Alan

9 A brilhante vida social de uma testemunha de assombração.


Notas iniciais
Oi gente voltei mais cedo dessa vez. Aproveitando que a gente está entrando na semana do natal resolvi adiantar meu presente para vocês. Então tenham uma boa leitura, um natal muito feliz e até a próxima!

Quando entrei na sala de detenção escoltado pelo diretor Steve. Finalmente notei que realmente a coisa estava feia para a minha imagem. Havia todo tipo de panaca naquela sala, a aura do lugar era tão contaminada pelas escolhas erradas de diversos anos de detenção que de repente senti que a cada minuto ali mas perto do meu triste futuro como criminoso aumentava.

Me sentei em uma carteira no meio de uma fileira sem me preocupar muito, quando olhei para frente que realmente o problema começou.

“Diga-me com quem andas e eu te direi quem tu és”

Estava escancarado no quadro, e de repente tive uma séria vontade de começar uma briga. Eles obrigam diversos adolescentes – ou não – a ficarem presos em uma sala por várias horas, com um monte de gente que fez coisas bem piores que eu, e ainda tem a cara de pau de escrever uma frase daquelas? Se o ser humano quer me julgar pelas pessoas que eu ando que pelo menos não sejam essas. Porém minha vontade de brigar esfriou no mesmo momento que olhei para os lados, bem ali, no meio das pessoas que pareciam estar dormindo de olhos abertos não parecia ter muito sentido começar algo grandioso. Na realidade, não era como se eu realmente tivesse algum julgamento contra a detenção, mas eu esperava pessoas mais compatíveis com o local. Tinha algumas pessoas ali que pareciam ter invadido o colégio, por que não era possível que uma pessoa que era realmente mais velha que o diretor Steve ainda estivessem estudando nesse colégio.

É outro ponto que veio a minha cabeça, de uma forma estranha me chocou. E se na verdade a prisão fosse repleta de pessoas estranhas como as que estavam na detenção? Para não correr o risco resolvi abandonar minha futura e brilhante trajetória como presidiário. Uma lástima para mim, é um alívio para a minha mãe, ela provavelmente tentaria me matar se eu prejudicasse uma mosca.

Quando saí desses pensamentos o tédio me invadiu por completo, por incrível que pareça senti falta da Brenda, ela me proporciona brigas e fazia a minha mente trabalhar para manter uma argumentação no mínimo interessante, afinal, o porque ela estava aparentemente tão nervosa e falando nisso, onde ela estava agora?

Explorei a sala, é por fim não a achei, no mínimo frustrante convenhamos. Mas meus olhos pousaram em um ponto que se destacava na sala.

Uma garota pequena de cabelos um pouco bagunçados e repletos de penas e outros adereços, me olhava com uma expressão estranha no rosto, de primeira eu desviei o olhar pois ela era no mínimo um pouco peculiar demais para se encarar mas que por 5 segundos mas do nada alguma coisa deu um estalo dentro de mim, como se minha mente tivesse resolvido tomar vida própria, o pensamento: “você realmente não vai olhar para ela? Não me diga que isso é medo, seu marica?” sim, minha mente normalmente não e muito educada ou delicada comigo.

Como um desafio virei novamente meu rosto para a garota. Mas dessa vez a encarei com a mesma intensidade, olhando bem em seus olhos verdes e estranhamente grandes. Ficamos nessa encarada estranha até que com um salto, que por final me assustou, a garota andou em passos decididos até mim. Quando eu falo decididos, e porque realmente eram decididos, ela pulou por duas carteiras até chegar em mim e estender sua mão.

— Olá, me chamo Elora.– a garota tinha uma voz marcante e uma mão estendida com diversas pulseiras estranhas.

— O-olá– eu definitivamente estava começando a odiar a minha habilidade de gaguejar toda vez que alguém falava comigo. Tão irritante.– Eu sou... – mas fui interrompido antes de terminar.

