Aliança de Sangue
15 Capítulo 14
Notas iniciais
Finalmente, o tal esperado momento. Não! Não é o lemom, mas o casamento. Ops. Contei... Esperamos que gostem.
Boa leitura!!
No grande castelo pertencente ao rei Kárdia, todos estavam em polvorosa, serviçais humanos trabalhavam muito para deixar cada detalhe ao gosto dos noivos.
Afrodite Axel estava lá trabalhando no local mais escuro daquele imenso castelo, dava ordens a todos, orientando a respeito de cada pequeno detalhe.
Eram flores, arranjos, cores, móveis tudo que pudesse deixar àquele ambiente a altura do Senescal e de seu noivo.
Porém longe de toda aquela balburdia Kamus Depardieu encontrava-se sozinho em um aposento pequeno, porém extremamente elegante. Tentava ler um livro desfrutando do silêncio no qual estava mergulhado, mas sua mente só conseguia concentrar-se em seu noivo.
Desistiu de ler e escorou a cabeça no encosto da confortável poltrona na qual estava sentado.
— Quem é você menino?! — Questionava-se em voz baixa, falando para si mesmo. — Por que mexe tanto comigo?! Ah... Se soubesse o quanto o desejo, provavelmente fugiria de mim.
Passou a mão em seus fios ruivos, deixando-se devagar sobre aquele ser que o fazia sentir. Não era o que queria, mas perto dele não conseguia controlar o desejo de tomá-lo para si, de possuí-lo e sentir o sabor doce de seu sangue. Gostava do fato dele o desafiar, estava mesmo farto de todos aqueles que por interesse aproximavam-se dele e como marionetes concordavam com tudo que ele dissesse. Mas Milo não, ele o enfrentava e o desejo de domá-lo era cada vez maior.
Fora interrompido de seus pensamentos por leves batidas na porta. — Entre. —Kamus sabia bem de quem se tratava.
— Kamus, seu noivo já chegou, deseja vê-lo? — Ditou Shaka com um sorriso sarcástico nos lábios.
— E você acha mesmo que Afrodite me deixaria chegar perto dele? — Ditou Kamus com um pouco de diversão.
Ambos riram era claro que o loiro tinha muita intimidade com o ruivo, pois só ele e Kárdia faziam o Senescal mostrar quem era por trás da face gelada.
— Meu amigo! Podemos conversar um pouco? — Shaka perguntou com certa duvida.
— Claro! Mas você parece preocupado! — Kamus perguntou com uma expressão de desentendimento.
— Kamus. — Iniciou Shaka. — O que eu vou falar é a respeito de sua vida pessoal, então você pode me ouvir e se possível esperar para falar quando eu já tiver concluído?
Kamus não gostou muito daquilo, mas sempre confiou em Shaka e raramente ele se mostrara apreensivo a respeito de qualquer coisa. Então apenas confirmou com um aceno de cabeça e permitiu com seu silencio que o loiro continuasse.
— Kamus você está há muito tempo só e é chegada hora de você unir-se a alguém... Sei que tem ciência que é eterno então eu venho pedir a você que não o trate como um verme. Tenha respeito por ele... — Shaka parou vendo a expressão de desagrado do ruivo, até esperou que ele se pronunciasse, mas Kamus permaneceu em silêncio.
— Olha Kamus, a maneira como você vem o tratando não é das melhores, e eu sei que ele é bem impertinente, mas você não ajuda nada. Além disso, meu amigo se você o tratar assim como os serviçais e outros o respeitarão? Kamus você precisa pelo menos deixar para resolver qualquer diferença entre vocês.
O loiro estava surpreso esperava que Kamus já tivesse o interrompido, mas o ruivo não o fez.
— Um outro fato que me chama a atenção nele é que um garoto dito humano te enfrente, é surpreendente! Outro teria morrido de medo. — Vendo o ruivo erguer a sobrancelha Shaka continuou. — É Kamus, dito humano, pois diante de tudo que esse rapaz vem passando desde que vocês noivaram, me faz duvidar da verdadeira natureza dele.
