Alan

5 Quase passando dessa para melhor


Notas iniciais
Olá caro leitor, depois de uma eternidade tomei vergonha na cara e saí da minha toca para publicar esse capítulo heheh Então tenha uma ótima leitura !

Chegamos 5 minutos adiantados, ótimo 5 minutos restantes da minha sorte antes do Josh me achar e me matar. Ontem mesmo já tinha dito a minha mãe o que eu queria no meu funeral, mas realmente 15 anos e uma idade muito pequena para se morrer, sempre me imaginei um senhor de idade ranzinza com uma cadeira elétrica e uma bengala para bater em todo mundo enquanto reclamava de tudo. E sinceramente não estou decidido em mudar de planos.

Quando terminamos de estacionar nossas bikes, o Ben me acompanhou até a entrada e depois foi em busca da Sra. Andréia para entregar seus trabalhos atrasados. Quando ele se afastou o suficiente a Brenda apareceu sobre o meu ombro.

— Não acredito que você é amigo do Benedict Lock, sério? A única pessoa mais patética e fracassada que ele e você.

— Obrigado pela consideração em pensar em mim com tanto carinho. — minhas sobrancelhas se uniram em uma careta. — Afinal você mesma não está muito longe de mim, como raios você conseguiu namorar o Josh? Ele é um imbecil.

Ela ficou pensativa, ok a cena mais intrigante do mundo e um fantasma pensativo se você pode me entender.

— Eu nunca gostei dele- falou por final com um suspiro. — Era apenas o que as minhas amigas queriam.

— Depois você fala mal dos meus amigos – revirei os olhos.

— Sabe eu poderia te falar algo muito ofensivo agora, mas a expressão de todos no corredor te vendo falando com o ar já é suficientemente vergonhoso. Nós consideremos quites.

Nesse momento olhei para os lados e notei que realmente ninguém mais conseguia ver o encosto que estava com olhos divertidos ao meu lado. No mesmo momento peguei o meu fone de ouvido e aproximei o fio dos meus lábios, como se estivesse falando todo esse momento por uma ligação. O irônico é que o que mais se aproximava era uma ligação sobrenatural com a minha vizinha morta.

— Estão te procurando. — A Brenda disse depois de olhar uma vez para trás.

— Foi um prazer te conhecer... Não na verdade não foi nenhum prazer, mas infelizmente Brenda não vou poder te ajudar porque se quem estiver me procurando for a pessoa que eu estou imaginando provavelmente vou estar morto em – fiz um grunhido como se estivesse pensado – 10 minutos, claro se ele escolher uma morte lenta e dolorosa.

— Nossa, eu seriamente quero muito saber o que você fez para a Cecília estar tão disposta a te matar assim.– Brenda soltou uma risada abafada.

— Espera, que?

— Dáh, quem mais poderia ser? Vai agora me fala o que você fez para ela?

— Nada.

— Á Alan, vai me conta, eu estou morta mesmo não vou contar para ninguém.

Olhei mais uma vez para trás, e finalmente meu sangue congelou pelo motivo certo. Um pouco antes da Cecília que caminhava na minha direção, Josh andava como se fosse um búfalo raivoso.

— Ai meu Deus.

— Alan? — Brenda encostou no meu ombro. — Você está bem?

Me virei e comecei a andar mais rápido.

— Eu preciso sair daqui, e rápido.

— Ei, calma. — Pela primeira vez no dia a voz da Brenda carregava um tom de preocupação. – O que você fez para ela?

— Para ela? Eu não fiz nada, mas o imbecil do seu ex-namorado? Á ele sim, ele quer me matar.

Ela se virou para trás.

— Então, vira à direita no próximo corredor.

— Espera aí? O que você quer que eu faça?

— Dáh, você e a única pessoa que consegue me ver e eu te juro não vai ser nada lucrativo para mim ter você me assombrando.

— Quem diria, o assombrado assombrando a assombração.

— Quanto mais você chega perto da morte, pior o seu humor se torna.

— Obrigado por suas palavras doces, assombração.

Quando cheguei perto do final do corredor segui o que a Brenda havia falado, foi quando me deparei com um carrinho de limpeza, ele estava cheio de cortinas, o zelador estava excessivamente asseado nos últimos dias.

