Além do seu Olhar
3 Capítulo 3
Notas iniciais
— Fala logo, pai, porque já estou atrasada — gritei do primeiro degrau da escada.
— Nada não, esquece. — Falou saindo de seu quarto e vindo até mim. — Tchau e tome cuidado na rua.
— Pai, eu sei. Já tenho 17 anos — disse fingindo indignação.
— Eu sei, Vilu, mas cuidado nunca é demais. Agora vai lá, atrasadinha — brincou.
Mostrei a língua pra ele e lhe dei as costas.
Passei na cozinha, peguei uma maçã e rumei para a porta da frente, mas uma voz, que sempre me enche de alegria, parou-me.
— É, é assim: as crianças viram jovens, crescem e se esquecem das pessoas que mais lhe amam nessa vida — falou Olga, triste. Não, MUITO triste.
— Não, Olguinha — tranquilizei-a. — É claro que eu não me esqueci de você, é que... — procurei uma desculpa de última hora — como você não estava na cozinha, eu pensei que havia saído para o mercado.
Ela me olhou com aqueles desconfiados olhos azuis como o céu, que captavam qualquer tipo de mentira, podia ser a menor de todas, mas ela sempre a encontrava com apenas uma mirada. Sorri para ela só para tentar garantir.
— Vou fingir que acredito — relatou. E essa foi a prova de que falhei miseravelmente no quesito "mentir" para a Olga.
Dei um abraço nela, e ganhei em troca uma amostra de como é morrer asfixiado. Parei em frente o enorme portão com a grossa voz de Ramalho me oferecendo carona.
— Não precisa, Ramalho — neguei —, e também eu preciso caminhar um pouco.
— Mas, Vilu, você está atrasada. Por favor — insistiu.
— De verdade, obrigada, mas não precisa — neguei novamente, com uma dor no coração.
Eu gosto muito de Ramalho, porém eu precisava de um tempo sozinha, e este era o momento perfeito. Peguei a chave na minha bolsa, encaixei na fechadura e girei abrindo o portão. Acenei para Ramalho, que retribuiu com um pequeno sorriso.
Uma pequena brisa passou por mim quando estava de frente minha casa, mas nada muito relevante. Ao contrário, foi ótimo sentir um diminuto arrepio em meus braços. Comecei a jornada da minha casa até o Studio. Não é muito longe, mas também não é tão perto. Talvez Pablo desse um desconto se eu lhe desse uma boa desculpa. Ou talvez ele nem perceba de tão ocupado que está com a audição dos novos alunos de amanhã.
Uma súbita sensação de estar sendo seguida tomou conta de mim, só que todas as vezes que eu olhava para trás não havia ninguém além de umas pessoas parecendo pinguins, ou robôs, mas nada além disso. Achei estranho, todo momento eu dava uma olhada para trás, mas realmente não havia ninguém.
Comecei a cantarolar a música em que estou trabalhando. Estou quase no final, porém um garoto louco e desconhecido esbarrou em mim ontem e me fez perder o começo da música. E agora infelizmente estou atrasada.
Estava passando pela praça onde ocorreu o meu bizarro encontro com o menino louco. Não havia percebido o quão engraçado foi a situação, ri involuntariamente, a cara que ele fez pra mim quando viu minhas partituras voando, ou quando ele correu para o meio da rua e quase morreu só para as pegar. E aqueles olhos verdes? Puxa, eles eram incríveis, não tinha como os descrever exatamente, mas eram como lindas e perfeitas esmeraldas.
Entrei na praça que dava acesso direto ao Studio. Ele estava com uma agitação diferente e cheio de pessoas novas se inscrevendo, conversando, tocando.
Avistei meus queridos e quase perfeitos amigos na sala de música, porém havia só eles. Entrei na sala e comprovei que estava certa: só tinham eles lá.
— Cadê todo mundo? — perguntei de imediato.
— Olá, Violetta. Como vai você? Eu estou bem — brincou Fran.
— Ah, olá, pessoal. Como vão vocês? Eu estou bem — repeti suas palavras. — Agora me expliquem onde estão todos.
