Notas iniciais
Essa fic não foi revisada, está sendo postada de forma bruta. Minhas histórias normalmente são assim e normalmente nem tem final. Mas essa tem.

Então, enjoy :D

Um alarme, apenas um alarme para o caos se instalar em um lugar que aparentemente estava vazio e solitário. Um alarme para trazer a tona o som, as vozes, as pessoas apressadas e distraídas. Um alarme que indicava a chegada de algo: de um trem.

Estação SKA – Atenas

O alarme indicava a chegada do trem vindo de Kiato. De dentro dele saiam varias pessoas, centenas de pessoas, de diversas cores, tipos, etnias, idades, sexo. Afinal, aquela era uma cidade histórica e ponto turístico. Ninguém imaginava o que ali realmente existia. Ninguém imaginava que ali existia uma outra realidade: heróis trajados de armaduras, protetores da paz, ao comando de uma deusa e que próximo dessa cidade havia seu santuário. Ninguém imaginava, afinal, só quem possuía um cosmos mais desenvolvido conseguiria ver a existência de algo no local, caso contrario, veria apenas ruinas, realidade de 99,9% das pessoas ali.

Saíram então as pessoas que chegavam e entraram aquelas que partiriam. Partidas sempre foram tristes, famílias se despedindo aos prantos, pais, mães, namorados até. Todos sentindo aquele sentimento de perda. E, mesmo que não deixado nada físico para trás, o sentimento de perda aparece, ninguém consegue se despedir da maravilhosa Atenas sem sentir certo remorso de abandonar tão maravilhosa cidade. Ou então, não conseguiria partir, por que uma aura havia de perda e melancolia havia se instalado naquela ambiente.

E mais uma vez o alarme soava. Mais uma vez um trem se movida, desta vez de partida. E partiam então para fora da estação aqueles que ficariam e só estavam ali para se despedir. Porém, uma figura ficava.

Ninguém saberia dizer a quanto tempo essa figura imponente estava ali, não saberia dizer quanto tempo ficaria. Só saberia dizer que todo dia tal figura se apresentava. Apresentava-se e observava o movimento. Ficava ali parado observando cada pessoa, cada criança que saia e voltava. Cada despedida, cada reencontro que ali ocorria era atentamente assistido. Alguns o cumprimentavam, em vão, obviamente, por que aquela figura não falava, não mostrava nada além de um sentimento, uma aura melancólica. Sua expressão sem vida e triste de nada combinava com seu aspecto. Um aspecto bonito, limpo, arrumado, mas que era estragado por aquela expressão vazia.

Alguns podiam dizer que era uma estatua viva, oras, por que seria? Não havia nenhuma caracterização, não havia nenhuma pintura, era só uma pessoa que estava ali parada como se esperasse eternamente alguém, todos os dias, todas as horas de sua talvez miserável vida.

A até então melancolia e sentimento de partida que se instalara no ambiente afinal vinha dele. Por que estaria essa figura ali? Ele esperava alguém, ele esperava alguém que nunca viria.

Essa pessoa que era esperada havia morrido não fazia muito tempo, alguns meses aproximadamente. Naquele fatídico dia em que a pequena “guerra” de cavaleiros de ouro versus cavaleiros de bronze, causada no santuário. Tudo culpa de um maldito ex-cavaleiro de gêmeos psicótico e de dupla personalidade. Tudo culpa daquele que arquitetou um plano de mais de 10 anos para poder matar Atena e dominar o santuário. Naquele dia vários morreram, incluindo aquela pessoa que a figura da estação amava profundamente. Morto pela pessoa que criou desde pequena. Que alimentou, cuidou, treinou e acompanhou por tantos anos. Como odiava aquele assassino. A culpa não era dele, mas foi ele quem o matou. Não conseguia superar aquele ódio, nem dele, nem da pessoa que causou tudo isso.

Alguns diziam que era loucura, que o amor de dois cavaleiros dourados era proibido, mas era impossível esconder. Mesmo escondido, o amor deles ficou conhecido pela região toda. Um amor proibido, mas um amor que dava mais um motivo para viver e continuar protegendo a deusa. Outro grande problema que enfrentaram foi o fato de ambos serem do mesmo sexo. Em um local de costumes antigos, muito mais antigos que a qualquer um ali, o amor entre pessoas do mesmo sexo era igualmente proibido e errôneo. Foram maltratados por uns, apoiados por outros. Sim, a vida não era perfeita, podia ser muito melhor se não fossem esses sentimentos, mas para ambos, mesmo assim valia a pena.

Começou com tímidos olhares de cumplicidade e terminou com ternos gemidos dentro de um quarto. Tudo se desenvolveu lentamente e calmamente, quebrando uma barreira por vez até a completa consumação do amor. Após isso um amor que se desenvolveu e tomou proporções inimagináveis. Dias e horas gastos um na companhia do outro, milhões de palavras e olhares trocados, um amor duradouro, provavelmente até o final de suas vidas. E foi, até o fim da vida de um.