Olhei para ela sem entender.

— Não se finja de idiota, entra logo no carrinho.

Olhei para os lados, mas o corredor já estava praticamente vazio, e aliás quem questionaria um Alan pálido, falando sozinho e ainda por cima se jogando dentro de carrinhos de cortinas sujas?

Entrei dentro do carrinho e peguei um dos tecidos e me cobri, quando olhei para cima vi a Brenda com a testa franzida de concentração tentando empurrar o carrinho, de primeira ele quase não se moveu mas depois de alguns segundo ele lentamente começou a se movimentar, o erro foi que aquele corredor tinha uma pequena inclinação para o andar de baixo, o carrinho começou a se movimentar passando de lento tartaruga para rápido preocupante, levantei minha cabeça quando a Brenda prendeu o ar em seus pulmões e começou a tentar frear o carrinho.

Olhei para frente e vi uma janela inteira de vidro, desde quando eles tinham colocado essas janelas?

Olhei de câmera lenta para o rosto da Brenda com os olhos arregalados e a testa franzida tentando segurar o carrinho e olhei de novo para a janela, comecei a imaginar a minha morte o carrinho iria bater na janela, como ele estava rápido iria quebrá-la e eu iria cair do segundo andar do Santa Callida, nunca pensei que iria morrer por causa de altura sempre me imaginei um velhinho e bem nada mais, eu só queria viver bastante, eu acho que era esse o objetivo, nunca pensei com todos os detalhes como eu partiria dessa para melhor. Quando já estava convencido da minha morte o carrinho deu um solavanco e parou, me levantei rapidamente e me deparei com o Diretor Steve com um de seus pés na frente da rodinha do carrinho, ele parou e ficou embasbacado por exatos 5 segundos antes de se recompor e falar.

—Senhor Alan, você tem que ter uma conversa bem séria comigo e me explicar o por que raios você está dentro de um carrinho?

— Tenho que sair do carrinho ou o senhor vai me empurrando? – Falei tentando fazer graça.

Ele fez uma cara feia a ponto de me fazer quase soltar um gemido de arrependimento.

Quando fui me levantar prendi meu pé na borda do carrinho e cai de cara no corredor. E pude jurar que o diretor Steve falhou em tentar segurar a gargalhada, soltando uma risada antes de conseguir se conter, quando me levantei ele tinha olhos muito bem humorados para um diretor rigoroso apreciador da ordem. Comecei a andar em frente indo na direção do gabinete do diretor quando passei pelo corredor, a Cecília e o Josh estavam olhando para mim, claro Josh parecia até estar com lágrimas nos olhos de tanta risada, mas a Cecília parecia mais preocupada comigo do que achando graça, olhando para os olhos claros dela me lembrei da Brenda aonde raios aquela fantasminha encrenqueira estava! Ela me abandonou para morrer literalmente, mas quando cheguei no gabinete o diretor Steve descobriu que eu tinha atrasado ele para uma reunião, ótimo mais um motivos para ele pensar carinhosamente no sermão que iria me dar, ele me indicou a sala de espera onde a Brenda estava sentada tranquilamente como se tivesse tudo sobre controle.

— Olha só, você não morreu. – falou com falsa espontaneidade.

— Você tem ideia do que fez? – falei quase histérico.

Logo me contive, pois, a Sra. Margot, a fiel escudeira e atendente do diretor estava me olhando como se estivesse tentando se lembrar do número da polícia.

Puxei novamente o fio do fone aos meus lábios e continuei.

— Você poderia ter me matado.

— Mas olha só! Você está vivo. – falou me dando um cutucão, ela franziu a testa em concentração. – Eu tentei parar o carrinho, mas adivinha, talvez quando você tenha mãos de fantasma sua força diminuía também.

— Não adianta, você queria alguém para te ajudar? Adivinha, – falei com o mesmo tom irônico – Você acabou de perder sua ajuda.

Ela estendeu um longo e doce silêncio que durou apenas 5 minutos.

— Você sabe que não tem escolha.– falou verdadeiramente – eu vou estar aqui te irritando até você me ajudar, e aliás meu plano te livrou de levar uma surra do Josh que por sinal você se referia como se fosse a morte, talvez apenas o destino resolveu mudar o sentido do acontecimento bem no final.

