Notas iniciais
Depois de longos séculos, retornei com Aliança Importuna! Apesar de eu amar essa história de paixão, o fato de as outras serem mais cobradas fazem com que ela acabe ficando para trás na lista de atualização. Se vocês aparecerem para me dar um up, é provável que eu comece a escrever mais rápido ;-;

A moça acordou com a incômoda luz que vinha da janela, notando que deixara uma brecha da cortina aberta. Por um momento se sentiu espantada ao olhar ao redor, não reconhecendo o ambiente em que estava; porém logo lembrou-se que, a partir de agora, aquele era seu quarto. Sua cabeça doía levemente, talvez por causa do estresse dos últimos dias, talvez por estar em um país diferente… Ou os dois. Sentou-se na cama, observando melhor seu quarto — sequer havia realmente reparado nele quando entrou na noite passada.

As paredes brancas faziam o ambiente parecer maior e mais claro; as grandes cortinas lilases cobriam a enorme janela de vidro, e impedia que a luz se alastrasse completamente pelo cômodo. A mobília era esculpida em madeira clara, pôde notar a delicadeza de quem as escolheu pelo ar leve das peças; faziam seu quarto parecer parte de uma casa de bonecas. Tal pensamento fez a moça dar um leve sorriso, ao menos haviam decorado seu quarto com bom gosto; talvez até fosse bem vinda ali. Talvez. E depois da noite anterior, provavelmente não para seu esposo. Ela se levantou e caminhou até uma porta que havia no final do quarto, após as portas de seu closet, entrando então no banheiro a fim de tomar um banho; teria um longo dia pela frente. A água morna a fazia relaxar, porém seus pensamentos não lhe permitiam ter a mínima paz; neste momento, se perguntava se havia errado ao ir falar com Vincent.

Não.

Ela realmente precisava esclarecer bem as coisas com ele, antes que lhe passasse ideias absurdas pela cabeça… Ou talvez as ideias não fossem tão absurdas, visto que agora eles estavam casados. Pensar nisso a fez imergir na água morna; graças aos céus faltavam longos 100 anos até se começasse a cogitar a ideia de Vincent ascender ao trono, pois assim que o fizesse começariam a lhes cobrar herdeiros. Herdeiros.

— Eu não quero pensar nisso! — exclamou a garota emergindo abruptamente. Seu rosto estava extremamente avermelhado, tanto pela temperatura da água quanto por seus pensamentos. Mas ainda que não se arrependesse de ter falado com Vincent, perguntava-se se ele não ficaria com raiva ou algo do tipo. Bem conhecia a fama do príncipe herdeiro de Aster, que era extremamente popular entre as mulheres; não fora necessário pensar muito para chegar a conclusão de que ele era do tipo que aproveitava-se bastante disto.

A moça se acomodou melhor na banheira enquanto balançava a cabeça negativamente, havia coisas mais importantes para se preocupar; a tentativa de homicídio que sofrera, por exemplo. Estava um pouco confusa a respeito do ocorrido, o culpado poderia ser alguém de Aster ou até mesmo de seu próprio país, e ainda havia Gália, cujo rei estava sendo levado pela arrogância e decidira expandir seu território. Após um suspiro a garota saiu da banheira, vestindo o robe que estava dobrado em uma das prateleiras perto da banheira; por hora apenas seguiria o fluxo das coisas, um dia de cada vez. Enfrentaria os problemas quando eles chegassem, de nada adiantava ficar se martirizando com anos de antecedência. A moça saíra do banheiro e já se preparava para adentrar o closet, quando notou que havia três pessoas dentro de seu quarto; as criadas assustaram-se quando viram a princesa, fazendo uma elegante — e um tanto desesperada — reverência.

— Bom dia, senhora! — cumprimentou a loira com a cabeça baixa, logo erguendo brevemente o olhar — Sou Ariella, estas são Brigitte e Diana, estaremos atendendo às suas necessidades. — apresentou-se e logo as três se colocaram eretas. Ariella tinha os cabelos loiros bem claros e olhos castanhos, tinha a expressão de uma pessoa bastante desajeitada, porém parecia responsável. Brigitte tinha a pele morena e os cabelos negros, porém seus olhos claros chamaram a atenção da princesa, ela parecia a mais séria das três. A outra tinha os cabelos cor de mel, e seus olhos tinham a cor quase igual a de seus cabelos; leves sardas pintavam o rosto da que parecia ser a mais gentil do trio. Um pequeno sorriso formou-se no rosto da princesa.

