Alianças de Sangue e Ferro
16 A Valsa das Máscaras e o Brinde de Veneno
O Salão de Baile de Versalhes nunca esteve tão opulento. Milhares de velas de cera de abelha pendiam de candelabros de cristal, fazendo o ouro das paredes cintilar como fogo. Nobres da Inglaterra e da França misturavam-se em um mar de sedas, joias e fofocas sussurradas. À frente de todos, no estrado real, o novo casal permanecia sentado como estátuas de um monumento à diplomacia.
Lucas mantinha uma mão possessiva sobre a de Alice, apertando-a toda vez que ela tentava se afastar. Para quem olhava de longe, parecia um gesto de carinho; para Alice, era como um grilhão de ferro aquecido.
— Sorria, minha querida esposa — sussurrou Lucas, inclinando-se para o seu ouvido enquanto o mestre de cerimônias propunha o primeiro brinde. — As pessoas estão começando a notar que você parece estar marchando para o próprio funeral.
— Talvez porque eu esteja, Lucas — Alice respondeu entre dentes, mantendo um sorriso gélido fixo na multidão. — A única diferença é que eu pretendo levar você comigo na cova.
O Brinde dos Reis
Ricardo levantou-se, erguendo sua taça de ouro. O salão mergulhou em um silêncio reverente.
— À união de nossas terras e ao futuro que nasce hoje! — exclamou o rei. — Que este casamento seja a pedra fundamental de um império que nunca conhecerá o pôr do sol.
A corte rugiu em aprovação, e o som dos brindes ecoou como trovões. Katherine, sentada ao lado de Ricardo, observava o casal com um olhar clínico. Ela sabia que a verdadeira batalha ainda nem havia começado.
A Dança da Discórdia
A orquestra iniciou a valsa oficial de abertura. Lucas levantou-se, oferecendo a mão a Alice com uma reverência teatral.
— Conceda-me esta dança, Rainha do meu inferno pessoal — disse ele, a voz carregada de um sarcasmo venenoso.
Alice aceitou, e eles deslizaram para o centro do salão. No momento em que se uniram na dança, a tensão foi quase física. Lucas a conduzia com uma força desmedida, forçando-a a segui-lo em giros rápidos que faziam a cabeça dela girar.
— Você está sendo muito silenciosa hoje, Alice — provocou ele, apertando a cintura dela com mais firmeza do que o necessário. — Onde está aquela língua afiada que você usou na taverna? Ou será que a realidade de ser minha propriedade finalmente a calou?
Alice parou bruscamente no meio de um giro, forçando Lucas a parar também, sob os olhares curiosos da corte. Ela se inclinou, aproximando os lábios do rosto dele, fingindo um carinho para os espectadores, mas suas palavras foram como adagas.
— Propriedade? Você se engana, Lucas. Eu sou a sua punição. Você pode ter o meu corpo por contrato, e pode ter o herdeiro por dever, mas você passará cada noite da sua vida se perguntando se o vinho que eu te sirvo é doce... ou se contém o fim dos seus dias.
Lucas soltou uma risada curta e seca, seus olhos brilhando com um perigo novo.
— Ameaças de envenenamento? Que clichê, Alice. Eu esperava mais da sua criatividade inglesa. Mas não se preocupe... eu pretendo provar cada gota que você me oferecer, apenas para ver a frustração no seu rosto quando perceber que eu sou imune ao seu veneno.
Eles voltaram a dançar, mas o ritmo agora era de um duelo. A cada passo, a cada toque, a promessa feita pelos reis no Salão do Reino pairava sobre eles. O banquete estava chegando ao fim, e o corredor que levava aos aposentos nupciais parecia uma estrada sem volta.
Ao fundo, Sofie observava a cena com preocupação, sussurrando para Marcone:
— Eles vão se destruir antes do amanhecer.
Fale com o autor