Aleister, o Vampiro.
1 Capitulo Único
Em uma noite de verão qualquer uma pessoa que não era exatamente uma pessoa vagava. Era alto, não era nem magro nem musculoso, cabelos negros que se fundiam a escuridão da noite sem luar e uma pele alva que parecia feita de marfim.
Seus grandes olhos vermelhos sem pupila, atentos, eram cruéis e sarcásticos. Tinha dentes de tubarão e um longo e fino nariz. Vestia-se com certo desleixo, uma calça negra folgada, presa por um cinto de couro com fivela escura, uma camisa branca com estampas floridas vermelhas coberta por um sobre tudo.
Ele podia sentir o cheiro de outros como ele. Não, como ele não, aqueles eram meras sombras do que ele era. Estavam procurando a mesma coisa, com a diferença de que eles sabiam como ela se parecia e ele não. Iria ate eles.
Depois de vagar um longo tempo encontrou três homens e uma mulher em um beco estreito. Os homens estavam envolvidos uma discussão acalorada e a mulher estava jogada no chão, assustada de mais para reagir.
-Ola... Filhotes – Ele falou sem emoção.
Os homens se viraram para ele, os olhos deles eram vermelhos mas com pupilas.
-Quem é você? – Um deles perguntou. Sua postura o indicava como sendo o macho Alfa, pensou o intruso.
-Me chamam de muitas coisas... Bom, eu quero essa mulher. – Respondeu ele tranquilamente se aproximando da mulher
-Não pense que vai pegar a nossa presa – Respondeu outro homem o atacando com um martelo. O homem que era chamado de muitas coisas o parou com a mão tranquilamente.
-Ai ai... Criança levada – Ele falou, imitando a voz de uma criança e então esmagou a cabeça do martelo como se fosse feita de papel. O homem que segurava o martelo o derrubou e se afastou assustado.
-Idiota, não importa quem esse cara seja!Nós somos vampiros, se atacarmos ele juntos ele não pode nos vencer! — Gritou aquele que parecia ser o macho alfa.
Os quatro avançaram e o estranho os jogou, um para cima, outro para a parede da direita, outro para a parede da esquerda e outro para frente.
-Vampiros? – Ele perguntou num tom de deboche – Pobres tolos, vocês piores que baratas, menos que insetos Não passam de pó sob os meus pés. Eu sou um puro-sangue, da primeira geração. Compreendam a tolice que fizeram em me irritar – Ele falou pegando o que havia sido atirado para cima e arrancando sua cabeça com o mesmo esforço que uma pessoa comum teria para quebrar um palito de dentes. O sangue esguichou e ele ficou coberto de vermelho brilhante.
Pegou então o martelo do chão e atirou no que havia sido mandado para frente, e o martelo atravessou seu peito como uma bala de arma.
Os outros dois desesperados começaram a atirar nele. As balas não foram capazes de atravessar sua carne.
-Devo admitir... A eficácia das balas aumentou muito nos últimos trezentos anos... Porem, acho que devo devolvê-las aos seus donos – Ele disse e então atirou as balas com as mãos nos outros dois.Eles foram furados como se fossem feitos de espuma. – Merda... Minha roupa ficou furada...
O puro-sangue se virou para a mulher com uma expressão gentil, porem falsa e vazia.
-O que você quer!? – Ela guinchou
-Calma mulher, calma – Ele respondeu – Não será de você que irei me alimentar... Hoje...
-Mentira! Você é a cria do demônio! Não abra sua boca imunda para falar com uma serva de Deus como eu!
-“Cria do Demônio”?...Sabe eu creio que vocês deviam decidir logo como chamar seres como eu, não agüento mais vocês trocando a cada mais ou menos cinqüenta anos. – Falou o vampiro – E se isso te tranqüilizar: Dou-lhe a minha palavra como um imortal que não farei mal a ti. Então me diga onde eu encontro o “Santo”?
-O que você quer com o santo? – Falou ela
-Nada de mais... Digamos que temos... Amigos em comum... Negócios a resolver
-Que tipo de negocio uma besta fera como você pode ter para resolver com um santo, seu mostro do abismo?
-Viu?”Besta fera”, “monstro do abismo” sempre me chamam de algo diferente... Confunde sabe? – Ele calmamente falou
-Pare!Eu não vou cair na sua conversa!O santo me avisou sobre seres como você!Eu não vou dar ouvidos a sua lábia!Ele me disse! Ele me disse que você ia me enganar, ia me seduzir, corromper a minha mente e destruir o meu espírito!Fazer-me de marionete! – Ela gritou
-Nossa – O ele falou fingido surpresa e medo – Quem é esse mostro diabólico!?Ha espere, eu sou o mostro!
-Desgraçado!Infiel!Abominação, cria da imundice! – Ela começou a proferir
Ele pós a mão na testa – Certo, escuta aqui sua puta, me diz onde esta o santo agora
Ela começou a tremer e gaguejar sobre o olhar intimidador dele e então o endereço saiu da sua boca, como se a força e ela desmaiou.
-Obrigado – Ele disse sorrindo cinicamente e então foi ate onde estava o santo.
Era uma igrejinha na orla da cidade. Tirando um ou outro gato vadio não havia viva alma por ali. Aproximou-se e bateu na porta.
Ela abriu sozinha e ele entrou descontraidamente enquanto ela se fechava atrás dele.
Um homem estava à frente do altar.
-Querido Padre, como vai? – Ele perguntou
- Então você deve ser o famoso Aleister – Falou o padre
-Sim, querido padre, esse seria eu sim.
