Alianças de Sangue e Ferro
29 O Decreto do Coração e o Novo Império
O Salão do Parlamento estava em polvorosa. Nobres, clérigos e ministros se acotovelavam para ver os "Milagres de Versalhes". Lucas caminhava com uma postura que exalava uma nova forma de poder: o poder de um pai. Em cada braço, ele carregava um pequeno embrulho de rendas e sedas.
— Eu lhes apresento James e Alexander — anunciou Lucas, sua voz ecoando com autoridade. — James, em honra à linhagem de meu pai, e Alexander, em memória da Rainha Alexandria, mãe de minha esposa. Dois nomes, dois reinos, um só sangue.
O Arcebispo de Paris deu um passo à frente, ajustando suas vestes pesadas. Ele carregava um pergaminho antigo, selado com o anel de Roma.
— Uma bênção divina, sem dúvida — disse o clérigo, com um sorriso que não chegava aos olhos. — E, prevendo este momento de glória, o Vaticano e o Conselho já selecionaram as linhagens mais puras da Europa. Já temos as noivas ideais para garantir que James e Alexander mantenham a ortodoxia e a força de nossas alianças.
Um murmúrio de aprovação correu entre os parlamentares, mas o som foi interrompido por um ruído seco. Alice, que estava sentada em um trono lateral, levantou-se. Ela ainda sentia o corpo pesado e inchado do parto recente, mas o vestido de seda azul, com um corte império que caía suavemente sobre suas curvas, dava-lhe uma aura de majestade inabalável.
Ela caminhou até o centro do salão, parando ao lado de Lucas.
— Guarde seus pergaminhos, Arcebispo — disse Alice, sua voz fria e cortante como o aço inglês. — Meus filhos não são cavalos de raça para serem negociados em mesas de jantar ou gabinetes papais.
O Arcebispo empalideceu.
— Majestade, a tradição exige...
— A tradição quase nos destruiu — Alice o cortou, erguendo o queixo. — James e Alexander crescerão sabendo que o peso de suas coroas não os impede de ter uma alma. Eles se casarão por amor, com quem escolherem, seja uma princesa ou uma plebeia, desde que o coração deles dite o caminho. Nem o senhor, nem o Papa, nem qualquer lei escrita por homens que nunca sentiram o peso de um filho nos braços mudará isso.
Um silêncio sepulcral caiu sobre o Parlamento. Nunca uma Rainha falara com tamanha audácia diante da Igreja e do Estado. Todos olharam para Lucas, esperando que ele corrigisse a "impulsividade" da esposa.
Lucas, no entanto, apenas ajeitou os bebês nos braços e olhou diretamente para o Arcebispo.
— Eu assino embaixo de cada palavra de minha esposa. A França que meus filhos herdarão será uma terra de homens livres, começando pelos próprios príncipes. Se Roma tiver algum problema com isso, que venham falar comigo.
Ao fundo, sentados em seus tronos de honra, Ricardo e Katherine observavam a cena. O Rei Ricardo, que antes via o filho como um libertino, agora via um líder. Katherine, a grande estrategista, fechou o leque com um estalo seco. Ela percebeu que a criatura que ela ajudara a moldar havia se tornado maior que o criador.
— Eles são intocáveis — sussurrou Katherine para Ricardo, um misto de orgulho e resignação em sua voz. — Não há intriga que os separe, nem poder que os dobre. O amor deles tornou-se a muralha mais alta da França.
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