Algo que se puede empezar.
54 Enfim, nada fora do lugar.
Notas iniciais
Eu não tinha mais o que fazer, sai daquele corredor e fui até a sala de espera. Sentei-me em uma cadeira, o que me restava agora era esperar. Várias hipóteses passam pela a minha cabeça, e todas elas eram horríveis.
–León. –Germán me chamou e eu o vi entrando com Elena adormecida em seu colo e uma Angie eufórica atrás dele.
–Oi Germán. –Eu disse e peguei Elena do colo dele.
–Você não assistiu ao parto? –Ele perguntou.
–Sim, eu assisti Damien é um bebê lindo. Mas a Vilu teve uma queda de pressão agora no final e eles me tiraram de lá. –Suspirei e o encarei.
–Como? E ela está bem? –Ele estava assustado.
–Eu não sei, eles me tiraram de lá assim que ela desmaiou. –Confessei aquilo com medo de qual seria a reação dele.
–E o bebê? –Ele indagou.
–Ele está bem, é um garotão. –Eu disse sorrindo bobo.
–Vai ficar tudo bem León, Violetta é forte e vai sair dessa, ela gosta é de dar sustos na gente. –Ele riu fraco e deu dois tapinhas no meu ombro livre me passando confiança.
Uma, duas quase três horas haviam se passado, e nada sobre Violetta. Eu estava começando a me desesperar, minha cabeça doía como o inferno e nada do que eu pudesse fazer parecia melhorar. Germán tinha ido levar Angie até a lanchonete, ela estava passando mal e quis invadir o centro cirúrgico.
–Mamá. –a vozinha de Elena me despertou.
–Princesa. –Eu a chamei.
–Cadê a mamá? –Ela perguntou me olhando.
–Ela está tendo o bebê. –Eu disse.
–Eu quero a mamá. –Ela disse e começou a chorar.
–Elena, filha. –Senti meus olhos arderem e a abracei. Ela continuava chorando alto e chamando pela mãe, aquilo me causava um aperto no peito, depois de hoje comecei a acreditar nas coisas que Elena dizia e fazia.
–Me leva lá papai. –Ela pediu soluçando.
–Olha para o pai, mamá está lá dentro, o seu irmãozinho já nasceu. –Eu disse e ela me olhou curiosa.
–Eu quero ver ele. –Disse animada.
–Vamos, vamos ver se ele está lá no berçário. –Caminhei até o elevador e nós descemos até o andar do berçário.
–Ele é pequeno? –Ela estava curiosa, fez todos os tipos de perguntas sobre ele que podia, eu só sorria e respondia a todas.
–Sim, ele é pequeno. Meu pequeno. –Eu disse.
–Não papai. –Ela me olhou assustada.
–O que? –A encarei.
–E eu? –Ela perguntou como se fosse vida ou morte.
–Você é minha princesa, meu amor, minha garotinha. –Eu disse e ela sorriu e me abraçou.
Chegamos até o berçário, o vidro estava com as persianas abertas e vários bebês dormiam, alguns se mexiam curiosos dentro dos berços e outros encaravam algum ponto fixo. Procurei dentre tantos bebês o meu filho e o encontrei no penúltimo berço, algumas enfermeiras o encaravam sorrindo enquanto ele batia os pezinhos inquieto.
–Olha lá minha vida, seu irmão. –Eu apontei para que Elena pudesse vê-lo.
–Ele é de verdade? –Ela mantinha os olhos vidrados no pequeno.
–Claro amor, ele está se mexendo olha. –Eu disse rindo.
–Ele é meu. –Ela disse firme.
–Seu? –Eu a encarei.
–É, pega ele papai, aquelas moças estão olhando ele. –Me encarou fazendo bico.
–E você está com ciúmes? –Perguntei rindo.
–Sim. –Ela disse simples.
–Ah se sua mãe fosse fácil assim. –Voltei a olhar o bebê.
–Olha papai, ele está olhando para cá. –Ela disse animada, eu sabia que não, mas a forma encantada como ela disse isso me fez derreter.
–Claro, ele está vendo que princesa é a irmã dele. –Eu disse e ela sorriu.
Uma das enfermeiras nos viu e sorriu, pegou Damien e trouxe ele até o vidro para que o víssemos.
–Olha. –Eu disse.
–Ele é lindo. –Ela disse encantada. –Eu quero ele, fala para ela que ele é meu papai. –Ela me cutucou e me encarou séria.
–Ele está ai para fazer amiguinhos, depois ele vai para o quarto para a mamãe dar de mamá a ele. –Eu expliquei.
