Alexander And Michel

4 Capítulo 4: Para sempre é muito tempo.


Notas iniciais
Leitores, sejam felizes assim como eu, porque este capítulo é do Alexander!

Michel... Nome característico de anjo. Loiro, com cabelo cacheado e olhos azuis, aparência característica de anjo. Não há nada que o torne diferente de qualquer outro anjo que eu já tenha matado, então, afinal, por que não consigo matá-lo? Por que meu corpo não faz como já fiz centenas de vezes – literalmente – e simplesmente o mata? Por que não deixei meu irmão machucá-lo e por que não permiti que aquele carro o atropelasse...?

-Alexander, veja só! Eu acertei!

Direcionei minha atenção para o horizonte. O sol já estava nascendo e meu irmão ainda não conseguira acertar uma mísera bolinha de fogo na enorme janela do prédio adiante.

-Você não conseguiu.

Estávamos encima do prédio de nosso apartamento. Já perdi a conta de quantas foram as tentativas frustradas de meu irmão em acertar aquela já citada antas mínima e poderosa bola de fogo na enorme janela e incendiar o prédio.

-Do que você está falando? Eu acertei sim, olha lá!

Michel houvera dito que não iria morrer para poder ficar perto de mim “para sempre”, mas “para sempre” é muito tempo! Eu nunca ficaria com um anjo gay, aliás, se Lúcifer souber que há um anjo próximo de mim ele entenderia errado e, considerando que mais um anjo negro poderia significar o fim, ele faria qualquer coisa para me matar. Mas... Se o anjo negro fosse dele, o Juízo Final seria diferente e Lúcifer com certeza venceria.

Corri e pulei no muro baixo que havia contornando a parte de cima do prédio em que nos encontrávamos. Estalei os dedos como quem risca um fósforo e em meus dedos logo surgiu o fogo. Eram três dedos, mas eu passei o fogo de um deles para os outros dois, separei eles e joguei as duas esferas de fogo de meus dedos em ambas as janelas que estavam abertas a nossa frente. Cinco segundos depois, houve uma explosão e o andar inteiro pegou fogo, quebrando boa parte das paredes e vidros.

-Se você tivesse acertado, isto teria acontecido.

Continuei fitando o fogo com admiração, recordando-me de alguns dias atrás quando decidi por finalmente treinar meu irmão. Quem escolhera a terra como campo de treinamento fora eu, na esperança de poder me ver livre de Julieta, uma demônio ruiva de cabelos lisos e compridos, sempre com duas pequenas tranças, uma de cada lado do rosto, encontrando-se atrás, simbolizando a coroa da rainha que ela julgava-se ser. Seus olhos eram laranja intenso, sempre esbanjando arrogância e prepotência.

“Nós vamos ter um filho” me dissera uma vez, enquanto todos saíam de perto por eu ter retornado ao inferno como o demônio que matara um anjo negro, também fora este o motivo o qual fez Julieta ambiciar um filho meu.

“Nunca” eu lhe respondera com frieza e convicção, enojado por ela estar se aproximando cada vez mais de mim. Obviamente que, assim como todos os outros eu achava aquela demônio incrivelmente sedutora, mas sua mente doentia me impedia de sentir qualquer atração por ela. Por saber que era simplesmente linda, Julieta sempre fora apaixonada por coroas, dês das mais belas e exóticas até as mais estranhas e macabras. Isso sempre me fez fitá-la de modo diferente e, claro, repleto de repulsa.

Quando Julieta me abraçara, como sua última carta na manga para que eu cedesse a seus encantos e a tornasse a mãe de um filho meu, eu a queimei. Queimei uma das demônios mais belas do inferno, rejeitando-a e estragando sua pele bela e sedutora. Julieta ficou apenas com as mãos e braços com cicatrizes de queimadura permanentes, e infelizmente ela não desistira de mim. Por isso troquei o local em que eu treinaria meu irmão do inferno para a terra, além de poder continuar a caçar os anjos negros, também estaria livre de Julieta.

Eu consegui queimar uma das demônios o qual muitos dariam qualquer coisa para possuí-la por apenas uma noite e, com isso, ganhei apenas mais prestígio, mas, inexplicavelmente, n ao consegui queimar um anjo imbecil e gay que não me deixa em paz!

-Alexander, eu estou com fome.

Saí de meu transe momentâneo e olhei para trás, vi Michel ali, um pouco distante de meu irmão. Ele mantinha o capuz do moletom na cabeça e as mangas tapando suas mãos. Ele ergueu um de seus braços na direção de seus olhos, esfregando-os. A manga desceu um pouco e deixou a mostra seu pulso, com marcas de dedos em vermelho vivo. Será que fora meu irmão ontem ou... Eu...?