— Não precisam ficar tão preocupadas… Nem serem tão formais ao me cumprimentar pela manhã. — falou a moça para as criadas, que sorriram. Charlotte notou que elas já preparavam sua roupa; Ariella segurava uma blusa de decote canoa branca, sem mangas, e uma saia de cintura alta azul escura. Brigitte, segurava um par de meias altas pretas e sapatilhas da mesma cor; enquanto a outra loira, Diana, segurava um par de brincos e uma pequena presilha de cabelo nas mãos. Enquanto começava a se arrumar com o auxílio de suas novas criadas, não pôde evitar de lembrar-se de Lilian e Maggie… Agora provavelmente estavam cuidado de sua cunhada, e em breve cuidariam de seu sobrinho ou sobrinha; havia pedido a seu irmão para que as mantesse dentro do palácio, e ele prontamente aceitou seu pedido, como sempre. Eliot sentia-se culpado por ela ser obrigada a se casar, e procurou inúmeras alternativas para evitá-lo; porém ambos sabiam que era a melhor maneira de resolver as coisas.

— Imagino que a senhora ainda esteja estranhando o palácio… — falou Ariella, tentando quebrar o sufocante silêncio que havia se instalado no quarto.

— De fato… Mas não apenas o palácio, Aster é bem diferente de Alúrion. — comentou a moça enquanto a loira arrumava a saia por cima de sua blusa.

— Há muita diferença nas pessoas de lá? — perguntou Diana curiosamente, a princesa ponderou um pouco enquanto calçava uma das meias.

— Fisicamente não… Apesar de grande parte da população ter cabelos negros. — ela falou pensativa, pegando outra meia para calçar — Não sei dizer ao certo, eu diria que as pessoas são um pouco mais reservadas… Mas é perigoso generalizar, até porque eu mal conheço Aster… E há muitas exceções em Alúrion. — riu-se a princesa, lembrando de sua cunhada e suas empregadas; elas eram o total oposto de uma pessoa reservada. Na verdade nem mesmo seu irmão conseguia fugir disto, era bastante excêntrico em muitos aspectos. A moça já havia calçado os sapatos, e nesse momento Diana a fizera sentar na penteadeira e começara a lhe trançar os cabelos animadamente enquanto conversavam sobre Alúrion e alguns de seus conhecidos.

— Pronto. — a loira falou admirando o resultado. Ela havia puxado a trança pela lateral, de modo que ficasse sobre o ombro da moça; como seus cabelos eram curtos, era o único modo de que ficasse para frente. Os pequenos brincos de cristal davam um charme sutil, junto ao colar que a princesa sempre usava — era seu precioso cetro, afinal.

— Obrigada. — disse educadamente enquanto abria uma das gavetas e tirava um batom avermelhado, que foi a única cor que usou no rosto; limitou-se a usar pó para esconder o cansaço e só, não estava com o mínimo ânimo para se arrumar.

— Hoje o rei deseja que todos tenham o desjejum juntos. — anunciou Brigitte, chamando a atenção da princesa para si — A fim de lhe dar boas vindas, e para que conheça à toda família. — informou, fazendo a moça assentir com um sorriso fraco.

— Espero não estar atrasada… — murmurou a moça levantando-se, mas Ariella prontamente negou com a cabeça.

— Certamente que não está! Chegará justo a tempo, e ainda arrisco dizer que ainda está adiantada em relação ao príncipe Vincent e até o próprio Rei. — falou com um sorriso, fazendo a moça conter-se para não soltar um longo suspiro. Não queria ter que estar com todos logo pela manhã. Não queria falar com Vincent também. Relutante a moça seguiu as criadas até a porta, torcendo para que não cruzasse com Vincent no corredor — seu quarto era logo após o dele, nem vinte passos de distância separavam suas portas. A moça soltou um pequeno suspiro aliviado ao passar pela porta dele, ao menos não teria que vê-lo neste momento, porém seu alívio foi cortado pelo barulho de uma porta se abrindo. Ela não queria parar de caminhar, porem Ariella havia se virado para cumprimentar o príncipe.

— Bom dia, Alteza. — cumprimentou a loira, e logo as outras duas também cumprimentaram o príncipe que começava a caminhar.

— Bom dia. — ele cumprimentou de volta, não deixando a Charlotte outra alternativa se não virar-se para cumprimentá-lo também — Bom dia, Charlotte. — adiantou-se o loiro com um sorriso no rosto, o que fez a moça se segurar para não arquear uma sobrancelha.

