Alexa Nark and the Badgers
3 Track 03 - I pick my mess
O corpo de Alexa estava submetido ao solene movimento do balançar adocicado auto-gerado pela impulsão que seus pés faziam contra a Terra. O ritmo no qual fazia aquele brinquedo de parquinho funcionar parecia contrastante com sua vida agitada e personalidade erroneamente julgada como explosiva. Naquele momento, porém, sentia o sopro do vento e seu rosto e sentia-se totalmente conectada consigo mesmo ou, pelo menos, com aquilo que acreditava ser. Estivesse certa ou não, tinha a impressão que sua própria alma bailava em perfeita harmonia com aquele simples balançar.
Não pensava em nada especial, só interpretava-se completa e, de uma maneira contraditoriamente pacífica, poderosa — era dona de si. Mal conseguia se lembrar da ultima vez que fora empurrada em símil brinquedo por outra pessoa, mas há muito o fazia por conta própria e do jeito exato que gostaria, não havia uma única pessoa no mundo capaz de fazer Alexa tão feliz, leve e realizada quanto ela própria e isso, para Alexa, era poder. O mais puro e rico poder, a maior riqueza que qualquer pessoa poderia conquistar.
Foi tirada de seu devaneio quando percebeu sua esperada companhia a se aproximar ou quase isso. Prometera alguns dias atrás se encontrar com Safe Ire, mas quem se aproximava furtivamente a olhar para os lados desconfiada era Safira. Escondida, asfixiada ou os dois por um hijab ocre, a menina tinha pressa nos pés e nos dedos das mãos que tiraram o adereço que lhe cobria a face com tamanha ferocidade que denunciava o total desconforto com a representatividade de suas origens.Tal peça despida não era suficiente para transformar a assustada Safira em Safe Ire, mas em sua mente turbulenta, a transformação estava completa.
Alexa tinha muitas curiosidades a respeito do desconforto de sua amiga, mas por respeito nunca perguntara sobre. Os pais de Safira sempre foram consideravelmente liberais quanto as questões religiosas, mas ultimamente vinham pegando muito no pé da menina, segundo ela, por influencia externa. Essa era sua justificativa para o encontro das duas ocorrer naquele parquinho e não em sua casa: Alexa não era um bom exemplo, segundo seus familiares.
— Não quero desagradá-los, por enquanto.
A frase entregava o porque do uso do hijab e logo após, mesmo sem questionar, Alexa foi bombardeada com todas as respostas que gostaria de ter. Safira se tornara uma metralhadora de desabafos quando chegou, passava por muita coisa — seus pais estavam cogitando até mesmo ideias como o matrimônio da garota. Talvez isso explicasse porque ela andava tão emocional nos últimos dias.
— Eles nunca foram muito encanados com isso, mas minhas tias andam dizendo que sou um desastre e que Allah está furioso comigo e vai lançar tragédias imensuráveis à nossa família — Safira mal se permitira uma pausa para respirar e continuara o seu desabafo, que agora estava banhado de insistentes lágrimas — que caíam contra sua vontade -, soluços e velocidade crescente do disparo das palavras devido ao nervosismo — Quer dizer, eu nem acredito em Allah, né? Tipo, eu faço parte de uma banda anarquista e tals, então claro que não acredito nisso, mas e se elas estiverem certas e se eu for simplesmente... Errada?
Sua última palavra fora desferida similar a um cruel estrangulamento que precedeu — em milésimos — o momento que ela sabia que não seria mais capaz de falar uma sílaba a mais e se atirou nos braços de Alexa buscando refúgio de suas próprias lágrimas e pensamentos no abraço de sua ouvinte. Alexa retribuíra o gesto e a abrigara em si por alguns minutos enquanto acariciava-a no braço e cabelos zelosamente.
— Hey, Saf — Aquele duradouro abraço foi interrompido por Alexa, que suspendeu o rosto de sua amiga com uma das mãos para lhe olhar nos olhos — Você não é errada e você não precisa passar por tudo isso sozinha. Eu estou aqui por você.
Num ímpeto incontrolável incontrolável Safira avançou seus lábios contra os de Alexa que, surpreendida, não retribuiu e nem se esquivou, mas interrompeu o beijo assim que conseguiu organizar em sua mente o que acabara de ocorrer. Safira logo se levantou com as mãos na própria face, reprimia-se pelo que fizera.
