaz tinha uma expressão distante e um tanto fria naquele momento, e o rei ficou pasmo em ver aquilo, era exatamente igual à Dégel, às vezes o ruivo parava e ficava com aquele olhar distante, frio e sério.
Shun olhou para ele e seu olhar se suavizou, sorriu timidamente.
— Sim! Mas ele acordou não foi?! — Viu Kárdia assentir e levantou da poltrona e seguiu ao lado do rei ao encontro do loirinho.
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Distante dali, Fenrir chegava ao covil dos lobisomens. Ele tinha uma expressão preocupada e satisfeita. Olhou ao redor e dois lobos se aproximaram.
— Como ele está? — Perguntou frio e autoritário.
— Ele já acordou senhor! — Disse Jabur. — Mas ainda está extremamente fraco.
Aquela notícia trouxe um ar de riso aos lábios de Fenrir. O loiro saiu dali em direção ao quarto onde Aldebaran se encontrava.
— Não quero ser interrompido! — Falou firme e o servo que fora consigo até a porta do quarto assentiu.
Ao entrar o rapaz olhou para o gigante deitado em sua cama e sorriu e canto, ele estava sentado e tinha alguns travesseiros às costas.
— Como está amor? Hnn? — O loiro perguntou olhando para ele com uma expressão serena e um tanto preocupado, mas amável.
— Vem cá... — Aldebaran chamou-o com a voz rouca pela garganta seca. — Você foi lá, não foi? Como Milo está? — Ele perguntou preocupado.
Fenrir estreitou os olhos e sentiu raiva, ele estava ali, esteve quase morrendo, ainda estava fraco e se preocupava com aqueles vampiros.
— O que há com você? — Perguntou irritado. — Estava aqui morrendo e ainda se preocupa com aqueles sugadores de sangue!
Aldebaran sorriu e o fez se aproximar, fazendo-o sentar na cama e o abraçando.
— Não seja ciumento... O Milo é um garoto, não tão humano, mas um garoto... E eu tenho estima por ele, mas amo só você!
O grandão pegou o queixo dele com a mão e o fez olhar para si e o beijou. Estava com saudades e não queria brigar. Já haviam discutido justamente por que o gigante havia decidido saldar sua dívida com Kamus e o loiro não concordava. Desde lá não se falavam, Fenrir o evitava, mas ainda o amava.
Ao apartar o beijo e loiro deitou a cabeça no peito dele e suspirou.
— Achei que o perderia! E se isso tivesse acontecido, teria matado aquele vampiro. — Ele falou baixo e firme.
Aldebaran sorriu e afagou os fios loiros.
— Estava com saudades... Mas não foi Kamus que fez isso, mas aquela desgraçada da Saori e ele em sabe ainda...
O loiro afastou um pouco a cabeça e falou vencido.
— Pegaram o esposo do ruivo, mas ele sabe que foi essa Saori... E a castigou, eu mesmo a encontrei, e confesso que a deixei bem ferida e depois, o próprio vampiro. — Falou com certa satisfação. — Eu a vi morrer... Você tinha que ver... — Dizia sorrindo e os olhos brilhando. Em sua mente lembrava bem o que se passara e foi contando ao outro.
Quando Kamus saiu, Saori via seu fim se aproximar, e mesmo sabendo que o ruivo já não estava li ela gritava. — KAMUS! VOLTA AQUI MEU AMOR... A CULPA É DELE... AQUELE VADIO! KAMUS POR FAVOR. NÃO VÊ?! ELE ATRAPALHOU MINHA VIDA, A NOSSA VIDA! AAAHHHH!
Fenrir sorria em ver o desespero dela, mas logo o sol começou a surgir e ela o olhou. — NÃO! Socorro! — Olhou para Fenrir e pedia que a ajudasse. Logo os raios tocaram sua pele de alabastro e ela pode sentir uma dor terrível, sua pele queimava e por dentro sentia como se estivesse pegando fogo, quanto mais os raios a tocavam, todavia queimava, e seus gritos eram músicas ao ouvido do loiro.
O corpo da vampira foi virando pó, até que nada restou. Os lobos saíram dali satisfeito e seguiram de volta para seu lugar.
Agora ele estava ali, nos braços do amado e terminando de lhe contar tais coisas.
O gigante lhe sorria diante da alegria dele em dizer o que houve. Mas sentia certo pesar por não ter conseguido proteger Milo.
