Alexander And Michel
1 Capítulo 1: Encontro Amaldiçoado
Notas iniciais
Meu irmão idiota continuava a me atrasar, correndo com demasiada lentidão, sem levar em consideração que os anjos negros estão furiosos nos perseguindo, desejando vingarem-se de mim por ter matado uma delas. Se não fosse por meu irmão, esta noite eu teria bebido mais sangue de o corpo inerte de outra delas.
Acabamos chegando a uma praça. Já nos encontrávamos perto de casa e, dentro do apartamento, aquela anjo negro morena não poderia nos rastrear. Finalmente poderia continuar o treinamento de meu irmão.
A demora de Richard já estava me tirando do sério. Emprestei-lhe meu casaco para que se camuflasse melhor e fosse mais fácil retornar; fora em vão.
-Vamos Richard! Deixa de ser idiota, você vai morrer assim sua anta! – gritei enraivecido.
Se fosse necessário, eu não nem pensaria antes de entregá-lo aos anjos negros em uma morte certa.
Meti-me no meio de uma árvore, serrando os punhos com força, tentando dissipar um pouco de minha raiva. Agora sou um exemplo para os outros demônios, meu nome é conhecido por todos os cantos do inferno, então, por que logo meu irmão tem que ser um demônio tão escória?
-Espere Alexander! Você corre muito rápido!
Suprimindo a imensa vontade de matar meu próprio irmão, parei no meio do parque e escutei o barulho abafado de um balanço se mexendo, direcionei meu olhar para o local onde ficavam os balanços. Ali, sentando em um deles havia... Um anjo? Pelo menos aparentava ser um. Possuía cabelos louros encaracolados, olhos azuis brilhantes e transparentes, denunciando sua inocência. Aquele realmente aparentava ser um anjo mais extremo do que o normal, levando em consideração que os anjos são puros, inocentes e sem maldade. Já os demônios são corrompidos pela maldade e sedutores, prepotentes e torturam sem remorso. Bem, retornando ao anjo, ele era pequeno, vestia um moletom largo e branco, com uma calça de abrigo de um azul irritantemente claro. Logo, deduzi que ele realmente era um anjo o qual nunca antes houvera vindo para a Terra.
Já havia até me esquecido do fato de que está noite e anjos nunca aparecem à noite, já que são nestes momentos em que eles enfraquecem. Porém, aquela aparência angelical e desprezível era o suficiente para que não me restassem dúvidas.
O quê? Como é? Ele está sorrindo? Não, não acredito nisso! Ele está sorrindo para mim? Que horrendo! Sorrisos para mim são inaceitáveis, afinal, pessoas idiotas, inocentes, sem escrúpulos e sem senso comum sorriem!
-Alexander, eu estou cansado. Temos que nos esconder antes que elas nos achem.
Fechei as mãos segunrando-me para não ceder a meu extinto natural e matar aquele anjo repugnante que continuava a sorrir, como se não estivesse correndo risco nenhum!
-Você é um anjo, não é? Por que está na rua á noite?
Senti a presença de meu irmão aproximar-se, porém não desviei o olhar. Aquele anjo me intrigava ao mesmo tempo em que me proporcionava uma grande repulsa. Francamente, qual é a dele...?
-Ahn? Um anjo sozinho na rua? Que legal! Hey Alexander, posso matá-lo?
Uma sensação estranha percorreu-me o corpo por inteiro. Eu queria matá-lo e meus músculos já respondiam ao comando iminente, mas... Algo me impedia de presenciar a morte daquele anjo pelas mãos de meu irmão.
-Você quer sujar meu casaco de sangue, seu idiota? Volte para casa o mais rápido possível, antes que as anjos negros cheguem, caso contrário irei dar-lhe para elas por importunar-me tanto.
-Ah, qual é Alexander! Garanto que você vai matá-lo e depois matar mais um anjo negro sem mim! Você sempre faz isso!
Matá-lo? Provavelmente.
-Isso são ordens, entendeu? Eu faço o que eu quiser, você apenas acata minhas ordens sem questioná-las, afinal, eu sou o único demônio o qual já matou um anjo negro. – eu disse escolhendo com precisão minhas palavras, com a intenção de deixar claro para aquele anjo estúpido a situação em que ele se encontrava.
Finalmente meu irmão se rendeu, bufou e saiu voando para longe. Mais uma vez voltei-me para o anjo, que continuava no balanço feito o idiota que é. Ele realmente não estava levando em consideração a sorte que tem por ainda estar vivo.
