Algo Importante
1 Meu Ideal...
Notas iniciais
– Allen–chan?
Para a surpresa do rapaz, não esperava que alguém o encontrasse ali. Se bem que pensando bem, era meio obvio que o rapaz estaria em sua sala “particular”. Timcanpy saiu de cima do piano branco que havia na sala e se aproximou de quem vinha.
– Yui? – o rapaz se levantou do assento e se voltou mais para a jovem.
– Então você vem aqui quando some e deixa todo mundo preocupado... – a jovem suspirou e acariciou o pequeno amiginho que havia pousado sobre seu ombro. – Todos estão te procurando... Estava tocando por acaso?
– Não... – era mentira. Ele sabia que a garota a frente tinha conhecimento de seu ato de tocar piano. Ele só tocava quando estava realmente preocupado ou muito triste, então não queria preocupá-la. – Só estava pensando sobre tudo o que já aconteceu. – apesar de sua sorriso gentil, ele não podia esconder o tom triste de sua voz.
– Preocupado? – ele suspirou fracamente.
– Um pouco... Eu estou muito confuso com relação aos últimos acontecimentos.
– A vida de um Exorcista nunca foi fácil ou clara. Até mesmo a Soul não sabe o meu destino. Acho que é por isso que o destino é tão misterioso.
– O caso é que tenho medo de mim mesmo. – o jovem olhou para o piano, lembrando-se do fato que só ele tinha conhecimento da melodia do 14ºNoah.
– Allen–chan... Ainda está preocupado com a melodia, não é? – o rapaz preferiu não responder. – Você nunca vai mudar, não importa o que aconteça. Você já devia saber.
– Eu não sei... – ele olhou para ela deixando sua máscara cair.
– Bem... Os acontecimentos só acontecem se permitirmos. Posso? – ela apontou para o piano e ele assentiu. Ela se sentou ao instrumento e com um suspiro, completou seu pensamento. – Ninguém revolve o destino de alguém, a não ser dele mesmo. Nós criamos o nosso próprio destino e isso é o que nos faz diferentes e únicos. – as primeiras notas eram suaves e fizeram o rosto do rapaz empalidecer. Ele sabia que melodia era aquele, mas nunca pensou em ver outra pessoa a tocando, sem se ele.
– Essa música...
– Eu fiquei prestando atenção do lado de enquanto você tocava. – como sempre, ele não conseguia mentir para ela. – Até que não estou me saindo tão mal...
Em poucos minutos, a jovem finalizou a melodia do 14ºNoah, tendo cometido apenas alguns erros, mas ainda sim tocou com perfeição. Eles ficaram em silêncio por alguns minutos e logo a jovem se levantou do banquinho e fitou o olhar triste do rapaz.
– Eu prefiro ouvi-lo tocando. – a jovem sorriu, porém não foi correspondida.
– Você tocou muito bem.
– Não... Essa música é mais bem tocada quanto você a interpreta. – os olhos do rapaz fitaram o chão e a jovem não podia mais deixar aquilo de lado. – O que o preocupa tanto?
– Nada...
– Você não precisa guardar todo esse fardo. Você tem amigos com quem contar, sabia?
– Eu já disse que não é nada. – o olhar raivoso do jovem espantou a jovem, fazendo a fitar o chão e cerrar fortemente os punhos.
– Desculpa... Só achei bom eu te recordar de umas das coisas mais importantes que você tem. – ela falou seriamente e isso machucou um pouco o rapaz com suas palavras.
Ao tentar sair da pálida sala, sentiu seu pulso ser agarrado com força por uma mão forte e a puxando para trás. Ela olhou assustada para o rapaz e ficou o fitando, esperando este dizer algo.
– Amigos já não são mais tão importantes pra mim. – talvez a jovem fosse demorar até reparar que lágrimas escorriam de seu rosto chocado com a frase pronunciada.
