Alfabeto do Amor
5 Empate
Notas iniciais
— Você quase morreu. – Dramatizei.
— Odeio quando faz isso... – Ela me respondeu preguiçosamente.
— Isso o que?
— Exagera. Eu acabei com ela! – Tenten me respondeu revirando os olhos, sentada na maca.
Tenten é lutadora profissional de MMA e isso me mata. Em toda luta cada soco, cada corte que ela sofria me feria também. Eu queria que ela desistisse, mas era um sonho dela e eu não podia tirá-lo nem que eu quisesse.
A luta dessa noite foi uma das preliminares para a disputa do cinturão no peso galo, e ela apanhou, apanhou bastante, seu sangue tingiu o octógono. Quase me esqueci de falar de sua rival, bom, cada soco que Tenten levou, ela revidou com dois e não se engane porque aquilo não era reconfortante pra mim.
Por decisão unanime Tenten ganhou, a torcida estava ao seu favor, era a favorita para conquistar o cinturão. E lá estava eu dando a bronca costumeira, afinal por trás de toda a marra, ela é minha princesa.
— Neji. – Ela me chamou depois de um longo silencio.
— Desiste. – Pedi vendo seu olho roxo, seu supercílio cortado. Ela deu um riso irônico e respondeu:
— Mais fácil eu desistir de você. – Eu a encarei sério e ela ri, mas eu sabia que era a verdade, lutar era o que ela mais amava. Ela se levantou e vi o desconforto que ela tentou esconder.
— Vamos pra casa. – Eu disse, chateado? Não, acostumei com o agridoce temperamento de Tenten, mas não deixaria passar despercebido.
— Preciso de ajuda. – Ela melodiou a voz, pedindo ajuda por mancar.
— Pede para o saco de pancadas, ou pra sua luva. – Respondi sarcástico saindo pela porta.
— Você é meu saco de pancadas. – Ela respondeu antes que eu saísse, e segurando o sorriso eu me virei sério, ela não mudaria nunca.
— Queria ser o preferido. – Eu respondi e vi sua cara manhosa, sabia o que era aquilo: Uma tentativa horrível dela se desculpar.
— Eu preciso do cinturão. – Ela justificou enquanto eu me aproximava de certa forma eu a entendia.
— Eu preciso de você bem. – Eu retruquei beijando sua testa e deixando minhas mãos escorregarem por seus braços delicadamente desenhados.
— Hoje quando eu percebi estar apanhando demais... – Ela riu como se fosse vergonhoso admitir. – Antes de me desfazer da guarda dela e tomar o controle da luta, lembrei o quanto briga comigo por eu apanhar. Isso me deu forças e sempre me dá para virar o jogo. – Ela confessou sem me encarar. – Odeio que me veja apanhar. – Confessou.
— Ten... – Fiquei sem palavras, em três anos de namoro e nunca ouvi nada disso.
— Você é minha força. – Ela me interrompeu. – É o motivo por eu estar de pé e ela no hospital. – Completou. Eu a abracei tentei encontrar palavras decentes para pronunciar.
— Eu tenho medo. – Talvez tenha sido a frase mais sincera que eu já disse e a qual eu nunca repetiria. Um Hyuuga não deve temer nada, assim foi ensinado por meu pai.
— Não vai me perder. – Ela levantou a cabeça para me beijar. Um beijo tão intenso, que tive medo de machucá-la com a intensidade, e outra vez aquela palavra me seguiu.
Eu a peguei no colo e a levei até o carro, nos meus braços. Era assim que eu queria permanecer, com ela nos meus braços, segura. Coloquei-a no chão e abri a porta para Tenten sentar, e dei a volta entrando no carro me acomodando atrás do volante.
— Eu preciso ganhar o cinturão. – Ela repetiu afirmando tanto pra ela quanto pra mim. – Meu maior oponente é você. – Confessou. Liguei o carro e a encarei.
— Me desqualifique. – Pedi começando a dirigir, olhando o caminho à frente.
— Sua insegurança me desencoraja. – Ela disse séria, como se fosse algo concreto. Eu respirei fundo, não podia ser a força dela sendo também a fraqueza. Nunca me perdoaria por contribuir com suas talvez frustrações.
— Vou gritar seu nome. – Respondi a confundindo. – Cada soco que tomar, devolva três. Cada vitória sua, será uma vitória minha. – Eu a fiz entender, e na minha visão periférica a vi esconder um sorriso.
— Não diga isso por medo de dormir no sofá. – Ela brincou, era sua autodefesa contra mim.
— Por mais que eu ache loucura, sou ainda mais louco por você e te apoiarei até o fim. – O sorriso dela alargou não de forma doce, mas sim orgulhosa. Eu parei o carro no acostamento e ela sentou no meu colo de costas para o volante.
— Saímos do empate então. Dois para Neji e um para o UFC. – Ela respondeu antes de me beijar. Eu a ganhei, como ela havia me ganho, assim como ela também ganharia o seu primeiro e tão sonhado cinturão.
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