Dessa vez o ruivo não conseguiu só ouvir e levantando-se questionou o outro.
— Do que está falando Shaka Phalke? O que sabe que eu ainda não saiba?
Com um sorriso de canto Shaka tratou de acalmar o ruivo contando o que imaginava, mas como qualquer outro não tinha nenhuma certeza.
— Eu não tenho nenhuma certeza de nada Kamus! Mas infernos será que você não percebeu ainda? Se esse rapaz é humano, como? Me explique apenas como foi que ele não morreu durante o ataque de Radamanthys? Kamus um humano comum teria no mínino tido uma hemorragia, o garoto teve arranhões leves e se você não notou sarou rápido demais!
Kamus estava atônito, ele realmente não havia notado nada disso, não havia pensado, a única coisa que o havia atormentado era a desobediência do Milo e ousadia de Radamanthys.
O Senescal nada ditou e Shaka aproximou-se dele e com alegria em seus olhos frios proferiu uma felicitação ao noivo.
— Desejo que o seu casamento seja feliz e que ele te traga de volta para nós!
—... — Kamus fez apenas um aceno com a cabeça, que o loiro entendeu perfeitamente que era uma forma de agradecimento.
Os dois permaneceram mais um tempo conversando, até que Shaka pediu licença e se retirou do local, deixando o ruivo novamente mergulhado nos próprios pensamentos.
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— Eu não vou vestir isso! — Um adolescente gritou exasperado. Milo achava no castelo domínio de Kárdia, em um dos quatros do local. O mesmo era imenso, ricamente decorado.
O fato era que Milo negava-se a vestir a roupa que Afrodite escolhera para si, em sua opinião era muita papagaiada, e jamais vestiria aquilo.
— Miluxo... Você é a noiva... — Afrodite tentou convencê-lo.
— Não! Sou noivo. Só por que vou casar com outro homem não que dizer que sou mulher, e nem permitirei que me tratem assim... Arrume outra roupa, essa não visto! — Disse nervoso.
O mesmo achava-se vestindo um roupão branco felpudo. Falta menos de duas horas para a cerimônia, e o mesmo esperneava contra as invenções do Toreador. Que queria maquiá-lo, fazer cabelo e ainda vestir uma roupa de cor azul clara, com babados, e vários enfeites em dourados...
— Mi! Há essa hora não vamos arruma outra roupa. — Elora ditou tentando convencer o filho, porém isso parecia uma missão impossível.
— Nem vem... Se tiver só essa roupa, não me caso. — Disse firme saindo do quarto de roupão mesmo para o desespero dos outros. Andava raivoso, quase bufando pelos corredores, pisando duro, somente parou quando se chocou contra outra pessoa.
— Ai! — Gemeu levando a mão a testa.
— Milo? Algum problema? — A voz e Kárdia era divertida, mas quando viu a expressão do menino ficou sério e preocupado.
— Dite arrumou uma roupa de pavão para mim, não vou vestir aquilo... Não me caso, mas não visto aquilo... — Estava tão nervosa com a cerimônia em si, com a “noite de núpcias” e ainda aquela roupa.
— É tão ruim assim? — O rei colocou a mão nos ombros do menor, fazendo uma massagem como se buscasse acalmá-lo.
— Sim! Eu... — Milo deu uma fungada funda, não iria chorar, era homem.
— Ok! Venha... Vamos resolver isso... — Disse Kárdia puxando o menor pela mão e seguindo para o aposento principal no castelo. Havia tanto tempo que não entrava ali, evitara tantos anos, e finalmente iria atrever.
Quando a porta deu espaço para os dois, Milo ficou encantado com a beleza do recinto, realmente um quarto digno de um rei. Os olhos azuis esquadrinhavam cada detalhe, que parecia carrega a marca de seus proprietários.
— De quem? — Milo parecia curioso.
— Era o aposento meu e de Dégel... Há anos que não entro aqui. — Havia saudade na voz dele, dor imensa que Milo poderia dizer palpável.
— Desculpa... — Se sentiu culpa por levá-lo a entrar ali.
