Algo que se puede empezar.
49 Tudo voltando a ser como antes.
Notas iniciais
Estávamos há quase duas horas na padaria, já tínhamos tomado café e Elena já tinha tomado para lá de 4 sorvetes.
–Mamá, preciso te contar uma coisa. –Elena disse depois de um tempo parada encarando o nada.
–Diga mi bebita. –Eu disse.
–Mas, o papai não pode saber. –Ela disse.
–Por quê? –León perguntou com a boca cheia de bolo.
–Hum, seu porco. –Eu disse.
–Eu vou falar no seu ouvido. –Elena disse e se aproximou do meu ouvido cochichando o assunto tão importante que ela tinha.
–Bebita, eu acho que a gente vai precisar contar isso para o seu papai. –Eu disse prendendo o riso.
–Mas mamá, ele vai brigar comigo. –Ela disse.
–Não vou amor, me conta. –León pediu.
–Conta princesa. –Eu disse e ela fez um movimento de positivo com a cabeça.
–Papai, o meu namorado me deu um beijo. –Ela disse séria.
–Na bochecha? E o que isso tem demais? –Ele perguntou tranquilo.
–Na boca papai. –Ela disse e León arregalou os olhos se engasgando com o que estava comendo.
–León. –Eu disse abanando ele com as mãos e assoprando seu rosto.
–Papai. –Elena disse preocupada.
–León, calma respira. –Eu disse enquanto ele ainda tossia.
Elena olhava assustada para o pai e começou a chorar.
–Não, amor não chora. –Eu disse enquanto ela chorava desesperada.
–Elena. –León disse agora mais calmo parando de tossir.
–Bebita. –Eu disse pegando ela no colo.
–Ele ficou bravo comigo mamá. –Ela disse chorando.
–Não amor. –León disse levantando da mesa e pegando ela do meu colo.
–Desculpa papai. –Ela disse.
–Não meu amor, eu não estou. –Ele disse enchendo ela de beijos.
–Ele só ficou assustado não foi? –Perguntei.
–Foi isso mesmo. –Ele disse abraçando ela.
–Vamos voltar para casa agora né? –Eu disse.
–Sim, vamos. –Ele disse se encaminhando até o caixa para pagar tudo.
–Estou com um pouco de dor nas costas. –Eu disse.
–Você tem que descansar agora. –Ele disse me dando um beijo na testa.
–Bebita, você tem que sentar na cadeirinha agora. –Eu disse quando chegamos no carro.
–Não. –Ela disse fazendo León rir.
–Eu vou fazer cosquinhas em você. –Ele disse.
–Não papai, socorro. –Ela disse.
–Então senta aqui na sua cadeirinha. –Ele disse.
–Tá. Papai. –Ela chamou.
–Oi. –Ele respondeu.
–Eu te amo tá. –Ela disse e eu vi os ombros de León ficarem rígidos e depois caírem.
–Eu te amo demais, demais. –Ele disse abraçando ela. Depois de um tempo dos dois abraçados ele colocou ela sentada na cadeirinha.
–E a mamãe fica sem mais uma vez. –Eu disse.
–Ai meu Deus. Que mamãe mimada essa. –Ele disse e me abraçou me enchendo de beijos no pescoço.
–Mamãe, eu te amo também. –Elena disse.
–Eu te amo demais princesa. –Eu disse entrando no carro.
–Para onde as madames querem ir? –Léon perguntou rindo.
–Eu queria ver o vovô. –Elena disse.
–Então vamos ver o vovô. –Ele disse dando partida no carro.
Uns minutos depois estacionamos na frente da casa do meu pai.
–O VOVÔ. –Elena gritou assim que desceu do carro.
–Campainha para que né. –León disse rindo e trancando o carro.
–Quem é? –Ouvimos a voz do meu pai.
–É eu. –Elena disse.
–Eu quem? –Meu pai perguntou rindo.
–Elena, Damien, mamãe e o papai gato. –Ela disse e eu comecei a gargalhar.
–Você que ensina isso a ela né? –Ele disse e me abraçou por trás me dando um beijo no pescoço.
–Elena já tem opinião amor, e ela te acha gato, seduzente e sexy. –Eu disse.
–Eu acho que a parte do seduzente e sexy ficam por sua conta. –Ele disse.
–Pode ser. –Eu disse.
–Meus amores. –Angie disse abrindo o portão. Ela estava bem melhor, parecia outra mulher, seus olhos brilhavam mais do que nunca, ela tinha uma aparência saudável, era bom vê-la sorrindo, e de olhos abertos, eu nunca mais queria que ela ficasse tanto tempo dormindo.
–Angie. –Eu disse a abraçando.
–Como está querida? –Ela perguntou retribuindo o abraço.
