Alguém, em meio ao mundo

2 Uma poesia em prosa, um canto agridoce da alma de uma porta.


Notas iniciais
Algo que escrevi refletindo sobre o que tenho visto ao meu redor.

Eu vivo em um tempo onde a verdade só é considerada quando é favorável para alguém, onde as pessoas são incentivadas a não demonstrar interesse ou se apegarem, onde ser feliz sem ter dinheiro é proibido, onde gostar de saber de onde vem o que come ou se preocupar se é ou não saudável faz de você uma pessoa esnobe.

Onde se preocupar com outra pessoa te faz manipuladora, onde não ser egoísta te taxa de trouxa, onde amar é coisa de sonhadores e onde falar que ama sua mãe e que sente saudades é não ser maduro.

Eu vivo em um tempo onde as pessoas gostam de obrigar os outros a sofrerem como elas dizendo que só assim serão dignos, em vez de fazer algo para que ninguém mais sofra.

Onde as pessoas te culpam por que outra pessoa te enganou, ou usou de má fé da sua bondade.

Eu vivo em um mundo onde não querer viver em penitência como demonstração de fé é visto como hediondo, onde amar a si mesma e não querer mudar nada o seu corpo te torna mentirosa ou insensível, onde corações partidos não podem ser curados, só remendados de forma bruta para que se torne espinhentos.

Eu vivo onde as pessoas se esquecem que as outras tem os próprios sentimentos e que ninguém os controladores, onde acham que é sua obrigação amar uma pessoa que nem mesmo te conhece direito porque essa mesma pessoa acha que te ama, onde é normal que a mulher sofra traições em um relacionamento, onde ser traída por um homem é esperado, onde falam que é assim mesmo como se isso fosse o suficiente para te acalmar.

Eu vivo em um mundo onde nenhuma única pessoa não diga que eu sou doce e gentil, simplesmente por dar bom dia, sorrir educadamente, ou tratar com respeito alguém desconhecido.

Vivo em um tempo onde me chamam de imatura, de burra, de trouxa mas onde quem o faz não tem coragem de assumir como realmente são, como eu faço.

Vivo em um tempo que faz dos humanos menos humanos e que os únicos que não precisam se preocupar em ser reprimidos são aqueles que afastam de cada um,e até de si mesmo, tudo aquilo que deveria ser importante. O amor existe, só que nesse tempo em que vivo, ninguém parece perceber ou mesmo se importar.

Eu vivo em um mundo onde eu vejo, e apenas eu, consigo enxergar através das máscaras que todos colocam. Eu vivo em um mundo onde todos desejam ser como eu, mas não me permitem existir.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.