— Não vamos fica triste, hoje é dia de alegria... — Falou indo até o grande closet alojado ali, entrando no mesmo e passou a procurar algo... E quando finalmente achou exclamou. — Aqui! — Empolgado mostrou a roupa para o noivo.
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À noite enfim havia chegado e com ela o tão esperado casamento do Senescal. Muitas criaturas da noite estavam ali para prestigiar o grande evento, quase ninguém acreditava naquilo Kamus Depardieu, um dos “homens” mais temidos entre aqueles seres, conhecido por sua frieza e crueldade, iria casar.
Para muitos era uma surpresa, tantas e tantos já haviam tentado fisgar aquele ser, mas ele parecia estar acima de todos. Alguns poucos sabiam quem era a noiva, porém, as maiorias dos que ali se encontravam, não tinham a mínima idéia de quem era a pessoa que havia conquistado o coração do esquife de gelo...
Logo a cerimônia teria início e todos procuraram um lugar para estar dentro do salão. Foi ouvido som de trombetas a anunciar que o Rei estava chegando ao recinto.
Kárdia entrou acompanhado de Shion e Elora, e dirigiram-se até a frente onde se encontrava o altar.
Em seguida, entrou um homem alto, de cabelos curtos e brancos, suas feições eram duras, mas transmitiam uma paz inigualável. Tinha um porte altivo era um vampiro velho e culto, detinha o conhecimento e o domínio da magia fosse negro ou branca. Mitsumasa Kido era o ancião que realizaria a cerimônia.
Em seguida Kamus Depardieu entrou chamando a atenção de todos. Ele estava perfeito, elegantemente trajado com um fraque preto. Suas vestes contrastavam com sua pele alva, seus cabelos estavam presos em rabo de cavalo baixo e seu andar era altivo e cheio de si, mostrava autoridade e soberba.
Seu olhar frio esquadrinhava um a um, porém quando seu olhos verdes depararam-se com o líder Baali quase tornaram-se rubros, precisou usar todo seu alto controle para não matá-lo ali mesmo.
Continuou seguindo até o altar, ali chegando cumprimentou o rei, o avô e a mãe de seu noivo. E de pé ficou a esperar que Milo Lhasa entrasse.
Todos estavam ansiosos, perguntavam-se quem era que o Senescal desposaria?. Porém quando Afrodite Axel adentrou o local, todos então sabiam que a “noiva” entraria em pouco tempo.
Milo estava nervoso, sua vontade era mesmo de sair correndo, mas lembrando-se de sua mãe e de Asmitha, tomou coragem e seguiu em direção ao grande salão.
Ao se aproximar do local respirou fundo e então deu um passo adiante, e o que viu lhe assustou, o lugar estava cheio e ele sentiu medo, seus olhos percorreram rapidamente o local e ele quase fugiu, Porém, em meio ao seu desespero sentiu uma mão fria tomar as suas e ao levantar o olhar percebeu que era seu futuro esposo.
A seus olhos Kamus estava lindo, sua elegância e sua autoridade eram visíveis, ele parecia estar acima de qualquer um ali. Sentiu-se queimar por dentro, o olhar de Kamus parecia o atravessar. Ele o olhava intensamente.
Kamus por sua vez estava sem palavras Milo estava lindo e foi exatamente isso que o fez ir a seu encontro, quando o avistou na porta esqueceu-se completamente de quem estava ali.
O lorinho estava perfeito, ao contrario de si Milo estava todo de branco, do fraque ao sapato, seus fios loiros estavam presos num meio rabo de cavalo, com a franja lhe caindo sobre os olhos azuis. Nas pontas cacheadas enfeites em flores com brilho prateado, lhe emoldurando a face angelical, era um deus flutuando entre mortais, os cachos voavam lhe dando um ar selvagem encantando a todos principalmente ao Senescal.
— Não tenha medo de mim! Venha comigo Milo... Seja meu!! — Kamus sussurrou baixo. Seu tom podia ser frio, mas Milo sentiu-se mais confiante. E assim juntos seguiram em direção ao altar.
