Alaska
2 Cáp 1 - Mudanças
Hoje está fazendo 20C°, o que aqui no Kansas é um pouco frio, já que estamos no verão, e o verão aqui é absolutamente quente e seco.
Eu estava arrumando minhas malas, colocando não apenas roupas mas tudo o que eu conseguisse levar, afinal, eu não iria mais morar nesta casa. Ainda estou digerindo a ideia de morar no Alasca com a minha avó Edith, eu gostava dela mas, ela é muito, muito estranha. O que eu quero dizer com isso? Você saber apenas o nome da sua avó não é grandes coisas. Eu não sei absolutamente nada sobre o passado dela, nem ao menos quantos anos ela tem, ela nunca me contou nada sobre si mesma. Finalmente terminei de arrumar as minhas malas, faltava uma hora pro voô, mas para não chegar atrasada por algum imprevisto, peguei um taxi para o aeroporto naquela hora mesmo.Fizeram a chamada para o voô 266, eu estava distraída, então só percebi na terceira chamada, fui correndo até o lugar da embarcação. A viajem foi tranquila, fui dormindo na maior parte dela. Um senhor se sentou ao meu lado, começamos a conversar e ele contou praticamente toda a vida dele para mim. Fiquei pasma em pensar que sei mais sobre a vida de um estranho do que a da minha própria avó, eu me senti um pouco desapontada com isso. Assim que cheguei, fui para o despache das malas, em seguida comecei a procurar minha avó, certamente ela estava lá, mas ela tem o péssimo hábito de desaparecer na multidão! Comecei a procurá-la até que uma senhora com uma echarpe na cabeça e óculos de sol começou a acenar para mim. Era ela, caminhei lentamente, sem muita empolgação até ela. ➖ Oi querida -ela me puxou para um abraço apertado- como você cresceu!➖ Oi Vovó, é eu cresci um pouco desde a última vez que nos vimos -Sorri fraco. Ela sorriu e disse:➖ Venha, vamos para casa, aposto que está morrendo de fome. ➖ Estou sim -assenti acompanhando ela. Fomos até o bom e velho GTO dela, e entramos, me sentei no banco do passageiro prendendo o cinto de segurança em seguida. A maior parte da viagem ficamos em silêncio, sem dizer ao menos uma palavra. Como sempre ela estava séria, dava pra notar mesmo com os óculos escuros. ➖ Creio que está sendo difícil para você -me assustei com a voz dela depois de tanto tempo no silêncio.➖ È, não é muito fácil, mal acredito que isso realmente aconteceu -falei enquanto brincava com uma mecha do meu cabelo. ➖ Eu também não, sua mãe sempre foi uma boa filha -ela fez uma pausa- não ter mais ela aqui é realmente muito triste. Concordei e permaneci em silêncio até que novamente ela decidiu falar. ➖ E os seus amigos do Kansas? Sentirá falta deles também não é?➖ È, vou sim -menti, a verdade é que eu não tinha amigos de verdade, a única amiga que eu tinha brigou comigo na 6° série, só porque o garoto no qual ela gostava acabou gostando de mim. Uma desculpa boba na minha opinião, mas ela nunca mais falou comigo. Na verdade, os únicos amigos que tenho são os meus livros, eu amo ler, mais do que qualquer outra coisa. O que me deixou bem animada foi lembrar que minha avó tinha uma imensa biblioteca na casa dela,era uma das poucas coisas que eu lembrava referente a casa. Afinal fazia muito tempo que eu não ia na casa de minha avó, eu não sabia ao certo mas, quando criança eu sentia medo daquela casa, então fazia uns bons anos que eu não ia lá. Chegamos e, visualmente a casa não era nada bonita por fora, estava coberta por vinhas e espinhos, parecia até mesmo aquelas casas de bruxas dos filmes. Entrei na casa e não pude deixar ficar espantada, a casa era incrivelmente linda por dentro, os móveis eram num tom de madeira escura e eram tão antigos quanto a própria casa, mas não deixavam de ser elegantes. Assim que entramos também podíamos ver um longo corredor, e no final dele havia uma escada que certamente nos levará ao segundo andar, onde provavelmente estão os quartos. ➖ Venha, vou mostrar o seu quarto -minha avó disse já caminhando em direção ao longo corredor. Passamos por muitas portas, todas elas estavam abertas, exceto uma. ➖ O que tem aqui? -perguntei curiosa. ➖ Não é da sua conta -ela respondeu ríspida.Recuei com a sua resposta, e decidi não tocar mais no assunto. Subimos as escadas e demos de cara com outro longo corredor, nele havia quartos, banheiros e um escritório. Pelo o que contei eram quatro quartos. ➖ Este será o seu quarto daqui para frente -ela indicou, apontando para a porta- tem um banheiro e closet, espero que goste. Não pude deixar de ficar pasma, eu nunca em toda minha vida tivera um quarto com o meu próprio banheiro e um closet! Entrei toda empolgada no quarto colocando minhas malas num canto e me deitei na cama, ela era tão macia. ➖ Fique a vontade, ele agora é seu, pode até mesmo -ela parou como se estivésse pensando se deveria ou não dizer- decorá-lo, da forma que achar melhor. Vou fazer compras no mercado, volto daqui uma hora.
➖ Okay vovó -concordei e continuei deitada. Ela saiu de lá, pude ouvi-la descendo as escadas. Decidi então começar a arrumar meu quarto, guardar minhas roupas, livros e outros pertences -muito mais livros do que roupas e outras coisas-, quando finalmente terminei decidi dar uma volta pela casa, explorar ela. Comecei pelo andar no qual eu estava, como eu mencionei tinha um banheiro, mais três quartos, e um escritório. Desci as escadas e comecei a andar pelo resto da casa. Assim que descemos as escadas damos de cara com a extensa biblioteca, — mais tarde eu entro- pensei e continuei minha exploração. A blioteca ocupava dois cômodos então duas portas correspondiam a ela. A outra era a porta misteriosa que minha vó não quis dizer o que havia lá, tentei abrir e como esperado estava trancada, desisti naquele momento e fui andando pelo resto da casa. Era uma casa bem normal, como todas as outras, tinha a sala de estar com uma enorme e reconfortante lareira, uma cozinha bem grande e sala de jantar. Caminhei até a cozinha e comecei a procurar o que comer, encontrei apenas uma caixa de cereais e um leite -agora entendo porque ela tinha que fazer compras-, me sentei na bancada e fiquei olhando fixamente para a porta misteriosa, não sei explicar o que ou como, mas alguma coisa estava me atraindo, para que eu fosse até lá. Terminei de comer e fui novamente até a porta, fiquei a encarando por um bom tempo, e novamente essa "força" estava me chamando, foi então que eu tive a brilhante ideia -nem tão brilhante assim- de usar um grampo de cabelo, e é claro que não funcionou, fiquei bastante decepcionada, até que ouvi o barulho da porta da sala se abrindo, era a minha avó, escondi o grampo imediatamente. Ela olhou para mim, suspirou e disse:➖ Eu disse que o que tinha atrás dessa porta não era da sua conta -ela disse num tom não tão rude dessa vez, mas decepcionado. ➖ Eu não sei do que está falando -tentei me fazer de boba. ➖ Eu sei que estava tentando abrir a porta, e vamos estabelecer uma regra mocinha, nada de tentar bisbilhotar ou entrar nessa porta, estamos entendidas? ➖ Es-estamos vovó... -assenti me distanciando da porta.Como ela sabia que eu estava tentando abrir a porta? Eu realmente não sabia, mas eu não iria desistir de abrir aquela porta.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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