-Foi você quem o machucou, Alexander? – Richard perguntou, olhando para o pulso machucado de Michel.

-Foi.

Patético, não é? O único momento em que realmente consegui machucá-lo fora para salvar sua vida. Felizmente Richard não sabe.

Michel sorriu e levou o pulso a boca, em seguida lambeu-o por inteiro e, a medida que sua língua ia passando pela pele machucada, as marcas iam desaparecendo e sua pele retornando ao perfeito de sempre, sem nem ao menos um mísero arranhão; com a perfeição que caracterizava a pele de todos os anjos...

-Então é por isso que a pele de vocês é perfeita... – balbuciou meu irmão, abobalhado e desconcentrado. Se eu não estivesse tão longe, já teria lhe desferido um impactante tapa na cabeça para ver se assim deixava de ser idiota.

Michel sorriu para meu irmão, agora com o pulso em perfeito estado, como se nunca tivesse sido tocado em toda sua existência.

-Você também está machucado, não é? Ontem eu vi sair sangue de seu pulso, quer que eu cure ele para você? Já que foi minha culpa, acho que isto é o mínimo que eu devo fazer para você.

Olhei para o pulso de Richard, ele puxou a manga e deu para ver claramente as marcas de minhas unhas em seu pulso. Ah, fala sério, seria ridículo Michel lamber o pulso de meu irmão. Demônios sempre possuem cicatrizes, lutamos até mesmo contra outros demônios, já se tornou característico de nossa espécie, além do mais, Michel queria lamber o corpo de meu irmão. Lamber!

-Michel, não é para lamber meu irmão, nunca, entendeu?

Eu realmente queria irrefutavelmente tirar tais imagens nojentas de Michel lambendo o corpo de meu irmão de minha mente...

-Por quê?

-Por que ele quer que todos possam ver as marcas que meu próprio irmão deixou em mim. – Richard respondera a pergunta de um modo diferente do que eu responderia, mas, se é isto que ele entende então tudo bem para mim, considerando que eu realmente não cheguei a formular uma resposta, ele me ajudou um bocado.

-Marcas de Alexander...? – ele balbuciou hipnotizado, mais para si mesmo do que para nós. Ele ficou fitando seu próprio pulso bastante intrigado, com os olhos azuis maiores que o normal, distantes...

-Se você quiser anjo, eu posso deixá-lo uma marca bem bonita de queim-

-Richard!

Se meu irmão tocar ao menos um dedo nele, eu vou... Eu... O que eu estou dizendo? Eu vou permitir, claro! Por que eu o interrompi? Por que não deixei meu irmão machucá-lo logo e acabar com toda essa áurea de “sem machucados”.

Richard ficou irritado e saiu bufando, voando pelos telhados. Idiota.

-Alexander, acho que estou com fome.

Voltei-me para Michel, o mesmo continuava com aquele capuz estúpido na cabeça, quase tapando seus olhos junto ao cabelo loiro. Ele começou a se aproximar de mim.

-Tem comida lá embaixo na cozinha. – eu disse rapidamente, tentando fazer com que ele se mantivesse a uma distância razoavelmente segura de mim e fosse comer.

Tentativa falha de desistência.

-Eu quero que você venha comigo, Alex!

Eu já declarei verbalmente o quanto eu odeio este anjo? Por que logo eu tive de encontrá-lo? Que merda! Eu o odeio! Espera...

-Quem você está chamando de ‘Alex’? Sai de perto de mim!

Ignorando completamente ao que eu disse, Michel sorriu e pegou em minha mão; repugnante.

-Faz tanto tempo que eu não sinto fome! Porque anjos não sentem fome, apenas humanos e raramente quando os anjos vêm a Terra. Você sente fome Alex? Demônios na Terra sentem fome?

Puxei minha mão com força, fazendo assim Michel soltá-la, porém sem deixar de sorrir. Ele seguiu na direção da porta, eu apenas o segui inconscientemente.

-‘Ein Alex? Você e seu irmão sentem fome quando estão aqui na Terra? E os anjos negros, será que sentem fome? Antes de virmos para cá os anjos me disseram para lutar durante o dia e não me separar do grupo nunca que todo o resto eles resolveriam, mas não disseram nada sobre se nos perdermos, deveriam...

Michel continuou a falar um monte de baboseiras inúteis enquanto adentrávamos no apartamento cada vez mais. Para mim a escuridão é totalmente normal e agradável, porém percebi que Michel finalmente calara a boca e paralisara no lugar, esfregando com força os olhos.

