Notas iniciais
A historia se passa na frança, na época do album de Roman (Sound Horizon)

E mais uma vez, eu estava parada no campo, observando os vinhedos preencherem o horizonte, juntamente com as dezenas de colhedores andando pra la e pra ca com as suas cestas. Era primavera, a safra aumentava, e com ela, o numero de trabalhadores da fazenda crescia assim como todo ano.

Mas dessa vez era diferente, meu pai também havia contratado trabalhadores de fora da cidade, pessoas da ralé, era como minha madrasta os chamava. Eu nunca entendi o porquê dessa separação de classes, é uma coisa tão desnecessária. Eu sempre ouvia a minha madrasta reclamar sobre a minha intimidade com os empregados da fazenda, também a ouvia falar sobre a minha idade e o fato de eu estar solteira, mas eu não me importava com isso, nunca me importei.

O meu pai era um dos maiores exportadores de uva da região, eu morava em uma fazenda, com vista para um campo de vinhedos exuberantes e frondosos. Havia perdido minha mãe quando ainda era bem pequena, e alguns anos depois, meu pai se casou com uma mulher um tanto gananciosa e extravagante, eu não ficaria surpresa se ela me dissesse que se casou com o meu pai apenas pelo seu dinheiro.

O sol já começava a descer e os colhedores aos poucos iam debandando, segurei a saia do meu vestido, me pondo a caminhar até a sede da fazenda, mas antes, dei uma ultima olhada nos largos vinhedos da fazendo. Foi ali, a primeira vez que eu o vi, seus olhos de um tom que me lembrava o mar cruzaram com os meus, seus fios azuis, presos em um rabo de cavalo baixo, dançando com o vento. Balancei a cabeça e voltei a caminhar para a sede, tentando afastar o dono dos olhos azulados da minha mente.

No dia seguinte, eu não fiquei só no campo como de costume, algo me dizia para visitar os vinhedos, e eu o fiz. Às vezes, eu visitava os vinhedos, andava pelas extensas parreiras, rasgando vestidos caros, provando das diversas uvas, vendo vários rostos conhecidos. A maioria dos empregados tinha a idade um pouco avançada, rostos simpáticos e marcados com rugas, rostos que por mais que sofressem embaixo do sol quente, continuariam marcados com um sutil sorriso.

Levei meus dedos a um cacho com as uvas bem roxas, pegando uma das pequenas frutas e jogando pra dentro da minha boca. Foi ali que eu o vi pela segunda vez, colhendo as frutinhas com uma delicadeza que eu achava que nenhum homem poderia ter, seus cabelos estavam desgrenhados e sua pele coberta de suor refletia a luz do sol.

– Mademoiselle? – Sua voz me fez acordar dos meus pensamentos, balancei a cabeça, tentando voltar à realidade. – Você esta bem, milady? – Pude sentir certo tom de preocupação em sua voz.

– Ah, claro. – O observei voltar a colher os pequenos grãos, com aquela delicadeza que eu poderia sentir inveja.

– O que uma dama como você faz nesse tipo de lugar? – Ele respondeu, sem perder a concentração do pequeno cacho de grãos que colhia.

– Por quê? Uma dama como eu não pode mais ir aonde quer? – Respondi irritada, quem ele era pra me dizer o lugar que eu devia frequentar?

– Ah milady, perdão, mas creio que você entendeu errado. – Ele se virou pra mim, reparando melhor nas minhas vestes. – Não é comum uma lady aparecer em um vinhedo, ainda mais vestida assim. –

– Ah... – Murmurei, pelo menos ele não era o tipo de homem que eu pensava ser. – Qual o seu nome, senhor rabo de cavalos? –

Ele riu, colocando os grãos na cesta, caminhou até mim segurando a minha mão e se curvou um pouco. – Ronan, Ronan Erudon, milady. – Ele depositou um beijo em minha mão. – Posso saber o nome da senhora? –

– Senhorita, senhorita Elesis Sieghart. – Respondi encarando suas encantadoras orbes azuladas banhadas pelo por do sol daquele maravilhoso fim de tarde.

Notas finais
Primeiramente, Ninico, me desculpa se eu estiver fugindo da personalidade do Ronan, eu não sei interpretar ele e escrevi tudo com base nos turnos do seu Ronan no RP, a Elesis também, heh.
Caso tenha algum erro, ou algo de errado, me avisem. ;n;