— Bom dia, Vincent. — respondeu-lhe com uma expressão neutra; o que era sua especialidade. De todos os talentos que possuia, o que mais amava era o de conseguir não expressar nada em seu rosto; evitava muitos problemas, além de lhe dar vantagem em muitas coisas. O loiro tomou a dianteira, sendo seguido pela moça e as criadas que andavam três passos atrás da mesma, em silêncio. De alguma forma, elas haviam sentido um clima estranho entre o casal… Se é que podiam denominá-los assim. Não demorou para que eles chegassem a grande sala de jantar, que era iluminada pelos raios solares — todas as janelas estavam abertas. O príncipe Alam e a princesa Aili já estavam sentados a mesa, e junto com o jovem casal chegavam o Rei e a Rainha de Aster. A moça sentou-se em silêncio, ficando ao lado do marido e consequentemente de frente para a sogra, que lhe observava com certa curiosidade.

— Passou bem a noite, Charlotte? — perguntou Aili, olhando para a nora com um sorriso no rosto. Alam a olhou de lado, conhecendo a esposa como conhecia, sabia que ela estava morrendo de curiosidade a cerca da princesa.

— Sim... — respondeu a moça que se surpreendeu um pouco com a pergunta repentina, mas logo se repreendeu mentalmente; era óbvio que fariam esse tipo de perguntas a ela, não era como se fosse ficar ali sem nunca falar com ninguém — Obrigada pela preocupação. — falou desviando o olhar para o lado, em um tom que quase fez a afirmação parecer-se com uma pergunta. De alguma maneira, o olhar que Aili lhe lançava a fazia ficar um pouco sem jeito; ela parecia ser muito diferente do filho, apesar de a aparência não negar a filiação. Na verdade, agora que reparava melhor, notou que Vincent era a perfeita combinação dos pais.

Vincent olhou a esposa de canto, ela parecia um pouco diferente de quando fora ao seu quarto na noite anterior; não sua expressão, pois esta continuava a não lhe mostrar muita coisa, porém seu “ar” era diferente. Em sua primeira conversa, apesar de ela ser extremamente educada e estampar no rosto uma expressão neutra, ela emitia uma aura segura e um tanto arrogante. Mas nesse momento ela parecia apenas a moça que não sabe como se encaixar em um ambiente desconhecido, não havia sinal da arrogância que lhe apresentou antes. Talvez ela não fosse tão difícil de lidar assim… só não queria lidar com ele. Essa era a melhor explicação para sua atitude, apesar de ter aceitado ir até Aster e se casar, ela não estava realmente disposta a se tornar sua esposa — o que era bastante compreensível, na verdade.

— Não precisa ficar tão acanhada, Charlotte — Jeile falou em seu habitual tom excêntrico — Mesmo que tudo tenha sido muito repentino e por questões políticas, agora você é da família. Eu ficaria muito feliz se você enxergasse esse lugar como a sua casa, e nós como família. — concluiu o rei, o que fez a moça encará-lo sem saber o que dizer. Vincent conteve uma risada, era normal as pessoas se surpreenderem com o jeito de seu tio.

— Ah, claro… entendo. — foi a única coisa que a moça conseguiu responder, não esperava esse tipo de recepção do Rei de Aster; mas foi obrigada a admitir para si mesma que foi bom ouvir aquilo. Alam deu um sorriso, seu irmão tinha o hábito de jogar as informações nas pessoas repentinamente, mas nesse momento não havia realmente sido algo ruim, a ver pelo alívio que ele foi capaz de notar nos olhos da moça. Ainda que seu rosto não expressasse muito, seus olhos delatavam um pouco de seus pensamentos; afinal, não havia como esconder o que os olhos expressam. Após o curto diálogo com a princesa, eles começaram a tomar café calmamente, vez ou outra Aili trocava algumas palavras com o marido; porém a verdade era que ela estava observando o comportamento de Charlotte — e não era a única, Vincent também observava a moça ao seu lado.

— Jeile, você já marcou o julgamento? — Alam perguntou após comer um pedaço de bolo, fazendo com que todos voltassem os olhos para o rei; não era necessário dizer nada específico, pois todos já haviam compreendido que se tratava do homem que atentou contra a vida de Charlotte durante a cerimônia de casamento.

— Será daqui há três dias. — informou o rei antes de tomar um gole de seu café — Espero conseguir tirar mais informações dele nesse período. — concluiu enquanto colocava a xícara no píres novamente. Alam assentiu e Aili murmurou algo para si mesma, Vincent ficou pensativo.