-Eu não consigo enxergar nada com essa escuridão Alex. Por que você não abre pelo menos uma das cortinas?

-Porque quem mora aqui somos eu e Richard, irmãos demônios, então o ambiente deverá ser agradável apenas a nós.

Michel não respondeu, ele continuou parado no lugar esfregando os olhos, eu aproveitei para passar na sua frente, seguindo na direção da cozinha. Infelizmente senti minha camisa sendo puxada.

-Eu quero ficar perto de você Le e não quero bater nas coisas.

Suspirei e apenas segui a meu caminho, afinal, não quero meu apartamento destruído com tudo fora do lugar. Chegando a cozinha fui direto ao armário, retirando de lá um pacote de alguma bolacha qualquer, logo o jogando na direção do anjo.

-Como eu abro? – ele perguntou intrigado, fitando com uma imensa curiosidade o pacote fechado em suas mãos, eu apenas revirei os olhos.

-Pega uma faca e rasga bem no meio do saco – eu disse de modo sarcástico, apoiando-me no balcão.

Michel sorriu e começou a tatear pelo balcão, provavelmente procurando por uma faca. Continuei olhando perplexo para ele e suas ações, enquanto o mesmo continuava a sorrir feito um idiota, quase cortando a própria mão com a faca que encontrara.

-Opa.

Em apenas alguns segundos havia bolacha espalhada por toda a cozinha, inclusive encima de mim.

-Acho que eu fiz algo errado Le.

-Que merda Michel! Nunca abriu um pacote qualquer de bolacha? E pare de me chamar de Le!

-Mas... Eu abri como você disse Alex. – ele respondeu de forma inocente, acreditando mesmo que havia aberto o saco do modo correto!

Suspirei cansado, eu já deveria estar dormindo considerando que ontem tive de ficar o dia inteiro acordado treinando a meu irmão. Abri novamente o armário e retirei de lá mais um pacote de bolacha, mas desta vez, para evitar incômodo eu mesmo abri o pacote de modo normal e entreguei-o para Michel.

-Faça qualquer coisa: coma, arranje algo para lhe distrair, destrua o quarto de Richard que agora também é seu, mas, em hipótese alguma, me acorde.

Andei na direção da porta, pronto para finalmente ficar longe do anjo, porém, tive uma idéia extremamente agradável e, obviamente cruel.

-Aliás, quando Richard retornar mande-o ir dormir, e que ele não ouse em me desobedecer.

A idéia de presenciar a ira de meu irmão ao receber ordens de um anjo fez-me sorrir de meu modo cruel e sádico.

-Oh, Alex, você sorriu! Sorriu de modo estranho e... Diferente, mas sorriu!

Revirei os olhos, cansado tanto do desgaste físico quanto da presença do anjo, tudo o que eu quero agora é poder dormir e esquecer que estou direcionando minha vida rumo à ruína completa.

-A luz da televisão irá ajudar-lhe a não bater em nada, mas mantenha o volume dela bem baixo.

-Tenha bons sonhos Le, sonhe com os anjos e... E principalmente sonhe com o Michel! – ele disse rindo, referindo-se a si mesmo na terceira pessoa.

Resolvi ignorar na intenção de que, assim, eu pudesse finalmente ir dormir, acabando com toda a minha dor de cabeça chamada Michel.

Fui direto para a cama e nem ao menos me dei o trabalho de me tapar, apenas joguei o travesseiro sobre minha cabeça e fechei os olhos.

.

.

.

-Alexander!

Acordei em um sobressalto, sentando na cama de supetão com a respiração descompassada, não fora difícil deduzir que anteriormente eu estivera tendo um pesadelo.

-Alexander, eu vou matar este anjo!

Voltei meu olhar para a porta do quarto. Ali, estavam Richard e Michel, meu irmão estava furioso apertando os punhos que queimavam em fogo, enquanto que Michel apenas sorria e acenava.

-Bom dia Le, teve bons sonhos? Talvez eu deva dizer “boa noite”. Desculpe por acordá-lo, mas Richard fez questão.

Lancei um olhar assassino para meu irmão, torcendo para que ele se arrependesse de ter me acordado e se mandasse o mais rápido possível.

-Não adianta me olhar assim Alexander, olha o que seu anjo de estimação fez!

Richard saíra da frente da porta e empurrou-a.

Claro. Muito claro. A luminosidade que invadiu o quarto fez meus olhos arderem, tive até mesmo que fechá-los. Michel queria morrer.