-Dê-me um bom motivo para não exterminar-lhe anjo.
Aquela... Besta não tem noção do perigo?! Ele está... Se aproximando de mim! Qual o problema mental dele? Nasceu na antiguidade, à margem do rio Nilo e quando morreu retiraram seu cérebro pelo nariz? Ele teve a audácia de parar perante à mim, ainda sorrindo daquele jeito idiota e irritante, como uma criança imbecil e sem escrúpulos. Ah, e não é apenas isto que ele tem de criança, também o tamanho. Eu sempre fui alto, mas dizer que aquele anjo baixinho e irritante batia em meu ombro é exagerar.
-Eu te amo.
...
Que nojo! Um anjo, um anjo do sexo masculino acabou de dizer que me ama? Eu nem ao menos o conheço! Além do fato de que ele é um anjo, também é gay!
-Que nojo! Você é um anjo, e ainda por cima gay! – tive a necessidade de declarar em alto e bom som meus pensamentos, para que assim eu talvez acredite mais em tal situação.
Será que ele sabe quem eu sou? Será que ele já entendeu que eu sou um demônio? Será que ele não está vendo que sou um homem? Recuso-me a acreditar na ultima frase.
-Você sabe quem eu sou?
-Alexander.
Claro! Com meu irmão de merda gritando meu nome a cada um minuto!
-Seu estúpido, eu sou um demônio! Alexander, o demônio que matou um anjo negro!
Eu desejava que ele gritasse, tivesse medo, pavor, corresse, me deixasse em paz! Mas não, ele continuava a sorrir, meigo!
-Eu amo você, Alexander, o demônio que matou um anjo negro.
...
O que eu vou fazer? É bem simples:
-Eu vou matar você, seu anjo homossexual repugnante! – eu gritei possesso, cravando as unhas em minhas próprias mãos, sendo possuído por um desejo ardente de ver o sangue quente daquele anjo escorrer pelos meus dedos, mas...
-Você não vai me matar Alexander, porque eu amo você.
...Por que meu corpo se recusa a matá-lo...? Por que ele continuava a sorrir tão perto da morte...?
-Você tem noção do que é perigo, seu idiota? EU vou cortar seus lábios e arrancar sua cabeça para que nunca mais possa sorrir!
...Eu realmente quero fazer isso!
-Se você fosse arrancar minha cabeça não precisaria cortar meus lábios. Mas você não fará nenhum dos dois.
Eu preciso matá-lo! Eu vou!
-Onde eles estão Renne?
-Estão na praça. Mas é apenas um demônio e... Acho que tem um anjo junto.
Merda! Demorei tempo demais com este anjo idiota e os anjos negros me encontraram, e para piorar, eu não tenho chances com a garota de cabelo branco – nova líder – acompanhada da, anteriormente terceira melhor, segunda atual.
Voltei-me para o lado contrário de onde vinham as vozes das garotas. Considerando que elas estão vindo pelos telhados, é melhor eu seguir no chão mesmo.
-Espere Alexander!
Esqueci do anjo insensato que está me perseguindo, com ele na minha cola marcando meus passos não tem como eu fugir. Vou me arrepender disso com absoluta certeza, mas...
-Venha anjo estúpido. Consegue voar?
Parei no meio da rua, esperando pelo anjo. Vi um carro se aproximar em alta velocidade.
-Eu não consigo usar minhas asas à noite.
Que droga, agora terei de ser babá desse anjo imbecil ou matá-lo aqui e agora. Infelizmente não tenho tempo – para não citar também o meu problema de travamento – para o matar. Por que simplesmente não permiti que meu irmão fizesse o que queria...? Pouparia-me um valioso tempo agora.
Assim que o carro chegou perto o suficiente para nos atropelar, ele freou, mas não a tempo. Rapidamente, agarrei com força o pulso do anjo e pulei encima do carro vermelho reluzente, com certeza de marca. Não esperei muito tempo e logo voei na direção do poste mais próximo, passando a mão nele. Voltei para o chão e corri uns 15 metros, erguendo-me para o telhado, deixando meus passos para trás.
-Alexander, meu pulso está doendo muito!
Ótimo! É bem feito por ficar me seguindo!
-Sua mão é muito gelada, está doendo. – ele choramingou posicionando sua mão solta sobre a minha.
Estamos iguais, assim como demônios são extremamente frios, anjos são extremamente quentes.
Encontrei a janela desejada e, infelizmente tive de arrastar o anjo junto. Ouvi o barulho de passos no telhado, aproximando-se.
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