Alaíndia
3 Capítulo 3 - Em Alaíndia
Notas iniciais
Em Alaíndia
Shun olhava pela janela do avião, com um olhar ansioso e desapontado.
-Não fique assim meu bem. Seu irmão prometeu vir, você mesmo ouviu.
-O Ikki sempre dá ponto sem nó, eu bem conheço aquela ave.
-(risos)... Ele vem, eu tenho certeza.
-E como pode ter tanta certeza? Fala isso só pra me agradar! – bufou de vez, fez bico e cruzou os braços, voltando a mirar as nuvens lá fora.
-Como eu tenho certeza? Não sei, algo me diz que tem a ver com o Shaka – brincou o namorado, mas Shun continuou com a cara amarrada.
-O Ikki achou melhor esperar por ele. Se tudo der certo, amanhã mesmo os dois estarão aqui conosco.
Shun olhou para ele sem vontade de acreditar em suas palavras.
-Vamos, meu bem, não há com que se preocupar. Agora dê um sorriso aqui, pro seu loiro.
Shun analisou o rosto de Hyoga que fazia certas caretas pra atiçá-lo, e que acabou por conseguindo um sorriso com seu jeito dengoso.
-Onde está o meu garoto com aquele sorriso Colgate, anda, eu quero ver...
-Já tá pedindo demais.
Ele abraçou o seu pequeno príncipe, aconchegando o menor em seus braços.
-Você me atiça com esse seu jeitinho difícil, sabia?
-Humf!
Shun adorava se fazer como tal. Ele cresceu aprendendo ser humilde, mas não pode negar o quanto foi mimado e protegido por Ikki, quem foi a presença materna e paterna em sua vida.
----Mansão Kido----
Um certo mordomo se aproximava de um conhecido cavaleiro, com uma bandeja nas mãos, talvez trazendo outro ki-suco desses de taberna, completamente nocivo à saúde, além do fato do atraso de validade do produto...
Era Ikki, sentado com uma perna em cima da outra, braços estendidos no sofá e fazendo um zumbido com os lábios. Talvez cantando uma melodia desconhecida, ou talvez treinando pra ser monge. Seja lá o que for, arrancou risinhos irônicos do mordomo que se aproximava oferecendo-lhe um copo com aquele líquido verde escroto.
-Treinando pra karaokê, senhor Ikki?!
Com olhar de quem comeu ovo podre e peidou cheiroso, respondeu o mais jovem:
-Não, Isauro, estava batendo um papo com o fantasma do Kido, mas você acabou por assustá-lo e ele puff... – fez barunho com os lábios e acenou longe – escafedeu-se!
O Escravo mordomo Isauro, também conhecido originalmente por Tatsume Massanori, era o melhor amigo dos sarcasmos de Ikki. O pobre empregado sofria a longo prazo das piadas de mal gosto, prenomes e adjetivos que lhe impunham. Teve que aprender a levar na esportiva pra poder sobreviver àquela vida de humilhação. Oh vida severina...
-Vou dar uma saída. – levantou-se e pegou as chaves do carro – Se alguém perguntar por mim diga que fui ao Santuário. Se bem que só restou você aqui em casa... Ah, Isauro! Coloque um pouco de vodca nesse ki-suco da próxima vez, receita da hora viu?!
-Boto fé... – fertilizou a imaginação do subalterno.
Ikki pegou os óculos escuros, estufou o peito e saiu desfilando com sua pose de bad boy, recitando algo a si mesmo:
-Não sei como ainda dou moral a subalternos desse castelo assombrado. Shun e essa ladainha de “temos que ser humildes”... Baaah! – mostrou língua – Tô trepando e fumando...
Entrou no carro e saiu cantando pneu.
----Princess Hotel Palace, India----
-... Folgado você, né Hyoga?! Vai me ajudar a desalojar nossas coisas ou vai ficar ai me secando?
Dizia Shun enquanto desarrumava a mala da viagem. Hyoga deitado em berço esplêndido sobre a cama de casal, levantou-se rapidamente ficando por detrás dele.