O desespero ao se deparar com o corpo já sem vida e congelado no chão. A dor de não ouvir ou ver uma resposta as suas chamadas. Nada. Ao segurar o corpo imóvel em seus braços a única coisa que conseguia fazer era chamar seu nome em vão. Depois de tanta luta, depois da conquista de finalmente poder ter sua deusa sã e salva. No final, não valeu de nada se não poderia mais ter a pessoa amada ao seu lado.

Dias então passaram, meses sumiram. A vida perdeu cor e nada, nada mais o alegrava. Todos o olhavam com pena, mas ele ignorava. Até a deusa tentara em vão anima-lo. Com o tempo isolado, durante a guerra em Asgard, sua sanidade já não era mais a mesma, a saudade era agonizante e a única coisa que queria era ver o amado novamente, nem que para isso tivesse que enfrentar os deuses ou então se unir a ele no submundo. Só queria vê-lo. Precisava vê-lo.

Em 1927, Ivan Pavlov realizou diversas pesquisas e experimentos e assim concluiu que após aprendido seus cachorros famintos associaram o tocar de seu sino com comida, Sendo assim, ao simples toque do sino, os cachorros começavam a salivar imaginando que seriam alimentados. Esse estudo recebeu o nome de Reflexo Condicionado.

Após mais um dia na casa protegida daquele que lhe tirava o sono, algo lhe despertara. “A ESTAÇÃO!” exclamara antes de sair correndo. Chegando lá pouco tempo depois, afinal era um cavaleiro de ouro.

O marco zero daquela relação era ali. Toda partida, todo reencontro, todas(quase) as primeiras experiências, a declaração. Tudo mesmo aconteceu ali, era um local sagrado para o casal. Quando o sino tocava, algo acontecia. Se estivesse com ele, se separariam, se não estivessem com ele, se reuniriam. E como estava sem ele... Logo, ele voltaria, não? Era isso que ele acreditava fielmente e aguardada ansiosamente, principalmente quando o sino tocava. Seu coração ia a mil, só faltava parar.

Mas nada...

Nesta situação o tempo passou, ele não veio. Mas continuou a esperar. Sua sanidade cada vez mais destruída o fazia esperar. Dia após dia, mês após mês, novas pessoas passavam indo e vindo e nada. Nada dele. Começava a perder as esperanças. Deixava de estar no santuário, enquanto sua deusa batalhava para impedir que o mundo fosse inundado por Poseidon, deixou de socializar, deixou de perceber o tempo passando até que...

Certo dia, pouco tempo depois de Poseidon ser derrotado, uma má sensação o preenchia, algo iria acontecer. Seria a tão conhecida guerra santa que acontecia de tempos e tempos? Mas e daí? Naquele ponto já queria que o mundo explodisse mesmo. Mas ficaria esperando. O guarda da estação já cansara de expulsa-lo dali, agora o deixava. Que ele morresse ali por causa de sua teimosia. Ainda mais com tal sensação que dominava nosso protagonista.

Já era noite, alias madrugada. A estação estava vazia. Fechara por algumas horas por manutenção de segurança na via. Não que fizesse diferença para quem pegava trem. Ninguém pegaria o trem aquela hora mesmo. A lua estava alta, fazendo o belo vitral no topo da vitoriana estação brilhar e projetar seus desenhos no chão. “Que belíssimo céu” pensou nosso protagonista, “queria poder dividi-lo novamente com você”, e suspirou.

- Milo.

Algo o chamara. Uma voz tão conhecida pronunciara seu nome. Ah não... Finalmente ficara louco! Mas como poderia se dizer louco sendo que estava ali o tempo todo esperando uma pessoa que não viria, suando frio e tendo seu coração acelerado a cada toque do alarme do trem? Ah, certo, já estava louco a muito tempo, agora estaria imaginando, ou melhor, ficando psicótico e ouvindo vozes igual a aquele que começou essa merda toda.

Então ele olhou para onde viera aquele som. Ele estava lá.

Um riso, um riso alto ecoou pela estação. “IMPOSSÍVEL!”, gritou. “VOCÊ ESTÁ MORTO! MORTO!” novamente gritara. Seu corpo cambaleou para trás e bateu em uma pilastra enquanto continuava rindo. Um riso doente, um riso louco!

Aquele maravilhoso cabelo ruivo, aquelas sardas, aqueles olhos verdes, aquele pele pálida, aquele cheiro e aquela aura gelada. Impossível. Ficara louco de vez. E mais gargalhadas ecoavam como um louco preso em sua jaula no manicômio. Há quem se assustaria com isso, por que era realmente surreal.

- Milo, controle-se!

Mais uma vez aquela voz querendo mandar nele. Mas como? Olhou novamente para a figura, deixando seu corpo escorregar pela pilastra e sentou-se. Lágrimas começaram a cair copiosamente.

- ISSO! ZEUS FINALMENTE TIROU TODA A MINHA SANIDADE! FINALMENTE! HAHA! – a voz de Milo se elevava mais e mais.

Assim um barulho estralado ecoou pelo lugar, calando os gritos e risadas.