— Bem — começou Maxi. — O Beto disse que precisava ajudar o Pablo, então nos dispensou, e todos estão vagando por aí. Mas nós decidimos ficar aqui.
— Ah, entendi.
— Então, Maxi, acho que está na hora de você ir, porque agora que a Vilu chegou, as meninas e eu temos assuntos pendentes a discutir — disse Camila.
— Ah, não — reclamou. — Eu não quero ir. Deixa-me ficar? Por favor, Cami.
— Não, Maximiliano.
Maxi respirou fundo e fez uma carinha triste.
— Tá legal, eu vou! — Exclamou, por fim. — Porém... — por que tudo na vida tem um "porém"?
— Porém nada, Maxi — Fran falou irritada. — Vai logo.
— Posso terminar de falar? — indagou.
— Não! — responderam juntas.
— Então eu não vou.
— Meninas, o deixem falar! — interrompi a discussão infantil dos meus três amigos bobos.
— Obrigada, Vilu — agradeceu. — Bem, são tantas coisas — olhei feio para ele. Se Maxi não falasse o que queria em 3 segundos, eu voaria em seu pescoço sem nem hesitar. — Brincadeira. Eu quero que você nos mostre aquela música nova surpresa que está compondo.
— Por quê? — perguntei com um pouco de raiva.
— Porque eu adoro suas músicas, principalmente as novas — declarou. — Mas se não quiser cantar, tudo bem.
Olhei desconfiada para ele, que tinha um sorrisinho minúsculo, quase não visível, mas quem olhasse bem perceberia.
— Se eu tocá-la você vai embora? — ele assentiu. — Ok.
Tirei a partitura da bolsa e me posicionei atrás do teclado. Arrumei as folhas e comecei:
Descubrí que el sentimiento
Es una luz que no puedes apagar
Y la vida es como un cuento
El amor siempre gana sobre el mal
Y hoy tal vez sea el momento exacto
Para saltar tomados de la mano
Ni un minuto más
Sé que puedo soñar
Hoy quiero cantar
Decreto el sueño real
Sé que podemos confiar
Y nada nos detendrá
Hoy quiero cantar
Y el miedo no volverá
Porqué mi ángel guardián
Sabrá el camino a tomar.
— Só consegui essa parte, e acho que ela é melhor no refrão. Eu tinha a parte inicial mas eu esbarrei com um garoto ontem e a perdi — falei tristemente, pois não lembro o começo.
— Tá muito bom, Vilu — disse Fran batendo palmas, logo acompanhada por Camila e Maxi.
— Não acho que tenha ficado tão bom, precisa de muitas melhoras e eu preciso da parte inicial.
— Não ficou muito bom? — Maxi indagou incrédulo. — Tudo o que você faz fica bom. Você é Violetta Castillo!
Corei. Fran e Cami concordaram.
— Gente, nada a ver — disse sem graça. — Eu apenas coloquei meus sentimentos na letra da música e trabalhei um pouco na melodia.
— E é exatamente por isso que ela está perfeita — elogiou Cami.
— Pois é, Vilu. Você é uma compositora incrível. E aceite os elogios, afinal, eles são todos verdadeiros — concluiu Fran.
— Obrigada de novo, pessoal. Sem vocês eu nunca conseguiria.
Abracei meus melhores amigos. Eles são as pessoas mais incríveis do mundo, e boa parte da minha inspiração vem deles.
— Senhor Maxi — falei. — Hora de ir embora.
— Tudo bem — falou. — Mas eu voltarei — fez uma cara ameaçadora.
Rimos porque:
Maxi + cara de vilão ameaçando = bebê quando não ganha presente.
O baixinho rapper finalmente havia ido embora quando Fran começou seu discurso:
— Ahhhhhh, nem acredito que já vai fazer um ano que nos conhecemos e que você entrou aqui! Puxa! Lembra no começo, você chegou aqui pedindo uma informação e do nada Cami e eu te arrastamos até aqui e você começou a cantar e a tocar.