-O que será que o Shiriu e o Seiya estão fazendo?
-O mesmo que nós é claro. E diferente de você, o Shiriu é muito mais cavalheiro!
-Esquece o Shiriu, e vem cá!!
-Ai!... Hyoga quer fazer o favor de me soltar? – Shun tentou, mas sem chance, óbvio!
-Oh, gatinho, deixa disso. Vem, vamos fazer uma festa em particular... Essa cama está convidativa.
-Não, Hyoga, responsabilidade primeiro, diversão depois. – Shun se solta dos braços do mais velho e tenta abrir a gaveta que estava emperrada.
-Shun, você é muito sistemático, vai acabar ficando pra titi... AU!!! Aaaauuu céeeuss...
Hyoga vai ao chão em câmera lenta, se encolhe todo ao sentir que seu precioso diamante de gelo foi atingido em cheio.
-Ai, mozinho, desculpa, foi sem querer, eu... Tá doendo?
Shun se ajoelhou sentido pelo acidente.
-Tem estrelas e passarinhos dando volta sobre a minha cabeça... – ria e chorava ao mesmo tempo.
Os dois queriam rir da situação, e Shun ajudou Hyoga a deitar na cama.
-Venha eu te ajudo. Encoste a coluna aqui. Isso! – Shun colocou dois travesseiros de apoio. Foi imediatamente pegar um gelo no coffe-bar do próprio quarto.
Hyoga riu gemendo e agradeceu a tentativa de auto-ajuda.
-Shun, você se esqueceu quem eu sou?
-Hã? Ah, é mesmo! – riu.
Hyoga, colocou a mão por baixo da sua calça e fechou os olhos. Shun se aproximou dele, sentou-se ao lado e o loiro abriu os olhos para mirá-lo.
-Vou ter de tirar uma férias agora, por sua causa.
-Meu patinho vai tirar umas férias?! – brincou o jovem Amamiya.
-Vai! – puxou Shun pela gola da camisa para um beijo e ele acabou deitando ao lado de Hyoga, com a cabeça em seu peito.
-Ainda vou denunciar você por violência doméstica.
-Desculpe, mozinho. Se quiser eu falo com ele, peço desculpas pessoalmente. – um sorriso malicioso se estampou em seus lábios.
O loiro apenas sorriu, mas negou.
-Deixa o meu pato descansar. Fica aqui um pouquinho comigo, e prometo ajudá-lo com as malas depois.
E ficaram ali, abraçados por um bom tempo.
----Santuário, Casa de Virgem----
Ikki, sentado no sofá da sala, pegou uma revista de entretenimento. Sem perceber, deixou cair um papel. Ele sorri ao pegar uma foto antiga, dele com Shaka em Veneza.
-O que é isso em suas mãos?
-Hum?! – saiu do transe ao ver aquele loiro super-sexy vestido num roupão nada sexy, enquanto se preparava para entrar no banho
-Ah, nada eu...
-Deixa eu ver! – tomou-lhe imediatamente das mãos – Onde você achou isso? –Perguntou meio desconfiado.
-Ora, estava dentro da sua revista!.. Que cara é essa, Shaka? Está pensando que eu mexi nas suas coisas?!
-Não é isso... É que...
-É o que?! – Já ia se estressar por pouco caso. Do jeito que olhou para ele...
-Nada, eu só pensei... Que você tivesse ficado com essa foto.
-Humf! Tá de brincadeira né?
-Brincadeira, por quê?
-Tudo isso por causa de uma mísera foto?!
-Essa foto significa muito pra mim, Ikki, se você quer saber!
-Se é mesmo verdade, essa droga não deveria estar passeando por ai! – falou de forma grosseira o que deixou Shaka bastante irritado.
Sem revidar, ele se retirou da sala em direção aos seus aposentos a passos largos e pesados. Ikki ficou sem entender patavina e revolver ter com ele um esclarecimento sobre o que acabou de acontecer.
-Olha, eu quis dizer que eu achei a foto por acaso e... – tentou se desculpar.