–Ele é amigo daquele bebê ali? –Ela perguntou.
–Sim. –Disse simples.
–Eu vou chamar ele de Calvin. –Ela disse e deu de ombros e eu gargalhei.
–Calvin? –Eu continuava rindo.
–É. –Ela disse e voltou a encarar Damien.
–Quando ele for para o quarto, eu deixo você pegar ele um pouquinho no colo. –Eu disse e ela comemorou.
–Quero ver a mamá. –Ela disse e me encarou.
–Logo você vai ver. –Suspirei e voltei a me preocupar, essa falta de notícia acabava comigo.
–Papai, ela está bem? –Me perguntou séria, ao mesmo tempo que seus olhinhos mostravam como se preocupava.
–Eu espero que sim bebê. –Eu disse e sorri.
–Papai, ele vai mamar mamadeira? –Ela perguntou.
–Sim. Ele é pequeno para tomar no copo. –Eu expliquei.
–Hum. –Ela disse.
–Ai, vai ficar você e ele tomando mamadeira. –Eu disse baixo.
–Papai... –Ela me repreendeu.
–É segredo? –Perguntei.
–É. –Ela disse e se deitou no meu ombro, sorri e agradeci a enfermeira me despedindo em seguida. Voltei para a sala de espera e encontrei a médica lendo alguns papeis.
–Doutora. –Eu disse e me aproximei.
–León, que bom que te encontrei, quem é essa princesa? –Ela disse simpática.
–Minha Elena. –Eu disse sorrindo e Elena a encarou, Elena era uma criança observadora, ela encarou a médica da cabeça aos pés, e olhou no fundo dos olhos dela, e depois sorriu,
–Oi. Quer ver a sua mamãe? –Ela perguntou.
–Oi. Eu vi o Damien. –Ela disse sorrindo.
–Viu? Ele é pequenininho. –A doutora sorriu.
–Ele é meu. –Elena disse.
–Parece que ele vai ter uma irmãzinha ciumenta. –A doutora riu. –León, Violetta está bem, acabamos de receber os resultados dos exames que fizemos e o que ela teve foi mesmo só uma queda de pressão, já está no quarto e me perguntou sobre você umas cinco vezes.
–Podemos vê-la? –Perguntei eufórico.
–Claro. –Ela disse e apontou o caminho.
Andamos por alguns segundos e ela parou em frente a uma porta.
–Vou deixar você entrarem sozinhos, vou preparar as coisas para trazerem o Damien. –Ela disse e saiu. Abri a porta devagar e encontrei Violetta zapeando os canais da televisão com cara de tédio.
–Anjo? –Eu chamei e ela me encarou, só Deus sabe o alívio que aquilo me dava.
–Amor, bebita. –Ela sorriu.
–Mamá, eu vi o Damien. –Elena já chegou contando.
–Viu filha? –Violetta sorriu encantada.
–Ele é pequeno. –Elena disse como se fosse uma novidade para Vilu.
–Pequeno como você? –Vilu perguntou.
–Eu sou maior. –Elena disse.
–Hum... –Vilu sorriu e concordou.
–Mãe, eu estou com sono. –Ela disse e se deitou no meu ombro novamente.
–Tá com soninho bebê. Dorme. –Eu disse e a abracei. Passei alguns longos minutos conversando com Vilu, Elena já tinha dormido no meu colo. Ouvimos a porta se abrir e uma enfermeira entrou com o bercinho.
–Mamãe, hora de amamentar. –Ela sorriu.
–Eu estava esperando por isso. –Vilu confessou sorridente e me encarou feliz.
–Você já tem uma filhinha? –Ela perguntou olhando Elena.
–Sim. –Eu disse sorrindo.
–Bom, então já sabe o que fazer, deixa que eu pergunte, como foi a amamentação dela? –Ela indagou.
–Boa, ela era um bebê esfomeado. –Vilu disse e riu.
–Era? –Eu perguntei sorrindo.
–Ótimo. –A enfermeira disse e pegou Damien o entregando para Vilu, a ajudou com a posição e depois que ele estava confortável e mamando ela saiu. Me aproximei da cama e encarei aquela cena, nunca seria melhor.
–Obrigado meu amor, pelos dois presentes maravilhosos que você me deu, eu te amo meu anjo. –Disse e abaixei beijando a testa dela e depois a de Damien.
–Obrigada você, por nunca ter desistido de mim. Eu te amo. –Ela disse sorrindo e dei um selinho em seus lábios. Eu poderia ficar a minha vida toda ali, eu poderia desejar que o tempo parasse bem naquele segundo, e eu seria o cara mais feliz de todo o mundo.
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