Alguém tem que ceder

6 Capítulo 6 - Final


Notas iniciais
Caros leitores, chegamos ao final da fic! Espero muito que vocês tenham gostado :) Um capítulo bem amorzinho pra vocês ❤

Ela estava sentada, com os braços cruzados sobre o balcão da cozinha. Seus olhos seguiam os movimentos majestosos de Mac enquanto cozinhava. Ele havia arregaçado a manga da camisa social até a metade do braço e posto o avental branco que ela lhe dera.

— Minha mãe sempre fazia essa receita pra mim quando eu era pequeno. — Comenta ele após alguns segundos em silêncio. — Eu sempre a ajudava de alguma forma, o que fazia eu me sentir um verdadeiro chef. — Ele solta uma risadinha, que faz Stella sorrir. Mac põe a quiche no forno e em seguida retira seu avental. — Então.. Você e o Sid pareciam estar tendo uma conversa séria. Está tudo bem? — Pergunta, pendurando-o em um suporte que havia na parede.

Stella desvia o olhar quase que instantaneamente, pensando no que dizer.

— É.. Sim, está tudo bem. Só estávamos, você sabe, pondo o papo em dia. — Ela coça a garganta e logo volta a falar, não dando chance para que Mac se aprofunde no assunto. — Como foi a conversa com Sinclair?

— Gerrard não está satisfeito com o andamento do caso. Como eu disse antes, ele quer ter prioridade. — O ex-marine se aproxima do balcão, desdobrando as mangas de sua camisa. — Eu disse a ele que o melhor que eu poderia fazer era colocar Danny a frente do caso. Estou com uma tonelada de problemas na minha mesa, não posso dar atenção pra isso agora.

— E o que ele disse?

— Bom, digamos que eu estava meio irreversível quanto a isso. Era meio que pegar ou largar, então não tiveram muita opção. Sem contar que Danny é um excelente detetive. Ele vai tirar de letra! E estaremos por perto caso ele precise de ajuda. Somos uma equipe. Sinclair precisa entender isso.

Stella o observa com admiração. Mac sempre fora um excelente líder, não havia dúvidas quanto a isso.

— Ele me perguntou também se eu falei com você sobre aquela história da queixa. — O detetive apoia uma das mãos no balcão, enquanto a outra descansa no bolso da calça. Stella o observa com curiosidade, mas não diz nada. — Eu disse a ele que você estava apenas fazendo o seu trabalho, e que eu tenho plena confiança nos meus detetives. Se o vereador Hansen acha que suas ameaças vão nos atingir de alguma forma, ele está muito enganado. Se ele não quer que a filha dele seja interrogada, então ele que a mantenha longe de encrenca.

Stella morde o lábio inferior, reprimindo um sorriso. Mac estava com uma leve carranca. Aquele assunto com certeza havia irritado o homem.

— Obrigada por ter ficado do meu lado. — O detetive da a volta no balcão e senta na banqueta ao lado dela, próximo o suficiente para que seu joelho tocasse um pouco na perna dela.

— Eu deveria ter te defendido antes. Me desculpe por não ter me posicionado e ainda por cima ter descontado em você.

— Mac, sobre isso.. — Ela vira um pouco o corpo, apenas para poder olha-lo melhor. — Eu sinto muito por ter dito que você não se posiciona. Essa foi a coisa mais forçada que eu já disse em uma de nossas discussões. Eu sabia que te irritaria, e aquela meio que era a minha intenção naquele momento, então... — Ela divaga, levemente envergonhada. — Eu tenho orgulho de você. Da forma como desestabiliza todos esses políticos que se acham poderosos, apenas com o seu caráter. Você os irrita porque eles sabem que não podem te ter nas mãos deles. Eu te admiro muito, Mac.

Mac escorrega sua mão pelo balcão e a põe sobre as de Stella, que mantinham-se entrelaçadas.

— Saber que você tem orgulho de mim é muito importante. Significa que eu estou no caminho certo. — Admite, observando sua mão sobre as dela. — Quando eu vi você saindo do meu escritório depois da briga, me senti péssimo. Nada do que eu falei era verdade. — Ele corre seus olhos até ela. — Nossa amizade sempre foi meu alicerce. Se ela fosse baseada numa mentira, você não seria a pessoa em que eu mais confio no mundo. A pessoa que eu confiaria a minha vida, sem pensar duas vezes.