-Eu sei o que você quis dizer.
-... – Mirou o mais velho por alguns segundos – Shaka, definitivamente, o que está acontecendo? Isso não foi só por causa dessa foto...
-Ikki!... – Suspirou o indiano.
-Você não quer ir, é isso?
-Eu não sei... A gente não tá mais como antes. Será que deu pra você perceber isso?!
-É isso que está te incomodando? Se você está se referindo ao Mu...
-Estou me referindo a nós dois, Ikki! – suspirou Shaka e sentou-se na cama, olhando para aquela foto – Você ainda não deu conta disso...
-De que você não está a fim de ir comigo a essa viagem, tudo bem, já entendi, vou avisar os garotos sobre iss..
-De que nossa relação está desgastada!! – cuspiu.
Ikki respirou fundo, passando a mão pelos cabelos e pensando na melhor forma de dizer aquilo.
-Shaka...
-Sem chance...
-Escute-me!... Eu não quero saber o que está acontecendo entre você e Mu. Antes de vocês dois se “apaixonarem” e me traírem, você ainda é meu namorado – fez pausa – Eu sei que você ainda sente algo por mim, porque o que eu sinto por você é... Você sabe. E eu não vou perder você por aquele cabeludo...
-Aprenda a usar as palavras Ikki, estou cansado de imaginar o que sente por mim e não! Eu nunca trai você com o Mu ou quem quer que seja, e não se faça de besta, você sabe disso e fica inventando historinha de boi bumbá!
-Você sabe que eu...
-Que não é bom com palavras, somente atos e atitudes. É, mas palavras doces suavizam o coração, e você poderia tentar essa terapia vez em quando...
Ikki coçou rapidamente os cabelos, surtiu, cansou de ouví-lo e partiu pra cima do loiro, pressionando seu corpo contra o outro, sobre a cama. Beijou-lhe sem permissão, sem escrúpulo, tamanha foi a audácia em dizer com seus atos e atitudes como ainda era um bom amante de cama.
-Ar... Deixe-me respirar...
Ikki sorriu e observou seu loiro por baixo de si. Acariciou seu rosto delicadamente.
-Quando você quer, consegue me tirar do sério, Fenix.
O moreno sorri suavemente. O cheiro místico daquele indiano deixava-o onzo. Ele perdia a razão e mal daria conta de assumir as consequências.
-Você é tão sensual, místico e delicioso que eu simplesmente perco a fala e, como um ugro que eu sou, só sei demonstrar o que sinto agindo de tal maneira que o magoou.
Shaka se surpreendeu com a psicanálise do namorado.
-Não, Ikki... Você só precisa atingir um pouco mais de amadurecimento.
Fenix deslizou a mão sobre o seu rosto dele e se levantou.
-Eu vou entender se não quiser ir comigo.
Shaka sentiu um misto de tristeza e sinceridade naquelas palavras. Se levantou e encarou o moreno.
-Bem, eu não vim do Japão a troco de nada. Eu disse que iria com vocês pra India, então aqui estou. – enlaçou o pescoço do rapaz – Eu serei babá de um grupo de marmanjo, mas fazer o que?!
-Marmanjo, é?! – sorriu Ikki, com sua performance dominadora e recreativa, fazendo cócegas no outro. – Vai, se apronta logo, eu vou ver o que tem pra comer, estou morrendo de fome.
-... Às ordens chefe! – sorriu e se jogou no chuveiro.
Cantou, se ensaboou, e pensou enquanto a água percorria seu definido corpo... "Ah, meu marrom-bombom, como eu senti sua falta".
Ikki havia deixado bem claro que não desistiria dele. Aquilo surtiu de tal forma, que o efeito em seu corpo foi imediato. O desejava tanto quanto na primeira noite que se amaram em Veneza, há dois anos atrás.
No fundo ele sentia o mesmo, queria dar uma nova chance àquela relação inconstante e desgastada. Quem sabe em Alaíndia as coisas ficam mais apimentadas. Quem sabe...
Continua...
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