— Desculpa, Alexa. Eu não sei o que deu em mim, eu sei que você namora e tals.
— Hey, o último problema aqui é meu namorado. A gente tem um lance aberto, mas mesmo se não fosse, eu não queria isso!
— Eu sei, eu sei. Desculpa pelo que eu disse também, minha tia deve tá certa... Eu sempre estrago tudo, com certeza sou errada.
— Safira! Já foi, já aconteceu... Não precisa se desculpar de novo, só aprender. Não precisa dar razão pra sua tia também, eu só não quero me tornar algum tipo de instrumento pra você se esquecer dos seus problemas, você tem que lidar com eles — Alexa não conseguiu respostas imediatas, mas tinha a atenção da amiga e continuou — Saf, você tem que entender que a organização que as pessoas como as suas tias defendem foi criada muito tempo atrás como forma de controle. Nós não pertencemos à essas cadeias, nós somos bagunçadas e são nossas bagunças que mudam o mundo.
Safira permanecera imóvel. Alexa aproximou-se novamente da amiga e continuou a acomselhá-la com muita doçura.
— Saf, eu sei que você acredita mais em Allah do que diz e eu sei que você sabe que eu não acredito nEle ou em qualquer outro Deus, mas se Ele existe (como você no fundo acredita) Ele está completamente orgulhoso de quem você é — Alexa prosseguiu com um toque de humor — Claro que é errado sair por aí beijando pessoas desprevinidas, mas se você quiser beijar meninas, meninos ou os dois... Eu tenho certeza que Allah não vai te odiar por isso. Allah não é o que pessoas poderosas dizem pra se manter no poder.
— É isso! — Safira se levantou num solavanco feliz
— Isso o quê? — Alex parecia mais assustada com a nova reação da amiga que quando fora beijada de surpresa.
— Nossa música! E, tipo que a minha vida também. Tipo, você disse que pessoas poderosas defendem uma organização e dizem que tudo fora daquilo é errado... uma bagunça, né?
— Acho que disse.
— Então, nós devemos abraçar nossas "bagunças" e saber que elas não são erradas, mas que foram assim consideradas por pessoas que as temem. — Safe Ire mirou Alexa nos olhos com tanta convicção que talvez a tivesse feito se arrepender por não ter retribuído aquele beijo — Alexa Nark, eles que vão para o inferno com suas regras rótulos e ordem... Eu escolho a minha bagunça!
Well respected men suits a suit
While good women wear a decent dress
Hey, go to the hell with your order and rules
A thousand times and more I pick my mess
You can call me bitch, whore, fag or queer
You can call me creep, asshole, mistake or weird
I dont take your labels
I pick my mess
Good children must behave
While our teenagers go learn in school
Hey, go to the hell with your order and rules
A thousand times and more I pick my mess
You can call me bastard, childish, unbaked or weak
You can call me stupid, dumb, jackass or freak
I dont take your labels
I pick my mess
I'll not be your dummy
Neither a fucking doll
Take your chains off of me
I will be what I want to be
And I dont care for all names you can call me
If you like your moorings, chains, labels and jail
The joke is on you, cause I am free!
(tradução)
Homens respeitados usam ternos
enquanto boas mulheres um vestido decente
Ei, vá para o inferno com sua ordem e regras
Mil vezes ou mais, eu escolho a minha bagunça
Você pode me chamar de puta, prostituta, bicha ou esquisito
Você pode me chamar de verme, idiota, erro ou estranho
Eu não aceito seus rótulos
Eu escolho minha bagunça
Boas crianças devem se comportar
Enquanto nossos jovens aprendem na escola
Ei, vá para o inferno com sua ordem e regras
Mil vezes ou mais, eu escolho a minha bagunça
Você pode me chamar de bastardo, infantil, imaturo ou fraco
Você pode me chamar de estúpido, pateta, burro ou aberração
Eu não aceito seus rótulos
Eu escolho minha bagunça
Eu não serei seu manequim
Nem uma maldita boneca
Tire suas correntes de mim
Eu serei o que quero ser
E não me importo com todos os nomes que você possa me chamar
Se você quer as suas amarras, correntes, rótulos e prisão
A piada é você, porque eu sou livre!
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