— Sabe, a única coisa útil que Melissa fez foi brigar por um quarto de hóspedes.

— Você vive falando da Melissa, ela é uma ótima mãe, eu ainda a trato como minha tia. Não tem realmente chances de vocês voltarem? – Caio perguntou para o tio enquanto arrumavam o quarto.

— Acho que não – respondeu suspirando.

— Você ainda é caidinho por ela – declarou sorrindo.

Jorge ergueu uma sobrancelha olhando para o sobrinho. – Para de rir da desgraça alheia garoto! Se eu quiser, reconquisto ela rapidinho.

— Ah é? Eu duvido – falou guardando as roupas no guarda roupa, fingindo não acreditar. – No sábado fui naquele bar karaoke, e a vi com um homem.

— Que homem? – Jorge perguntou quase pulando da cama.

— Pai! Cheguei! – A conversa foi interrompida por Rafael que gritou entrando em casa.

— Aqui em cima! – avisou Jorge gritando para o filho.

Rafael subiu as escadas se arrastando, viu a porta do quarto de hóspedes que ficava no final do corredor aberta.

— Oi! – falou ao chegar no quarto.

— Oi, Rafa! – Caio cumprimentou o garoto de cabelo loiro meio cumprido, com a franja caindo nos olhos castanhos. – O que aconteceu com sua boca?

— Foi na semana passada, no colégio – respondeu franzindo o cenho, com a mão na boca, sem querer realmente falar sobre aquilo. – Mas, deixa pra lá. E seu braço?

Caio olhou com os olhos cerrados como se fizesse ideia do que aconteceu, torcendo a boca. Quebrado, ao menos não ‘tá mais doendo tanto.

— Sinto muito pelo que rolou.

Rafael não queria entrar no assunto, sabia que era cedo demais, mas queria tentar dar algum apoio mesmo que por palavras.

— Eu ainda não acredito, não imaginei que ele poderia chegar a esse ponto. – Rafael olhou o primo e suspirou ao ouvir a afirmação do pai, que naquela altura parecia ridícula.

— Você vai denunciar ele não vai? – Rafael questionou olhando fixamente para Caio, seu olhar demonstrava que estava curioso e ao mesmo tempo pedindo para que o fizesse.

— Não sei Rafa, eu… — Caio parou respirando fundo. – Eu queria ficar um pouco sozinho – pediu um tanto sem graça, a casa não era sua apesar de sempre estar lá.

— Vou indo pro meu quarto então – Rafael falou saindo de cabeça baixa e pensativo, tantos problemas por causa do jeito de ser das pessoas, ninguém podia se mostrar como era, estava cansado disso, ele apanhou, Caio apanhou e pensou em quantas outras pessoas não apanhavam por simplesmente serem quem são.

Depois de ser deixado sozinho em seu mais novo quarto por tempo indeterminado, Caio começou a assimilar tudo o que tinha acontecido naquele dia. Sua garganta começou a fechar e sentia aquele nó se formando e sua visão começando a ficar embaçada pelas lágrimas.

Ao pensar nisso mandou uma mensagem para Samara avisando que estava na casa do tio e começaram a trocar mensagens, Caio acabou contando todos os fatos daquele fim de noite, começo de manhã para a amiga, lembrando de tudo começou a chorar mais e a soluçar, quebrado era a palavra que definia Caio naquele momento, Samara não aguentou sentir a tristeza do amigo e se deixou levar pelas lágrimas também.

Samara estava em sua casa, sentada no sofá com seu pai, ambos assistiam um filme, mas se sentiu obrigada a dar atenção ao amigo.

Foi até o quarto, pequeno e arrumado, as paredes rosa claro deixavam o ambiente um pouco infantil, principalmente pelas bonecas que decoravam o quarto em algumas prateleiras, em um canto ficava uma mesa usada para estudos, ao lado seu armário. Na parede acima da cabeceira da cama ficava um painel com algumas fotos suas com os amigos.

— Pai! – chamou da porta do quarto.

— Fala! – seu pai respondeu ainda deitado no sofá.

— Posso ir até a casa do Caio? – pediu de olhos fechados implorando para uma resposta positiva.

— Não está tarde? Amanhã você tem aula!

