Algo de errado em Fabletown
16 ❝Episódio 16 -– Azar。
Notas iniciais

"Então ele lentamente viu que os pesadelos deles eram os seus sonhos"
Seu grito de pavor fora tão estrondante e alto que parecia pertencer a uma besta. Nada mais se via ali. Sammuel acorda em um salto, assustado mas ciente do aviso do espelho, então não estava surpreso por ter acontecido alguma calamidade — contudo, aquela era Harriet. Nada de ruim poderia acontecer a ela. Não agora.
Em um salto já está em pé e correndo para o quarto ao lado, onde ficava o escritório. Ele ouviu bem, ela estava lá afinal. Chapeuzinho estava loira, com os cabelos longos e brilhantes esparramados pelo chão. Sam não pode deixar de ficar um pouco desesperado, afinal, ela estava desacordada.
— Ei, baixinha? — Ele chama, cauteloso. Seus cabelos castanhos e longos até o pescoço caíram sob o rosto enquanto ele se debruçava sobre ela, aninhando sua cabeça junto a ele.
Levou algum tempo até que ela recobrasse a consciência. Não estava ferida, mas certamente havia algo errado — ele soube quando ela abriu os olhos azuis para encara-lo. Não eram mais cinza.
A garota fita Sammy da cabeça até o peito, onde descobre a nudez dele, o que a faz se afastar repentinamente. Ela praticamente se atira para longe dele, batendo as costas na parede do escritório.
— Quem é... — Os olhos azuis-escuros de Sammuel se arregalam antes mesmo que ela complete a frase — ...você?
Agora tudo fora arruinado. Se antes um paço a frente fora dado em direção ao culpado, dez voltaram. Harriet era o que mantinha as fábulas vivas, e agora, ela mal sabia que era uma. A vida de todos estava condenada, e ele precisava resolver isso imediatamente.
Mas primeiro... ela precisava confiar nele.
E nesse momento, ela não confiava. Afinal, ele estava nu, ela não sabia seu nome e nem porque um homem feito estava com ela. Seus olhos assustados denunciavam tudo — em questão de instantes, enquanto ele buscava uma cueca box, ela sai correndo para fora da casa.
Quase caiu de cara no chão quando iniciou sua maratona, mas ela achou necessário — porém inútil contra ele. Ela entre as árvores em questão de segundos, olhando para trás. Nada — pensou. Ela podia ver a casa de madeira de onde estava, abandonada e solitária no meio da floresta coberta de neve. Seus pés afundavam na neve gelada, congelando seus pés descalços.
Cansada, tremendo de frio, ela encosta suas mãos em um pinheiro à sua frente e descansa, não conseguia parar de arfar. Quando ele surge do mesmo pinheiro, — agora vestido com uma camisa preta, jeans e sapatos — ela grita de susto. Sem dizer uma só palavra, ele a joga nos ombros como fez muito tempo atrás e caminha de volta para sua casa, mesmo com os protestos dela.
— Me deixe no chão seu bruta montes! — Ela batia nas costas dele histericamente, e de repente está no chão da sala, com aquele homem charmoso e gostoso em sua frente. Ela parou de reclamar.
— Você sabe quem é? — Ele indaga.
Agora que ela pensara sobre isso... era mais assustador do que ela imaginara. Quem eu sou?
— Não...
Ela abaixa a cabeça, encarando os pés, sentindo a escuridão a engolindo, o vazio. Quem ela era, porque estava ali e quem era esse cara? Ela sabia algumas coisas. Ela era um ser humano normal, ela sabia sobre matemática e inglês, sabia sobre o que era uma família, embora não se lembrasse de possuir uma. Sabia sobre animais e todas as coisas básicas, mas nada sobre ela, amigos, familiares e nem sua própria funcionalidade no mundo.
Se sentia vazia.
Harriet começa a chorar, lágrimas silenciosas rolavam livremente pelo seu rosto — era tão assustador. Até que as mãos dele secam suas lágrimas, uma sensação familiar de seu polegar sendo esfregado na bochecha cutuca sua cabeça. Quando ela ergue o rosto para encara-lo, ela o viu como a luz em meio aquela confusa escuridão.
— Fique calma — O homem bonito de olhos azuis-escuro se ajoelha na tentativa de ficar da altura dela, e dá certo. — Seu nome é Harriet RedHood.
Ela fica mais calma. Disse seu nome cinco vezes, para ver como ele soava. Harriet. RRe-rrui-ét. Mordeu a linguá na segunda sílaba.
— E você? Quem é você? — Ela ainda parecia uma criancinha assustada, então ele não brincaria com sua cabeça confusa agora. Essa pergunta lembrava Caterpillar.
— Eu sou Sammuel Wolf, seu...primo. — Ele diz, um pouco hesitante. Ela cairia?
— Entendo. — Cairia.
Após uma longa conversa, Sammy liga para Antony explicando tudo. Ele iria ordenar para todas as fábulas segurança máxima, como: Nunca sair a noite, nunca sair sozinho, e se possível, nunca sair. Primeiro, eles iriam voltar para a mansão, depois pensar sobre o que fazer.
Ela confiava nele agora, o via como uma luz no fim do túnel, como um salvador, um herói.
Sammy a instrui para entrar no carro, e logo eles estão na estrada, o frio vai sumindo lentamente junto com a neve.
— —
Quando chegaram no estacionamento da mansão, era tarde da noite. Só havia mais um obstáculo até seu quarto e o espelho — Caine. Sam explica que tem pessoas dormindo, então ela teria que andar sem emitir som algum. Assim que entram, o homem começa a praticamente patinar até a escada, preferindo se arrastar ao pisar, e ela faz o mesmo. Subiram as escadas lentamente, um degrau de cada vez, e mesmo assim, ao chegar no topo, Caine estava lá.