— Alan. Eu te conheço – novamente a garota falou de uma forma diferente, talvez ela falasse com uma forma de convicção estranha. – A gente fez aula de história juntos a alguns anos.

— Ah, sim verdade. Acabei de me lembrar – mentira eu não me lembrava.

Eu esperava que ela fosse embora agora, sei lá voltasse pulando as carteiras até o seu lugar novamente e me deixasse sozinho, mas fui pego por um irritante olhar. Steve estava me encarando todo esse tempo, na realidade que cara chato, não me admirava que minha mãe tivesse escolhido meu pai ele era um pouco obsessivo com as coisas e estranhamente eu acho que tinha acabado de me tornar sua nova obsessão. Foi só aí que eu notei, eu precisava que aquela garota estranha ficasse junto de mim, e aparentemente ela leu a minha mente porque, relaxou a sua mão estendida que por sinal eu não tinha nem tocado e se sentou na mesa a minha frente como se aquele lugar fosse seu desde o início.

— Qual é a do Steve? Ele tem uma paixão reprimida por você ?– a garota perguntou olhando de mim para a figura adulta que insistia em deixar seus olhos fincados em mim.

— Por mim não, mas pela minha mãe? Com toda certeza.

— Ah! Dilemas familiares. Cada vez está ficando mais interessante – A garota falou juntando suas mãos sobre a sua boca.

Quando notei eu tinha acabado de soltar um sorriso de canto, era um sorriso um pouco contrariado já que eu ainda estava incomodado com a falta de privacidade que o Steve insistia em cometer.

Eu não esperava encontrar por baixo daquele monte de penas e estranheza uma pessoa realmente espontânea e interessante, e como era inevitável as nuvens carregadas segurarem as gotas de chuva, foi inevitável começar a pensar em qual categoria Elora se encaixava, eu não conhecia ela o suficiente para dizer que tipo de inteligência ela tinha, mas estranhamente eu senti um sentimento de identificação com ela.

Provavelmente pelo meu sorriso ela se sentiu incentivada a continuar falando.

— Sabe, eu sei que ter alguém te encarando e um pouco incômodo, né ?– Ela falou quase sussurrando, como se suas palavras fossem uma espécie de segredo– Se você quiser eu tenho um truque para fazer ele parar.

— Bem, ao menos que o sinal de incêndio toque eu acho uma tarefa um pouco difícil ele desviar os olhos – Falei tentando focar no rosto em formato oval da garota a minha frente– Mas se quiser tentar estou curioso como você vai fazer essa mágica.

— Mágica, é exatamente isso que eu vou fazer.– falou sorrindo com os olhos de uma forma um pouco agitada – Preste atenção, okay ?

Primeiro ela mostrou as palmas da mãos, logo depois esfregou uma na outra fazendo uma dança engraçada, e por fim após fazer um movimento rápido por trás da palma da sua mão tirou uma pimenta vermelha e grande.

— Como você fez isso? – Perguntei surpreso.

Mas ela apenas levou um dos dedos com o sinal de silêncio sobre sua boca, simbolizando para eu ficar quietinho.

E esticou sua mão com a pimenta entre mim e a linha de visão irritante do Steve. Após exatos três segundos que ela fez questão de contar olhando para o meu rosto, Steve abaixou o rosto levando uma das mãos aos olhos fazendo um som estranho como se tivesse acabado de se queimar. Não demorou muito para ele se levantar e sair da sala provavelmente atrás de água para lavar o rosto.

— Como você fez isso ? – Perguntei de forma rápida e um pouco risonha.

Ela apenas chacoalhou a cabeça e mordendo a ponta da pimenta respondeu que um mágico nunca revela seus segredos.

Notas finais
Gentee uma pergunta séria aqui, vocês estão gostando de Alan? Estão gostando como as coisas estão acontecendo? Comentem, a opinião de vocês é muito importante para mim :) Enfim, feliz natal super adiantado para vocês e que esse capítulo tenha de alguma forma alegrado ou distraído um pouquinho vocês. Até a próxima gente!