Ele acaricia as mãos dela com o polegar, enquanto seus olhos permanecem conectados com os dela.

— Me perdoe por ter te magoado. — Continua ele. — Por ter feito você chorar sem que fosse de felicidade. — Ele leva sua mão livre ao rosto dela, secando uma lágrima que começava a rolar. — E me perdoe por ter sido tão cauteloso a ponto de esconder com tanto afinco o que eu sinto por você.

Stella sente seu coração acelerar. A conversa que teve com Sid volta, assim como todos os momentos anteriores em que ela sentiu que havia estragado tudo entre eles por conta de uma percepção que poderia ter sido errônea.

— Mac, eu não deveria ter jogado isso em cima de você. Nós nunca nem tocamos nesse assunto. Eu não queria te pressionar, é só que...

— Ei — ele a interrompe, atraindo seu olhar novamente. — Você tinha razão. Eu fiquei tão focado em ser cuidadoso, em não apressar as coisas e acabar estragando tudo, que me esqueci de compartilhar com você tudo o que estava acontecendo aqui dentro. Quando eu ia fazer isso, perdi a coragem. Eu coloquei tantos empecilhos que acabei acreditando neles, por um tempo. — Ele põe um cacho atrás de sua orelha. — Até que em um dia completamente aleatório o Sid me confrontou sobre meu olhar apaixonado. — Eles riem. — Ele me pediu pra pensar por 5 segundos no seu sorriso. Eu pensei, e, consequentemente, sorri. Daí e ele disse...

— "Se o sorriso dela te faz sorrir, então o amor está no ar..." — Completa Stella, vendo a confusão no rosto dele. — Talvez a nossa conversa não tenha sido apenas para colocar o papo em dia.

— Por isso você estava chorando. — Stella assente, em silêncio. — Ele tinha razão, o que me lembra que eu deveria agradecê-lo depois.

— Você não foi o único a ser capturado pelo talento de observação do Sid. — Confessa. — Acho que nós dois temos que agradecê-lo, no fim das contas.

Mac sorri levemente e se levanta, girando Stella para que ela ficasse de frente para ele. Ele se aproxima, ficando entre suas pernas, e segura o rosto dela com as duas mãos.

— É tarde demais ou eu ainda posso dizer como me sinto? — Pergunta, não economizando no charme em sua voz.

— Nem precisava perguntar. — Responde, desconcertada por tamanha proximidade.

— Eu estou completa e loucamente apaixonado por você, Stella Bonasera. — Confessa, observando os lábios dela contraírem-se num largo sorriso. — Você me conquistou com seu sorriso, — Diz, passando o polegar levemente sobre seus lábios — seus olhos, seu cheiro, sua teimosia. — Stella solta uma risadinha. — O seu caráter, seu coração..

Ela o interrompe, selando seus lábios nos dele. Suas mãos descansam na cintura dele, enquanto as dele continuam segurando seu rosto. O beijo é calmo, como se ambos quisessem expressar tudo que guardaram para si durante todos aqueles anos.

Mac desce suas mãos e a puxa gentilmente pela cintura, sem desgrudar seus lábios dos dela. Stella agora está de pé, com seu corpo colado no dele. Ela o abraça pelo pescoço. Ele a segura pela cintura. Tudo encaixava perfeitamente, como se seus corpos fossem peças de um quebra-cabeça.

— Eu amo você.. — Ela sussurra contra seus lábios, roçando seu nariz no dele. Mac reprime um sorriso apaixonado e da de ombros, fingindo indiferença.

— Eu já sabia. — Boquiaberta, a grega da um tapa em seu ombro, arrancando uma risada do detetive. — Eu também te amo. — Ele a beija rapidamente antes de se afastar com um sorrisinho travesso.

— O que foi? — Ela o olha com curiosidade.

— Já que demoramos um pouco além da conta para termos essa conversa, será que eu posso pular todo aquele mistério e já te pedir em namoro? — Stella gargalha, escondendo o rosto no pescoço de Mac a fim de abafar a risada. — O que? Estou sendo precipitado? Porque se você achar que estamos indo rápido, eu... — Stella o interrompe, se recompondo.

— Não, não estamos indo rápido. Já deveríamos ter tido essa conversa há meses. — Afirma, acariciando sua nuca com as pontas dos dedos. — Eu tenho certeza do que eu sinto por você, Mac. Não há nada que eu queira mais do que estar do seu lado! É claro que aceito ser sua.... — Dessa vez, Mac é quem a interrompe.