-O que você quer aqui, vampiro – Ele perguntou
-Eu vim aqui para fazer o que o tempo não fez, levá-lo para sua tumba querido padre
-Hu hu hu – O padre riu – Me levar pra tumba? Eu acho que não
-Pensa que eu não sei? Que o que esta o mantendo vivo é o sangue dela? Você, querido padre, se tornou aquilo que abominava. Um vampiro, que precisa de sangue dos outros para sobreviver. Pobre santo herege, tudo bem, eu irei providenciar o seu sono... Um sono do qual você nunca ira acordar. – Ele falou
-Sua abominação, do que pensa que esta falando? Sua mera existência é uma ofensa a Deus, maldito mostro! – Disse o padre – Eu nunca serei como você, ser vil que rasteja na noite.
-Eu sou uma “ofensa a Deus”? Então, querido padre, por que razão o seu Deus oblitera a minha existência e a existência daqueles que são como eu? Por que, querido padre, que eu não estou sendo, nesse instante, fulminado por raios?Por que eu não estou sentindo todo o peso da onipotência Dele sobre mim? Acorde, esse seu Deus falso não é de nada
-Tolo, Jesus ira castigá-lo! – O padre gritou
-É engraçado ouvi-lo falando assim de alguém que você nem conheceu... Um pobre tolo é o que você é querido padre, embora tenha vivido mais séculos que qualquer outro humano ainda é uma criança pequena perto de mim. Eu já havia vivido mais de trinta vidas humanas quando aquele a quem vocês chamam de Cristo nasceu. – Ele falou – Agora, querido padre, durma e pare de pirraça.
-Não – Guinchou o homem – Não enquanto houver monstros como você lá fora.
-Querido padre, sabe por que as pessoas nessa cidade estão sendo mortas por todo tipo de coisa sobrenatural? Porque você, sim você querido padre, esta aqui. Você atraiu o ódio de muita gente, então você é como um imã para coisas que gostam de fazer mal aos humanos e ate mesmo para as que não gostam. Pois você as tratava de modo indiscriminado, torturando e matando sem medo e nem remorso, querido padre. – Ele falou se aproximando
-Não se aproxime! – o padre gritou atirando água-benta nele. Ele simplesmente abanou a cabeça de modo negativo. – Por que...!?
-Eu sou puro-sangue, as fraquezas deles eu não tenho – Ele respondeu sorrindo – Eu sou algo alem da sua compreensão querido padre. Então, por favor, simplesmente morra – Ele disse dando uma bofetada com as costas da mão no rosto do padre com uma força tal que lhe quebrou o pescoço. Então o pegou pela perna e arrastou ate o altar e o pós ali. Fez o sinal da cruz e recitou uma pequena oração, em tom de deboche, para agradecer a comida. Olhou para o cristo crucificado como se o desafiasse a impedi-lo de profanar ainda mais aquele santuário e então enfiou a mão no peito do homem e lhe tirou o coração. O ergueu a altura dos olhos, fingiu oferecê-lo a Deus e então o comeu e se lambuzou.
Então ele passou pelo altar lambendo os dedos, arrebentou calmamente a porta atrás dele e desceu as escadas.
-Cheguei à sala do tesouro– Ele zombou ao chegar a um aposento escuro onde havia uma mulher amarrada a uma cruz que estava deitada no chão e uma mesa com cálices, facas, alicates, chicotes e uma gama de instrumentos de tortura.
Ela estava vendada e amordaçada.
-Ola, gatinha – Ele falou tirando a mordaça dela
-Mauricius? – Ela perguntou. Tinha uma pele clara como a dele. Seus também negros como os dele pareciam pálidos e sem vida. Ela toda parecia fraca e cansada.
-Tente mais alto – Ele riu
-Aleister! – Ela exclamou
-Bingo – Aleister falou tirando a venda de cima dos olhos dela
-Você não mudou nada...
-Você sim, esta mais magra e cansada... Mas não menos desejável – Ele constatou
-Galanteador... Agora me tire daqui – Ela mandou
-Não... Vamos brincar um pouco – Ele propôs pegando um chicote com espinhos
-Não – Ela falou
-Então... Que tal... Isso? – Ele falou pegando um alicate
-Não! – Ela falou
Entendo... Quatro séculos presa aqui devem ter sido intermináveis para alguém como você... – Ele riu enquanto começava a soltar o cinto
-ALEISTER! — Ela gritou
Ele tremeu e então arrumou o cinto
-Me solte agora – Ela ordenou
-Sim... – Ele disse cabisbaixo enquanto a soltava com as chaves que haviam sido deixadas penduradas logo acima dela, onde podiam ser vistas mas não alcançadas. Um verdadeiro castigo tantalico. As correntes que a prendiam na cruz queimavam na mão do vampiro – Que raios de material é esse? – Parecia ter saído de um tipo de transe.
-É prata, mas não é isso que queima, é o óleo com que ele molha as correntes. – Ela respondeu
-Entendo... – Ele falou oferecendo a mão para ela se levantar
-Obrigada, seu cão imundo – Ela falou
-Você é tão cruel... Faz uns quatrocentos anos que a gente não se vê e você nem quer brincar... Tão cruel – Ele falou fingindo que ia chorar
-Você é tão dissimulado... Venha – Ela mandou indo em direção a escada – Eu vou comer algo e então você terá aquilo que você quer
-Você fala como se não gostasse – Ele riu
-Você não mudou nada – Ela comentou
- Me deixe perguntar... Por que razão você não mandou ele te soltar? – Aleister perguntou
-Porque a fé dele era tão fanática que o tornava imune ao meu poder – Ela respondeu
- É... “Entre o céu e a Terra existe mais do que supõem a nossa vã filosofia” – Ele zombou
Os dois então foram embora da igrejinha. Foram para a noite sem fim, sempre vagando em busca de sangue e carnificina.
Fale com o autor