— O senhor já sabe de onde ele é? — perguntou a jovem princesa, chamando a atenção de todos para si; era a primeira vez que ela se pronunciava por si, e não para responder à algo que lhe foi dito.

— De acordo com Lei, tudo indica que ele lhe seguiu de Alúrion até aqui, mas não tem como eu afirmar que ele seja de seu país. Ele fala o idioma de Aster tão bem quanto fala o de Alúrion, e não há nada que o impeça de ser daqui… É difícil dizer. — concluiu o rei, deixando a moça pensativa. Vincent a olhou de canto, ela parecia estar bastante concentrada em seus pensamentos, pois sua expressão estava bem transparente: ela nitidamente planejava algo.

— Não creio que seja tão difícil assim dizer. — falou a moça, chamando a atenção de todos para si — Se me permitir falar com ele, eu posso lhe dizer se ele é ou não de meu país… Mesmo que fale muito bem outro idioma, você continua não sendo um cidadão daquele país. — concluiu, e o rei pareceu ponderar um pouco; assim como os outros à mesa. Vincent olhou para a esposa novamente, pensando em sua última frase; perguntou-se se ela pensava o mesmo a respeito de si mesma em relação a Aster… Bem, na verdade ela não estaria errada se pensasse; de fato ainda não era uma cidadã dali. Tal pensamento pareceu esclarecer o príncipe em algo, e ele logo tomou a palavra.

— Ela está certa — disse, chamando a atenção para si — Falar nossos idiomas não significa que ele seja de nossos países. — falou voltando o olhar para o rei, Alam estreitou os olhos.

— Vince, você está insinuando que… — o primeiro príncipe falou, encarando o filho com a sobrancelha arqueada.

— Que esse homem provavelmente não é de Aster… nem de Alúrion. — concluiu o príncipe, com um sorriso no rosto. O rei assentiu enquanto parecia alinhar seus pensamentos.

— Você está cogitando a ideia de permitir que Charlotte fale com aquele criminoso? — dessa vez foi a rainha a se pronunciar, atraindo os olhares dos que estavam assentados à mesa — Ele tentou matá-la ontem, não creio que seja prudente a colocarmos no mesmo ambiente que ele. — concluiu a mulher, fazendo com que o rei assentisse novamente; ele também não achava uma boa ideia.

— Eu agradeço a preocupação, senhora, mas ela se faz desnecessária. — a moça se pronunciou, inclinando-se levemente para lançar um sorriso tranquilo a rainha, logo voltando seus olhos para Jeile — Lidar com este tipo não é um problema para mim, posso afirmar. — concluiu, ainda com expressão tranquila.

— Bem, visto o modo que ela facilmente se livrou ontem, acho que ela consegue lidar com isso. — interveio Aili, lançando um sorriso a nora, que a olhou um pouco surpresa, mas logo assentiu enquanto direcionava o olhar para o rei novamente.

— Além de que ela não estará sozinha, Lei estará lá com dezenas de guardas; até eu mesmo estou participando dos interrogatórios. Ela não vai estar em perigo; e não temos muitas opções, visto que a única pessoa aqui que pode nos afirmar se ele é ou não de Alúrion é a princesa Charlotte. — afirmou Alam ao rei, que pensou um pouco antes de finalmente se pronunciar.

— Está bem, eu permitirei que Charlotte participe de um dos interrogatórios. — decretou o rei, um pequeno sorriso começou a se formar no rosto da moça — Alam, leve-a com você e Vincent quando for interrogá-lo esta tarde. — ordenou o rei, fazendo o irmão assentir. Aili ia dizer algo, porém parou no momento em que um burburinho se iniciou no corredor, e logo as portas se abriram abruptamente enquanto alguém entrou correndo pelo salão.

— Eu estou de volta! — anunciou em alto tom a pequena menina de cabelos castanhos, surpreendendo a todos. Vincent soltou uma risada enquanto um sorriso se formou no rosto de todos; exceto de Charlotte, que encarava a pequena mocinha, que aparentava uns 12 anos, com uma sobrancelha arqueada e uma expressão confusa.

— Senhorita Anna, por favor, não adentre o salão assim! — pedia, em vão, a mulher que vinha atrás da pequena. Ela não parecia ter mais do que 20 anos, mas a expressão cansada e o fino óculos torno, que ela arrumou no momento em que parou ao lado da menor, mostravam o trabalho que a menina lhe dava.

