Algo de errado em Fabletown
2 ❝Episódio O2 – Levada。
Notas iniciais

[...]
Era tarde demais para olhar a cena do crime, além do mais, era sábado a noite. Os dois estavam caminhando pela cidade, guiados por Harriet.
O vento forte espantou o capuz de sua cabeça, revelando sua cabeleira loura.
– Acho melhor irmos para casa – Ela convida, um pouco incerta. – Está tarde.
– Não sem meu cigarro – Havia um boteco aberto próximo a eles, do outro lado da rua, Sam atravessou sem esperar uma resposta, e Harriet foi atrás.
– Você tem que parar de fumar! – Harriet tenta acompanha-lo, olhando para ele de baixo, apressando o passo por conta das pernas curtas.
Sammy ignorou-a e foi direto ao caixa do boteco. Enquanto isso, alguns homens de dentro do bar mandaram umas cantadas para Harriet, que ignorou. Era normal as pessoas se sentirem atraídas por fábulas, afinal, são fábulas. O Glamur cobria um pouco desse charme, e até modificava drasticamente a aparência, mas se você já parecesse humano o efeito era menor.
A chapeuzinho teve de aumentar a aparência de sua idade, já que ela tinha muitos anos de vida como criança, agora ela parecia uma adolescente de dezessete anos do tipo pequena – Constantemente ela pensava em como os dois pareciam para as outras pessoas, uma pequena moça com um homem feito.
Isso magoava um pouco Harriet.
Sam acendeu o cigarro com um fosforo vagabundo que adquiriu no bar. Depois de jogar o fosforo na calçada alisou os cabelos, jogando-os para trás com charme.
A casa de chapeuzinho na realidade era um prédio de classe-média alta em um canto pouco acessível da cidade, onde uma grande parte dos contos estava. O portão de ferro negro só abria com a chave dos moradores, então Harriet continuou na liderança, irritada com o fato de Sam ainda estar fumando.
Havia um pequeno caminho até o hall de entrada do prédio, onde o porteiro ficava. Ele era humano, um pai de família comum que vivia dormindo no trabalho, as fábulas não ligavam muito, entretanto os humanos ficavam loucos.
– Pare de fumar – Harriet pede novamente, fechando o portão depois que Sammy entrou.
– Quando chegar a minha idade e com os meus problemas, vai entender o estresse. – Ele diz, pegando mais um cigarro do maço. Era o terceiro.
Harriet sempre foi teimosa, mas não conseguia controlar sua educação perante o lobo. Ela podia fechar os olhos para ele, mas não o que sentia. Saltou e pegou o maço de cigarros do lobo, correndo para o jardim do condômino em seguida.
– Pirralha! Não me faça andar até ai! – Reclamou Sam mal-humorado, fingindo não estar realmente preocupado. Contudo, ao contrário do que ele queria provar agora ele marchava em direção a ela com as mãos estendidas.
– Tome um calmante, Sammy!
Chapeuzinho corre mais um pouco, mas Sam começa a se mover mais rápido, e com o susto que ela leva acaba tropeçando em uma pedra, fazendo o maço de cigarros cair dentro de um lixo comunitário. Percebendo a burrada que havia feito, Harriet olha lentamente para trás, onde o lobo fuzilava-a com o olhar.
– Foi... mal? – Ela disse, de quatro, tentando se levantar enquanto sentia o ferimento que havia feito sendo cicatrizado. – Olha, na realidade você deveria me agra-
Sammy pega Harriet e lança nas costas, segurando-a como um porco que seria abatido. Como ela sempre usou um vestido com espartilho – ou quase sempre usa – dessa vez não foi diferente, o que a prejudicou
já que ela ficou com as calcinhas aparecendo.
– Esse é seu castigo, Harriet. – Sentenciou o lobo, enquanto ela se debatia.
Fabulas tinham habilidades e eram fortes, mas entre si, havia muita diferença de um lobo mau para uma chapeuzinho.
Sam atravessou o hall, lamentando o porteiro – Senhor Montague – estar no ultimo sono. Tomaram o elevador e selecionaram o botão do quinto andar, onde a casa de Chapeuzinho ficava.
– Espero que vejam essa sua calcinha de virgem nas câmeras.
– Eu te odeio! – Anunciou – Você vai ver! – Ela disse, com lágrimas de birra nos olhos.
– Vou sim. – Ele revirou os olhos, entediado.
Quando finalmente chegaram ao quinto andar e deixaram o elevador, Sam deixou que Harriet descesse. A loura apenas alisou as roupas o mais rápido possível, fitando Sam para avaliar se ele havia visto alguma coisa.
“Barra limpa” – concluiu ela.
Ela vai até a tão conhecida porta de madeira escura com uma plaquinha escrita “Bem-vindo”, coisa da mãe de Harriet, Susan. Ela bate na porta só para ver se a mãe está em casa, e o que ocorre é que sim, a mãe dela estava em casa.
Cabelos louros esbranquiçados e uma aparência de idade avançada. Estava com um pano na mão e quando viu o Lobo fez uma cara amarga.
– Devora a vovó e depois vem pra cá, que ironia! – Ela sacode o pano, mantendo a postura ereta e os olhos estreitos. Típico de pessoas do interior e suas grosserias.
– A vovó está bem mamãe, não faça drama – Harriet bufou, morria de vergonha quando a mãe tinha esses acessos de caipirice.