— Você quer que eu bata palmas? Ou escreva a sua sabedoria, afinal?

Com um toque de telefone Sra. Margot me mandou para a caverna escura e úmida do diretor Steve que cheirava confortavelmente a desinfetante de limão (aparentemente o único tônico que era capaz de expulsar a catinga de whisky barato do casulo do Steve).

Eu achava bem interessante a postura de diretor sério e honroso que o Steve tentava manter, como se não corressem boatos como correm o vento pelos corredores vazios do Santa Callida de suas desventuras com a roupa de mascote do colégio depois do horário de aula, chegava até ser engraçado, ele era um cara boa pinta sabe? Do jeito que tem um cabelo preto bem arrumado lambido para trás, como se uma vaca tivesse acabado de dar um trato nas suas madeixas, ele tinha as bochechas um pouco coradas mas era apenas por que o seu gabinete não tinha cortinas, ele e o tipo de pessoa que tem um grande apreço por coisas claras ( acho que era por isso que preferia a luz natural ).

— Sente-se senhor Martin.– falou indicando a cadeira.

— Sabe, você deve estar se perguntando o por que eu estava naquele carrinho – falei me sentando – mas se eu te falar que não tenho a menor ideia o senhor acreditaria?

Ele fez um barulho irritante que parecia ser seu mantra.

— Tsc-tsc-tsc... Alan. Quantos anos você tem?

— Bem não que o senhor se importe, e bem não esperava te convidar para o meu aniversário, mas não achei que isso é uma ofensa e apenas bem, que perguntinha estranha em? Se você quer saber o meu signo está perdido eu sou...

— Chega! – gritou impaciente.

— 15- gaguejei- Eu tenho 15 anos.

Como se eu não tivesse falado nada ele continuou.

— Droga Alan, sério quando eu chamo sua atenção e por que eu te quero bem. Você acha que Amis– falou o nome da minha mãe com um carinho excessivo– gostaria de ver o filho dela fazendo coisas desse jeito? Você e desfocado, insuportavelmente...

— Criativo?

— Irritante – falou completando a frase.

— Se a sua definição de criativo e irritante tudo bem– falei aos sussurros.

— Alan – falou respirando fundo – eu tento ser um cara legal eu conheço sua mãe.

— E meu pai.

Ele fez uma careta, mas concordou.

— Da sua família em um geral, eu tento ser mais tolerante por que você tenta ser um bom garoto, mas é como se estivesse destinado a fazer a coisa errada mesmo tentando fazer o certo.

— Eu acho que isso não foi bem um elogio.

— Realmente não foi, eu acho que os dias de eu passar a mão na sua cabeça e fingir que não vejo acabaram, você vai ficar de detenção por três dias...

— Três dias! Á não eu vou ter que perder três tardes!?

— Quatro na verdade.

— Quatro? Por que?

— Você reclamou, está totalmente indisciplinado.

— Liberdade de expressão mandou um beijo Sir. Steve.

— Não me faça aumentar para cinco.

— Calma, calma somos dois homens de negócios não precisa aumentar o investimento e acabar comigo, pode te dar muito prejuízo.

— Á não vai mesmo – falou com um sorriso maldosos nos lábios.

— Pode sair filho – notei que a palavra filho saiu de seus lábios com mais intensidade, mas ele não tinha olhos em mim, provavelmente esse pervertido estava pensando na minha mãe.

Quando estava na porta antes de avançar por completo, recuei um passo e olhei para o senhor que tinha olhos fantasiosos.

— Sabe diretor, aproveitando que eu estou aqui queria saber se o senhor não saberia me dizer aonde guardaram a fantasia da mascote? – falei com malícia na voz – o grupo de teatro está procurando.

Vi seus olhos tomarem um brilho assassino então com um aceno indiferente de mão abri a porta mais um pouco.

— Não precisa me contar agora, vamos ter muito tempo de tarde, nas detenções.

E assim sai de queixo erguido da sala.

Notas finais
E aí, o que achou da história ? Gostou ? Ficou com dúvida ou tem sugestão de uma melhoria, comenta aí.❤️ Muito obrigada por ter lido, até a próxima!