Notas iniciais
Oi pessoal, acho que esse capitulo ficou longo. O que vocês acham? Boa Leitura!

Ele chegou puxando a cadeira na frente da minha ruidosamente, olhei para trás bem a tempo de ver Mary fechar a cara para mim, suspirei. Ele jogou a mochila no chão e me olhou, ele tinha olhos castanhos, mas não eram castanhos simples, era um castanho claro meio cor de folha seca. Me lembra olhos de gato, eu acho que nunca tinha visto olhos dessa cor.
— Você usa lentes de contato? — Perguntei sem me controlar. Eu tenho esse infeliz problema, falar o que estou pensando sem conseguir me controlar.
Ele ficou olhando para minha cara, acho que ele não achou que estivesse falando sério.
— Eu não, mas você deveria — disse depois de um tempo.
Me remexi desconfortável na cadeira e ajeitei os óculos por instinto. Limpei a garganta e peguei a ficha dele que estava na minha frente.
— Por qual matéria você quer começar? — tentei forçar um sorriso.
Ele me olhou como se eu fosse louca e pegou o celular, teclou alguma coisa e colocou o celular na mesa.
— Okay, vamos começar por cálculos então.
Peguei o livro, abri na página de cálculos avançados e comecei a explicar. O cara nem se esforçou para fingir que estava prestando atenção, quando o celular vibrava ele pegava e digitava alguma coisa e colocava de volta na mesa. Eu me senti burra, falando sozinha como uma tonta. Quando o relógio bateu 17 horas eu quase desmaiei de alívio. Ele pegou o celular na mesa e a mochila no chão e saiu sem dizer nenhuma palavra, eu Auxilio na recuperação de várias pessoas e nunca me senti tão exausta e nunca estive com um aluno tão desinteressado.
Mary estava trocando risinhos com seu aluno de recuperação quando eu cheguei na mesa dela. Ela se despediu e o menino saiu sorrindo da sala.
— Já sei o que você vai falar e a resposta é Não! — Ela disse se levantando e juntando os livros.
— Mas por que eu? O que eu fiz de errado para você me castigar desse jeito? É óbvio que ele não quer aprender, eu nem sei se é possível aquele burro aprender alguma coisa!
Mary me olhou com censura
— Ele está aqui por ordem do diretor Cláudio, o Mateus está por um fio e não vai poder jogar nas finais se não melhorar as notas, eu sei que ele pode ser uma pessoa difícil mas ele precisa do seu esforço. E você é a melhor auxiliadora que temos, se você não conseguir ensinar a ele, nenhum outro conseguirá.
Ela tem esse costume, te elogia para obrigar você a fazer uma coisa que você não quer fazer, mas hoje isso não vai funcionar comigo.
— Não posso fazer nada por alguém que não quer ser ajudado! — falei com um risinho, não tinha como ela discutir esse argumento.
— Não tem que esquentar sua cabeça com isso. Se ele não conseguir uma melhora significativa na próxima prova preparatória ele será expulso, então apenas faça sua parte.
Fiquei mexida com a notícia, eu estava ciente que as notas dele são péssimas mas não imaginei que estava tão no fundo do poço assim. Bom, de uma forma ou de outra eu estaria livre dele em pouco tempo, então relaxei.
Peguei minha bicicleta e fui para casa. Liguei a TV bem alto para não me sentir sozinha, coloquei ração para o Sr. Miau que já veio com toda velocidade comer. Tomei um banho, fiz as tarefas e preparei um plano de aula compatível com as notas do Mateus, eu estava realmente disposta a fazer a minha parte, assim não ia me sentir nada culpada quando ele fosse expulso. Já era um pouco tarde então pedi uma pizza. Assisti minhas séries na Netflix, comendo minha pizza deliciosa, dei um pedaço pro Sr. Miau e guardei o restante pra mamãe. Fui me deitar com uma sessão de dever cumprido, o dia não tinha sido tão ruim, e cada dia com um pouco de paz é uma vitória.

Acordei um pouco antes de o despertador tocar com a pança do Sr. Miau sufocando o meu rosto, ele sempre faz isso quando está com fome e ainda não acordei. Tirei ele do meu rosto e coloquei ele no chão, fui ao banheiro e fiz minha higiene, estava um dia mais quente então coloquei uma camisa branca mais folgada e um jeans. Desci as escadas e coloquei ração para o gato gordo que estava me seguindo pela casa, cheguei na cozinha e fiquei contente em ver minha mãe. Corri até perto dela e dei um abraço apertado e um beijo estalado no rosto.

— Bom dia Mãe!!! Como você está? – disse sentando na minha cadeira, minha mãe tinha feito panquecas, eu amo panquecas.

— Estou bem meu amor, e você? Como vai a escola? – ela se sentou na cadeira ao meu lado.

— Eu estou bem e está tudo certo no colégio, só estou surpresa de encontrar você em casa a essa hora.

— Como cheguei mais tarde ontem, decidi entrar um pouco mais tarde hoje para podermos ter algum tempo juntas, sinto que estou deixando você tempo demais sozinha e estou com saudades – Vi sinceridade nos olhos da minha mãe, ela era durona por fora, mas é manteiga derretida por dentro, os olhos já estavam brilhosos de quase lágrimas. Então agi rápido.

—Mãe eu sei que você trabalha para podermos ter uma vida confortável, eu entendo, juro – falei engolindo minhas panquecas.

— Eu sei filha, eu sei. Mas quero passar mais tempo com você, hoje não vá a lugar nenhum depois da aula, eu vou sair mais cedo do serviço e preparar uma janta especial só pra nós duas.

