Algo Diferente
1 Capítulo único
– Ei, você quer fazer algo diferente, hoje? – sorri. – Podemos ver um vídeo da minha irmã. Em vez de jogar futebol ou brincar com meus bonecos de Pokémon. Ela odeia que mexamos no computador dela.
– Hã?
Tudo começou com essa inocente pergunta. Tínhamos apenas oito anos. Resolvemos ver um vídeo meio estranho da minha irmã. Ficamos curiosos, então resolvemos assistir. Ela havia saído para se encontrar com suas amigas e nos deixou aqui, sozinhos em casa. Como sempre nos proibia de ver o que tinha no computador, foi o que fizemos. Éramos curiosos, oras.
Era um filme de 10 minutos. O começo era bem tranquilo, e até chato. Tinha uns garotos meio estranhos, que foram fazer um trabalho escolar na casa de um dos meninos. Foi aí que o clima começou a ficar meio estranho.
Eu e meu amigo começamos a sentir algo esquisito. Os meninos do filme começaram a se beijar e tirar a roupa. Nós sentimos vontade de fazer o mesmo. Mas sabíamos que isso não podia acontecer. Que éramos muito novos e que ambos éramos meninos. Garotos ficavam com garotas. Mas então... por que eles estavam se agarrando? Será que as nossas mães mentiram para a gente? Bom, eu sempre achei meu amigo bonitinho...
– Ei, o que você acha disso? – pergunte a ele.
– Eu não sei. Será que a gente tem que saber fazer isso quando nós crescermos?
– Acho que sim. Quer tentar? – perguntei novamente. Eu queria muito fazer isso. Eu gostava muito dele, então esperei sua resposta, ansiosamente. É claro que eu não sabia muito qual era esse tipo de “gostar”.
– Hm, acho que não tem problema. Mas você gosta de mim? Afinal, tem que gostar de uma pessoa pra beijá-la, certo?
– É, eu gosto. E você? – perguntei esperançoso.
– Acho que sim – respondeu.
Timidamente, começamos a nos beijar. Não queríamos mais parar. Os beijos começaram a ficar mais intensos, então paramos um pouco, já que estávamos ficando sem fôlego.
– Ah, acho que fomos bem – falei para ele, enquanto tentava respirar.
– Sim, mas acho melhor não contarmos para nossas mães. Elas podem ficar bravas. Somos muito novos.
– Tem razão. Mas podemos continuar? Eu achei isso bom... eu fui bem? Porque você foi! – falei novamente. Será que ele gosta de mim tanto quanto eu gosto dele?
– Acho que podemos. Porque eu gosto de você... – disse ficando vermelho. – E você foi muito bem...
Fomos nos aproximando e novamente começamos a nos beijar. Mas dessa vez, fizemos como no filme. Coloquei minha língua dentro da boca do meu amigo e ele começou a chupá-la. Nosso “pequeno membro” começou a pulsar. Nosso corpo queria mais, só que não sabíamos o que fazer. Ficamos assustados e nos separamos rapidamente. Após esse susto, beijei-o novamente. Nos abraçamos e comecei a passar a mão dentro de sua camiseta. Estava ficando com calor, então tirei a minha.
Foi então, que minha irmã chegou. Ela ficou chocada. No começo, não reparamos sua presença. Continuamos a nos beijar tranquilamente. Mas então, olhei para o lado e lá estava ela. Paralisada. Parei imediatamente de beijar meu amigo, que ficou confuso e olhou na mesma direção que eu. Ele, é claro, levou um susto e recuou.
– Irmã! Já voltou?
– Eu... O que vocês pensam que estão fazendo?! – perguntou ela, com o rosto vermelho. –Você... sabia que este é seu amigo, e que ele é um menino? Meninos não devem beijar meninos!
– Mas... me desculpe... nós vimos um vídeo seu no computador... e tinham uns meninos se beijando. Aí nós pensamos que tínhamos que fazer isso quando crescermos, então resolvemos experimentar...
– Ai meu Deus. Nunca mais faça isso. Nunca mais mexa no meu computador. Nunca! Se mamãe souber que vocês fizeram isso... a sua mãe também! – disse olhando para o meu amigo. – Vocês são muito novos! Quando crescerem e se continuarem a se gostar, tudo bem. Mas eu não acho que vocês realmente possam se amar. São muito pequenos para decidirem algo assim. Ser gay ou não é algo complicado.
– Você acha que vai me amar até quando for velho? Você me ama? – perguntei a ele. Tinha que Ter certeza.
– Sim. Eu gosto muito de você. Algo que nunca senti por ninguém e por nenhuma menina.
– Por favor. Não digam isso. Ser gay é complicado demais! Homens não podem se amar, que serão sempre vítimas de preconceito. Seus amigos da escola não vão entender isso. Por favor –, ela começou a chorar – eu sei como é isso... a verdade é que eu estou namorando uma garota. Mas ninguém pode saber. Porque se isso acontecer, meus amigos podem me odiar para sempre. A vida de quem escolhe ser gay não é boa, podem apostar.
– Mana, para de chorar, por favor. Os caras do filme disseram que se a gente ama alguém de verdade, devemos ficar junto dessa pessoa. Não importa quem ela seja. E por isso, eu quero ficar junto do meu amigo para sempre!
– E eu quero ficar sempre com seu irmão. Agora a gente já entendeu. Vamos tomar cuidado. E algum dia, tenho certeza que seremos todos felizes.
Ela já não conseguia falar mais nada. Ficamos lá, ouvindo os choros de minha irmã. Já sabíamos que nossa vida seria difícil tão cedo, mas não ficamos com medo.
Hoje em dia, ainda estamos juntos. A cada dia que passa nos amamos mais e mais. Sabemos que algum dia teremos que contar aos nossos pais. Mas temos que levar a vida desse jeito. Foi assim que a escolhemos. Mas de uma coisa eu tenho certeza. Sempre vou amá-lo.
Fale com o autor