De braços dados os dois avançaram em sentido ao altar. O mesmo era feito de ouro maciço, e em seu corpo havia diversos símbolos antigos... O local era amplo, e toda a meia luz... Sendo que o mesmo era clareado não por eletricidade e sim da chama que provinha das tochas espalhadas na extremidade do recinto, e alta.
Todos os presentes, vampiros que faziam parte da alta sociedade, muitos lideres, anciões, lordes, ladys ou políticos... Ocupavam posição importante na cultura vampira como humana.
O caminho até o altar não era longo, mas em todo ele Milo não deixara de ficar nervoso, e tinha certeza somente não caíra por que o ruivo estava ao seu lado. Fez questão de agarrar ao braço dele com força, buscando todo suporte. Seus olhos azuis ao encontrar seus amigos tão preciosos, que fizeram questão de estar ali, Asmitha, Shun e Aioria.
Milo sorriu gostoso para eles, porém, quando caíram sobre o ser que lhe causava tanto terror, todos seus pesadelos e agora a dor da perda de sua amada esmeralda, teve ganas de voar no pescoço dele, porém não queria estraga aquele momento com ele.
Quando por fim os dois se colocaram diante do altar, e do sacerdote, os presentes fizeram silêncio e focaram seus olhos sobre os dois mais importantes aquela noite de lua cheia e céu sem nuvens ou estrelas.
Milo olhou para seu avô, e depois sua mãe... Para muitos não foi possível ver, mas Milo percebeu o pequeno sorriso, que para si transmitia muito ao loiro.
Não demorou para que o ancião começasse a rezar um mantra sagrado. O mesmo era dito em uma língua estranha. Totalmente desconhecida para muitos, somente os vampiros milenares tinham ciência, porem os demais sabia que aquelas palavras representavam o mais alto juramente e ritual de união dos vampiros, algo que valeria pela eternidade.
Mas foi quando o ancião ordenou que Elora pegasse o cálice de ouro, e o banhasse dentro da bacia, aonde havia uma mistura de sangue – o mais ouro – era ali que havia o sangue de todos os anciões ou lideres dos vampiros, que estipulava a força maior, que reeditava que a união deles era aceitar por todos que Milo estremeceu.
Claro, criado por vampiros sabia como se realizaria tudo, e que o qual importante era cada detalhe.
Ao fazer tal processo com o cálice e entregando ele ao sacerdote, Elora representava a parte da família do noivo, um ato que julgava por ceder Milo totalmente ao esposo, que agora Milo deixava a família que sempre vivera e rumaria para unir a sua real família a partir daquele momento.
O homem de cabelos brancos entregou o cálice para o rei, quer por ser o cunhado de Kamus, simbolizaria a família do ruivo. Kárdia seguiu com o cálice e uma adaga prateada até os dois. Primeiramente Kamus, o vampiro ergueu uma de suas mãos. O rei dos vampiros fez um corte em seu pulso – Kamus não demonstrou nada – Nem dor, ou sentimento, como sempre.
O sangue. Vitae essencial para existência daqueles seres. Jorrara e, Kárdia posicionara o cálice para que fosse dentro do mesmo, ao que o rei fez um sinal que o sangue fez parar de jorra e o corte sarar, em seguida ele foi em sentido e Milo.
Chegou bem perto do menino e sussurrou:
— Calma. — Tudo para tranqüilizá-lo. Fez o mesmo processo no braço dele, porém Milo gemeu de dor, e logo seu sangue por igual caiu no cálice. Todavia o odor que exalou pelo ambiente, daquele sangue fez muitos ficarem ouriçados, afinal aquele poderia ser o sangue mais doce e viciante, porém dali alguns minutos pertenceria somente a Kamus.
O rei fez o mesmo processo para sarar a ferida de Milo, entregando o cálice para o sacerdote, e o mesmo passou a pronunciar novas rezas. Uma energia sentida. Algo superior que fazia todos incapazes de atrapalha aquele momento.
O ancião andou até eles erguendo o cálice, símbolo da união do sangue de ambos, mesmo que ali houvesse um humano e vampiro. Kamus fora o primeiro a tomar o artefato de ouro o levando aos lábios. E em seqüência virou-se para o loiro.
