Enquanto ela sonhava, algo sibilava na noite lá fora. Entre as folhas, assoprava notas ululantes pela escuridão. Balançando as árvores com fúria contínua, propagava pelo ar o seu misterioso dialeto sem falas. Pouco a pouco, estremecia as vidraças da casa, arranhava os ferrolhos e perturbava o sono de quem dormia.

Quando ela enfim despertou, assustada pelo barulho presente, quis acreditar que aquilo era apenas o vento. Um forte vento. Nada mais.

Porém, em seu íntimo, não conseguiu se convencer e o medo ganhou forma.

Assim que algo riscou sua janela bem devagar, ela também soube... Não era apenas um galho.