— O que? Não! — Exclama. — Você precisa esperar eu pedir. Tenha calma, detetive. — Ele se afasta e, sob o olhar curioso de Stella, vai até a sala e pega uma caixinha no bolso do seu terno, que estava sobre o cabideiro. — Você merece um pedido à altura. — Diz, caminhando de volta até ela.

— O que está tramando, Taylor? — Indaga, cruzando os braços contra o peito. Mac abre a caixinha em direção a Stella, deixando a mostra um belo colar com um pingente de esmeralda em forma de gota. — Mac, é lindo! — Ela observa, emocionada.

— Eu comprei já tem um tempo. Estava esperando o momento certo de dá-lo a você. — Cuidadosamente, Mac pega o colar e deixa a caixinha sobre o balcão. — Posso? — Pede, com seu charme característico. Stella apenas sorri e se vira, segurando seus cachos no alto. — Eu escolhi esse por causa dos seus olhos — conta, enquanto prende o colar atrás de seu pescoço. — Gosto de como eles me lembram duas esmeraldas brilhantes.

Stella toca o pingente, lembrando-se dos momentos em que Mac comparou seus olhos à esmeraldas. Ele sempre se ateve aos pequenos detalhes. Era uma das qualidades que ela mais admirava e amava.

— Eu amei. — Ela se vira, encontrando os olhos dele novamente. Nos dela, o brilho intenso se dava pela emoção. Era difícil conter as lágrimas diante de um ato tão apaixonante como aquele. — Obrigada. — Sussurra com a voz embargada.

— Eu queria que, apesar de simples, fosse um momento especial pra você. — Diz, segurando sua cintura firmemente. — Stella, eu sou provavelmente a pessoa mais complicada que você conhece. As vezes eu me fecho e me afasto, ou acabo agindo como um idiota apenas para esconder minhas frustrações. Eu não posso prometer que nunca mais vou errar com você. Mas eu te prometo que darei o melhor de mim todos os dias para te fazer feliz. — Algumas lágrimas rolam pelo rosto dela, mas nenhum dos dois as seca. Os olhos de Mac estavam fixados nos dela, como se aquelas duas esmeraldas tivessem o poder de hipnotiza-lo.

Bom, talvez realmente tivessem.

— Um dos motivos pelo qual eu tive receio em contar a você sobre meus sentimentos, era por causa da nossa amizade. Eu tinha medo de perder aquilo que foi meu alicerce durante todos esses 16 anos. — Confessa. — Mas agora eu sei que o que construímos não vai se perder, apenas ganhará uma espécie de upgrade. — Seus olhos se apertam diante daquela afirmação. Stella ri. — Tenho liberdade pra ser um pouco brega agora?

— Mac Taylor sendo brega? Essa eu quero ver! — Responde empolgada.

— Já somos parceiros contra o crime. Aceita ser minha parceira no amor também? — Ela faz menção em falar, mas as lágrimas a impedem. Como resposta, ela o beija. Diferente de antes, não havia tanta calma. Esse era um pouco mais urgente, como se houvesse a necessidade de recompensarem todo o tempo perdido.

Mac a gira, encostando-a no balcão. Seus lábios deixam os dela por um breve momento, apenas para que seus olhos encontrassem os dela outra vez.

— Quanto tempo depois de começar a namorar é aceitável pedir em casamento? — Questiona com o cenho franzido.

— Estamos namorando há 60 segundos e você já está pensando em casamento? — Rebate, reprimindo um sorriso.

— Posso esperar mais um minuto, se preferir. — Ele esboça um sorriso travesso, voltando a beijá-la. Stella, no entanto, o afasta.

— 2 minutos é muito pouco. — Diz, como se fosse óbvio. — Isso não seria muito prudente da nossa parte. Que tal esperarmos até a janta ficar pronta, hein? — Ela lança um olhar desafiador.

Mac sorri e da a volta no balcão. Com o auxílio de uma luva, ele abre o forno e retira a quiche, pondo-a sobre a pia.

— Está pronto? — Pergunta Stella, ainda recostada no balcão. Mac retira a luva e vai ao seu encontro novamente, pondo as mãos em sua cintura.

— Está. — Ele a beija rapidamente. — Quer casar comigo? — Ela solta uma risadinha e aproxima seus lábios dos dele em um toque suave.

— Quero.

The end.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!