— Me deixe entrar como eu quero, oras. — resmungou a menina com descontentamento, o que fez Aili balançar a cabeça negativamente.

— Anna, obedeça a Lorelai. — repreendeu Alam, o que fez a pequena olhar para ele antes de soltar um leve suspiro.

— Tá bom, pai. — resmungou, mas logo correu em direção a mãe, que logo agarrou seu rosto e beijou-lhe a bochecha.

— Como foi no Japão? — perguntou Jeile animadamente. Anna havia ido para a casa do primo no Japão na última semana, e voltara agora. Charlotte franziu levemente as sobrancelhas ao ouvir o nome desconhecido do lugar, ato que passou despercebido pelos outros que tinham sua atenção sobre a mocinha que chegara.

— Foi super divertido! — exclamou a pequena e, após dar um abraço no pai, correu em direção ao tio — A esposa do Joseph é tão legal, as irmãs dela são divertidas também. — informou a mocinha, fazendo o rei sorrir radiante; amava sua nora, seu filho tinha bom gosto.

— Você parece ter muitas novidades para contar. — falou a rainha Nei, fazendo Anna assentir com um sorriso no rosto. Mas logo algo pareceu ocorrer a mais nova, que fechou a cara por um momento, e logo caminhou até o irmão; lhe dando um belo tapa na nuca.

— O que? — exclamou o loiro com o susto — Quer que eu te jogue longe, pirralha?! — perguntou olhando para a irmã por cima do ombro enquanto levava sua mão à nuca, nitidamente irritado.

— E não reclame! Você merecia que eu usasse todos os feitiços que a Lorie me ensinou! — retrucou irritada — Eu não acredito que você se casou! — disse antes de cruzar os braços e encarar o pai e o tio — E também não acredito que vocês nem mandaram me chamar! — concluiu irritada, Alam encolheu os ombros. Não havia chamado Anna de propósito, por dois motivos: ela faria de tudo para que o irmão recusasse, e havia o risco de atentados na cerimônia; mas não esperava já ter que lidar com a irritação da filha.

— Anna, você sabe que foi um casamento político. — falou Vincent, fazendo a irmã olhar para o lado, contrariada — E seria perigoso se você estivesse lá, até tentaram matar a Charlotte, sabia? — explicou, vendo a expressão da irmã se suavizar, apesar de ainda estar contrariada. A pequena bufou, mas logo seu olhar foi para Charlotte. Ela aproximou-se da mais velha e a encarou por um tempo antes de se apresentar.

— Eu sou Anna, irmã mais nova do Vincent. — falou, observando atentamente a moça que a encarava com uma expressão neutra, porém um tanto cética; que figura inusitada era a princesa de Aster.

— Eu sou Charlotte… — apresentou-se por fim, sem saber o que dizer. A mais nova continuou a encarando, seu pai já se preparava para lhe dar uma bronca quando ela se pronunciou.

— Eu tenho 11 anos, e você? — perguntou repentinamente, fazendo Alam levar uma mão a cabeça e suspirar… Sua filha era um amor, mas também era… Intensa.

— Anna… — Aili começou, porém Charlotte balançou a cabeça levemente enquanto lhe lançava um sorriso, demonstrando que não se importava.

— Eu tenho 19 anos. — respondeu, vendo a pequena assentir e a encarar mais um pouco antes de falar novamente.

— Deve ser bem chato ter que se casar tão nova… — disse pensativa, mas logo deu de ombros e voltou seu olhar para o irmão — Mas em compensação, ela é bem melhor que a Rosemary. — falou a mais nova, fazendo todos na mesa ficarem sem ação por um segundo. Mas logo Jeile começou a rir e Aili cobriu o rosto com as mãos, Nei a encarou um pouco perplexa e Charlotte murmurou um “Quem é Rosemary?”, Vincent alternava entre segurar o riso e repreender a irmã; até mesmo Alam se segurava para não rir daquilo.

— Anna. — finalmente disse Alam em um tom repreensivo, a mais nova encolheu os ombros.

— Tá bom, tá bom… sinto muito. — ela falou, voltando o olhar para a outra princesa que estava completamente confusa e com uma sobrancelha arqueada. A mais nova deu um belo sorriso, antes de falar alegremente — De qualquer forma, espero me dar bem com você, cunhada!

Notas finais
Espero que tenham gostado e que resolvam aparecer para dizer o que acharam. Seria ótimo se comentassem :') Mas de qualquer maneira, até o próximo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.