Algo de errado em Fabletown

4 ❝Episódio O4 – Beijada。


Notas iniciais
Gente, espero que gostem e comentem!

O lobo acorda antes de Harriet – que ainda dormia – por volta das dez horas. Seu estomago roncava, e ele mesmo repara que ultimamente ele tem sentido muito mais fome que o normal.

“É fome de carne humana” – conclui ele, sabendo que comer comida de pessoas não o saciaria verdadeiramente, e que provavelmente teria que dar um jeito nela mais tarde.

Precisavam resolver isso logo.

Ele anda pelo quarto, vestindo sua camisa o mais rápido que pode. Decide acordar Harry. Debruça-se sobre o seu corpo adormecido e a examina. O glamur também a mudara. Quando eles se conheceram, ela era uma garota pequena e fofinha, que chegava a transpirar inocência. Agora ela – mesmo que ainda fosse inocente na medida do possível – tinha uma cara de quem queria ser devorada. Seu rosto era fino e delicado, os lábios pequenos e deliciosos, olhos grandes e azuis, quase transparentes. Contudo, ele não conseguia vê-la mais do que uma garota chata e violenta.

Isso podia mudar?

Toca em seu ombro, de leve, esperando por uma resposta.

– Ei, vamos, está na hora.

Harriet murmura algumas palavras incompreensíveis, que fez Sam unir o cenho, impaciente. Ela estava agarrada ao travesseiro, com a coxa por cima, quase tocando o cotovelo. O cobertor cobria apenas a ponta dos pés, e sua calcinha rosa cheia de babados estava à mostra.

– Calcinha rosa – Provoca Sammy, não vendo outra alternativa para faze-la acordar.

Ela acorda como se um balde de água gelada tivesse caído em sua cabeça, agitada e apavorada. Olhou diretamente para Sam, com o olhar raivoso. Ela ajeita as vestes o mais rápido possível e se coloca de pé.

– Mas você é mesmo um velho encalhado! – Xinga ela, apontado o dedo, parecendo uma louca com seu cabelo bagunçado.

– Virgem.

– Feio.

Alguém bate à porta.

– O que é?! – Os dois dizem juntos, embora seus tons não estejam em harmonia. O lobo com sua voz entediada e sedutora e chapeuzinho com a sua voz nervosa e enérgica.

Muse abre a porta. Ela estava com outra muda de roupas, desta vez feminina, em uma mão e na outra uma bandeja de café da manhã – consistia em duas fatias de torrada e dois copos de suco de laranja.

– Se apressem. – Ela alerta, depois deixa os dois sozinhos naquele quarto de madeira.

Eles devoram o café da manhã em questão de segundos, não tinham muita opção de comida. O lobo vira-se para ficar em frente à parede, pelas ordens da chapeuzinho, já que ela tinha que se vestir. A roupa consistia em uma colegial, que provavelmente era piada de Muse, já que Harry fazia faculdade de artes.

Ela gostava muito de humanos.

– Se virar, eu te mato. – Ameaça ela, vestindo-se sem tirar os olhos do lobo.

– Como se eu quisesse – Ele dá de ombros.

Assim que ela acaba, abre a janela do quarto e salta, seguida de Sam, pousando do gramado dos fundos. Eles teriam que ir caminhando, já que Sam não era um lobo e eles não podiam ser vistos saltitando.

Durante a caminhada ardida do meio dia, o trafego da cidade grande perturbava aos ouvidos de Harriet. Ela não podia usar sua capa agora, já que além de “suja”, seria muito estranho. Após uma longa caminhada, eles optam por pegar um taxi, que os deixa em frente ao “CAFÉ 10/6”. Tratava-se de um café grande, verde e rosa muito bem decorado com coisas tão loucas que só mesmo Alice Liddell e Lewis Madhatter. Assim que entraram, foram recepcionados por Alice.

Ela os convida para entrar e tomar um chá – já que está na hora – nos fundos da loja, onde havia uma grande mesa. Alice era uma garota loira – um tom mais claro que chapeuzinho – e da mesma altura que Harriet, seus olhos castanhos e brilhantes e suas roupas sempre azuis e clássicas. Ela parecia uma adolescente, assim como Harry. Lewis por outro lado, tinha os cabelos prateados mesmo com uma aparência de idade razoável: 30. Seus olhos eram verdes e o corpo era magro e alto, ganhando uns 2 centímetros de Sam.

A mesa já estava ocupada em alguns lugares, sobrando apenas três, sem contar com Alice e Lewis. Roger – mais conhecido como lebre maluca – era um sujeito magro e ossudo, com os olhos castanhos e avermelhados devido a cafeína, profundas olheiras e uns dentes grandinhos. Dum também estava a mesa, e parecia normal. Haviam três pessoas que pareciam da alta classe, falando como se fossem reis.

“Flores” – Reclama Harry, mentalmente. Não gostava muito delas.

– Alice, viemos especialmente para uma conversa, e provavelmente isso interessará a Dum. – Chapeuzinho diz, puxando a cadeira para sentar ao lado de Sam.