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— Onde ele está? — Elora indagou sombria. A sua preocupação era gritante para com o filho, somente se acalmaria depois que o tivesse em seus braços.
Hyoga atendeu a porta. Ele tinha ficado incubido de receber os visitantes que viriam, enquanto seu tio cuidava do esposo. O Senescal havia aumentado a segurança do local, apenas pessoas autorizadas estavam sendo permitidas entra.
— No quarto deles, estão liberados para subir. — Hyoga ditou dando passagem para que Shion, Elora, Mu e Asmitha entrassem na residência. Enquanto a mãe e o avô de criação de Milo rumavam para o cômodo, os outros dois esperaram na sala.
Quando chegou o quarto do casal, sentindo a presença deles, Kamus os recebeu na porta, os deixando entrar.
— Como ele chegou aqui? Como ele está? — Elora indagou aflita.
— Como disse... O caçador Kanon o trouxe, aparentemente ele entrou no território dos Baali, atrás de vingança pelo que Radamanthys fez ao seu irmão, acabou que ele encontrou Milo, e o retirou de lá. Não sei os detalhes, estou esperando Milo acordar para me contar.
Elora passou reto pelo líder dos Ventrue, deixando que seu pai inteirasse do ocorrido, para ela o que importava ela ter seu filho em seus braços. Seus olhos ardem, em lágrimas de sangue não derramadas, quando ela chegou perto do leito.
Sentou na borda da cama e tocou a face de um Milo ainda desacordado.
— Entendo! Elora querida, pode limpá-lo e vestir roupas confortáveis enquanto converso melhor com Kamus? — Shion sugeriu recebendo um aceno da filha, e saindo do quarto com o ruivo.
— Meu menino! Aquele canalha vai pagar, eu juro! — Ela disse sempre tocando Milo com carinho. Assim, Elora cuidou do bem-estar de filho ainda desacordado. Garantiu que seu corpo fosse limpo, as roupas rasgadas retiradas, e cobriu o corpo bronzeado com um pijama de veludo na cor azul celeste.
Quando ela terminava de ajeitar as cobertas sobre o menor, as pálpebras desse tremeram, não demorando dar espaço agora a íris vermelha sangue. A vampira se assustou no começo, mas pelo que ouvira o Senescal ditar para seu pai, Milo tinha despertado vampiro.
— Ma-mãe? — Milo sussurrou com a voz rouca, e quando ele tentou levantar, Elora o deteve gentilmente.
— Shii... Está seguro agora querido! Precisa descansar.
— Kamus, onde ele está? Preciso contar algo a ele... — Disse com a voz sofrida. Ainda sob o efeito do pânico por tudo que passará.
— Ele está conversando com seu avô, e na certa recebendo o rei Kárdia, e seus amigos. Todos ficaram tão preocupados. Devíamos ter invadido aquele lugar e ter-lhe salvado, mas papai disse que era arriscado. — Ela disse deitado ao lado do filho acariciando os fios dourados.
— Ele... A culpa é toda dele, mãe... Ele matou meu pai, me raptou dele... Queria me usar como peão de seu poder... Mais quando ameaçou... Acho que meu lado vampiro despertou... Sou um vampiro... — Ele dizia entre lágrimas e soluços. Todo terror voltava a sua mente.
— Oh meu menino! Sinto-me tão culpada por não tê-lo protegido ou descoberto a verdade antes! — Elora disse com um pesar em sua negra alma de vampira.
Foi nesse momento que ouviram um toque na porta. Tão logo ela abriu dando margem para que Kamus e Shion retornassem acompanhados de Kárdia e Shun.
— Você me deixou! — Milo disse para o marido.
— Jamais, apenas fui receber nossos amigos. O rei precisa falar contigo Milo. — Kamus disse ciente do que Kárdia tinha acabado de lhe contar.
Um suspense caiu sobre o quarto. Os olhos vermelhos de Milo caíram sobre Kárdia. A emoção tomou conta de seu ser. Agora entendia sua afeição aquele vampiro, e como eles tinham tantas coisas parecidas.
Mas antes que qualquer coisa fosse dita, Shun saiu de trás do rei dos vampiros, e correu para a cama de Milo. Ele abraçou o loiro, deitando ao lado dele.