– Entendo... – ela apertou o maxilar e apenas não partiu pra cima do rapaz, pois seu emocional ainda não processa o ódio que a você sentia no momento. – Então, não preciso mais me preocupar com alguém que não me considera algo importante! – num ato brusco, ela libertou seu braço e ao olhar raivosamente para o rapaz, gritou o que podia. – É bom saber disso! Não vou mais perturbá-lo!
Quando menos esperava, sentiu sendo empurrada para o piano e teve os pulsos presos sobre o instrumento, fazendo ficar deita. Ela estava confusa e o olhar neutro do rapaz apenas piorava a situação. O jovem estava quase colado ao seu corpo e isso a deixou um pouco apavorada, porém ela estava mais preocupada com o dor que sentia sobre seus pulsos. A força que Allen fazia com as mãos estavam fazem a jovem quase não sentir as mãos.
– Allen... Você está me machucando. – ela disse, contudo ele não retirou a força sobre seus pulsos.
– Amigos são importantes. – ele disse, apertando inconscientemente ainda mais a jovem e ela apenas gemeu de dor. – Só que... Eu achei algo mais importante para protege e por que lutar.
A jovem não sabia o que dizer. Estava surpresa e não entendia aquele olhas tão triste que recebia do rapaz. Logo sentiu seu pulso estralar e fechou os olhos com força pela dor. O rapaz, vendo o que fazia com os pulsos da jovem, soltou-os bruscamente e recuou. Ele não conseguia encarar a jovem pelo ódio que tinha sobre si e por medo de vê-la assustado com ele. A jovem saiu de cima do piano, mas não fugiu. Ela estava preocupada com o rapaz, pois ele nunca agira de modo tão agressivo e muito menos com tanto remorso.
– Desculpa. – ela tentou encará-lo, porém os belos cabelos albinos do jovem a impediam de fazê-lo. – Eu não queria te machucar... Eu... Eu nunca quis te machucar.
– Allen? – a jovem chamou e se aproximou dele. Ela tocou no ombro este e procurou pelos olhos prateados do rapaz. – O que há com você?
– Você é meu novo motivo para lutar.
– O que? – o rosto do rapaz a encarou com olhos marejados e cheios de medo. – Allen, o que quer dizer co-
– Eu te amo, Yui.
Os olhos lilases da jovem se contraíram e sem saber o que fazer naquela hora, apenas observou os olhos do rapaz lutando contra as lágrimas produzidas. Fora tão rápido. Ela queria responder àquilo, mas seu corpo não a obedecia. O rapaz assistiu a reação de conflito da jovem com seu corpo e tristemente, olhou para baixo.
– Pode me odiar se quiser. Eu-
– Odiar você? – o rapaz se surpreendeu ao sentir gentis braços em seu pescoço, trazendo-o para um confortável abraço. – Só te odeio por ser tão egoísta. – com fracas batidas, a jovem deixou o pescoço do rapaz e passou a bateu fracamente por diversas vezes o peito do rapaz, sem fitá-lo. – Idiota, idiota, idiota, idiota... – ao ritmo que diminuía sua fala, as batidas iam se cessando até que a garota apenas repousa-se o rosto no corpo do rapaz. – Como eu ia odiar alguém que amo? – a jovem soluçava e agarrava o casaco do rapaz. – Idiota...
– Desculpa. – com ternura, o rapaz abraçou a jovem, colando mais seus corpos e sentindo esta o corresponder. – Eu te fiz chorar de novo... Eu te machuquei... Desculpa.
– Não importa... – a garota secou as lágrimas e deu um tímido sorriso. – Estou um pouco satisfeita e feliz de certa forma. – o rapaz não pode deixar um belo sorriso aparecer depois da confissão da jovem e carinhosamente, acariciou o rosto da jovem, fazendo-a olhá-lo novamente.
– Eu te amo... – o rapaz aproximou-se lentamente do rosto da jovem e selou seus lábios com um simples e delicado beijo.
Talvez o ocorrido tivesse ficado em segredo, se não fosse Timcanpy a mostrar a gravação de seu dono com a jovem Exorcista para os companheiros dos dois.
Mas não importava... Tudo estava muito melhor que antes e era assim que eles queriam.
Fale com o autor