– Dee? – Indaga Dum – Você o viu?

Não era difícil de se adivinhar, já que a única coisa que interessava a Dum era Dee, em vice-versa. Ele eram gêmeos idênticos.

– Ele cedeu a loucura, Dee – Diz Sam, usando um termo nunca usado antes por Harry.

É como ele decidiu chamar? Loucura? Não era tão mal.

– Os tempos andam perdidos, — lamenta Lewis – E Dee, será que pode ser recuperado?

– É o que viemos descobrir. Com quem ele anda falando, Dum? – Pergunta o xerife.

Dum pensa um pouco. Se ele era grudado em Dee, como sempre foi, certamente saberia. Contudo, havia o porem de estarem em Fabletown, e como novos humanos algumas coisas mudavam.

– As flores devem saber, eu o vi conversando com elas! – Entrega Dum. As flores começam em um “ÓOOH” espantado.

– Não vimos nadinha! – Disse a maior – Não pode nos acusar!

Ela fica tão irritada que acaba se tornando uma flor grande e bonita, com boca, olhos e a capacidade de falar. Ela era vermelha.

– Olha só o que fez a ela, seu lobo! – Disse um bigodudo vestido de roxo.

O lobo se levanta da mesa, batendo as mãos na mesa, muito irritado. Controlou-se para não virar o lobo que era.

– Dee e o Woodsman atacam ontem a mim e Harriet, acho que se vocês o viram, mesmo que por um segundo, deveriam contar – Ele altera a voz para uma mais alta e autoritária – Agora!

A amarelinha da ponta se manifesta, as outras duas olham para o lado oposto, rígidas e orgulhosas. Alice e Lewis apenas refletiam sobre tudo que falavam.

– Ele andava saindo a noite, havia uma garota, é tudo que sabemos.

Sam se tranquiliza. Acomoda-se na cadeira e beberica o chá. Chapeuzinho apenas olha para ele, de certa forma encantada por ele ser tão durão. Enquanto tentava olhar discretamente para Sam, algo a abraça por trás. É Chester.

O gato de chesire tinha a aparência de um garoto de 18 anos, os cabelos castanhos rebeldes com mexas roxas. Seus olhos eram escuros e suas roupas eram geralmente roxas e consistiam em uma bermuda com regata.

– Saia de perto, gato – Ela se desfaz de seus braços, empurrando a cadeira para trás para levantar-se.

– Eu disse para Raphi, era seu cheiro! – Chess cheira o pescoço de chapeuzinho, que o afasta com mais um empurrão. – Não seja tão malvada, posso te ajudar se quiser.

– Em que? – Ela se interessa, afinal, uma carta a mais era uma vitória sobre Sam.

Ele beija Harry de leve nos lábios, por instantes, mas o suficiente para provocar uma explosão nuclear dentro dela mesma. Ela nunca havia sido beijada antes na vida. Chess sai correndo mostrando a língua, fazendo sua visita – como era previsto – mais uma vez inútil.

– Bye, bye, Hay – Ele fecha a porta, mas era possível ouvir sua última fala – Amo você!

Um silencio avassalador toma conta da sala. Ninguém disse uma só palavra enquanto Harry volta a seu posto, dura como pedra. Sam estava um tanto arrependido, eles só descobriram poucas coisas. Entretanto, uma coisa era certa: Ele se encontrava com uma mulher, Dum não sabia sobre isso e muito provavelmente encantado.

Como já tinham o que precisavam e não havia tempo a perder, assim que terminaram o café se despediram de todos.

– Compre seu Glamur, flor – Alerta o xerife, fazendo a flor grande e elegante tremer.

Era um crime sério ficar sem Glamur, e o xerife era o responsável por pegar quem estivesse cometendo tal crime. Um aviso era gentileza de sua parte.

Sam teve de empurrar o corpo petrificado de Hay para o lado de fora, já que ela ainda estava com aquela mesma expressão de susto com o olhar distante. Sammy estala os dedos algumas vezes diante dos olhos dela, que não simplesmente respondeu como começou a gritar.

– ERA MEU PRIMEIRO BEIJO! – Ela fecha a mão em um punho e aponta para cima – MALDITO CHESIRE! GATO PERVERTIDO!

– Meu deus Harry, não me diga que até mesmo no mundo humano você era BV? – O lobo parecia incrédulo, referindo-se ao fato de que ela nunca havia beijado antes, ainda mais onde os humanos caiam aos pés das fabulas.

– Me deixe em paz! – Chapeuzinho sai marchando, em direção a sua casa.

– Você realmente merece sofrer bullyng – Ele diz, socando as mãos no bolso, procurando por algo.

– Procurando por isso? – Ela mostra uma carteira de cigarros, com cara de debochada.

– Harriet...

Ela simplesmente saí correndo, em direção a floresta, e o lobo atrás. Fabulas gostavam de jogos, ainda mais de pega-pega.

Notas finais
TEM ALGUM PERSONAGEM QUE VOCÊS NÃO IDENTIFICARAM?
PERGUNTA DO DIA É: Quem é mais legal, alice ou Harry?