Ao contrário do que muito poderiam imaginar Milo não sentiu nojo, talvez pelo fato de ter sido criado no meio daqueles seres. Talvez tremesse unicamente pelo momento, mas o olhar de Kamus, mesmo gélido, o trazia certa calma, e isso o deixava meio confuso.
Pegou o objeto e no processo seus dedos tocaram-nos do ruivo, seu corpo estremece com o pequeno contato. Fizera o processo lento, tocando com seus lábios o cálice e tomando goles da mistura de seu sangue com o do vampiro.
Kamus poderia jurar que viu ali um brilho diferente, o mesmo que vira quando o menor proporá para o casamento.
De todos os presentes o que menos desejava aquela união e que no momento espumava de raiva era um loiro, Radamanthys grunhia de raiva, e sua vontade era avançar encima do Senescal, e rasga o pescoço dele com suas garras, contudo seria suicídio se fizesse algo em meio a tanto aliados ao rei.
O ancião voltou a dita algumas palavras, e as ultimas foram em um idioma que todos entenderiam.
— Que perante os deuses, a raça imortal e mortal... Diante do sangue que a partir desse momento, pela força maior, agora os dois são apenas um... Casados... — Mitsumasa Kido ditou selando completamente a união deles.
Milo puxou o ar com força e depois o soltou lentamente, agora era para valer, estava casado. Claro, perante o ritual dos vampiros existia a ultima parte que seria realizado quando somente ambos tivessem a sós.
Kamus sentia-se pleno, saber que Milo o pertencia era quase que completamente um com ele deixava-o cada vez mais ansioso e excitado.
Milo por sua vez, ainda tinha medo, porém após a promessa feita a Esmeralda não sentia-se no direito de desrespeitá-lo, teria mesmo que aprender a pelo menos aguentá-lo.
O Senescal tomou as mãos do menino nas suas e o fez olhar para si. Passou de leve uma das mãos no rosto angelical e em seguida escorregando-a por entre os belos e cheirosos cachos loiros, a outra por sai vez tocou a cintura do menino e em conjunto ambas trouxeram o corpo menor dom mais novo para junto do seu e sem reservas, vergonha ou qualquer outro sentimento Kamus o beijou.
Milo não entendeu o que estava para acontecer, mas quando sentiu os lábios frios encostarem-se aos seus, ao invés de empurrá-lo ou rejeitá-lo ele apenas fechou os olhos e entreabriu os lábios deixando que a língua experiente do marido explorasse com suavidade e vontade sua boca.
O beijo deixou todos sem fala, Kamus era mesmo diferente, nunca nenhum vampiro tinha feito aquilo diante dos outros, porém ele o fez e ninguém se atrevia a questioná-lo.
O beijo não foi longo, porém, foi suficiente para que ambos sentissem ainda mais necessidade e vontade um do outro. Kamus apartou o beijo respeitando o fato do humano precisar respirar, mas ao solta-lo proferiu baixo para que apenas ele ouvisse.
— Você é meu! — Seus olhos exalavam luxuria e sua voz saíra rouca – E não permitirei que ninguém mais além de mim o tenha! Eu juro que aquele que te tocar eu matarei com minhas próprias mãos. Eu o desejo muito meu pequeno marido.
Milo sentiu seu rosto esquentar, aquelas palavras o deixaram sem jeito, porém o fizeram sentir protegido e até amado.
Vendo as faces rubras do menor o vampiro julgou apenas que se ele não saísse logo dali, não conseguiria mais resistir ao desejo de possuí-lo.
Os noivos então acompanhados do rei e de seus parentes seguiram para um outro salão onde seria a recepção, uma grande festa, tudo estava belissimamente ornamentado com lisiantos, as mesas com pouca comida afinal poucos ali dependiam daquilo. A decoração era em branco e vermelho. Aquelas cores pareciam combinar perfeitamente com os dois. Muitos conversavam espantados com aquela união. Outros apenas parabenizavam ou ditavam que aquela união não demoraria muito tempo.