- POR ZEUS MILO, SERÁ QUE DÁ PARA CALAR A BOCA UM SEGUNDO NA SUA VIDA?! – o ruivo então suspirou pesarosamente – Sou eu! Eu estou realmente aqui!

- Mas... Por que? Kamus... – Milo se acalmara. Toda e qualquer dor, melancolia, duvida sumira, só por tê-lo a sua frente era suficiente.

- Por que eu tenho um recado para Atena – Kamus se abaixou ao lado do escorpião, olhando-o nos olhos com sua típica expressão gelada.

- Para Atena?! – Miro gritou – TANTO TEMPO MORTO E QUANDO APARECE É PARA FALAR COM ATENA? ONDE EU ESTAVA COM A CABEÇA PARA TE ESPERAR TANTO TEMPO, POR SOFRER POR TANTO TEMPO, POR TE QUERER POR TANTO TEMPO. SEU MALDITO! FILHO DA PUTA! DESGRAÇADO!

- Milo! Eu não tenho muito tempo, avise Atena que a guerra santa está para começar brevemente – Kamus se levantou.

- Mas e você? Kamus! E você? E eu? E nós? – Milo se levantara também, segurando o outro pelos ombros.

- O que tem?

- O que tem?! O QUE TEM?! Só isso que sabe dizer?!

- Acho que você já deveria ter seguido em frente, Milo. Acabou. – aquela frieza doía, aquela frieza sempre machucou, mas dessa vez era diferente, a situação era diferente, a voz era diferente.

- ACABOU?! Como você tem coragem de dizer isso?! – Milo agora chacoalhava o ex parceiro, sendo empurrado para longe.

- Estamos em dois lados da moeda diferentes agora. Só vim dar esse aviso. Daqui à alguns meses a vida de Atena será minha e se qualquer um, principalmente você entrar em meu caminho, não terei piedade.

- Kamus... – o escorpião parecia chocado. Seu antigo amante falava sério, ele não podia acreditar nisso.

- Agora se me der licença – Kamus passou a andar para a escuridão e a imagem do ruivo desaparecera completamente dentro dela.

- SEU MALDITO! FILHO TA PUTAAAAAAAAAA!

Algo havia partido dentro do peito de nosso protagonista, o que seria? Algo havia partido de forma extremamente dolorosa, causando um grande rebuliço em seus sentimentos, porém, trazendo sua sanidade de volta. O que estava fazendo por tanto tempo? Esperando seu inimigo? Esperando aquele que queria matar sua amada deusa? Raiva. Sentia raiva de si e dele, principalmente.

Lágrimas de raiva escorriam pelo seu rosto. Ótimo! Cansara de esperar aquele que já não queria nada a muito tempo atrás. Perdera muitas oportunidades e muito tempo esperando quem não merecia. Agora teria que correr atrás do prejuízo. E assim partiu para o santuário decidido a voltar a ser aquele escorpião que sempre fora antes da morte da pessoa que hoje era que mais odiava. Começou a dar graças a Zeus que ele tinha morrido.

No dia seguinte, surpreendera a todos ao comparecer no treinamento com um sorriso e com seu jeito jovial recarregado. Todos perguntaram o porquê, mas ele simplesmente se recusava a responder.

E assim, a vida continuou até a guerra santa, quando os dois se reencontraram, agora como inimigos. Cada um defendendo seu próprio interesse, mas no final apenas um lado conseguiu sua vitória: a morte de Atena. Quem diria que por causa disso, os dois se reuniriam do mesmo lado para defender o mundo em que tanto amavam? Dessa vez lutariam um do lado do outro e morreriam juntos, indo para o submundo juntos. Mas a relação deles nunca mais fora igual. Mesmo estando juntos agora todos os dias até o final da eternidade, ou até o dia de suas respectivas reencarnações, a relação deles nunca mais voltou a ser como era antes.

...

Ou será que não?

Outro lado da história

- Imagino que tenha sido uma decisão difícil fazer isso – um jovem loiro de aparência exuberante e uma rosa em seus dedos se aproximara – partir o coração de quem se ama nunca é uma decisão fácil. Por que não deixou do jeito que estava?

- Eu... Não podia... As coisas não poderiam continuar desse jeito... Afrodite.

- ÓÓ, que honra, poder ver as lágrimas do tão famoso cavaleiro congelado.

- Vamos logo, Hades nos espera – Kamus voltou a andar no corredor escuro que levava ao castelo de Hades.

- Oe oe, pera aí! Deixa eu continuar contemplando essa beleza! Oe Kamyu! – o loiro havia sido deixado para trás, revoltado então ele começou a seguir o mesmo caminho lentamente.

Seria uma dolorosa batalha para o cavaleiro gelado.

Notas finais
Ok, essa coisa do Pavlov me veio enquanto eu escrevia sobre a fic, dei uma pausa no banheiro e li matérias da faculdade que falavam dele (wtf, eu estudo no trono).

Duvido que alguém leia, mas se tiver pedidos, quem sabe eu faça um final feliz e fluffy.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!