— Daí o Pablo entrou com o Beto e sugeriu que você se inscrevesse no Studio porque você tinha talento e que teria um ótimo futuro aqui e você falou...
— Obrigada, gente, mas eu só quero uma informação — completei.
Lembro perfeitamente desse dia. Foi um dos dias mais estranhos da minha vida inteira. Eu havia acabado de chegar a Buenos Aires. Subi para meu novo quarto e dormi um pouco porque estava cansada da viagem. Quando acordei, meu pai tinha saído e eu estava sozinha, nem mesmo Olga ou Ramalho estavam presentes, não tinha nada que fazer e eu estava no profundo tédio. Decidi passear pela minha cidade natal, cuja não conhecia o nome de nenhuma rua. E lá fui eu, alegre e boba. Só lembro que parei de frente um lugar incrível e cheio de energia, mas eu havia entrado apenas para pedir uma informação e quando percebi estava cantando e tocando teclado e com duas meninas sorrindo de uma forma estranha para mim. Depois desse dia, minha vida mudou completamente. Eu me inscrevi no Studio, passei nos testes, comecei a fazer as aulas de música, canto e dança, e cá estou eu.
— Deveríamos compor uma música para comemorarmos um ano de amizade — sugeri.
— Acho que ficaria incrível, mas deixemos isso para depois — disse Camila. — Como vai o Tomás? — perguntou.
— Ele vai bem, eu acho — respondi normal, mas estranhando a pergunta. — Por quê?
— Ele nunca mais tentou nada com você?
Havia me esquecido desse ponto. Bem, Tomás é meu melhor amigo, assim como o de Francesca, porém ele sente algo a mais por mim. Tomás mesmo que me disse isso. Até tentamos ficar e tudo, mas decidimos não arriscar, nossa amizade é uma coisa incrível e não queremos estragar.
— Não. Como já disse: ficaremos na amizade. — Falei sorrindo. — E eu gosto assim. E você, Fran? Como estão as coisas com o Marco?
Fran mudou a sua fisionomia, tanto a expressão quanto a cor.
— Violetta, nós terminamos há dois meses.
— Eu sei disso, mas ele não tentou te reconquistar?
— Não. E acho que não voltaremos. Nunca mais. — Revelou.
— Mas por que, Fran? — perguntei.
— Ah, sei lá. Ele nunca mais tentou nada comigo.
— E você nem me contou, né?
— Isso nem é importante — falou dando de ombros. — Que tal falarmos de um rapaz brasileiro? — indagou.
Olhamos maliciosas para Cami, que mantém um amor secreto por Broduey, mas que não assume de jeito nenhum.
— Não temos nada para falarmos dele — cortou Cami, de um jeito, Han, muito bravo.
— Temos sim. Pode nos contar tudo.
— É sério, não tenho nada para falar dele. Ele simplesmente não fala nada, não faz nada, não manda nada. Talvez tenha desencalhado de mim.
— Não diz isso, Cami — tentei dar uma animada nela. — Talvez ele só não saiba se declarar.
— Esquece, Vilu, nós não temos chance.
— Espero que entre novos alunos nesse ano. E de preferência meninos, porque falando sério: nossa sala precisa de meninos — disse Fran.
— Vamos ver: tem o Maxi, o paspalho do Andrés, o trouxa do Broduey e o Marco — Camila contou nos dedos cada garoto de nossa sala. — Puxa! Estamos em situação crítica. Concordo contigo, Fran. Precisamos de alunos meninos novos.
— Ai, só vocês mesmo — ri.
Ficamos conversando sobre outras coisas de diversos assuntos e blá, blá, blá.
Angie, mais conhecida como minha tia, veio nos avisar que teríamos aula de canto normal e que éramos pra avisar nossos outros colegas de turma.
Sem delongas, fomos procurar o pessoal. Encontramos Naty e Ludmila no banheiro. Ludmila retocando a maquiagem, como sempre, e Naty sendo sua assistente/escrava. Maxi, Andrés e Broduey estavam trocando ideias com alguns outros estudantes no Zoom. Não encontramos Marco e Tomás, estava na sala de dança, com um caderno em mãos, acho que compondo uma música. 4 minutos depois, estavam todos reunidos na sala, exceto Marco, que ninguém sabia ou tinha notícia de seu paradeiro.