Longe, porém do alcance de Kamus e Milo, Radamanthys sentia em si uma crescente necessidade de matar, matar aquele ruivo filho da mãe, matar aqueles dois Assamithas desgraçados e por fim assim que tivesse o garoto em suas mãos, mataria o maior culpado por sua desgraça Kárdia Bartnick.
Alheios a esse ser, Kamus deixara Milo a vontade para confraternizar com seus amigos, observava-o de longe permitindo que o rapaz aproveitasse tudo que pudesse, a fim de não assustá-lo com suas atitudes.
Milo estava rindo. Suas feições eram realmente belas e causavam inveja a muitos e muitas ali. O loirinho mantinha uma conversa animada com Aioria, e Shun todos eles achavam coisas divertidas naqueles rostos tão estranhos a si.
— Milo você vai deixar de ir a escola? — Shun perguntou com a voz baixa e uma certa tristeza.
—Eu não sei Shun... — Milo ditou também com tristeza.
Aioria permaneceu calado, também sentiria falta do amigo, mas o que ele poderia fazer? Percebendo a tristeza que envolveu seu esposo, Kamus aproximou-se deles.
— Algum problema? Estavam bem ainda a pouco, por que estão assim? — Kamus perguntou altivo. Mas nenhum dos três teve coragem de dizer nada a ele.
Foi então que Aioria viu Pandora e então com raiva ditou baixo
— Um dia eu me vingo de você! — O ódio com que falava era notório e três cabeças voltaram-se na direção que olhava. A exceção de Kamus os outros dois entenderam bem o que o rapaz passava.
No olhar de Kamus era visível que gostaria de perguntar, mas um leve sinal de negação feito por Milo fez com que ele compreendesse que não era hora de falar.
Para chamar a atenção do amigo Shun voltou-se para Kamus e perguntou com educação.
— Senhor Depardieu... O senhor vai proibir Milo de ir à escola? — Falou com um tom de voz que beirava a inocência.
Kamus ponderou e notara que os três estavam apreensivos. Porém não via motivos para trancar o garoto consigo.
— Não! — Respondeu friamente.
Os três quase gritaram e embora sua feição não mudasse, Kamus havia gostado de ver o sorriso voltar ao rosto de seu loiro.
Kamus virou-se e chamou por Hyoga e o trouxe para junto dos outros quando o rapaz loiro aproximou-se seus orbes azuis encontraram os verdes de Shun e ambos perderam-se ali. Hyoga achou que tinha encontrado um anjo e Shun sentiu o coração aquecer.
— Este é Hyoga, meu sobrinho. — Kamus apresentou, porém nem o sobrinho de Asmitha e nem o de Kamus lembraram-se que havia outras pessoas ali.
— O-oi meu nome é Shun Sharmila, eu sou sobrinho de Asmitha. — Shun apresentou-se com a face rubra.
— Hyoga Depardieu. É um prazer conhecê-lo. — Ditou Hyoga em seguida.
Os três adolescentes voltaram à conversa e incluíram Hyoga na conversa, claro, o vampiro loiro voltava toda sua atenção para o jovem de olhos verdes, e ainda assim falava pouco.
Kamus voltou-se a se afastar, como Senescal tinha a postura a manter cumprimentado varias vampiros, até que foi tratar um assunto com os dois xerifes.
Em outro canto Shion conversava com o rei e alguns nobres dos países vizinhos.
Contudo todos de olho para garantir a segurança do loirinho, e que o líder dos Baali não fizesse nada.
Longe dos olhos dos presentes, justamente na sacada que fazia junção com o belo salão um casal, encontrava. O corpo feminino moldurado pelo belo vestido de gala era amparado por um corpo masculino que estava atrás, os braços do mesmo rodeava seu corpo.
A lua era testemunha daquela cumplicidade, e a brisa acalentava a pele deles.
— Ele ficara bem... — Asmitha disse a fim de tranquilizar Elora, que mesmo que a vampira tentasse não demonstra o humano a conhecia como ninguém.
