Alianças de Sangue e Ferro

22 O Castelo do Loire e o Brilho da Amizade



​O Castelo do Vale do Loire surgiu entre as árvores como um sonho de pedra branca e torres pontiagudas, refletindo-se nas águas calmas do rio que o cercava. Longe da rigidez de mármore de Versalhes e do olhar analítico de Katherine, o ar ali parecia mais leve, carregado com o aroma de pinheiros e terra úmida.

​Assim que a carruagem parou, Alice não esperou pelo protocolo. Ela saltou antes mesmo que o lacaio abrisse a porta, sentindo a grama sob suas botas. Lucas desceu logo atrás, soltando um suspiro de alívio ao ver o sorriso genuíno que começava a brotar no rosto da esposa.

​— É enorme! — exclamou Alice, girando para observar a fachada coberta de hera. — E o melhor de tudo... está vazio de conselheiros!

​— Exatamente como prometi — Lucas riu, jogando as luvas de montaria sobre um banco de pedra. — Aqui, a única etiqueta permitida é não chegar atrasado para o jantar, e mesmo essa podemos ignorar se estivermos ocupados demais na floresta.

​Uma Nova Dinâmica

​A separação dos quartos foi feita com uma naturalidade que removeu qualquer tensão. Lucas ocupou a ala leste, e Alice a ala oeste, unidas por um grande salão de jogos e uma biblioteca que cheirava a pergaminho antigo. Mas, para a surpresa de ambos, eles passavam pouco tempo separados.

​Sem a pressão de serem o "Casal Real de Ferro", eles se tornaram apenas dois jovens descobrindo afinidades. As tardes eram passadas em competições de arco e flecha nos jardins, onde Alice, com sua técnica inglesa superior, vencia Lucas repetidamente, fazendo-o resmungar de brincadeira sobre "trapaças britânicas".

​— Você mira como uma caçadora de recompensas, Alice! — Lucas exclamou, rindo ao ver mais uma de suas flechas atingir o centro do alvo.

​— E você mira como quem bebeu vinho demais no café da manhã — ela rebateu, piscando para ele antes de lhe estender o arco. — Tente novamente, "Leão". Tente não rugir tanto e focar mais no alvo.

​O Jantar sem Máscaras

​À noite, em vez do banquete formal com dezenas de pratos, eles pediam refeições simples servidas perto da lareira do salão comum. Sentados no chão, sobre tapetes de pele, dividiam pães, queijos e histórias. Alice contou sobre suas aventuras com Sofie e o bebê Henry, e Lucas, pela primeira vez, falou sobre a pressão de crescer sob a sombra de um pai guerreiro e uma mãe estrategista.

​Eles jogavam cartas, faziam apostas bobas sobre quem conseguiria ler mais páginas de um livro em uma hora e riam até as costelas doerem. Não havia o toque forçado, não havia a cobrança pelo herdeiro, e não havia o fantasma da noite de núpcias.

​Em um desses momentos, enquanto Lucas tentava ensinar Alice um jogo de dados francês, ela o observou de relance. Ele estava descabelado, com a túnica aberta no colarinho e uma expressão de pura diversão. Não era o príncipe libertino, nem o noivo venenoso. Era apenas Lucas.

​— Sabe — disse Alice, jogando os dados e conseguindo uma sequência vitoriosa —, eu nunca imaginei que pudéssemos ser... isso.

​— Isso o quê? — perguntou ele, sorrindo.

​— Amigos.

​Lucas parou por um segundo, o brilho das chamas refletido em seus olhos.

— É a melhor coisa que já fomos, Alice. De longe.

​Naquela noite, ao se recolherem para seus quartos separados, o corredor não parecia uma distância, mas uma escolha respeitada. E pela primeira vez, Alice deitou-se em sua cama sem sentir o peso da coroa, dormindo com o som da risada de Lucas ainda ecoando em seus pensamentos.