Notas iniciais
Ponto de vista: Nadja

Mais que depressa ele subiu na arvore e sentado ao meu lado, passou os braços por meus ombros, deitando minha cabeça em seu peito.

Foi tão rapido que mal vi o que aconteceu. Fechei os olhos e respirei fundo, sentindo seu perfume, que era refrescante e muito suave, eu apenas sentia quando estava proxima assim dele.

Aninhei-me mais a suas roupas, percebi o quanto estava com sono nessa hora.

Ele deu uma risadinha e me apertou mais. Apenas ficamos assim por um tempo. Com Keith eu ficava tão calma...

Acho que peguei no sono e me movi demais, pois quando abri os olhos quase estava em seu colo.

-Você dormiu. — Ele me olhou com ternura

-Desculpe, foi um dia longo...- parti para me posicionar ao seu lado mas ele não deixou

Continuei em seu colo

-Você chamou meu nome em sono e disse que meu perfume é bom.- Ele sorriu para mim

Corei e olhei para baixo, perdi o foco.

-Por que não foi me ver em meu aniversario de 17 anos?

-Você notou?

-Sim, claro que notei. Fiquei te esperando a noite toda.

-Mesmo?

-Sim...

-Eu queria saber se você sentiria minha falta. Só isso.

-Senti...

Nos olhamos por um breve momento até um bocejar.

-Você precisa ir dormir.

-Sim, estou mesmo com muito sono. — Mal conseguia pensar direito

-Vamos, eu vou te acompanhar.

Caminhamos até meu quarto, onde ele parou na porta e me beijou na testa

-Boa Noite, Nadja.

Abri a porta do quarto, ainda com os olhos nos dele

-Boa noite, ex rosa negra. — Dei uma risada e ele me acompanhou.

Ele pegou meu ombro

-Tenho uma coisa para você, por seu aniversario de 17 anos...- ele parecia ter dificuldade com suas palavras

— O que é? — fiquei curiosa.

Ele olhou para o lado, sabia que estava constrangido. Mas por que?

-Não esta aqui comigo agora.

-Onde esta?

-Guardado junto as minhas coisas. Você o quer agora?

O sono não era maior que a curiosidade

-Se não for atrapalhar você em nada, eu quero.

Ele pareceu pensar e notei uma certa vermelhidão em seu rosto. O que foi o tão temido rosa negra, estava com vergonha?

-Esta em meu quarto, vou busca-lo — Ele me olhou nos olhos, bem fundo.

-Eu vou com você, se não se importar.

Ele sorriu e tomou minha mão. Caminhamos de mãos dadas até seu quarto. Minha mão queimava na dele. E estava doendo um pouco, ele a apertava como se estivesse escorregando, mas não estava.

Chegamos e ele abriu a porta para mim. Entrei.

Seu quarto era um dos maiores quartos de hospede da casa, e a vista da janela era para a arvore do lago. Foi assim que ele me viu, então.

Ele se aproximou de uma caixa branca com detalhes em dourado em cima da pequena mesa de chá que havia em um canto do quarto, e pegou de la de dentro um pequeno saquinho de veludo preto.

O que será que era?

Ele veio até mim com os olhos em chamas, chamas azuis.

-Nadja, sente-se, por favor — Ele me apontou a cama

Abedeci, o que será esse presente tão importante? Por que ele estava com os olhos tão vivos em mim?

— Keith...- seu nome me escapou dentre os labios e morreu quando ele se ajoelhou na minha frente.

-Nadja, esse é um presente muito importante. O mais importante de todos. Olha, mesmo que venha a escolher meu irmão como seu companheiro, eu lhe amerei mesmo assim. E caso isso venha a contecer, quero você como minha grande amiga. Aceite esse presente como prova de meu amor por você. Minha afeição e dedicação a sua pessoa... — Ele retirou do saquinho um lindo e delicado anel prateado com uma pedra de um azul bem escuro. E o mostrou a mim — Esse anel era da minha mãe, eu o guardei com muito carinho, mas por ele me trazer muitas lembranças, eu o enterrei até que não fosse tão doloroso ve-lo. Quero que você fique com ele. Ele é muito especial, digno de você.

Perdi a respiração, Keith me emocionara com isso. Apenas consegui estender minha mão e deixar ele colocar o anel em meu dedo. Meus olhos ficaram umidos assim como os dele. Ele sabia de meu amor por ele.

-Keith, eu...não tenho palavras...- tentei falar, um pouco baixo demais talvez

Ainda segurando minha mão ele a levou a boca, e beijou o dedo em que o anel estava.

Girou meu braço e beijou meu pulso, me tirando o folego e desconpaçando meu coração.

Ele se inclinou para mim, com os olhos em chamas.

Tomou meu rosto entre as mãos, e demoradamente aproximou-se de mim.

Apenas consegui pensar, será que ela me aprovaria?

Será que seria minha amiga?

Será que me perdoaria por magoar um de seus filhos com minha escolha?

Será?

Onde quer que esteja, eu espero que sim. Seu anel será muito bem cuidado

Amélia Harcourt