— Queria ter essas sua certeza! Sei que Kamus ainda é a melhor opção, porém ele pode ser pior que Radamanthys... — Não havia emoção em sua voz, porem sofria com medo dele sofrer,
— Ele respeita seu pai e o rei dos vampiros, como disse, não o fará mal... Aproveita a festa, e o casamento de seu filho. — Asmitha sabia perfeitamente como acalmá-la.
— O que seria de mim sei você? — Elora ditou virando o tronco, permitindo que seus olhos encontrassem com o amado. Os lábios se encontraram em um beijo, suave e rápido, que transmitia muita coisa.
— Logo será o nosso casamento! — O humano disse amoroso e suas palavras fizeram um sorriso surgir na face de Elora, um presente para poucos, e mesmo que Asmitha não pudesse ver com os olhos carnais via com os da alma.
— Sim... — Ela sussurrou voltando a beijá-lo.
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Agora mais calmo a fome parecia ter batido, assim Milo atacava a mesa de doces. Aioria havia simplesmente sumido, algo como uma ruiva linda, a musa de seus sonhos, e desaparecera, Shun havia sido raptado pelo sobrinho de Kamus, no final acabara sozinho.
Tão concentrado em saborear aqueles doces não percebera quando alguém aproximou, se posicionando atrás de si, e colocando uma taça de sangue sobre a mesa. Um calafrio percorreu corpo e uma vontade imensa de sair dali, somente quando a voz ecoou tomou ciência de quem se tratava.
— Não se preocupe logo serás meu... — Radamanthys vira a chance perfeita surgir quando vou seu alvo sozinho, e Kamus saíra junto com Kárdia e Shion do saguão para falar algo particular com um Senescal da camarilla da Ásia.
Milo queria fugir, ansiava que alguém o salvasse. Seus olhos buscaram pelo marido, mas nem sinal dele.
— Sou casado agora... — Milo tentou rebater, dita que pertencia alguém agora, e usar as palavras de Kamus, ninguém chegaria perto de si.
— Aquele vampiro de merda irá morrer por ousar chegar perto daquilo que me pertence!
Milo sentiu seu estomago embrulhar, lembrou-se de Esmeralda e deu-se conta que ele acabara de ameaçar seu esposo. Milo estava farto daquilo, podia não ter forças para enfrentá-lo, mas não deixaria que ele fizesse mal a outra pessoa, porém antes que se pronunciasse ouviu a voz fria e superior do ruivo.
— Imagino que tenha vindo me parabenizar pelo casamento, mas devo avisar que lhe desejo longe do meu marido, caso contrário não me responsabilizo por sua vida!
— Eu lhe parabenizo por uma união que não ira durar muito Kamus.
— Está disposto a me provocar Radamanthys? — Kamus falava entre dentes. — Acha que pode contra mim? Afaste-se do meu marido. Nunca, em hipótese alguma toque no que é meu. Na próxima não responderei por meus atos! E sua existência estará por um fio, Vamos Milo!
O loiro nada respondeu, apenas seguiu Kamus em silêncio. Aproximaram-se de Shion, Eoora, Asmitha e Kárdia. Milo parecia transtornado e todos perceberam.
— O que ouve meu anjo? — Perguntou Elora ao aproximar-se do filho.
— Não é nada mãe... — Falou sem muita certeza.
Sentiu mais uma vez as mãos frias do ruivo apoderar-se de si. E sentiu um arrepio percorrer sua espinha quando ele ditou baixo em seu ouvido.
— Dança comigo!
Milo o olhou intensamente e acompanhou-o até o salão, ali Kamus tomou as mãos do loiro e começou a dançar, passos tímidos no inicio e aos poucos sentiram seus que o mundo sumia, nada e nem ninguém era mais importante.
Milo esquecera-se de Radamanthys e deixou-se levar pelo esposo. Dançaram um bom tempo e o menino sequer percebeu quando o vampiro o levou dali, envolvido pela aura do ruivo nem se atentara o caminho que seguira, só ia para aonde Kamus desejasse. Quando deu por si, tinha a boca atacada pelo agora seu marido, a ardilosa língua desvendava cada pedaço de sua cavidade bucal, e o ruivo o guiara para dentro dos aposentos.
Continua...
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