Algo de errado em Fabletown
17 ❝Episódio 17 -– Algo novo em Fabletown。
Notas iniciais

Capítulo 17
“Eu não me importo com ela” — foi o que eu pensei quando a vi pela primeira vez fora da nossa fábula. Infelizmente, não mantive minha decisão por muito tempo. Talvez eu nunca saiba quando foi que comecei a amar Harriet.
。。。
As trevas continuavam a confundir a mente de chapeuzinho. Mesmo que ela pudesse se regenerar, quem lhe assegurará que ela não está sendo drogada ou enganada? Tudo era suspeito demais.
— Eu vou... tomar um ar fresco — Ela diz ao espelho, com medo de que ele a impedisse. Não foi o que ele fez.
Abre a porta lentamente, e quando sai corre rapidamente para o segundo andar, como se alguém fosse atrás dele, como se o espelho estivesse a amaldiçoando. Ela fitava o segundo andar, quando sente um cutucão no ombro. Era o segundo Sam.
— Não iria para longe daqui assim se fosse você. — Idêntico a Sammuel, a única diferença era seu jeito de falar e as roupas.
— Quero tomar um ar. — Ela mente.
Ele a encara por um tempo, com seus olhos azuis escuros, eles brilhavam com a paixão intensa que ele sentia por ela, o desejo de seu corpo, carne e sangue.
— Você realmente não se lembra de nada? — Caine indaga, parecendo realmente magoado, ou pelo menos pareceu para ela.
Ela percebeu no jeito como ele a olhava, e soube naquele momento o que ela representava para ele, e talvez o mesmo com Sam. Infelizmente, ele não representava nada a não ser perigo.
— Então você a amava não é? — Ela sorri. — Digo, o que eu era.
— Eu a perdi, sabia? —Caine libera o caminho para que ela passe, e sem dó, ela caminha a diante, para a porta, ignorando os sentimentos dele. — Mas agora eu posso tentar outra vez.
Foi a última coisa que escutou ele dizer. Ela não ficaria ali, precisava... de ar fresco. Do outro lado da rua, havia uma floresta com um córrego, e ao contrário da floresta da casa de Sam, ela não era encantado. Enquanto se mantinha na escuridão, o único pensamento que veio à mente de Harriet foi a mesma que a trouxe a vida de certa forma, — a primeira coisa que ouviu.
“De quem são esses olhos?”
。。。
Sammuel descansava após a patrulha noturna — cansativa agora que solitária, sem Harry. Decidiu que ficaria próximo ao córrego da floresta em frente a mansão, estava ficando com fome novamente, o que não era comum.
Ele não só estava com fome, estava viciado. E consequentemente, dependente.
Abaixou seu corpo até a grama no chão é lá sentou, fechando os olhos para sentir a brisa e distrair a fome. Aquela fome que apertava a garganta, alucinava e o deixava fraco contra inimigos.
A brisa gélida da noite acariciava o rosto de Sammy, e junto com o frio, trouxe o agradável aroma de uma rosa. O lobo abre os olhos, assustado, quando percebe que uma pétala de rosa acabara de pousar em seu nariz.
“Harriet.”
Nem mais um segundo foi perdido, ele apenas dispara em direção ao cheiro forte de uma rosa vermelha, a rosa de Harriet.
“Pelo menos isso... eu posso fazer por você.”
Ele morde o lábio com a lembrança, era dolorosa, desejável. E nem todo seu desejo se compara ao horror que sentiu quando encontrou Harriet cercada por cinco inimigos. Seus olhos se tornam amarelados e em segundos ele já era um lobo enorme — ele pula em cima de Dee e arranca sua cabeça, jogando-a para longe.
Sammuel volta sua atenção para os outros quatro, enquanto Dee desaparecia, dando lugar a uma rosa amarelada e em seguida uma semente cai no chão. Duas bruxas, o flautista que encantava ratos e uma fada. Encantos e feitiços foram jogados na direção do lobo, mas sua resistência era forte — e enfraquecia agora.
