Alguém como você (Drarry)
2 Hello.
Notas iniciais
| POV HARRY |
Harry estava sentado na poltrona em sua sala no meio da escuridão. Perdido em pensamentos. Ele amava Ginny, sua esposa. Amava, de verdade. Mas não era a mesma coisa. Não tinha a intensidade, a entrega, o fogo, a alma igual ao que ele sentia por Draco. Ele não tinha salvo, por exemplo, todas as mensagens de voz que a ruiva enviou pra ele, como ele tinha salvo as de Draco, todos esses anos. Harry não lembrava quando as mensagens de voz de Draco começaram. Mas lembra bem quando recebeu a primeira. Um Draco com uma voz meio alterada, provavelmente havia bebido, falava na gravação antiga:
"Olá.. Você pode me ouvir? Estou na Califórnia sonhando com quem costumávamos ser quando éramos mais jovens e livres. (silêncio) Eu esqueci como era antes do mundo cair aos nossos pés (silêncio) Eu sei que há uma baita diferença entre nós.. E um milhão de milhas, é só que.. (tempo excedido de gravação)."
Harry nunca respondeu aquela mensagem. Mas, algo o fez salva-la. E talvez, só talvez, ele as ouvisse de vez enquando, sem ninguém saber. Como ele estava fazendo naquele momento, enquanto se perdia em pensamentos. Em certezas. Em dúvidas.
Durante muito tempo ele achou que o que sentia por Ginny tinha que ser o suficiente. Tinha que ser, afinal, ela ficou, quando Draco foi embora. Claro que Harry não usou a ruiva pra tampar buraco e nem forçou nada. As coisas, simplesmente, foram acontecendo. Quando Draco partiu, Harry se despedaçou em mil pedaços. E por mais que tivesse Ron e Mione ao seu lado, os amigos ficavam tentando forçar Harry a sair da cama, enquanto Ginny, não. Ginny deu todo tempo do mundo a Harry. Deu o tempo dele.
"Olá do outro lado.. Devo ter ligado umas mil vezes, para lhe dizer que sinto muito (silêncio) Por tudo o que fiz.. (silêncio) Mas quando eu ligo você parece nunca estar em casa.. (suspiro) desculpe.. (ligação finalizada)"
E meses depois de todo essa cumplicidade entre ele e Ginny, todo esse apoio, rolou um beijo, dois, três, até que quando viram, já estavam namorando. E dois anos depois estavam casados. Era o certo a se fazer. Era, não era? Ginny era uma mulher maravilhosa, os dois já estavam com quase 30 anos, era hora de um compromisso maior. Harry tinha certeza de que tinha tomado a decisão certa. Até aquela tarde de quinta-feira, quando estava em sua cafeteria preferida tomando um café, e viu um loiro parado na porta o encarando. Seu loiro. Seu ponto fraco. E todas as certezas da vida que Harry achava ter, sumiram naquele instante.
Ele sabia que Draco estava na cidade, porque havia recebido uma mensagem do loiro no início da semana.
"Olá, sou eu...Eu estava imaginando se após todos esses anos, você gostaria que nos encontrássemos.. Sei lá... Para superarmos tudo.. (silêncio)... Dizem que o tempo supostamente cura, mas eu ainda não fui completamente curado. (silêncio).. (ligação finalizada)"
Como todas as outras mensagens de voz, Harry nunca respondeu aquela ali também, nunca marcou nada, mas Draco o achou. E os dois conversaram, o loiro se declarou, mas Harry foi forte o suficiente pra continuar firme em sua decisão. Por mais que fosse tão difícil ver o grande amor da sua vida, sentado em sua frente, dizendo o quanto te ama. Harry não podia fazer aquilo com a Ginny. Não podia fazer aquilo com ele mesmo, afinal, Malfoy o havia deixado uma vez. Ele não podia esperar que, simplesmente, Harry iria largar tudo e correr para os braços dele. Ah, porque Harry não ia mesmo.
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