Alan
1 Tudo começa com uma redação.
Notas iniciais
"Algumas pessoas são intelectualmente inteligentes, outras são vividamente inteligentes, outras são apenas inteligentes e tem as que são como eu, alguns acham que são burros, outros acham que são diferentes, mas eu acho que são apenas bons em outras coisas, e isso assusta quem está em algum desses padrões, por que são pessoas que vão fazer o trabalho que eles nem pensam em fazer... COMO VIRAR UM PROFESSOR QUE ME FAZ FAZER REDAÇÕES."
Você deve estar pensando, quem esse menino de 15 anos pensa que é?
Sim, se isso for responder a sua pergunta sou Alan Martin, sim você já pode notar que fui destinado ao fracasso, quem tem apenas 4 letras no primeiro nome? Mas isso não vem a tona no momento, as vezes eu leio os meus diários de quando tinha 6 anos e noto que a vida era bem mais fácil, minhas perguntas diárias eram: "Como se soletra elefante ou o que significa paralelepípedo", talvez fosse uma vida mais fácil mas não era tão legal como agora, se a sua definição de legal for estar batendo em um troll com um taco de beisebol.
As coisas vão começar a ficar confusas daqui para frente, mas se você estiver procurando confusão aperte os cintos e se segure, por que você está embarcando em um carro sem freios daqui para frente.
Tudo começou com o sumiço de Brenda Lang, depois de muitas buscas a cidade tinha perdido o seu chão, a Brenda era a futura "poderosa" da escola, ela tinha a família ideal, as amizades ideais, a aparência ideal, sim ela nasceu com a sorte de ter 6 letras no primeiro nome, 6... Alguns diriam que é o número do satanás, mas para mim era o número ideal do sucesso. Não era muito mas também não era pouco, eu vi o dia que a família junto com um policial, resolveram dizer que ela tinha se afogado no lago atrás da minha casa, e em teoria eu achava que era isso, éramos vizinhos, eu não ia muito com a cara dela, mas eu sabia que a Brenda não seria idiota a ponto de fugir, ela era classificada como intelectualmente inteligente, ela não iria se jogar em uma fria só para chamar atenção então o mais lógico para mim, era que ela tinha morrido mesmo. Eu não via resposta mais lógica, eu lembro do choro da avó dela e a frieza de sua mãe, a sra. Lang sempre pareceu amável com o conselho de moradores, eu encarei a reação dela como um bug no sistema emocional, mas ela aceitou ela não tinha mais esperanças, mas a avó da Brenda não se convenceu tão rápido, ela procurou a neta dia e noite, até às más línguas da cidade, começarem a fazer boatos que a pobre Dolores estava ficando louca, eu pessoalmente gostava da Dolores ela era amável, e me dava doces, como não amar uma senhorinha de idade ?
Ela às vezes me contava as histórias de quando era jovem, sim ela era um exemplo perfeito igual a Brenda, as duas eram intelectualmente inteligentes, mas eu também diria que a Dolores era vividamente inteligente.
Hoje era o meu primeiro dia de aula algumas pessoas tinham dado o carinhoso apelido de tortura, sim eu que dei o apelido. Eu estava tentando fazer a minha redação de literatura no caminho para o colégio, a minha mãe estava me levando hoje, normalmente eu iria de bicicleta com o Ben, mas a mãe do Ben estava tentando garantir que ele não matasse aula no primeiro dia, como ele sempre fazia...
Mas agora eu estava com um dilema, eu já tinha feito uma redação mas era o que a professora queria, e não o que eu queria. Eu queria fazer um texto super engraçado e ao mesmo tempo cheio de críticas eu queria fazer a diferença, mas eu não tinha voz para isso, mas mesmo assim não custava tentar, mas os meus primeiros 5 textos uma hora ou outra ou xingavam um colega, ou um professor então provavelmente eu seria reprovado, eu teria que entregar o meu texto que não tinha nem um pingo da minha alma e identidade, que maravilha... E aliás quem aquela professora pensava que era para me dar o tema intelectualidade? Isso era um aviso ou ela queria somente rir de mim?
Sai desses pensamentos quando a minha mãe parou o carro, eu achava a minha mãe o meu ideal de beleza, ela tinha o cabelo preto no corte chanel um pouquinho longo, seus olhos eram pretos e puxadinhos, á sim eu acho que esqueci de dizer mas minha mãe era metade coreana, meu pai era o oposto dela ele era metade árabe, tinha o cabelo mais bonito do mundo que era o cacheado, e os olhos verdinhos, meus pais eram o casal mais bonito mas também o mais diferente da cidade, eu pessoalmente amava eles por isso, eles não seguiam o padrão eles eram tão bagunçados mas também tão humanos, eles não eram famílias emplastificadas de comerciais de margarina. Já eu não podia dizer o mesmo a mistura que tinha acontecido tinha me proporcionado os cabelos pretos lisos iguais aos da minha mãe, os olhos redondos e grandes do meu pai mas a cor era dos olhos da minha mãe pretos como a noite, meu tom de pele era um café com leite, me chamavam de moreno claro, mas eu preferia café com leite, era mais a minha cara. Eu estava em uma das piores fases da minha vida, a adolescência sim isso significa que em alguns momentos eu era grande demais para subir em uma casinha no meio do parquinho infantil, já em outros eu era pequeno demais para dirigir o carro, isso era uma droga. A minha mãe deu um beijo em minha testa e se despediu de mim, ela carregava o cheirinho materno de pêssegos que eu conhecia desde pequeno, ainda com esses pensamentos andei solitariamente até chegar perto da sala de matemática, até que levei um soquinho não tão amigável no meu braço direito, eu nem precisava olhar para a pessoa que tinha me atingido, eu sabia que era o Josh. Então vamos á fixa do Josh, ele é atleta, tem os cabelos castanhos claros, se eu fosse de dar uma definição intelectual para ele, eu provavelmente daria “humano com cérebro de galinha“ ele era o único idiota que cobrava seu trabalho, não de um crânio mas de uma pessoa normal, eu acho que era essa a parada dele, me humilhar duas vezes, fazer o pobre coitado que não consegue nem fazer os seus trabalhos direto fazer os trabalhos dele.