Ele iria gritar para que Harriet corresse, mas ela já havia feito isso a muito tempo, e agora que todos partiam para cima dele, Sammuel agradece quando dois lobos do mesmo tamanho que ele aparecem. Três fogem, um é raptado e o outro está morto. Dee...
A floresta parecia conspirar com a vista dos humanos, as árvores se fechavam e escureciam ainda mais a noite, bloqueando a lua —mas os lobos podiam ver. Um deles estava com a pata em cima do flautista, e quando voltaram a sua forma humana, seu pé descanso permaneceu ali. Eram três lobos de contos diferentes; Caine WolfPig, Sammuel Wolf e Rebecca WolfSheep.
— Saudades, Sammy? — Rebecca tinha aquele humor familiar de lobo, e sua aparecia a fazia parecer irmã de Sammuel e Caine. Sam nunca ia entender motivo de eles serem iguais.
Rebecca era alta, forte, cabelos longos e castanhos, pele bronzeada e olhos azuis-escuros assim como Sam e Caine. Uma guerreira, ao contrário da estrutura de Harriet, que era pequena e inofensiva — embora a mesma não fosse. Ou pelo menos não era. Os três estavam nus no meio da noite, e não se importavam com isso.
— Nem um pouco. —Ele a rejeita imediatamente — Vou atrás da Harry.
Mesmo nu, teria que pega-la de qualquer jeito, era perigoso ficar pela noite sozinha. Pega a semente de Dee e fica fora de vista em segundos, encontra Harriet, chorando próxima ao lugar que Sam estava antes, quando descansava. Ela se assusta quando percebe que ele estava ali, que a havia encontrado, e que estava nu.
— Ei, baixinha...
Ela se encolhe e começa a se rastejar para trás, recuando. Sammy podia ver o medo e o horror nos olhos dela, coisa que não correspondia muito com a sua personalidade. Porque ela estava tão amedrontada? Provavelmente acreditava que Sammy ia estupra-la ou coisa parecida.
Ele revira os olhos e suspira, fazendo ela parar para encara-lo.
— Olha, se vai ficar com medinho de pênis, me entregue a capa que está usando. — Ele estende as mãos — Não tinha nenhuma roupa comigo.
Sem contestar muito, ela desamarra o laço de sua capa vermelha e entrega a ele, que amarra na cintura. Ela sentiu que não deveria desobedecer um homem que podia se transformar em um lobo.
— Vamos Harry, não tenho tempo para faze-la acreditar em mim agora. — Ele atravessa o córrego, pisando na água gelada. Harriet se levanta. — Temos uma chance de recuperar sua memória agora.
— É isso mesmo que você quer, Sammy? — Ela o encara, com um pouco de raiva e medo.
Seu desejo incontrolável por ela sessa por um tempo, dando lugar ao amor recém descoberto. Ele era incrivelmente forte, capaz de aumentar ou extinguir a fome.
— Claro que eu desejo que recupere — Ele olha para a lua, que graças ao córrego, afastava as árvores, tendo espaço para vislumbra-la. — Afinal, eu tinha acabado de dizer que eu te amava.
Ela foi pega de surpresa, sentiu seu corpo vibrar de uma alegria desconhecida, uma vontade de abraça-lo tomou posse de seus braços e a de beijar toma seus lábios róseos. Harriet entendia agora, seu corpo desejava esse homem, embora sua consciência atual recusasse.
— Entendo... então eu amava você também... —Ela acompanha Sammy e fita a lua intensamente — Me pergunto o quanto... e desde quando.
— Também me pergunto desde quando eu comecei a sentir isso. — Ele abaixa seus olhos azuis até ela. Ele é retribuído.
— Bom, vamos logo ver a solução então — Ela se aproxima dele, aceitando a ajuda para chegar até a mansão.
Sam volta seu corpo para a direção da mansão, mas é interceptado por Harriet. Ele não pode deixar de pensar que ela estava sendo um pouco impertinente o impedindo de recuperar sua memória — até que ela o puxa para um beijo.
Sam recusa, afastando-a pelos ombros, desviando o olhar.
