Algo que se puede empezar.
15 Só não perca as suas forças.
Notas iniciais
Eu tinha me descontrolado ao ponto de contar tudo ao León, ele devia estar bem surpreso já que me olhava sem ao menos piscar.
–Você disse nossa filha. -Ele repetiu.
–Acho que você está ouvindo demais, voltar para esperar notícias da minha filha. -Disse e virei as costas, mas fui impedida de continuar.
–Você não vai a lugar nenhum. -Ele disse, me olhava de uma forma estranha, não da forma que eu sempre imaginei, não é como se quisesse me chutar para fora do mundo, mas também não parecia muito feliz, claro né Violetta você acabou de revelar ao cara que ele tem uma filha.
–E se tiverem notícias da Elena? -Perguntei torcendo para que ele cedesse.
–Seu pai está lá, e você vem comigo, precisamos conversar. -Ele disse e me puxou até a saída do hospital.
Caminhamos uns 10 minutos em um silêncio mortal até chegarmos a uma praça.
–Nossa filha? -Ele disse me olhando com os olhos marejados.
–León eu, eu juro que... -Eu tentei dizer.
–Minha filha. -Ele repetia incrédulo.
–Você está com muita raiva de mim? -Perguntei.
–Não entendo como pode me esconder uma coisa assim, Violetta é minha filha, sangue do meu sangue, uma parte de mim. -Ele disse.
–Eu pensei em te contar. -Eu disse.
–É, quando ela fizesse 18 anos e me odiasse por pensar que eu não fui homem suficiente para assumi-la? -Ele perguntou.
–Eu fui, uns dias antes de ir embora, eu ia te contar, te contar tudo, mas quando eu cheguei vi você ajoelhado aos pés da Lara com uma pequena caixinha na mão, eu não podia te obrigar a nada. -Eu disse.
–ME OBRIGAR, ERA DE UM BEBÊ QUE ESTAMOS FALANDO VIOLETTA, UMA CRIANÇA QUE PASSOU 4 ANOS DA VIDA DELA ACHANDO QUE NÃO TINHA UM PAI, POR CULPA SUA. -Ele disse e lágrimas corriam por seu rosto.
–NÃO MEU CULPE, EU TE AMEI LEÓN, TE AMEI COM TODA FORÇA QUE EXISTIA EM MIM, TE AMEI MAIS DO QUE EU MESMO QUERIA, O SUFICIENTE PARA NÃO TE PRENDER A ALGO QUE NÃO TE FARIA FELIZ. -Gritei de volta.
–Tem noção do que está dizendo? Não seria bom para mim, Violetta é da minha família que estamos falando, minha filha e a mulher que eu amei. -Ele disse.
–Amou? -Perguntei assustada.
–Estou sem acreditar nisso, eu juro que não posso acreditar. -Ele disse e se sentou apoiando os cotovelos nos joelhos e a cabeça nas mãos.
–Eu não queria que você soubesse assim, eu queria te contar com mais calma. -Eu disse.
–Não minta Violetta, não iria me contar, eu sei que não iria. -Ele disse.
–Não sabe de nada, desde o início o que eu mais queria era que você soubesse, mas você preferiu a Lara. -Eu disse.
–Não a coloque no meio disso, o erro foi seu. -Ele disse.
–Então foi um erro? Pois então vai embora, finge que não sabe de nada disso, e finge que nunca me conheceu deixa eu com meu erro sozinha. -Eu disse virando as costas e saindo de lá.
–Volta aqui Violetta, a gente ainda não terminou. -Ele gritou.
–Me esquece León. -Eu gritei de volta e continuei andando.
Andei durante quase uma hora sem rumo, dei voltas inúteis pelo mesmo lugar, eu estava perdida, sem Angie, sem Elena, sem León, e eu sentia que tudo aquilo era culpa minha, era como se fosse um joguinho de dominó, onde as pecinhas estavam todas em pé uma atrás da outra, e que a primeira a tinha sido empurrada, e agora todas estavam caindo, tudo o que eu tinha de mais importante na vida estava caindo, eu não tinha mais com quem conversar, as vezes eu achava que era o mundo desabando em cima de mim, sei que algumas pessoas tinham problemas infinitamente maiores que os meus, mas a minha dor também era forte, eu implorava por alguém que pudesse me ajudar, como as mães fazem com seus filhos, quando os colocam no colo e abraçam apertado. Depois de chorar tudo e mais um pouco, eu resolvi voltar ao hospital repetindo inúmeras vezes a mim mesma... Só não perca as suas forças.
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