— E aí Martin, fez aquela parada de literatura?
— Se eu disser não, e sair correndo eu tenho quantos por cento de chance de continuar vivo?
— É melhor isso ser mais uma de suas brincadeiras sem graça – falou olhando para mim de forma estranha, acho que estava tentando lembrar o que era porcentagem – Porque se for verdade se considere um... Eu ia falar homem, mas você está mais para um franguinho, morto.
— hm – fiz um som com os lábios – Acho melhor eu começar a correr então.
Ele veio em minha direção com o intuito de me dar um soco – esses jovens só sabem resolver as coisas assim hoje em dia? – em meu rosto, especialmente no meu perfeito nariz de anjo. Sim, todos ali naquele colégio podiam ser bonitos, mas ninguém chegava aos pés do meu nariz.
Desesperado comecei a falar o mais rápido possível:
— Calma! Calma. Eu fiz sim.
Tirei o trabalho da minha mala com um único puxãozinho, e coloquei entre a mão dele e meu rosto.
Ele me soltou e com um sorriso de simpatia falsa disse:
— Isso mesmo Martin, um bom garoto, um bom garoto – repetiu como o idiota que era.
Eu saí o mais rápido possível de perto dele, e voltei a andar pelo corredor lotado de alunos a volta às aulas, me assustando quando Ben se aproximou de forma abrupta falando:
— Hey, o que foi aquele embate ali atrás meu lutador? – perguntou olhando descaradamente no lugar que eu queria manter distância.
— O de sempre, Josh+ trabalho + eu = eu me ferrei.
— hm, nada fora do normal, então.
— As vezes me pergunto se você não me odeia secretamente – falei rapidamente para continuar com minha dúvida real – Você fez o trabalho?
— Ah, deixa eu ver? Não, vou entregar na próxima aula – falou despreocupado – É sobre sua primeira dúvida só às vezes.
— Cara, a sua mãe já te trouxe aqui...
Ele parou e olhou para as paredes até que parou seu olhar em uma janela ao nosso lado.
— É, só que eu acho que ela não contava que nesse colégio tinham janelas tão grandes — Ele se aproximou da janela e antes que eu notasse os seus planos com um breve comprimento de despedida ele pulou pela mesma — Falou cara até depois.
Após um momento tirei a cabeça para fora da janela assustado com a escolha de fuga de Ben.
— Ben, por que raios você faz isso? – falei de forma alta olhando para baixo – todo ano acontece a mesma coisa.
— Alan, só uma palavra, tradição, você não pode quebrar uma tradição.
Sem uma resposta melhor do que "tradição" saiu correndo pelo jardim do colégio. Eu acho que foi um efeito colateral de virar meu amigo, você enlouquece em pouco tempo.
Quando me virei, senti um impacto contra mim, alguns dos meus livros caíram no chão, e eu vi a metade boa do colégio sobre meus olhos, Cecília, eu não conhecia a loira mas era impossível não conhecer pelo menos por vista, a garota sempre parecia estar em todos os cantos do colégio. Ela era um ano mais velha que eu, eu já tinha escutado alguma das histórias de alguns desentendimentos com Natalie, e para mim qualquer pessoa que se desentendia com Natalie era confiável e com toda certeza tinha um senso de julgamento no mínimo perfeito.
Cecília arrumou uma mecha volumosa de cabelo atrás da orelha, eu jurava que esse seria o momento que ela iria fazer um comentário desagradável como teria acontecido com Natalie, mas nada disso aconteceu, em vez de todas as minhas teorias a garota se abaixou é pegou meus livros, olhou bem em meus olhos, e com pena disse.
— Acabei não te vendo Alan, desculpe. Você está bem?
Nessa hora eu travei, naquele maldito colégio ninguém foi tão amável em anos, claro fora e Lívia mas mesmo assim eu não sabia se meu espanto foi maior por ela saber o meu nome ou pela cara da amiga sinistra do lado dela, se eu não me engano era Dominique a irmã mais velha de Harry.
— Que isso – falei sem jeito batendo minhas mãos como se estivesse falando com uma senhora de idade sobre o clima – Está tudo bem.
Peguei os livros de suas mãos e agradeci timidamente.
Continuei andando pelo longo corregedor promovendo Cecília mentalmente a lista de poucas pessoas agradáveis desse lugar.
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