— Achei que devia isso a mim mesma. — Ela diz, depois de se afastar, o que fez com muito esforço.
Sammuel abaixa seu olhar, sentindo a culpa e a vontade tomando conta de seu corpo. Isso o trouxe saudade, não fazia tanto tempo assim que ela tinha perdido a memória, — e que ele tinha se declarado. Mas para as fábulas, cada hora era como uma página. Tudo mudava e era infinito.
Traria a memória dela. Hoje mesmo.
。。。
Caterpillar, junto com Úrsula e Ariel, chegaram a mansão lá pelas seis horas da tarde do dia seguinte, o sol iria se pôr em breve e o tempo deles acabaria no mesmo momento.
Não podiam ficar fora a noite.
Não com essas fábulas a solta. Não sem Harriet. Era crucial que ela voltasse.
— Posso desfazer — Úrsula diz, segurando a flauta do flautista de ratos, Giuliano. — Mas creio que não há um sinal do responsável, e mesmo que eu faça esse homem sair do encanto, ele não se lembrará e isso gastará o estoque mágico que eu tenho da semana.
Todas as bruxas — pelo menos as que cumpriam a lei — tinham uma quantidade de magia para usar por semana. Essa lei, era para proteger as outras fábulas. Imagine uma bruxa usando magia livremente por ai? Era estritamente proibido que um humano descobrisse.
— Apenas traga Hay de volta, é necessário.
Ela move suas mãos, todos na sala de estar da mansão das fábulas estavam olhando-a cheia de expectativa. Nada muda.
— Parece que armaram uma armadilha, tem efeitos colaterais. — Ela franzi a testa. Úrsula estava em sua forma de fábula para ter força de quebrar o encantamento, ou seja, haviam tentáculos e cabelos esbranquiçados. — Não sei o que pode acontecer se eu quebrar esse encanto.
Todos se afastaram de Harriet, suavemente, engolindo a seco. Caterpillar não se moveu.
— Bom, se retirem se receiam. — Ele volta seu olhar cansado para Úrsula. — Se for danos à saúde, ela poderá concertar. Úrsula: Faça.
Apenas Úrsula, Sam, Caterpillar e é claro, Harriet ficaram. Todos os restantes a encaravam, o que a deixou desconfortável. Ela entendia que se tudo aquilo era verdade, precisavam dela para ficarem vivos; Sam lhe contou que ela tinha acabo de se tornar uma “pecadora”. Ou seja, ela podia matar fábulas sem acabar morrendo por seus pecados à Fabletown.
Ela fecha os olhos, esperando. Vários sons malignos confundem sua cabeça, ela não podia ver nada mas escutava ruídos de ansiedade. De repente, um clarão; ela abre os olhos.
— E então? — Úrsula indaga.
Ela tenta receber a nova memória, mas nada acontece.
— Nada.
A bruxa abaixa a cabeça.
— NÃO VENHA DIZER “NADA”! — Até mesmo Caterpillar salta com o grito de fúria de Sammuel. Todas as fábulas atrás da porta voltam para a sala de estar.
E de repente, todos riem. Harriet não entende o porquê, então busca no rosto das pessoas as respostas. Será que havia algo de errado com ela?
— Ora, estragou seu glamour Sam! — Caine diz.
E era verdade. Sammuel estava aparentemente igual a sempre, mas só por um detalhe, ele não era mais tão humano: Orelhas de lobo saltando de seus cabelos. Caterpillar estava com antenas e nada aconteceu com Úrsula ou Harriet.
— Olha, parem de rir — O lobo revira os olhos — Isso não é nada, as memorias dela, estão comigo.
Todos pararam instantaneamente de rir, como se tivessem dito para um órfão voltar para sua família e descobriram a verdade da pior forma. Aquilo realmente não tinha graça. Realmente.
E embora ele estivesse chateado, junto com o conhecimento dela de salvar as rosas, veio o seu amor ardente por ele mesmo. Ela realmente amava ele.
Sam lança um olhar para Harriet, que admirava o topo da cabeça de Sammuel, provavelmente suas orelhas.
Agora não amava mais.
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