-Ele abriu todas as cortinhas! Ligou todas as luzes que achou, inclusive as televisões! Alexander, estou tendo de aturar a ‘musiquinha irritante do Barney desde que cheguei! E é sobre amor! Ah, e pior, ele também destruiu a cozinha por inteiro!

-Eu só fiz um bolo.

-Um bolo? Porque parece que foram mais de cem!

-Eu tentei mais de uma vez.

-Tentou quantas vezes? Cem? Duzentas? Se é que você sabe contar!

-Vinte e três.

-E que história é essa de que eu tenho de obedecer às ordens desse anjo? Eu o aguento porque você é meu irmão e já matou um anjo negro, mas você sabe que se Lúcifer descobrir ele não vai acreditar que esse anjo faz parte de teus planos e vai simplesmente acabar com nossa existência!

Tudo isso no curto período de tempo em que eu dormira... Eu dormi e Michel virou meu apartamento de cabeça para baixo. Eu preciso urgentemente de um modo de me livrar de Michel, caso contrário estarei fudido! E eu ainda preciso encontrar algo na qual possa usá-lo já que tive de agir de modo imprudente e proteger o anjo estúpido, dar a meu irmão uma desculpa razoavelmente descente era inevitável.

-Richard, apague todas as luzes, desligue as televisões e feche todas as cortinas.

-O quê? Por que eu? Foi ele quem fez toda essa bagunça, manda ele fechar!

-O que você quer? Que ele rasgue a todas as cortinas para que vivamos ao sol? Vamos Richard, obedeça, ou você prefere que seja uma ordem de Michel?

Meu irmão apenas deu uma olhada de canto de olho para Michel, o mesmo apenas sorriu e acenou. O demônio fez cara de nojo.

-Ok, mas a sujeira na cozinha eu não vou limpar!

Richard fez questão de sair o mais rápido possível do quarto, agarrando-se na triste esperança de que realmente não fosse limpar.

-Você vai sim!

-Ahhh! – ele desabafou alto em um choramingo. –Odeio você!

-Alex, eu posso limpar lá já que o Ri fica tão triste com isso, eu acho divertido limpar e não quero que ele te odeie.

Eu ri sarcástico pela parte do ódio, mas o apelido não achei nem um pouco agradável, algo que estranhei em mim mesmo já que sempre gostei de ver o sofrimento de meu irmão.

-Ele irá odiar-me independente de ter ou não limpar a cozinha.

Atirei-me para trás na cama, cansado apesar de minhas horas de sono. Por que mesmo que eu sai do inferno para a Terra? Ah é, Julieta. Não sei mais o que é pior: O inferno com Julieta ou a Terra com o Michel.

-Alexander!

Senti o peso de Michel sobre mim e, antes mesmo que eu pudesse assimilar o que estava acontecendo senti as mãos quentes de Michel envolvendo meu pescoço.

-Eu amo você, Leeeee!

-Me solta Michel, eu não sou um boneco! – que frase estúpida o qual fui obrigado a dizer!

-Não vou soltar você Le, eu aaaaamo você! E... Também não quero ficar sozinho no escuro, eu tenho medo.

Um estalo me veio à mente. Parei de lutar contra Michel e retirei suas mãos de meu pescoço, me afastando dele.

-É só isso? Quer dizer que se você não tiver de ficar no escuro me deixa em paz?

-Vou continuar te amando e querendo ficar perto de você, mas não vou mais ter medo do escuro e vou poder andar melhor pela casa.

Contando que me deixe em paz pelo menos um pouco minha vida melhorará consideravelmente. Estiquei o braço na direção do móvel ao lado da cama e abri a primeira gaveta, retirando dali um guizo e um pedaço de barbante. Entreguei o guizo para Michel, colocando a pequena esfera aberta na mão dele.

-Feche seus olhos e concentre todo teu medo em sua mão que está com o guizo.

Tenho certo conhecimento sobre os poderes dos anjos, aprendemos algumas coisas com as experiências dos outros e o que eu o pedi para fazer qualquer anjo é capaz de conseguir. Michel concentrou-se e fez o que mandei, como reação instantânea de imediato seu punho envolveu-se de luz. Desviei o rosto para o lado fechando os olhos e esperei aquela luz irritante se apagar, quando assim se sucedeu eu peguei de volta o guizo e coloquei-o no barbante. Agora aquela pulseira improvisada possuía um guizo brilhante. Amarrei o barbante naquele pulso fino e claro.

-Pronto, você não ficará mais no escuro, agora poderás me deixar em paz.