— Por favor, pai! – suplicou. – Juro que vou a aula amanhã, mesmo sendo o primeiro dia!

(...)

Quando o dia se tornava noite Caio ouviu batidas na porta.

— Entra – falou fungando antes que entrassem.

— Será que posso te levar para jantar? – Leandro entrou com seu melhor sorriso.

— Le! – Sorriu de volta observando o namorado entrar enquanto se sentava na cama, seus cabelos eram bem claros assim como sua pele, olhos azuis, Leandro era extremamente magro e alto. – Não acho que seja uma boa ideia.

— Eu acho que é – falou sussurrando antes de beijar delicadamente os lábios de Caio.

— Só que eu não quero, pensei que poderíamos ficar e jantar com meu tio e com o Rafa – falou sem graça se desvencilhando do namorado.

— Ah, vamos Caio, é sua última noite de férias, quero ficar com você – pediu manhoso, sentando na cama.

— Não tô legal para sair hoje, sério, eu queria ficar quieto, deitado – falou deitando e colocando a cabeça nas pernas do namorado.

— Se é o que você quer eu vou respeitar – sussurrou abaixando para beijar os lábios de Caio.

Um pouco mais urgente o beijo atiçou o mais novo, que com ajuda de Leandro levantou e sentou em seu colo tomando cuidado com o braço engessado.

— Eu não quero fazer isso aqui – Caio disse baixinho ainda de olhos fechados.

— Eu não me importaria se fizesse, sinto falta, sua falta, falta de passarmos um tempo sozinhos – Leandro revelou deitando sua cabeça no ombro do namorado enquanto dava leves selinhos em seu pescoço.

— Eu também sinto falta, mas acho que as coisas estão um pouco complicadas agora.

— Tudo bem, quem sabe amanhã não é? – perguntou alisando o rosto do moreno. Caio apenas concordou com a cabeça saindo do colo de Leandro.

— Eu quero tomar banho, você me ajuda a cobrir o gesso? – Pediu indo pegar suas roupas.

— Ajudo sim.

Os dois desceram e protegeram o gesso com um saco plástico para não molhar, Caio subiu para tomar banho e Leandro ficou na sala, onde Jorge trabalhava no notebook e Rafael assistia televisão.

— Como ele ‘tá? – perguntou o mais velho sem tirar os olhos da tela.

— Acho que ele está bem, não falou nada sobre, só o básico por mensagens.

Rafael ouvindo a resposta de Leandro revirou os olhos pensando, não é como se ele fosse falar alguma coisa para você babaca.

— Complicado. — Jorge tirou os óculos esfregando os olhos, se sentindo cansado pelas complicações do dia.

(...)

Jorge ainda trabalhava em seu computador enquanto os meninos assistiam televisão sentados no sofá da sala quando a campainha tocou.

— Deve ser a Isa! – Caio falou se levantando.

— Eu abro! – Rafael também se levantou e abriu a porta da sala com a chave na mão sendo seguido por Caio.

Abriram o portão e encontraram Samara erguendo três sacolas a frente do rosto.

— Trouxe biscoito de polvilho! – Abaixando as sacolas sorriu olhando para os amigos.

— Espero que não seja aquele de queijo! – Rafael falou.

— Mas aquele é o melhor! – retrucou piscando um olho para Caio que sorria por conta da careta que o primo fazia enquanto fechava o portão. – Vamos entrar logo!

Samara se sentia em casa independente de quantas vezes esteve no lugar ou se conhecia ou não as pessoas que ali moravam. Simplesmente entrou em casa colocando a bolsa no sofá.

— Oi, Ge! – cumprimentou Jorge chamando-lhe pelo apelido e dando um beijo em sua bochecha.

— Que bom que pôde vir, obrigado.

— Não foi nada, eu amo filar um rango na casa das pessoas – falou rindo enquanto se virava para Leandro que ainda estava sentado no sofá. – Oi, bundão.

— Boa noite, Isa! Como está? – cumprimentou ironicamente.

— Sabe, eu até que estou bem, que bom que se interessa pelo bem dos amigos do seu namorado.

— Que bom que fica feliz – sorriu irritadiço olhando Samara que se acomodava no sofá de três lugares com os pés na mesa de centro.

Notas finais
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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.