Alianças de Sangue e Ferro

1 O Banquete das Máscaras Caídas



​O silêncio no Grande Salão do Palácio de Versalhes era preenchido apenas pelo tilintar das taças de cristal e pelo som abafado das conversas diplomáticas. Não houve música de núpcias, nem pétalas pelo caminho. O casamento entre Katherine Petrovic e Ricardo Tudor fora selado horas antes, em uma sala fria, com assinaturas rápidas e selos de cera quente.

​Katherine sentava-se à cabeceira, a postura impecável. O vestido de veludo azul-profundo parecia uma armadura. Ao seu lado, Ricardo, o Rei da Inglaterra, exalava uma aura de autoridade rústica que contrastava com a sofisticação francesa.

​— Um brinde à estabilidade — disse Ricardo, erguendo a taça com um sorriso de canto que não chegava aos olhos.

​— E à sobrevivência das nossas linhagens — completou Katherine, a voz firme, embora seus olhos estivessem atentos à mesa lateral, onde os quatro jovens estavam sentados.

​O Encontro dos Herdeiros

​Marcone, o herdeiro inglês, observava Sofie com um respeito silencioso. Ela, aos 18 anos, já possuía a elegância estratégica da mãe.

— Ouvi dizer que a biblioteca de Paris é a mais vasta da Europa — comentou Marcone, tentando quebrar o gelo.

— É mais do que vasta, príncipe Marcone. É perigosa para quem não sabe ler as entrelinhas — respondeu Sofie, permitindo-se um sorriso genuíno. — Creio que teremos muito o que discutir sobre estratégia.

​Do outro lado da mesa, no entanto, o clima era outro.

​Lucas, o filho de Katherine, de 16 anos, girava o garfo com tédio evidente, observando Alice, que aos 15 anos parecia querer estar em qualquer lugar, menos naquele vestido de seda apertado.

​— Você deveria parar de amassar o guardanapo assim — cortou Lucas, a voz carregada de um desdém juvenil. — Na França, a etiqueta exige mãos calmas.

​Alice arqueou a sobrancelha, os olhos faiscando a teimosia típica dos Tudor.

— E na Inglaterra, exigimos pessoas que não cuidem da vida alheia. Se sua mãe comprou meu pai para manter o trono, não significa que você comprou meu silêncio, francês.

​Lucas travou o maxilar.

— Não foi uma compra. Foi um investimento. Embora, olhando para você, pareça que saímos no prejuízo.

​Alice largou os talheres com um estalo seco que fez alguns nobres olharem em direção à mesa. A guerra estava declarada, e não seria resolvida com tratados de paz.