– Susan, eu entendo como se sente, mas temos um caso importante a tratar amanhã e...
– Entente? – Ela afinou a voz e depois engrossou – Quando mandar sua filha levar doces para sua avó e tirar a vida que Deus deu a ela, vai entender como me sinto!
Chapeuzinho dá um tapa no próprio rosto, constrangida demais. Não gostava de se lembrar de sua futilidade ainda existente, ainda mais quando sua mãe usava isso como injustiça quando na realidade aquilo podia ter sido evitado.
– Mãe, hoje pela manhã encontrei Brian Turtle morto em sua casa, quando fui entregar uma cesta para ele. – Ela explica, lembrando que assim que viu foi ordenada a encontrar Sammy. – E depois, quando busquei Sammy, o Lenhador nos atacou, e não parecia muito ele mesmo.
Susan fez o sinal da cruz e murmurou algo como “o mundo está de pernas para o ar”. Desculpou-se com o Lobo e pediu para que eles entrassem, e antes de trancar a porta olhou o corredor de canto a canto.
O jantar de Susan estava pronto – tratava-se de carne assada com batatas – e quando a vovó e Herriet sentaram-se a mesa para desfruta-lo, chapeuzinho percebe que o lobo estava na varanda, observando o movimento de fora. A loura pensou em dizer alguma coisa, em chama-lo para mesa, mas seu ego e timidez a impediram.
A casa era tipicamente imobilizada com moveis que pareciam pertencer a alguém de mil anos atrás. Uma TV grande desarmonizava completamente a sala, que era aberta juntamente com a cozinha. Os quartos ficavam no corredor, assim como o banheiro.
Quando terminou de ajudar a mãe com a mesa e deu boa noite para ambas, finalmente teve coragem para falar com Sam.
Ele estava cochilando em um sofá da varanda, que além de caber um pequeno sofá também deixavam espaço para vários vasos de flores.
Harriet inclinou-se sobre Sam, curiosa para olha-lo mais de perto, já que nunca havia visto ele dormir tão tranquilamente. Seus cílios eram longos e grossos, – aquele tipo de coisa que mulheres invejariam — a barba por fazer, seus lábios finos e provavelmente esculpidos por deuses, os músculos herdados do fato dele ser um lobisomem e por fim um cheirinho de pelo de cachorro.
Por um momento, ela fitou os lábios do lobo, e pensou que gosto teria. Ela nunca tinha beijado antes e quando cogitou beijar Sam, sacudiu a cabeça, envergonhada.
– O que está olhando aí? – Os lábios que ela tanto fitavam se abriram, os olhos do Lobo abriram um de cada vez.
Ele conseguia acordar sem abrir imediatamente os olhos?
– Ah? Nada! – Ela se afasta dele, muito mais rápido do que chegou. Foi até a sacada, fingir que olhava a vista para não ter que encara-lo. Seus olhos iam da esquerda para direita, ela praticamente suava.
Por habito, ela ainda estava usando sua capa vermelha por cima da camisola branca. Não tinha seios fartos ou um corpo de modelo. Era basicamente uma pessoa incrivelmente bonita e sexy, mas não gostosa. E isso tocava no seu fraco, já que as princesas que vieram estavam melhores do que ela.
Enquanto ela tentava esconder sua vergonha, acabou vendo alguém suspeito do lado de fora. Da sua sacada, era possível ver a parte de trás do prédio, onde a grade acabava colada no mesmo, ou seja, se alguma roupa caísse, cairia do lado de fora.
Havia uma garota, que parecia estar correndo de alguma coisa. E o que estava atrás dela era um homem gordo. Harriet apertou os olhos para enxergar melhor, e pode concluir que era Tweedledee.
– Dee? – Foi quase um sussurro. Ela unia o cenho, não compreendendo o que acontecia.
Harriet não diz nada ao lobo. Se apoia na borda da varanda e lança seu corpo para frente. Mesmo sendo uma fábula, não sobreviveria bem a uma queda livre do quinto andar – talvez do segundo – então ela agilmente se agarrou na próxima sacada, ficando no quarto andar, soltou novamente e foi até o segundo, e daí direto para o chão, onde se esborrachou entre Bela e Dee.
Era desagradável sentir seus ossos voltando para o lugar, e ela mesma teve que colocar a mandíbula no lugar certo. No final, a garota era a princesa, Bela – Princesa de bela e a fera. Dee ou Dum era enorme, tinha mais ou menos 1,80 de altura e mil de gordura, provavelmente. Ele era do conto de Alice, uma grande amiga de chapeuzinho, — usava uma camisa listrada e calça jeans enormes – o que ele estaria fazendo aqui? Além do mais, carregava o saco que parecia ser do papai Noel.
– Tweedledee, ou Dum que seja – Ela ergue o indicador e aponta – Essa moça não parece gostar muito de você correndo atrás dela.
– Não diga, querida – Ela diz, com o sarcasmo usual de uma intelectual pouco tolerante.
– O que há com você? – Ela disse para Dee ou Dum, ignorando a falta de educação de Bela.
Ele começa a correr de novo, e quando Harriet se espicha para proteger a princesa de Dee, ele para e agarra Chapeuzinho com uma das mãos, depois coloca no saco e joga nas costas.
Notas finais
Que outras fábulas você gostaria de ver na fic?
Fale com o autor