–Bem. –Eu disse.
–Bom, acho que está bom de hospital por um tempo né? –Angie disse rindo.
–Eu que o diga. –León disse.
–Mamá vai para o hospital quando o meu irmão nascer vovó. –Elena disse.
–Eu sei princesa, mas essa é uma boa causa. –Angie disse.
–Eu queria ver ele logo. Eu quero ensinar ele a fazer desenhos. –Elena disse animada.
–Você o verá em breve, mas ele só vai fazer desenhos bem depois. –León disse rindo.
–Vovó, quero colo. –Elena disse e Angie a carregou.
–Que menina mais mimada. –Eu disse.
–Deixa ela. –Angie disse sorrindo.
Entramos na casa do meu pai, eu nunca tinha visto aquela casa como estava hoje, muitas flores, as janelas abertas, um cheirinho maravilhoso de café, uma casa feliz... Angie, fique conosco para sempre.
–Cadê minha princesa? –Meu pai apareceu sorrindo.
–Eu. –Elena disse rindo.
–Vem, eu comprei um monte de sorvete para você. –Ele disse pegando ela do colo de Angie.
–Vem papai. –Ela disse segurando a blusa de León.
–Vai com vovo meu amor. –León disse.
–Eu quero você papai. –Ela disse.
–Ihh... Tem alguém tão manhosa hoje. –León disse e seguiu meu pai.
–E ai? O que você me conta? –Angie perguntou se sentando no sofá.
–Nada demais, to me recuperando ainda né... Mas eu to bem melhor. –Eu disse.
–E esse garotão? –Ela perguntou passando a mão na minha barriga.
–Graças a Deus ele está bem. –Eu disse.
–Que bom. –Angie disse sorrindo.
–E você tia? Como está? –Perguntei me sentando ao seu lado.
–Melhor do que nunca estive, seu pai tem sido tão carinhoso. Ele me mima demais. –Angie disse sorrindo.
–E você adora. –Eu disse.
–Sim, eu senti tanta falta dele. Vilu é uma sensação tão estranha estar em coma, eu ouvia tudo, entendia tudo, sentia tudo e muito mais, mas não conseguia me mexer, responder, ou fazer qualquer outra coisa, eu sentia tanta falta do seu pai, deitado do meu lado todos os dias a noite, eu sentia falta da pequena, de você eu me sentia sozinha, eu queria tanto conseguir acordar e dizer o quanto eu amava vocês. –Ela dizia enquanto as lágrimas escorriam, era a primeira vez depois dessa confusão que eu parava para conversar com a Angie.
–Não chora Angie, você está aqui agora, comigo, com meu pai. –Eu disse a abraçando.
–Mamá, tem 2 mil potes de sorvete lá. –Elena disse toda lambuzada de sorvete.
–2 mil? Meu Deus. –Eu disse enquanto Angie secava as lágrimas.
–Vovó ta chorando, ela quer você vovo. –Elena disse e encarou meu pai em um pedido desesperado para que ele resolvesse aquilo. Meu pai se sentou ao lado de Angie e a abraçou dando um beijo em sua testa e falando algo baixo no ouvido dela.
–Pronto vovó. –Elena disse rindo.
–Nossa, obrigada meu amor. –Ela disse rindo.
–Cadê o meu papai? –Elena perguntou olhando em volta.
–Ele deve estar na cozinha. –Eu disse.
–Eu vou lá. –Ela disse.
–Amor, porque não espera ele aqui? –Perguntei.
–Porque eu quero ele agora. –Ela disse séria.
–To aqui amor. –Ele disse.
–Pai. –Ela disse e correu até ele que pegou ela no colo.
–O que você tem hoje? –Ele perguntou.
–Nada. –Ela disse e deitou a cabeça no ombro dele.
–Bom, eu acho que a gente já vai indo. –Eu disse me levantando.
–Tudo bem querida, vamos marcar um jantar? –Meu pai perguntou.
–Claro, deixa só eu ficar 100%. –Eu disse.
–Claro. –Ele disse e levantou para nos acompanhar até a porta.
–Tchau meu amor. –Angie disse me abraçando.
–Tchau Angie. Fica bem ai em, qualquer coisa pede para o meu pai cuidar de você. –Eu disse.
–Ele sempre cuida. –Ela disse.
–Ele tá comparecendo direitinho na cama? –Perguntei arrancando uma gargalhada de León.
–VIOLETTA. –Os dois bradaram juntos.
–O que? –Eu disse.
–Veja se isso é coisa que se diga. –Meu pai disse.
–Okay, mal ai. –Eu disse rindo e entrando no carro.
–Beijos. –Meu pai disse abraçando Angie.
–Até logo. –Eu disse sorrindo, Deus que me livre ficar longe deles.
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