Harriet imediatamente se coloca atrás de Sam.
— Porque tem outro igual a você, Sammy? — Ele reconheceu seu apelido, e não pode deixar de ficar contente. Mas... MERDA. Caine não...
— Ah, eu sou o irmão dele, sabe? — Ele abre um sorriso sedutor, seus cabelos organizados, ao contrario de Sammuel.
O lobo percebeu que o outro faria joguinhos emocionais com a loura, então decide acabar logo com isso.
— Sem brincadeiras, Caine — Ele pega a mão de Harriet que estava grudada em sua manga e tenta passar por Caine — Se algo der errado, sobrará para nós. Espero que entenda, caso contrario, culpado seria. — Sam ameaça, deixando claro que não ia especificar nada na frente dela.
— Desta vez.
O corpo de Caine suavemente desliza para o lado, dando um espaço para os dois passarem. Harriet, que não estava levando muita fé em Caine se agarra na camisa de Sammy, assustada. Sammy pode ver a vibração de raiva que ele sentiu ao presenciar isso, e se sentiu levemente vitorioso.
Já no quarto de Sam, ele corre imediatamente para diante do espelho.
— Não temos sorte, não é mesmo, Sammuel? — O rosto fantasmagórico assusta Harriet, mas ela tenta ignorar isso.
Sammy estava perambulando pelo quarto, trancando a janela e fechando as duas portas à chave. Seus sapatos raspando no carpete ao redor de chapeuzinho, paralisada, ou melhor, hipnotizada pelo espelho.
— Não mesmo, não temos. — Ele finalmente se coloca na frente do espelho, fazendo com que chapeuzinho senta-se na cama ao lado. — Como faremos ela se lembrar?
— Isso deve ser um feitiço... talvez, ela não lembra de nada?
Ambos voltam seu olhar para a loura, e ela cora. Estava muito confusa ainda. Mas precisava ajudar, e sabia disso.
— Eu só me lembro de olhos... — Ela inclina sua cabeça para trás, encarando o teto coberto de tinta branca — de quem são aqueles olhos?
Sammy volta a fitar o Espelho.
— Estou pesquisando... — Sua face sem feições fica pensativa. — Não existem fábulas que estão fora de alcance com olhos com habilidades. O único é Chesire.
— Faremos uma visita amanhã. — Sammy suspira, sentindo sua garganta apertar. A sede estava voltando. — Eu vou dar a ultima ronda, proteja-a.
O lobo vai em direção a janela para destranca-la, e na medida que ela parecia se afastar de Harriet, o conteúdo do espelho desliza como se fosse o cimento mais liquido do mundo até o chão. A parte de baixo começa tomando forma até que o conteúdo derrame por inteiro, e lá estava o espelho.
Roupas magicamente se grudaram nele, cobrindo sua pele branca de mármore, ele não tinha olhos ou dentes, apenas um espaço escuro e sem um fio de cabelo. Suas vestes eram marrons e se assemelhavam a de um padre na idade média.
Essa era a forma do Espelho com glamour, o único que não deu certo.
Harriet olha apavorada na direção de Sam, em busca de socorro, mas ele não estava mais lá.
— Fique calma, Harriet. — Ele pede, entretanto, sua voz continuava um pouco fantasmagórica. Ela se arrepia inteira. — Lhe contarei o que desejar, se se acalmar. Eu de tudo sei.
Isso prendeu sua atenção. Curiosa como era, ignorou o medo que sentia dele, e talvez criou até alguma simpatia.
— Não se acanhe, pergunte.
Haviam tantas perguntas que ela gostaria de fazer, e se Sammy demorasse o suficiente, ela poderia faze-las. Começaria pelo básico!
— Quem eu sou?
— Harriet RedHood. — Ele informa. Então o homem não mentiu.
— O que eu sou? — Ela hesita — Porque eu pareço ser importante, o que está acontecendo?
— Você é uma fábula, a chapeuzinho vermelho. — Harriet une o cenho — Você é importante porque quando foi trazida para o mundo humano, ficou encarregada de curar as rosas da vida de todas as fábulas. A alguns meses atrás, algo estranho aconteceu e você e Sam estão atrás dos culpados dos assassinatos.
— Isso não... — Ela esboça um sorriso — Porque eu faria isso? Como pode ser verdade? Fábulas no mundo real... certo que você fez isso agora, mas...
— Prove por si mesma. Fábulas se regeneram rapidamente — Ele estende a mão, e parte da sua mão de mármore se torna uma adaga. O espelho entrega para ela.
Mesmo que hesitante, ela toma a adaga das mãos dele e a fita com cautela. Se cortar? Porque motivo faria isso? Segundo sua sabedoria humana, quem se corta recebe uma cicatriz ou pelo menos o sangue endurece...
Ficou presa entre a idiotice de fazer isso se fosse uma pegadinha ou descobrir a verdade, iluminar mais uma porta.
Ela raspa a ponta da adaga em seu pulso, e a medida que ela se aproxima do fim do corte, o começo já está regenerado. Harry solta a adaga, assustada, recuando. O tinido que a adaga faz desaparece antes que ela termine de se estabilizar no chão, ela já voltara a ser parte do Espelho.
— Sammy... o que ele é?
— Seu amante e... o vilão de sua história.
Só havia uma coisa que preocupava o espelho agora. Como ela encararia o novo fato.
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