Notas iniciais
Oiee

Trago uma fic fofa e triste, pq não é só de baixaria que vivem os fãs de RoyEd.
Uma one bem curta, mas feita pra machucar kkk

A imagem da capa e do capitulo não me pertencem, por isso quero deixar todos os créditos e direitos aos criadores das imagens.

Pra contextualizar: o Ed venceu o Pai, mas não conseguiu trazer o Al de volta.

*Fanfic tambem postada no Spirit.

"Hoje o Sol não brilhou, os pássaros não cantaram, os risos se calaram e as lágrimas rolaram em meu rosto. Meu coração sofre em silêncio." — Autor Desconhecido

Ed já havia passado por muitas dores. Muitas mesmo.

Foi abandonado pelo pai. Literalmente acordou e seu pai havia ido embora. Apenas isso. Ele se foi. Saiu pela porta pra nunca mais voltar.

Ficou orfão de mãe. Fora algo de repente, tal como o sumiço do pai. Em um momento ele tinha o colo aconchegante e caloroso da mãe, e, em outro momento ela havia partido. Para sempre. Mas diferente do seu pai, ela não escolheu ir.

Fracassou na transmutação humana. Isso lhe renderá a perda de uma perna, e, sacrificou um de seus braços para salvar o irmão. Ah, mas isso não era comparado ao que o Elric mais novo sofreu: ele perdeu o corpo. Todo ele. Não lhe restando um único fio de cabelo.

A transmutação de Nina Tucker. Ah, a pequena Nina. Seu coração se apertava sempre que se lembrava da garotinha. O perigo estava a frente de Edward e ele não viu, por isso uma criança inocente foi sacrificada.

A morte de Maes Hughes. O homem era querido por Ed. Apesar de só falar da filha, Hughes demonstrava realmente se importar com a história dos irmãos Elric, e, além disso era um bom homem, um bom marido e um bom pai. Provavelmente a pessoa com o maior coração do exército. E foi por causa dessa bondade que ele morreu. Estava tentando ajudar a Ed e seu irmão, e para isso acabou cruzando o caminho de pessoas poderosas e ruins. Infelizmente, Hughes pagou com a vida.

Todas essas perdas doeram. Muito. Mas a dor que sentia agora parecia se sobrepor a todas as anteriores. Céus, como doía.

Era irônico, Edward havia feito de tudo para salvar o irmão: atravessou o país, lutou contra pessoas poderosas, enfrentou uma guerra, e no final, seu irmão que o salvou. Com a própria vida.

Seu automail já estava danificado, não tinha como ele vencer o Pai. Al sabia disso. E também sabia o que fazer para ajudar não só o irmão, como o mundo.

E ele o fez.

Desfez a troca que há alguns anos eu havia feito. Em troca de meu braço, sua alma foi levada. Garoto idiota.

Prirrr. Prirrr.

Ed fechou os olhos e ignorou a campainhia. Se deixou escorregar pela parede e deitou no chão frio. E deixou que as lágrimas rolassem. Ele havia perdido tudo. Tudo.

Prirrr. Prirrr.

Ed lembrava da infância que compartilhou com o irmão. Eles não davam sossego a mãe. Quando não estavam treinando a alquimia estavam apostando para ver quem era o mais rápido. Ou lutando para ver quem era o mais forte. Ou apenas estavam implicando com a Winry, que corria para a Tia Trisha reclamar sobre os dois garotos chatos.

Mas eles sempre estavam juntos. Em todas as alegrias e confusões. Sempre defendendo um ao outro.

Prirrr. Prirrr.

Levo as mãos até os ouvidos e os cubro para abafar o som. Sentia meus olhos pesados, não dormia desde o dia em que meu irmão se fora. Em pouco tempo havia adormecido.

— X XX X X X X X X X X -

Sentia um leve roçar em meu rosto. O quê?

Abro lentamente os olhos e consigo ver um leve vulto.

— Ei, do aço, o chão não é um bom lugar para dormir.

Essa voz. General?

Mantenho os olhos fechados.

— Você já comeu? — o mais velho questiona.

— Vá embora.

— Não, eu não vou. Não sou um bom cozinheiro, mas sei fazer macarrão. Espere um minuto, eu já venho.

Ouço barulhos de passos se afastando, e, após um tempo os passos retornam.

— Estará pronto em alguns minutos.

— Como entrou aqui?

— Este apartamento foi cedido pelo exército, eu sou um general. Não foi tão difícil, agora levante-se. Precisa de um banho.

— Não.

—Qual é, Edward? Irá ficar assim por quanto tempo?

— Eu perdi meu irmão. Tenho todo o direito de vivenciar o luto.

— Você não está apenas vivenciando o luto, você está se entregando a ele. Tornando o sacrifício do seu irmão em vão.

—Cala a boca, Mustang. Você não sabe o que estou sentindo, você não tem a mínima moral para me julgar. Então só cale a boca.

— Eu sei o que está sentindo, já passei por isso. Perdi um amigo que era como um irmão.

Deixo que meu rosto seja novamente molhado pelas lágrimas.

— Chorar faz bem. As vezes precisa chover.

— Eu não sei o que fazer. Coloquei minha vida ao redor de Al, e agora eu não o tenho mais.

— E ele colocou a vida dele ao seu redor, e morreu por isso. Morreu para que você pudesse viver. E é isso o que você deve fazer: viver. Viver por ele. Viver por você.

— Eu não consigo. Mal consigo me levantar do chão.

— Abra os olhos, Edward.

Faço o que Roy pede, o mesmo estava em pé com uma mão estendida.

— Vem, eu te ajudo a levantar.

— O quê?

— Vou te por de pé, te levar até o banheiro e enquanto você toma banho eu termino de preparar a comida.

— E depois?

— Minha mão continuará estendida, até que você se sinta pronto para ficar em pé sozinho.

Pego a mão de Roy Mustang. Obrigado.

Talvez não consiga dizer isso em voz alta, mas transmito com meu olhar.

Talvez fosse disso que eu precisava.

Alguém que me estenda a mão.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!