— Meu menino! Você está bem? Aquele verme o machucou? Eu devia tê-lo protegido antes, me perdoa... — A voz de Shun era embargada de saudade e profunda sentimentos.
Elora e Milo ficaram confusos, pois aparentemente os outros sabiam da verdade.
— O que...?
— Precisamos lhe contar algo, Milo! — Kárdia disse chegando perto da cama, e sentando próximo a Shun e Milo, os demais ficaram em pé, mas ainda próximos.
— Eu já sei da verdade. — O loiro disse retribuindo abraço de Shun, mas ainda o via apenas como o amigo, alheio a toda a verdade.
— A que se refere?
— Radamanthys se vangloriou dela... Sinto muito! — Disse olhando para o rei. — Ele confessou a inveja e ambição que tem pelo senhor, e que sempre desejou seu lugar... Que anos atrás ele atacou seu esposo e filho... Ele queria Dégel para gerar um filho dele, por ele ser um Kari, e assim roubar o trono, mas como o consorte real já tinha um filho, na fúria ele o matou, roubando a criança... — Milo disse regado a emoção e sempre com lágrimas – agora de sangue – nos olhos.
— Sim! E sabe quem era essa criança? — Kárdia o incentivou.
Milo afirmou com a cabeça: — Ele declarou que sou eu... Sou seu filho e de Dégel... — Segurou a respiração. — Eu amo Elora e Shion como minha família, mas sempre senti que algo me faltava, por não saber minhas origens... Sinto-me honrado em ser seu filho...
— Igualmente meu filho! — Kárdia disse tocando os cabelos de Milo. — Quando Dégel morreu senti minha alma ser extinta, falaram que você igualmente tinha morrido, mas como não tinha o corpo, sempre tive a esperança... Se eu soubesse da verdade...
— Mas o temos de volta! — Shun disse encarando os dois homens. Ele foi puxado pelo rei, sentando no colo de Kárdia.
— Vocês dois estão juntos?
— Tem algo para saber Milo!! Shun é a reencarnação de seu pai Dégel, ele voltou para nós dois. — O rei dos vampiros disse sendo tocado por uma forte emoção. A vida tinha sido cruel consigo, no entanto agora o recompensava.
— Nunca imaginaria! — Elora comentou, os fazendo lembrar que eram presentes.
Milo comovido jogou-se nos braços de Shun e Kárdia. Era estranho pensar que o rei dos vampiros era seu pai, e que seu outro pai reencarnou em um de seus melhores amigos.
Foi belo ver o reencontro daquela família, que foram separados pela ganância de um ser medíocre. Todos ali dariam tudo para garantir que nada mais de cruel acontecesse com eles.
Milo se separou de seus pais biológicos e encarou Kamus, abaixando em seguida sua face, levando suas mãos ao seu ventre.
— Tem mais!
— O que? O que mais aquele desgraçado fez? — Kamus indagou quando se aproximou do esposo do outro lado da cama, sentando ao seu lado, e o puxando para seus braços.
— Radamanthys me queria por que considerou que herdei de meu pai Dégel ou Shun... Confuso! – Milo ditou meio perdido. — Ele considerou que herdei as habilidades de um Kari! Ele queria me usar para ter um filho dele, e assim dominar os vampiros da Europa...
— Aquele verme insolente... Vou arrancar seu coração... — Elora disse com olhos fumegantes.
— Ele... — Kamus sentiu uma fúria tomar conta de si, mais ainda, que aquele desgraçado tivesse tocado seu esposo.
— Não... — Negou com medo que Kamus achasse que tivesse se deitado com o líder do Baali. — Ele queria, armou um ritual para isso, mas um de seus sacerdotes disse que não era possível, por que dentro de mim já tinha um filhote... Quando ele disse que ia matar nosso filho, fiquei irado, e acho que juntando com tudo perdi o controle e meu lado vampiro floresceu...
Todos os presentes no quarto arregalaram os olhos. Kamus ficou paralisado por alguns instantes, e quando finalmente a realidade caiu sobre si.
— Uh... Filho?
— Sim! Não me faça tirar...
— Jamais! É nosso filho, ele será muito amado... Juro! Protegerei vocês dois. — Kamus disse tocando a face de Milo para no final toma os lábios dele com os seus.
Tal como o ruivo, os demais tinham esse intento, iam proteger Milo, e agora seu filho com todas suas forças, e fariam Radamanthys pagar pelos seus crimes.
Continua...
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