A aula não foi uma das mais legais, mas foi muito eficiente. Angie explicou mais profundamente sobre o diafragma, a respiração durante a canção e outras coisas do mesmo tema.
Quando a aula da Angie acabou, fomos para sala de dança com o Gregório. Ele explicou que amanhã teríamos uma pequena apresentação para os alunos que se inscreveram e que fariam o teste para tentar entrar no Studio. Iremos dançar Junto Somos Más, porém com a nova coreografia que montamos há um mês.
O ensaio foi bem fácil. Por incrível que pareça, Gregório nem gritou ou chamou nossa atenção toda hora. Foi no mínimo umas quatro ou seis vezes — o que é de fato um recorde.
Pablo nos chamou no Zoom e explicou com mais detalhes o que Gregório havia falado. Passamos mais duas vezes a coreografia e a música e fomos dispensados.
— Espero que esse ano entre pessoas com talento de verdade — reclamou a loura oxigenada. Óbvio, quem mais seria?
— Gente, e se entrar um alienígena disfarçado de humano, roubar nossas músicas e levar para seu planeta? — perguntou Andrés desesperadamente desesperado.
— Calma, cara — tranquilizou Maxi —, isso não vai acontecer.
— Mas, Maxi, ontem eu assisti um filme e...
— Andrés — chamei —, relaxa. Alienígenas não existem. — Ele me olhou desconfiado, mas calou a boca.
Fran e Cami estavam vermelhas de tanto segurarem o riso. Só de olhar para as duas figuras, a vontade de rir também se manifestou em mim.
Praguejei mentalmente, tanto Andrés, como elas.
Resolvemos ir embora, não tínhamos mais nada a fazer e Pablo nos havia dispensado, então o que estávamos esperando?
Cheguei em casa e joguei meu sapato bem longe, subi para meu quarto e me joguei na cama. Fechei meus olhos e deixei meus pensamentos tomarem seu próprio rumo. Pra falar a verdade, acho que acabei cochilando porque só lembro-me de ouvir meu pai berrando para eu ir jantar.
Eu, sem dúvida, precisava de um banho, porém eu precisava milhões de vezes comer.
O jantar foi 80,5% de risadas, 10,4% de gracinhas por parte do meu pai, 6% de gracinhas por minha parte e 3,1% de jantar de verdade.
Resumindo, mais brincamos do que comemos.
— Para, pai. Eu não aguento mais rir, minha barriga está doendo — reclamei em meio aos risos.
— Parei — falou, mantendo uma cara séria, mas logo rindo novamente.
— Eu tô fora — levantei da mesa, joguei meu guardanapo perto do prato e subi pro quarto. Ainda podia ouvir as risadas de meu pai. Nunca o vi rir tanto em minha vida.
Após meu banho, deitei na cama e fiquei lendo um incrível livro...
— Oba, chegou mais uma — anunciou Andrés, assim que cheguei.
Tomei um susto, pois não tinha visto ele. Maxi, que estava perto e viu, começou a rir. Fiz uma cara feia pra ele, que a ignorou completamente.
— Onde estão as meninas? Elas já chegaram? — perguntei pra Maxi.
— Sim, elas estão te esperando no Zoom — respondeu. Agradeci e segui para o mesmo.
— Nem acredito que hoje entrarão novos alunos. Que entrem meninos gatinhos, okay, Deus? — falou Fran, jogando as mãos para o alto.
— Não creio no que vi — disse, rindo muito. Essa não foi uma cena comum. Ri do seu desespero por garotos.
— Ah, cala a boca, Violetta.
— Quando você deixou de ser comportada, Fran? Não estou te reconhecendo — debochei.
— Trouxa — xingou irritada.
— Essa eu deixo passar. Mas então, quando vamos nos apresentar? Quero ver as audições dos novos alunos.
— Pablo disse que depois das nove — respondeu Cami.
— E que horas são?
— Oito e vinte — respondeu alguém atrás de mim.