Sorri de satisfação, minha mãe é a melhor do mundo inteiro. Ela me deu uma carona para o colégio e mesmo sabendo que eu terei que voltar para casa andando, não me importei pois cada segundo ao lado da minha mãe era maravilhoso. Como acordei mas cedo e cheguei rápido na escola por causa da carona com a minha mãe, fui uma das primeiras a chegar, estava tudo vazio e isso era até um alivio para mim. Caminhei pelo pátio sem pressa, mas logo comecei ouvir alguma coisa. Fui me aproximando da quadra poliesportiva e conforme me aproximava podia ver melhor o que estava acontecendo. Um pobre garoto estava cercado pelos idiotas atléticos sem cérebro, mas havia apenas três deles, Matheus não estava presente.

O coitado do garoto que teve esse infeliz encontro com eles estava sendo jogado de um para o outro como se fosse uma sacola velha. Arrancaram o casaco que ele estava usando, e começaram a enrolar o casaco nele de forma que seus braços ficaram amarrados. Algumas meninas estavam logo atrás do trio e riam como se aquilo tivesse alguma graça, fiquei olhando por um segundo até constatar que elas não fariam nada para ajudar e nesse triste momento eu fiz a pior besteira que poderia ter feito, fui correndo na direção deles.

— Parem com isso agora – Fui gritando assim que me aproximei. Eu já estava arrependida antes mesmo de parar de correr, mas era tarde, eles já tinham me visto e a cara que eles estavam fazendo não era boa.

Jean estava com o garoto enrolado nas mãos e o empurrou para Felipe que deu apenas um passo para o lado e deixou o cara se esborrachar no chão. Fui andando cautelosa até o garoto caído e descobri seu rosto, mas antes que eu pudesse fazer outra coisa Felipe já tinha agarrado a alça da minha mochila e estava me arrastando de costa. Eu mexi os ombros para tirar os braços da bolsa e fiquei no chão enquanto minha mochila ficou com ele. Dando risada ele abriu a minha bolsa e começou jogar todos os meus papéis pelos ares, eu fiquei chocada no primeiro momento, mas rapidamente me coloquei de pé e virei para encara-lo.

— Me devolve minha mochila, por favor – tentei falar com a voz calma, mas metade de mim tremia de raiva e infelizmente a outra metade tremia de medo.

— Ainda bem que você pediu “por favor”. Pode vir aqui pegar. – ele falou segurando minha bolsa na minha direção.

Eu caminhei até ele, mas quando fui pegar a mochila ele simplesmente a suspendeu no ar. Ainda pulei para tentar alcançar mas meu 1,60 de altura não pode ser comparado com a altura de um jogar de basquete. Carlos e Jean estavam abraçados segurando um no outro para não rolar no chão de tanto rir, as meninas que estavam em volta também davam risadinhas. Nessa hora vi uma mão segurando o braço de Felipe, olhei e vi que era o Mateus. Fiquei um pouco mas tranquila, talvez ele não fosse tão idiota quanto eu pensei.

O Mateus pegou minha mochila das mãos do Felipe e todo mundo parou de rir no mesmo instante, estávamos ao ar livre mas não dava para ouvir nem os passarinhos cantando de tanta tensão, estendi o braço achando que Mateus me entregaria a mochila mas ao invés de fazer isso ele virou ela de boca para baixo e jogou todos os meus matérias no chão, eu fiquei chocada por alguns segundos até que ele jogou a mochila vazia no meu rosto, fisicamente não doeu nada, mas para mim valeu mais que um soco. Felipe veio bem rápido na minha direção e eu achei que ele realmente me daria um soco, então dei um passo em falso para trás e cai de bunda no chão. Todos explodiram em gargalhados ao mesmo tempo em que o garoto embrulho me alcançou, ele tinha se livrado do casaco e até juntado alguns dos meus papéis.

— Você está bem? – quis saber o embrulho

Isso só serviu para formar uma nova onda de gargalhadas nos patetas e na plateia, tinha mais pessoas assistindo a cada minuto.

— Rainha dos Nerds – Falou Mateus rindo um pouco. Os outros não controlavam o riso e começaram a gritar Rainha dos Nerds pelos quatro cantos.

Mateus virou as costas e começou a se afastar e então todos o seguiram, as pessoas que estavam assistindo do lado de fora da quadra também acharam o que fazer, mas ainda rindo de mim, é claro.

— Hey, você está muito vermelha. Esta passando mal? – Tentou embrulho novamente.

— Estou vermelha de ódio – Bufei me levantando. Ele me ajudou.

Uma menina de cabelo com corte joãozinho veio correndo na nossa direção

— Meu Deus Rique, o que aconteceu aqui? – Disse se aproximando.

— Aqueles idiotas estavam implicando comigo, ai ela chegou e eles começaram a implicar com ela e o resto você viu com seus próprios olhos – Explicou enquanto juntava meu material espalhado, eu também estava catando folhas no chão, a cabelo Joãozinho começou a ajudar.

— Mas o que você faz para eles Rique? – Ela quis saber.

— Não fiz absolutamente nada, eu estava aqui sentado e eles chegaram e começaram a pegar no meu pé. Eu tentei ir embora mas eles me seguraram. – Disse me entregando meu ultimo livro. Fechei a bolsa e sai correndo para a classe, já tinha arrumado encrenca para a semana toda.

Por que eu simplesmente não conseguia ficar invisível? Eu estava desolada.

Notas finais
Esse capítulo ficou bem longo, vou tentar poupar detalhes no próximo. Obrigada por ler. Não esquece de deixar sua sugestão.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.