Michel fitava fascinado a nova pulseira, ele até mesmo poderia ser comparado aos homens da pré-história fitando pela primeira vez o fogo.

-Ele vai ficar brilhando para sempre?

-Sempre que você estiver no escuro.

Ele continuava a admirar sua nova pulseira, exatamente como a criança que ele aparentava ser mentalmente.

-E foi você quem a fez? Porque eu nunca soube que demônios podem usar luz, mas os meus amigos anjos usam, isso é tão legal!

-Não fui eu quem fiz, foi você mesmo. Agora que você possuí uma luz bonitinha e estúpida capaz de lhe ajudar a superar seu ridículo medo de escuro, saí do meu quarto!

-Por quê? O sol já deve estar se pondo, vocês demônios lindos não se acordam quando o sol se põe?

Merda! Puta que pariu!

Michel balançou um pouco o pulso e de imediato o guizo fez barulho. Michel riu e começou a balançar freneticamente a nova pulseira.

-Olha que legal Le, ele faz barulhinho!

Eu sou um idiota mesmo. Por que não escolhi algo sem barulho? E para piorar o Michel continua a sacudir aquela coisa, animado!

-Alexander! – meu irmão gritou assustado, adentrando por meu quarto em desespero, arfando sem parar.

-Acalme-se Richard. Problemas?

-Grandes! Dois demônios querem matar você.

-Ninguém vai tocar no Alex – Michel intrometeu-se, exaltado.

Mais uma vez senti que eu estava sendo abraçado. Retirei-o de perto de mim o mais rápido que pude, presenciando enquanto a expressão de Richard contorcia-se em puro nojo.

-Treinou bem o anjo, já está até querendo morrer por você.

Suprimi um suspiro aliviado ao perceber que ele ainda não descobriu os verdadeiros sentimentos de Michel para comigo.

-Por que querem me matar?

Não é que eu queira me fazer de inocente e dizer que ninguém tem motivos para querer me matar, na verdade minha pergunta referia-se a qual dos milhares de motivos aquele ser escolhera para vir atrás de mim desejando derramar meu sangue.

De início eu não percebera, mas havia uma grande possibilidade de Lúcifer ter descoberto sobre a existência de Michel próxima demais da minha e estes seres terem sido mandados por ele. Fechei as mãos, apertando-as em forma de punhos, sentindo a um tremor percorrer todo meu corpo, era uma lógica extremamente simples: não importa o quão bom o demônio seja, se há uma mínima ligação com um anjo ambas as existências serão apagadas, não importa quantas mais custe.

-São dois demônios, eles acham que será mais fácil ganhar reconhecimento matando você do que a um anjo negro. Eles estão vindo para cá agora. Alexander, o que faremos?

O alívio fora imediato e meu corpo por inteiro relaxara. Um sorriso cruel escapou involuntariamente por meus lábios.

-Duvida de mim Richard? Não acredita mais em minha capacidade? Apenas dois demônios... Estou decepcionado, esperava algo mais desafiador.

Levantei-me da cama sem pressa alguma. Passei a mão em meu cabelo algumas vezes e bocejei entediado. Ergui o braço na direção de meu irmão.

-Meu casaco.

Ele já estava com ele em mãos e, logo me entregou. Eu o coloquei sem nem ao menos me dar trabalho de abotoá-lo.

-Você pode ficar em casa com o anjo, eu volto logo.

Caminhei lentamente na direção da janela aberta da sala sedento por porte, desejando ouvir os gritos de desespero e dor que caracterizam minha canção favorita e ansioso para extinguir uma existência, com o corpo mórbido e sem vida caindo aos meus pés.

Notas finais
-O que você quer? Que ele rasgue a todas as cortinas para que vivamos ao sol?

-Como lagartixas? - perguntou Richard empolgado. -Daí a gente fica rebolando nosso rabinho de um lado para o outro, igual elas! - ele disse animado, posicionando ambas as mãos perto do rosto e rebolando de um lado para o outro. Fitei-o assustado.

-Não, não rola.

Kkk, essa era a cena original, só uma brincadeirinha que não entraria na história, mas acabou entrando como Michel.

Boa notícia: Próximo capítulo tem morte o/
Má Notícia: Próximo capítulo narrado por Michel (depressão)

Sabem esse bolo? Só agora, no capítulo oito que eu lembrei que ele existe u.u Memória ruim é triste, né? E, para aqueles curiosos que gostam de spoilers...

[spoilers] Estou escrevendo uma cena que o Michel coloca as mãos no peitoral do Le (ai, ai, ai...) e começa a contar os gominhos!

Ok, agora calei a boca u.u

Reviews?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.