Olhei pra trás e vi Tomás, com um pequeno sorriso.
— Bom dia, Vilu.
— Bom dia, Tomás. Como vai?
— Bom dia também, Tomás — falou Fran, de um jeito não muito bacana, chamando a atenção dele.
— Bom dia, minha querida amiga e bom dia, Camila — disse rindo. O celular de Tomás começou a tocar interrompendo o momento. Ele pegou, olhou o identificador e franziu a testa.
— Quem é? — perguntei por curiosidade.
— O treinador, vou atender, já volto — e assim ele foi embora.
Quando Tomás já estava a uma distância boa o suficiente para não ouvir, perguntei, maliciosamente, é claro:
— Animada, Fran?
— Muito — respondeu.
Jogamos conversa fora como todos os dias até que o Studio foi enchendo de gente nova e tivemos que nos preparar.
Ludmila ficou se “auto paparicando” e Naty servindo de assistente.
— Pessoal, estão prontos? — perguntou Pablo.
Concordamos.
— Ótimo, cinco minutos e vocês entram.
Fizemos um rápido aquecimento vocal e entramos em ordem.
Pablo fez uma rápida saudação e a música começou. As meninas entraram primeiro, logo depois os meninos e eu.
Quando entrei, dei uma rápida olhada no pessoal e puxa! Eram muitas pessoas. Talvez mais do que no ano passado, quando foi minha vez.
Estávamos todos sincronizados Fizemos o giro, mas senti que algo estava errado: senti um forte impulso em minhas costas, mais conhecido como empurrão.
O mundo perdeu o foco para mim quando percebi o que estava por vir: a qualquer momento eu ia bater minhas costas na pequena escada do palco. Como uma forma de tentar amenizar a dor fechei meus olhos, apenas esperando o meu "nada encontro suave" chegar. Mas o engraçado é que eu não senti uma dor terrível e sim dois braços fortes me segurando, amortecendo minha queda. Abri meus olhos, minha respiração estava mais do que acelerada devido o susto e foi quando eu vi novamente aqueles olhos verdes esmeralda que me deram a diminuta sensação de estar voando além das nuvens.
O mundo parecia ter se dissolvido por completo. Em minha mente, só existia o garoto de olhos verdes esmeraldas e eu, em seus fortes braços.
— Sempre vamos nos encontrar assim? — perguntou, exibindo o mais lindo sorriso branco que já vi em minha vida inteira.
Achei que fosse explodir igual uma panela de pressão, mas não entendia exatamente por que. Tentei organizar os meus pensamentos em questão de milésimos, porém eu fiquei mais confusa do que antes.
Tentei dizer algo, mas nada além de um pequeno murmúrio inaudível saia de minha boca. Por mais que eu tentasse não passava disso.
O garoto me olhava profundamente e eu retribuía seu olhar. Distingui um pequeno castanho claro próximo de sua pupila, que deixavam seus olhos ainda mais belos que antes.
Quando pareceu que ele ia me soltar, me agarrei mais ao seu corpo e então descobri que na verdade ele ia apenas me colocar em terra firme. Senti minhas bochechas pegarem fogo ao ver que todos olhavam a cena, principalmente Tomás, que estava com cara de poucos amigos e Ludmila que fuzilava o menino que acabou virando meu herói.
— Puxa! Nem sei como nós te agradecemos — interviu Pablo, me trazendo completamente à realidade. — Você praticamente a salvou de uma lesão muito grave, ou quem sabe a sua própria vida, dependendo da queda.
— Não precisa agradecer, Pablo — ele respondeu, ainda me olhando. — Apenas fiz o que qualquer um faria.
— Está tudo bem com você, Vilu? — perguntou Fran, chegando do meu lado.
Assenti, porém olhando para ele, que de fato, salvou minha vida. Acho que louco não combinava mais com ele e sim salva-vidas ou quem sabe herói?
— Fran, leva a Vilu pra beber água e tomar um ar, por favor — disse Angie.
Fran assentiu e apenas me deixei ser guiada pela italiana de cabelos negros.
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